2 de janeiro de 2018

O Inferno estaria cheio de boas intenções?


Há um tempo atrás escrevi um post sobre cabeça vazia e a visão que muitas pessoas têm em relação à mente limpa de pensamentos. Isso leva a outra questão importante: de boa intenção, o Inferno estaria cheio mesmo? Tão comum as pessoas falarem isso quando alguém se atrapalha ao tentar ajudar, e no final acaba não dando muito certo, até agravando a situação.

Existem dois lados a serem tratados inicialmente: a questão da ação "ruim" causada por uma boa intenção, e a falsa "boa intenção" mascarada por trás de uma ação negativa. O ponto comum é a ação: ela causou danos a quem não se queria causar, pelo menos não intencionalmente. Tende-se a preferir a "boa ação" com fins negativos do que uma boa ação que cause "prejuízo": geralmente esta resolve problemas, permitindo que novos surjam para o ajudado e liberando o fluxo evolutivo.

Ou seja, esse ditado acaba por coagir as pessoas a tomarem alguma atitude para ajudar, com medo de causarem mais danos: isso vai além da questão do livre-arbítrio de ser ajudado ou não, já que há situações nas quais não adianta ficar elucubrando se vai fazer algo ou não. Entra também no campo da caridade, já que ajudar o outro sem esperar nada em troca é uma ação elevada.

Ajudar hoje em dia virou um círculo vicioso: você ajuda para ficar bem na fita e não para promover uma mudança efetiva, e o ajudado não quer sair de sua situação para não ter que tomar responsabilidade pela própria vida e continuar a depender de outrem. Quando se realmente precisa de ajuda, o ditado cai como um jargão que reseta o sistema e anula qualquer mudança que poderia ser efetivada.

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