30 de janeiro de 2018

Mas o que é realidade?


Mandaram-me um vídeo sobre a "verdade" a respeito de Nelson Mandela. Eu nunca estudei sobre na faculdade (talvez isso possa ser uma reflexão para um outro post), e meio que ficou na mente a imagem criada na escola. Nunca questionei por falta de interesse, mas alguns pontos me intrigavam, sobretudo com a questão da "realidade", não o fato em si. Simplesmente o tempo passou.

A impressão que dá é que ser pega de surpresa a respeito é algo meio "condenável" - até minha mãe já sabia e eu não (ah, a página dela da Tupperware tem mais curtidores do que a do blog. Não me faz diferença uma coisa e outra). Como passei o curso fugindo das tretas políticas, mergulhando na Idade Média e tudo o mais, para mim é como perguntar de medicina do esporte a um ginecologista.

Cheguei à conclusão de quanto "melhor pintada" é uma pessoa, mais duvidosa é sua história. Documentos (orais e escritos) podem ser adulterados, escondidos, e mesmo destruídos. O tempo vai passar e aquela imagem vai ficar, como Santa Fé de Conques que nunca existiu e possui uma relíquia de osso.

Mas não existe uma história verdadeira, muito menos falsa! São inúmeras versões de determinado assunto a se analisar e refletir - e assim tirar sua conclusão, que será diferente da de Fulano, de Ciclano, e de Cicloalcano.

A partir disso dá para se questionar a própria realidade: é aquela quebra da corrente de que fala Platão no Mito da Caverna e a pessoa sai por aí. Depois da luz do sol ofuscar, começa a se ver detalhes que antes não eram visíveis nas sombras. Como por exemplo:

  • A Bela d'A Bela e a Fera da Disney. Ela é uma mocinha totalmente no mundinho de Bob (e isso não é um elogio), que foge para seus livros para ser diferente dos demais. Essa é a falha dela: os livros não são uma forma de ver o mundo, mas sim para fugir dele, sem adicionar nada, nadinha.

    Casar-se com Gastón a colocaria nos trilhos, não de forma negativa - eu duvido que ele não seria um bom marido ou mesmo um bom genro. A Fera torna-se praticamente uma moça após ser "domesticada" por Bela (repare no simbolismo dos pêlos, alusão ao mundo natural), algo que ela nunca conseguiria fazer com o macho-alfa do povoado.

    Há outras versões da história, onde não existe um antagonista, mas o trabalho de um lado selvagem como forma de superar a vaidade (a Fera era "moça" demais). Nessas versões, Bela não é fútil, ao contrário das irmãs, que lembram a Bela versão Disney. A protagonista pensa no bem estar da família como um todo após seu pai perder tudo o que tinha. A rosa no caso era o único presente que tinha pedido, ao contrário de livros, roupas e joias, o que põe seu pai em contato com a Fera.

  • E o que dizer de Moana então? Uma adolescente imatura dando ordens a uma das principais divindades da religião polinésia, sobre algo que ocorreu em tempos imemoriais, sendo que, no final das contas, ela vira a heroína e grande líder! O que seria mais absurdo no caso: a vulgarização de uma doutrina religiosa (a religião polinésia é praticada até hoje, e o filme gerou um problema diplomático sério) ou propagação da ideia de que o jovem pode tudo, mesmo sem maturidade para tal?

Com esses dois exemplos, Mandela fica no chinelo! O que é matar pessoas perto de tirar a vida delas enquanto vivas, sem que elas saibam? Ambos são absurdos, não? Mas enquanto eu digitava isso, as pessoas mantinham suas preocupações "chakra básico": emprego, comida, pagar as contas, eleições...

23 de janeiro de 2018

Uma observação sobre opressão


Depois daquela treta na escola de Kung Fu, comecei a pensar se isso não era comum nas artes marciais de forma geral ou, pior, na cultura oriental como um todo. Até um tempo atrás pensei que a filosofia oriental fosse um caminho interessante para o processo evolutivo, e estava estudando esse assunto com especial atenção até o vídeo impactar minha mente.

Infelizmente cheguei à conclusão de que nunca existiria um Neo no Extremo Oriente, não pelas pessoas já terem superado estágios básicos de evolução, mas sim porque as culturas orientais conseguiram transformar conceitos elevados em ferramentas de controle social eficientes. Poucas pessoas realmente se libertam através desses caminhos, sendo muito mais uma forma de controlar os que conseguiram "sair do controle" do que incentivá-los a sair. Entenda neste caso que "sair do controle" é sinônimo de "sair do sistema", criar um novo rumo.

Se prestar atenção, é no Oriente que existe a cultura da submissão, da obediência cega, do controle do corpo e da mente (e até do espírito talvez). A pessoa se condiciona a fazer o que possível (e impossível) for, nem que para isso arrisque a própria vida - quase que sem devolutiva (um tapinha nas costas?).

O oriental, ao tomar o controle, torna-se tão controlador quanto seus antecessores, transformando o que sofreu em mera justificativa, e não verdadeira superação. Eu diria que é a cultura do "paga-lanche": o cara foi humilhado a vida inteira, e ao superar a situação, começa a fazer o mesmo com os outros. Não existe aprendizado, tampouco evolução.

Enquanto que no Ocidente esse tipo de hierarquia é mais maleável (apesar de seus defeitos), no Oriente mestre é mestre, por pior que seja, para não dizer um palavrão. Ele é considerado o melhor apenas por ser mestre, e não por ser um exemplo de superação (que muitos imaginam ser). E ai de quem questionar.

Talvez um dos grandes males da sociedade atual seja conceitos tão elevados (não-definição, realidade ilusória, reserva de mercado, etc) serem distorcidos como uma forma de controle. E nessa sociedade de rebanhos, ninguém se preocupa com isso. As pessoas são tão acostumadas ao controle social e mental que não lhe faz diferença quem está no comando.

16 de janeiro de 2018

E quem é você para me dizer o que eu tenho que fazer?

Indo na levada do post sobre a maturidade para se adquirir conhecimento, assisti a um vídeo esses dias que me deu aquela bugada: um mestre de kung fu, conhecido até fora dos círculos das artes marciais, dando uma tremenda sova em seus alunos durante uma aula. Apesar do vídeo ser antigo, só agora ele tomou vulto nas redes sociais. Talvez o vídeo gere alguns processos e mais alguns "cala-bocas" (que já estão ocorrendo), mas não pude deixar de escrever sobre.

Talvez o que mais tenha me chocado neste vídeo foi a postura de um deles: o guri se atirou no chão, num gesto claro de desculpas. Pera, além dele não ter merecido os safanões que tomou, ele pede desculpa?! Para piorar, dezenas de pessoas comentaram a favor do professor e de seu "método", o que me leva a seguinte conclusão: isso é comum nas artes marciais. Essa tentativa de censurar (o vídeo foi excluído) e repreender tem por objetivo preservar um método de ensino que é cediço entre os praticantes, mas nada é feito em relação a isso.

Interessante pessoas falarem que se tornaram gente após sofrer esse tipo de abuso. É como o guri que sofreu bullying na escola a vida inteira, e ao tornar-se chefe repete as mesmas práticas de que foi vítima. São pessoas que não conseguiram superar o trauma, e tiram proveito de seu vitimismo, agravando a situação. Como você espera aprender, e crescer, passando por determinadas situações?

Um outro aspecto dessa relação professor-aluno é o cerceamento de conhecimento que o primeiro faz em relação ao segundo. Sabe quando eu disse anteriormente que as pessoas não estão prontas para tal conhecimento? Pois é, quem o professor acha que é para isso? Será que existiu (ou existe) alguém, que pode ser chamado realmente de mestre, para sugerir o que deve ser aprendido ou não? Quantos alunos, com enorme potencial, são podados nas escolas, para que não superem os pupilos escolhidos ou mesmo os próprios professores? Passei por isso na faculdade, nunca achei que fosse ver isso nas artes marciais.

Mas pessoas são pessoas, aí entra a questão de ego e vaidade que tantos tentam esconder e outros projetam nos desafetos. Falam que o aluno é imaturo para aprender tal coisa, se ele vai atrás (e aprende, às vezes até melhor), ele é arrogante. Se o desafeto é acima da média, poda-se. Ele quer progredir? Boicota-o. Até ele desistir, até ele largar, achando que aquilo não é pra ele. Se for até o fim? Se, apesar de tudo, conseguir superar, tornar-se realmente alguém? Vira o queridinho-que-nunca-o-foi, o orgulho, aquele que foram dedicados os melhores esforços.

Lembrou-me agora a Diane Stein, com seu Reiki não-tradicional. Sua maestria foi negada pela sua mestra (e deixou um buraco nas árvores de linhagens de reikianos), e mesmo hoje em dia muitos não a consideram reikiana. Indo mais fundo, há reikianos japoneses que não reconhecem a mestre Takata como reikiana, ou mesmo mestre, o que acaba por desconsiderar a pesada maioria de reikianos do mundo - inclusive alguns japoneses, que aprenderam o Reiki por vias ocidentais. No final das contas, foi ensinado e aprendido Reiki? A energia foi transmitida?

Não há o que se concluir, mas muito há para se refletir. Não pude deixar de fazer essas reflexões, depois de tudo o que eu passei ou presenciei.

9 de janeiro de 2018

Conhecimento para todos?


O conhecimento é acessível para todos, independente de quaisquer outros fatores, mas isso não significa que todas as pessoas estão prontas para absorver este conhecimento e evoluir com isso. Segue o mesmo raciocínio de sair do sistema: nem todo mundo está pronto para sair, e mesmo alguns que o conseguem, acabam por voltar. No final das contas, são pouquíssimas pessoas que realmente têm maturidade para tais coisas, o que acaba por ferir muitos egos imaturos.

É possível perceber isso quando conceitos elevados na cabeça de pessoas imaturas têm uma péssima aplicação, ou quando são questionadas, não sabem explicar os conceitos de forma efetiva. Não adianta aprender e conhecer qualquer coisa: a internet é um livro aberto para tudo - e a sensação que se tem é que as pessoas estão cada vez mais burras e mesmo que as informações estão cada vez mais rasas.

Isso abre espaço para reflexão sobre a manipulação de conhecimento que existe, e sempre existiu. Conhecimento abre portas, mas é a consciência que permite atravessá-las. Quem me garante que os clássicos são realmente clássicos? E as queimas de arquivo? O Passado nada mais é do que uma construção feita pelas pessoas, com o intuito de preservar certas ideias e esquecer outras: uma espécie de memória coletiva da humanidade. E o Futuro uma ilusão criada pelas próprias expectativas, esperanças, e mesmo sonhos.

Li em algum lugar há alguns anos essa frase: "dê leite às crianças e carne aos adultos". Não adianta querer ensinar conceitos profundos e complexos sobre o mundo se a pessoa nem aprendeu o básico. Por isso fica tanta coisa "escondida" do olhar da maioria: aí a "criança" se ofende e vai querer ir atrás, não entende nada e ainda fica brava - chega a ser engraçado. Não se apresse em adquirir conhecimento ou mudar sua visão de mundo: busque aprender uma lição de cada vez. Claro que não ocorre em uma sequência lógica, mas não force a barra.

Outra coisa: é normal mudar de opinião ao longo do tempo (até não se ter opinião nenhuma?). Engana-se quem pensa que devemos nos prender a nossa visão de mundo. Conheço pessoas de avançada idade e pouca experiência - ainda se seguram à visão utópica de juventude com todas as forças que ainda lhe restam, resistindo às mudanças, deixando um rastro de vazio no mundo. Interessante que este tipo de pessoa é a que mais tenta impor suas ideias utilizando-se como desculpa a idade. Mas o que é idade quando o tempo é ilusório?

2 de janeiro de 2018

O Inferno estaria cheio de boas intenções?


Há um tempo atrás escrevi um post sobre cabeça vazia e a visão que muitas pessoas têm em relação à mente limpa de pensamentos. Isso leva a outra questão importante: de boa intenção, o Inferno estaria cheio mesmo? Tão comum as pessoas falarem isso quando alguém se atrapalha ao tentar ajudar, e no final acaba não dando muito certo, até agravando a situação.

Existem dois lados a serem tratados inicialmente: a questão da ação "ruim" causada por uma boa intenção, e a falsa "boa intenção" mascarada por trás de uma ação negativa. O ponto comum é a ação: ela causou danos a quem não se queria causar, pelo menos não intencionalmente. Tende-se a preferir a "boa ação" com fins negativos do que uma boa ação que cause "prejuízo": geralmente esta resolve problemas, permitindo que novos surjam para o ajudado e liberando o fluxo evolutivo.

Ou seja, esse ditado acaba por coagir as pessoas a tomarem alguma atitude para ajudar, com medo de causarem mais danos: isso vai além da questão do livre-arbítrio de ser ajudado ou não, já que há situações nas quais não adianta ficar elucubrando se vai fazer algo ou não. Entra também no campo da caridade, já que ajudar o outro sem esperar nada em troca é uma ação elevada.

Ajudar hoje em dia virou um círculo vicioso: você ajuda para ficar bem na fita e não para promover uma mudança efetiva, e o ajudado não quer sair de sua situação para não ter que tomar responsabilidade pela própria vida e continuar a depender de outrem. Quando se realmente precisa de ajuda, o ditado cai como um jargão que reseta o sistema e anula qualquer mudança que poderia ser efetivada.