19 de junho de 2018

Sobre Reiki e artes marciais


Vejo que o Reiki e as artes marciais - sobretudo as japonesas - têm muito em comum. Só de pensar que o próprio mestre Usui praticava uma delas antes de fundar o Reiki (de acordo com as palavras da época), significa que há muito a se relacionar e muito a aprender com isso. Mas antes de começar é bom frisar que a arte marcial está longe de ser uma arte de pancadaria, como alguns pseudopacifistas pensam. A arte marcial é o trabalho de corpo, mente e espírito para melhoria do indivíduo enquanto ser humano. Seria a arte de parar a agressão, e não de promovê-la. É um caminho para paz interior tão rico quanto o Reiki, pela sua complexidade e plasticidade.

Em um aspecto teórico, as filosofias das artes marciais estão ligadas à não-agressão e ao autocontrole. Como disse antes, parece contraditório à primeira vista, mas olhando mais a fundo, ou melhor dizendo, sem preconceitos, faz total sentido. Geralmente a pessoa de índole violenta não consegue suportar o treinamento de uma escola de artes marciais, pois essa violência é direcionada e trabalhada para outros fins. Quem tem prazer por agredir os outros não busca técnicas "eficazes" para tal, apenas expulsar aquela energia agressiva da melhor forma possível para si. Outro motivo pelo qual o "violento" não gosta de arte marcial: o artista de verdade não se deixa levar pela provocação, mas ao precisar utilizar suas técnicas, o violento não terá defesa, acabando assim a brincadeira, risos.

As artes marciais orientais carregam consigo uma grande carga filosófica, assim como o Reiki - e mesmo da mesma fonte, o Budismo. Isso não significa que o Reiki tenha um vínculo formal com a instituição religiosa. Continuando a falar sobre não-agressão, o Reiki possui como o primeiro princípio o Sou Calmo: não se deixar levar pela impulsividade da raiva, de modo a não tomar atitudes destrutivas (que em outro post vou observar sobre). Em arte marcial, a não-agressão transforma a luta em defesa, não em ataque. Ao agredir o outro, o artista/lutador busca se defender e neutralizar o oponente.

O equilíbrio de corpo e mente (e espírito?) é parte da arte marcial como também do Reiki. Entenda o equilíbrio não como algo estático, mas como uma melhoria constante de ambos os aspectos através da prática. Você pratica o Reiki buscando se equilibrar e se melhorar, transmitindo esse equilíbrio através da terapia. Praticar uma arte marcial equilibra o corpo (exercícios, posturas) e a mente (concentração, disciplina), formando uma pessoa melhor do que ela já foi, e com consciência desta mudança.

Outro ponto em comum dentro da parte filosófica é a concentração. Ambos necessitam disso, assim como a vida da pessoa como um todo. Concentração, foco, atenção, etc. deveriam ser ensinados de forma mais direta. Não falo de meditação, pois acaba dando uma conotação de prática separada que acaba por não adicionar nada no cotidiano. Sem concentração, o Reiki fica tão robotizado quanto um movimento recém-aprendido na arte marcial. Interessante apontar que com a constância, a prática fica inconsciente, natural. Há relatos de reikianos cujo automatismo de movimentos é fruto da percepção, e não de um roteiro a ser seguido.

E como não relacionar um mestre de artes marciais com o mestre Reiki? Pessoas que de certa forma ultrapassaram o conhecimento ordinário sobre o assunto e criaram seu próprio caminho. Por mais que não seja assim, a ideia é por aí. Mesmo alguns reikianos e pesquisadores afirmam que para Usui o nível de maestria era concedido quando o praticante alcançava a iluminação, ou pelo menos tivesse um satori, algo assim. Seria o ideal inclusive para artes marciais: se não na faixa preta, pelo menos em alguns graus acima. Contudo, isso não faz parte da "cultura", principalmente no Ocidente, onde Iluminação é um assunto restrito a um grupo que acha que sabe de evolução.

Também pode-se falar da questão da repetição como outro aspecto coincidente de ambos. Tanto o Reiki quanto as artes marciais precisam ser praticadas arduamente para terem efeito. Isso desenvolve disciplina e foco, algo que já deu a entender anteriormente. E como o Reiki, a arte marcial deve ser praticada em casa também. Um artista marcial é formado não só na aula, mas fora dela também. Assim como o reikiano não o é apenas durante cursos e aplicações. E pessoalmente, um reikiano que não atua profissionalmente não é "menos reikiano" que o terapeuta que não pratica os Cinco Princípios.

Um reikiano, assim como um artista marcial, possui uma postura social, por assim dizer, diferente de quem não o é. Seja em palavras, gestos ou mesmo atitudes. Ao percorrer um caminho, a pessoa muda, sem deixar de mudar: ela apenas deixa vir à tona o que ela mesma é. Claro que boa parte das vezes a pessoa apenas reproduz atitudes da tribo, mas reduzir a apenas isso é tirar todo o mérito que o Reiki e as artes marciais possuem. Elas buscam formar indivíduos, pelo menos mais evoluídos do que foram. Não que elas sejam "diferenciadas", ou melhores do que qualquer outro caminho: qualquer prática que seja feita com Amor promove a evolução do ser, seja o Reiki, meditação, Yoga, artes marciais, tricô ou culinária. O resultado final é o mesmo, apesar de uns fazerem pratos maravilhosos ou outros saberem se defender de situações complicadas.

12 de junho de 2018

As falhas de calibragem


Por mais que eu goste do trabalho do Hawkins, eu tenho minhas críticas a fazer. Apesar das descrições sobre os níveis de consciência e as formas de progressão sejam precisas e eficientes, vejo um problema em como calibrar estes níveis. Hawkins usa um método cinesiológico de "forçar o braço" para obter suas respostas sim ou não. O que pode ser eficiente em um aspecto acaba tornando as coisas meio rasas.

Percebi isso lendo o livro Truth vs. Falsehood, literalmente Verdade contra Falsidade, obra que também não possui tradução para português. Algumas coisas foram bem calibradas como a Coca-Cola, cujos estudos de danos à saúde são cediços. Mesmo algumas obras foram calibradas em nível baixo, como o filme Matrix, por conta de "detalhes". No caso deste filme, as cenas de violência despencaram a calibragem.

Tolkien (sua obra) foi calibrado aquém do que eu mesma avaliei. Não é mera questão de opinião, como pode parecer, mas uma análise mais objetiva sem balançar o braço. No caso, devido ao objeto de análiser ser a trilogia O Senhor dos Anéis, deixando de lado sua principal obra, O Silmarillion. Ou seja, Hawkins é preciso e objetivo em diversos aspectos, mas é necessária uma visão mais ampla sobre a calibragem para que esta seja mais precisa e abrangente.

Além de alguns aspectos como a precisão das perguntas, e mesmo o método em si de forçar o braço, ainda insisto na questão da evolução negativa, na qual algumas pessoas (ou mesmo filmes, músicas, e a Coca-Cola) possuem um alto grau de consciência, mas tendendo ao caos. Hitler, que foi calibrado em 80, está mais para um -700 (iluminação negativa), pela sua consciência voltada à destruição.

Outro exemplo é o Nelson Mandela, calibrado em 500 pela sua imagem de "pacificador", quando que poderia ser calibrado em -500 (amor negativo), já que foi líder de um grupo terrorista, matando dezenas de inocentes, para depois "pagar de bonzinho", por assim dizer. O próprio Hawkins acusa essas imprecisões para calibrar criminosos e psicopatas: no Truth vs. Falsehood, ele apresenta o caso de um traidor que possuía duas calibragens: uma de sua imagem pública e outra relativa a sua conspiração. Neste caso, a calibragem negativa uniria ambos os aspectos, mostrando que a pessoa tem a consciência de fazer o mal, tanto quanto de fazer o bem.

Não vejo no momento calibragens negativas abaixo do nível 200: pode haver pessoas desenvolvendo consciência da vontade de dominar outras mas sem que a mesma esteja apurada. Assim como pessoas abaixo de 200 desenvolvendo uma consciência para o bem de si e dos outros. Como até 200 os níveis são instáveis, fica difícil precisar níveis negativos, podendo até serem compartilhados com a consciência negativa: ao superar o orgulho, a pessoa pode desenvolver uma coragem positiva (200) ou uma coragem negativa (-200).

Seria interessante que as pessoas estudassem e trabalhassem essas ideias em seu cotidiano, aprimorando a forma de calibragem e mesmo a descrição dos níveis e suas passagens. Uma escala negativa faz sentido em um planeta pouco evoluído (85% das pessoas calibradas abaixo de 200), pois discerniria pessoas de pouca consciência apenas das pessoas que possuem consciência do que estão fazendo, mas para outro lado.

5 de junho de 2018

Esse discurso do Saruman...

Indo no embalo do post sobre o Tolkien, gostaria de ressaltar um personagem muito peculiar na trilogia O Senhor dos Anéis: o mago Saruman. Assim como os outros magos, ele tinha por objetivo de fazer frente a Sauron, porém sem medir forças com este, muito menos dominar os habitantes locais. Não é o que acontece com Saruman: ao invejar o poder de Sauron, acaba agindo igual a ele, criando seus exércitos e dominando a região na qual vivia. Por fim, tenta suplantá-lo, e acaba sendo destruído em sua política duas caras.

Essa política teve por base o "belo" discurso do mago. Palavras bonitas e envolventes, que acabavam por convencer os desavisados que o ouviam. Mesmo seu servidor, Língua de Cobra, era perito nesta "arte". Confesso que ao ler suas falas eu ficava meio fora de mim e perdia o raciocínio da história. Pessoas que falam bem convencem e acabam por inverter situações desfavoráveis. A razão é perdida.


Isso serve de alerta aos "belos discursos" que existem hoje em dia. Pessoas que falam bem e conseguem convencer pelos "floreios" de suas palavras. Quando o encanto passa, para os espíritos atentos, percebe-se seu engodo: não existe matéria prática para agir ou base para pensar. O discurso é certo porque é bonito. Isso é parte da estratégia de manipulação mental que existe hoje em dia: a programação não oferece "defesa". Geralmente quem tem razão não apela para discursos "bonitinhos": expressa seu raciocínio e ponto - perdeu a discussão.

Quem nunca ficou com uma sensação amarga de ter razão e não ser compreendido, ou mesmo de "ter perdido" uma discussão para algo sem pé nem cabeça? Seria um efeito do discurso à Saruman, digamos assim. O interlocutor não busca entender ou aceitar seu raciocínio, mas busca "brechas" para derrubá-lo, com palavras bonitas e discursos idílicos de preferência. Pessoalmente, tentar usar a mesma estratégia acaba por não transmitir a ideia, mas a torna igual a do mago, e não ajuda ninguém.

Por não ter base, o efeito do discurso não dura muito tempo. Doses prolongadas podem até provocar um entorpecimento do raciocínio, mas ele pode acabar de uma hora pra outra. Aí entra Gandalf, o único mago que conseguiu cumprir a missão. Os outros acabaram perdidos, provavelmente dominados por Saruman. Só quem realmente conhecia o Gandalf sabia da sabedoria que trazia em seu discurso nem um pouco elaborado e bonito - pra mim bonito por ser sábio. Foi assim que o rei Théoden foi curado do discurso do Língua de Cobra - e ainda saiu "vacinado", repelindo o discurso de Saruman tempos depois, enquanto seus cavaleiros quase caíram no encanto.

Interessante que quem não gostava de Gandalf o reduzia a arauto de desgraças, pois, no final das contas, ele que tinha que dar as "más notícias", ou melhor dizendo, "falar a verdade nua e crua". A beleza do discurso de Gandalf era a verdade contida no mesmo, a sinceridade e a honestidade presentes. Não se buscava convencer ou dominar, mas falar o necessário. Pense nos discursos de hoje em dia: eles são mais Saruman ou Gandalf? Esse reducionismo aparente acaba por mostrar a imensidão da obra de Tolkien ao retratar assuntos tão reais em um ambiente fantástico.

Um coração forte repele discursos bonitinhos. Lembra a manipulação mental feita pelos jedi em Star Wars: era utilizada quando julgavam necessário, mas surtia efeito apenas pessoas de "coração fraco". Seria pegar o que foi dito e o analisar à luz da razão: não se deixar levar pelo famoso canto da sereia. Mesmo após algum tempo, como a trama mostra, a manipulação jedi deixa de ser eficiente, mesmo com "corações fracos". Isso demanda esforço por parte das pessoas, tanto para se livrar do discurso quanto para conter a raiva que dá quando alguém é manipulado e convencido.

29 de maio de 2018

Ofensa e Agressão


Já comentei sobre a dificuldade em conversar com as pessoas hoje em dia, e mesmo pontuo em alguns posts sobre a questão da ofensa e da agressão. Contudo, a impressão que eu tenho é que as pessoas estão se ofendendo com coisas cada vez mais bobas, e criando celeumas desnecessárias. Existe até um termo para isso: violência psicológica, como se uma pessoa pudesse agredir outra apenas pelo pensamento.

Pois bem, mesmo que estejamos em uma era onde a dominação ocorre principalmente pela via mental (reprogramações, lavagens cerebrais, etc), a verdadeira agressão é contra a integridade física do ser. É muito mais fácil lidar com palavras do que com socos, ao contrário do que apregoam por aí. Isso também faz parte de uma estratégia de dominação: sugerir que a pessoa não possui "força mental" para reagir a este tipo de coisa.

Existe um ditado que diz que a substância é venenosa para quem a ingere. A ofensa é basicamente isso: um veneno para quem toma, para quem aceita ser agredido por ela. Eu posso dizer algo extremamente agradável e elevado, mas a pessoa pode se ofender e brigar comigo por isso. E o contrário também é verdadeiro: uma pessoa pode dizer palavras rudes, com o claro objetivo de ofender, mas seu interlocutor não esboçar nenhuma reação a respeito. Isso é diferente de ignorar, pois, para ignorar, deve-se aceitar aquilo como ofensa, o que dá a entender que se ofendeu, mas que irá fazer pouco caso daquilo, abrindo o espaço para mais "agressões".

Agressão é quando uma pessoa busca atingir a integridade física de outrem. Isso não se dá por palavras, mas por ações, seja no corpo, nos bens da pessoa, ou mesmo nas suas contas na internet, e deve ser respondida como tal. Não como vingança, mas como defesa. Interessante que quando a causa é legítima, a resposta é mal vista. Uma pessoa pode chorar por ter sido "ofendida", mas não pode defender-se de um tapa. Perceba então a questão da atitude: tomar uma atitude é errado, mesmo com razão.

Ofender-se com algo não é uma atitude, e ainda abre espaço para que outras pessoas entrem na questão. No fundo, o ofendido teve seu ego ferido, sua vaidade arranhada. Quando se ofende com algo digo, é porque aquilo foi contra o próprio orgulho. Se fosse pensar sobre violência psicológica, seria muito mais as reprogramações nas quais as pessoas estão sujeitas do que uma palavra mal interpretada.

Quando se ofender com algo, reflita sobre o que lhe ofendeu, não com o suposto "ofensor". Na maioria das vezes, é algo tolo que apenas atiçou o ego a reagir ruidosamente. Ignorar é apenas aceitar que aquilo lhe agrediu, demonstrando que não haverá resposta. Seguir em frente, desconsiderando o que foi dito. Se a pessoa o fez para agredir, ela mesma se sentirá "ofendida", pois sentirá o seu ego "rosnar". Se a pessoa o fez sem intenção maldosa, a conversa pode continuar fluindo normalmente, sentindo-se segura em continuar a falar.

É uma questão de maturidade e evolução. Quem se ofende por qualquer coisa, a ponto de produzir transtornos de grande porte, precisa parar e refletir sobre o que está lhe ferindo: se é a ação do outro ou o próprio ego, que discorda da situação e, além de não saber aceitar a opinião e postura do outro, não sabe como reagir. Ao contrário do que pode parecer num primeiro momento, este tipo de resposta não resolve a situação, apenas a agrava, chegando a exemplos cada vez mais absurdos.

22 de maio de 2018

Resenhando Tolkien

Tolkien é uns escritores mais brilhantes de todos os tempos, talvez o mais. Contudo, a impressão que tenho é de que o reconhecimento está aquém da genialidade de sua obra. Uma pessoa que, ao longo de sua vida, desenvolveu sozinha toda uma mitologia, com descrições detalhadas e profundas de pessoas, acontecimentos e lugares em tramas complexas e profundas, sem perder a beleza da escrita e da narrativa, interligadas por conjuntos linguísticos completos. Não há palavras para descrever tamanha maravilha. Só lendo para sentir a profundidade de seu trabalho.

Há alguns anos, eu tinha lido a trilogia O Senhor dos Anéis, e a tinha achado muito interessante, mas acabei deixando de lado. Ano passado, contudo, decidi ler a obra inteira de Tolkien, ou pelo menos o máximo de livros que pudesse encontrar de sua autoria. Talvez eu não consiga ler a obra por inteiro: cada ano que passa, mais textos inéditos são publicados, fruto da miríade de rascunhos acumulada pelo autor. Por enquanto, meu "apetite" pelas obras está mais do que satisfeito, a ponto de poder escrever esse post.

Creio eu que as obras inéditas não irão "fugir" do que irei escrever aqui, ou mesmo as já publicadas que ainda não tive oportunidade de ler. É difícil o Tolkien se contradizer ou mesmo fugir das próprias ideias: uma contradição ou outra que possam aparecer seriam mais "alternativas" do que "conflitos" em si. Exemplo disso seria a própria história de Galadriel, em que se busca um motivo para sua ida à Terra-Média, não se ela haveria nascido lá, apesar de ter permanecido por eras.

A sensação de deslumbramento é a mesma que admirar o universo: você fica parado observando aquela vastidão, ao mesmo tempo em que se sente tão pequeno. É como se você entrasse em outra dimensão, conhecesse outras pessoas e novos lugares, admirando a paisagem, a relva, a estrada, as nuvens. Você não quer largar os livros, ler a história até o final de uma vez só, ao mesmo tempo que quer saborear cada palavra bem colocada. Em O Hobbit, por exemplo, abri mão de uma hora de sono para terminar de ler, porque eu não conseguiria dormir sem terminar.

As línguas, por mais interessantes que sejam, me causam confusão. Creio eu que seja pela falta de notas de rodapé explicando, sobretudo quando as falas são totalmente em outra língua. Existem cursos das mais diversas línguas de Arda (o "mundo da Terra-Média"), inserir uma tradução aproximada seria de muita valia. São elas que dão o verniz fantástico às histórias, que deixam de ser meros contos para ganharem a dimensão de relatos. Fazendo uma dedução lógica: quando você viaja para outro lugar, mesmo "outro mundo", os habitantes deste lugar falam outra língua. Compreendê-la é outro processo, mas acaba por se confundir com a visita em si.

Sugiro começar com a coletânea das cartas escritas por ele. O organizador, um dos seus filhos, tem o cuidado de não publicar assuntos pessoais e ressaltar aspectos interessantes sobre a obra. A partir desta coletânea dá para se ter uma ideia do quanto ele escreveu, e mesmo revela alguns detalhes sobre suas obras. Este livro é gigantesco, e pode ser desanimador a princípio, mas vale muito a pena, pois permite ler os outros livros com mais segurança e melhor entendimento.

Pessoalmente, sinto algo a mais em sua obra. Algo que não se resume a frases de efeito ou histórias rasas. Talvez grandioso seja a melhor descrição de sua obra. Se você permitir, algo dentro de você mudará após a leitura, sem que saiba explicar. É como se conversasse com o próprio coração do leitor, e mesmo que aqueles seres possam ter existido ou mesmo vir a existir, em algum lugar. É algo que você não consegue vulgarizar: permanece a majestade mesmo em memes, principalmente quando o assunto são as primeiras eras de Arda, e mesmo antes dela.

15 de maio de 2018

Fora do Facebook


Faz alguns meses que eu ruminava a ideia de deletar a minha conta do Facebook. Informações inúteis, quase nenhuma troca de conhecimento, ou mesmo pouca comunicação entre as pessoas. Meus maiores aprendizados na internet foram bem longe dele, por sinal. Só que faltava algo para eu sair definitivamente. Ainda não tinha resolvido a questão dentro de mim. Foi nesses dias que consegui refletir de forma profunda e dar fim à situação.

Há algum tempo eu havia comentado sobre minha experiência de não ter televisão em casa. Não ter Facebook talvez seja a nova versão dessa escolha: hoje em dia não ter TV em casa é comum - às vezes ter o aparelho para utilizar o Netflix ou Chromecast. Lembro que alguém havia me desafiado a sair do Face, como se minha escolha fosse um mero jogo de vaidade. Interessante que o pessoal Nova Era ao mesmo tempo que comenta sobre a radiação dos aparelhos eletrônicos não larga das suas redes sociais, dependendo desses mesmos aparelhos.

Ao contrário do que pode parecer, eu já tive várias redes sociais. Conheço cada uma delas, sobretudo as principais. Hoje em dia parece que o leque de escolhas encolheu drasticamente, entrando naquela questão ter ou não ter. Eu gostava do Orkut, sobretudo pelas comunidades, por conta de sua estrutura de fórum. Hoje em dia não existe nenhuma rede social com esse tipo de plataforma, o que dificulta a troca de informação e conhecimento.

Não, não vou escrever aqui contra as redes sociais, mas convidar para pensar sobre o aprendizado decorrente delas. Sei que muitas pessoas as usam sabiamente para encontrar clientes e parentes distantes, e isso não deve ser deixado de lado. Contudo, boa parte usa como um anestésico para a própria vida, como um teatro de faz de conta onde o usuário é o personagem que ele quer ser, menos ele mesmo.

8 de maio de 2018

Não existe tentativa


Taí um vício que eu tô tentando me livrar: de tentar fazer as coisas. Tentar já implica em si não conseguir, falha. Não digo em acertar de primeira, mas ir até o fim, fazer com a certeza de que vai dar certo. O erro é apenas uma descoberta de aquele jeito não chega lá. Isso parece um motivacional às avessas, mas apenas expõe a "preguiça" que as pessoas têm para superar determinadas situações: algumas usam a "tentativa" como desculpa para não tentar. Eu mesma faço isso às vezes.

Talvez alguns leitores tenham percebido que já usei outras vezes a palavra tentativa, e agora estou apresentando uma opinião diversa. Este layout infelizmente não exibe a data da postagem, ou seja, é difícil saber se a postagem é antiga ou nova. Contudo, cada leitor pode se identificar com uma "época" de postagem, ao longo desses anos. Ler apenas as últimas, achando que são as "melhores" pode ser um engano.

Como disse anteriormente, tentar implica falha. A maioria não percebe que isso pode ser mera desculpa ao invés de um mero contratempo. Aos poucos, a "tentativa" é cada vez menos eficaz, ao ponto de virar apenas uma frase: eu tentei, mas não consegui. Pronto, acomodou-se. Isso é totalmente diferente de dizer: eu analisei todas as alternativas, vi por diversos ângulos a situação, mas as coisas sairão diferentes do planejado inicialmente. Isso é aprendizado. Claro que muitos podem pensar que isso é mero jogo de palavras, que no fundo o significado é o mesmo, mas não: a diferença está na atitude em que cada uma implica.

Insistir é uma questão de atitude. Tentativas sempre falham. Fazer algo e não dar certo é totalmente diferente: aprende-se um caminho que não chega ao lugar previamente desejado, e que pode ser muito melhor. Por esse aspecto, fazer é muito melhor que tentar: traz uma carga maior de aprendizado e abre a mente a novos horizontes. Além de fugir do comodismo que alguns "motivacionais" acabam por pregar inconscientemente.

1 de maio de 2018

Sobre "lacrar" e "magia negra"


Não gosto do termo "lacrar". Ele se refere a operações "mágicas" de baixa frequência, para evitar que tal operação seja quebrada por outras pessoas. Só andar pela rua para trombar com cartazes e panfletos de pessoas fazedoras e desfazedoras - no nível de lixo que produzem, imagine a qualidade do trabalho - de operações "mágicas" ou "energéticas". Se há tanta propaganda, é porque há gente que procura, há gente que acredita que funciona - há gente que vive disso. O Facebook resolveu me sugerir não mais páginas sobre Reiki, mas sobre "magias" e afins.

Já estudei muito sobre - era o que correspondia ao meu nível (baixo) de consciência -, sobretudo na adolescência. Conforme fui desenvolvendo minha consciência (de verdade), fui deixando isso de lado naturalmente. Hoje vejo isso mais como uma brincadeira de criança entre crianças. Geralmente quem mexe com isso não sabe com o que está lidando, e não sabe as consequências que isso pode gerar. A pessoa destrói a própria vida achando que a está melhorando e não repara em um detalhe importante: ela fica dependente desse tipo de ação, que não lhe traz nenhum aprendizado.

Se funciona, digo que é até certo ponto: depende muito mais do "alvo" do que do "emissor". Não seria algo de "acreditar" ou não, mas o nível de consciência que "a vítima" tem. Ou seja: mesmo que uma pessoa não conheça, nem ao menos saiba do ocorrido, pode não acontecer nada com ela. Aí o fulano gasta uma fortuna para prejudicar o outro e simplesmente não dá certo. Não porque o "profissional" é ruim, é porque o alvo é evoluído demais mesmo: algo que deveria ser tomado de exemplo ao invés de virar motivo de inveja.

Você não precisa "se proteger" dos outros. Acho engraçado um reikiano ficar criando "escudos de proteção" - eu mesma já fiz isso, mas depois vi que não faz sentido algum. Tentamos nos proteger daquilo que temos medo, mas algo só faz dano se realmente aceitarmos que o faça. A consciência mostra a pequenez desse tipo de atitude. Ao invés de gastar tempo e energia tentando "lacrar" os outros, é muito melhor para si mesmo procurar crescer e se desenvolver. Logo você se livra disso.

24 de abril de 2018

A diferença entre Ser e Estar


Estou passando por alguns problemas nos quais não acho que é hora de escrever aqui. Se a coisa degringolar de vez, farei um post a respeito. Enfim, o vetor está trazendo um aprendizado importante e transformador: o que seria realmente o preconceito, a arrogância e mesmo a humildade. O preconceito está tão arraigado na sociedade que as pessoas não percebem que são preconceituosas. Até aí, parece aquele discurso padrão que se vê por aí. A diferença está no objeto considerado como alvo de preconceitos.

O post é sobre o Voluntariado do Emílio Ribas, que acabei publicando antes desse devido à temporalidade da questão.

A língua portuguesa possui uma diferenciação entre ser e estar, o que eu acho muito boa para trabalhar ideias, ao contrário do inglês (to be) e do francês (être), em que são considerados uma coisa só. O Ser indica maior temporalidade do que Estar, ou seja, o que você é, é e ponto - praticamente imutável. Quando você está algo, aquilo vai mudar, hoje ou amanhã. Muitos confundem o Estar com Ser, tentando inflacionar-se perante os demais, quando no fundo se é quase nada. E a maioria das pessoas é assim.

E o que é Ser e o que é Estar? No aspecto social, o que você é basicamente é a sua formação: seus estudos e práticas. Faculdades, cursos, carreira. No aspecto pessoal, os seus hobbies, habilidades, e aspectos da sua personalidade. Elas tendem a não mudar. Por mais que você perca a prática, ou seu trabalho não seja da sua área de formação, você não deixou de ser aquilo. Já o que você está (soa esquisito, mas gramaticalmente correto) é seu trabalho, principalmente, e mesmo um estado de espírito (estou animada, triste, brava, etc). Um dia ele irá acabar e você estará outra coisa.

Exemplo: eu sou historiadora. Eu sou formada em História, mas estou trabalhando em outra área. Estar trabalhando em outra área não interfere no eu ser historiadora. E quando deixar de estar neste emprego, não deixarei de ser historiadora, mesmo que nunca venha exercer a profissão de fato. Outro exemplo é o advogado: ele está advogado, mas quando se aposentar, apenas será um bacharel em Direito aposentado. Se continuar advogando, ele continua estando advogado - ele precisa de um aval para exercer a profissão, no caso, da OAB.

A sutileza do ser e estar é ofensiva para alguns, pois vem à tona a mediocridade da pessoa. Quantas pessoas estão isso e aquilo sem ser nada propriamente dito? Ao invés de se esforçar para melhorar a cada dia, o que dá muito trabalho, diga-se de passagem, a pessoa acaba por tentar anular o que a outra é, nivelando por baixo. Aí que entra o preconceito: isso é preconceito. Um preconceito sutil, já que é mascarado pela vaidade de falsa humildade.

Falar que não faz diferença um curso livre ou um curso profissionalizante, ou mesmo um curso de línguas para proficiência ou para encher currículo: isso é tão preconceituoso quanto dia da mulher, com o mesmo agravante de ninguém perceber. Por mais que você se esforce para fazer um bom trabalho, sempre haverá o risco de ser nivelado por baixo pelo profissional chulé, que o fará (inconscientemente ou não) para não perder espaço. Por isso a qualidade das coisas de hoje em dia é tão rasa.

Esforce-se para Ser. Se o outro achar arrogante de sua parte, é o peso por forçar a elevação de padrão. Conforme a pessoa evolui, sobretudo perto do nível da Aceitação (350), ela começa a puxar para cima as pessoas que estão a sua volta. Isso é muito desconfortável para quem não quer evoluir: isso justifica o esforço para nivelar por baixo ou mesmo anular ou boicotar quem se destaca. Não se lamente porque o outro não se esforça: a vida dará um jeito, por mais que ele resista.

17 de abril de 2018

O esquerdismo como doença


Talvez isso soe como algo extremamente preconceituoso à primeira vista. Contudo, depois de décadas de distúrbios ideológicos, pode-se concluir que existe algo de patológico entre as ideologias que estão à esquerda do espectro político. Não que não haja pessoas de Direita que possuem desvios de caráter e de personalidade, mas que as próprias ideologias de esquerda possuem traços doentios em suas estruturas.

Pode-se começar com a afirmação do Dr. David R. Hawkins, célebre pesquisador da consciência humana, de que o marxismo, pai de todas as ideologias de esquerda, está calibrado em 130, abaixo do nível “neutro” de consciência, situado no nível do Desejo, próximo à Ira. Em comparação a outras correntes de pensamento, o marxismo é talvez a única que esteja abaixo do nível dos níveis saudáveis de consciência dentro dos estudos deste pesquisador.

Delongando-se mais no assunto, em uma escala que vai de um a 1000, onde este é a iluminação absoluta e aquele é a ausência de vida, a faixa entre 200 e 250 é considerada um “divisor de águas” entre o Poder, o verdadeiro potencial do ser humano, e a Força, uma tentativa de controle não natural, na qual a humanidade se baseia em sua maioria. Grandes linhas de pensamento, como o Racionalismo e a Psicanálise, situam-se entre 400, nível da Razão, e 700, nível da iluminação.

Analisando a fundo os desdobramentos do marxismo até as teorias sociais que existem nos dias de hoje, podem-se perceber algumas patologias presentes nessas linhas de pensamento, que podem ser as causadoras dos distúrbios sociais e políticos dos dias de hoje. Esse tipo de pensamento deveria ser analisado mais a fundo pelos profissionais das áreas da psique, como psicólogos, psicanalistas e mesmo psiquiatras. Infelizmente entre os primeiros a “doença esquerdista” já criou raízes profundas, o que atrapalharia uma análise mais eficaz do objeto de estudo, agravando o problema ao invés de criarem-se soluções.

Talvez um dos aspectos mais marcantes das filosofias de esquerda seja o vitimismo. A ideia de que o outro cerceia sua liberdade, impedindo-o de agir conforme seu livre-arbítrio, foi mascarada por centenas de discursos como os de “minorias sociais”, feminismos, e afins. É ignorado que a pessoa é responsável pela própria vida, podendo agir como bem lhe apetece, devendo ser, contudo, ciente de seus revezes. É mais fácil ser beneficiário de programas sociais, ou mesmo “protegido” por uma legislação desigual e constrangedora, do que “dar a volta por cima” ou “fazer a própria vida”.

O vitimismo é um dos sintomas da depressão, doença pouco estudada pelos médicos, sobretudo em seus desdobramentos sociais. Talvez exista uma ligação muito forte entre movimentos sociais e pessoas depressivas que não é observada. A perda da vontade de viver faz com que a pessoa acuse outras de seus problemas, mas não como uma forma de buscar soluções, mas sim para manter o status quo da situação, que consome menos energia e é mais “confortável”.

Outro aspecto relevante é a manipulação mental massiva feita ao longo das últimas décadas. Como uma Matrix, as pessoas, já afastadas da realidade pelo seu próprio nível evolutivo, são reprogramadas para responder aos impulsos das ideologias de esquerda, mesmo não concordando com elas, sem o mínimo questionamento. Como se questões como “educação escolar”, “direitos das mulheres”, “saúde pública gratuita” existissem desde os primórdios da humanidade e não houvesse alternativas a elas.

Essa manipulação mental, muito bem elaborada, impede que as pessoas tenham reações rápidas e concretas ao discordarem de alguma coisa. Primeiramente, o medo de ofender toma conta da pessoa: o medo de sofrer um processo judicial ou mesmo o escárnio público a impede de ser honesta em relação à situação. Segundo, a pessoa teme ter que tomar cada vez mais e mais atitudes contra algo que discorde: a máxima “você quer ser feliz ou você quer ter razão?” separa dois conceitos que deveriam andar juntos, tendo em vista que a razão é caminho para a verdadeira felicidade. Terceiro, a pessoa fica sem ânimo para agir, pois lhe foi inculcado ao longo dos anos de que a situação nunca irá mudar. Quarto, a pessoa só irá reagir a um “comando de boiada”, quando muitas pessoas irão fazer o mesmo, encobrindo suas atitudes individuais.

O esquerdismo busca solapar a fé e a religião das pessoas de diversas formas. Estes seriam como que antídotos eficazes à patologia marxista, portanto perigosos para aqueles que buscam “contaminar” as pessoas com suas ideias. Por mais que pessoas e instituições falhem, os conceitos religiosos, sobretudo em seus ensinamentos originais, raramente estão calibrados abaixo de 700 e 800 na escala de consciência de Hawkins, sendo grandes auxílios para o desenvolvimento das pessoas no aspecto mental.

Talvez o socialismo/comunismo seja a ideologia esquerdista mais conhecida por tentar expurgar a fé da sociedade, destruindo igrejas e perseguindo religiosos quando assumiu o poder do Estado russo no começo do século XX. Hoje em dia, contudo, a estratégia de eliminar os antídotos consiste em distorcer conceitos religiosos em “mistura de doutrinas”, ou mesmo valorizando vertentes religiosas que permitem que seus praticantes prejudiquem deliberadamente outras pessoas, considerando como “minorias religiosas”.

Deve-se notar que o esquerdismo sai do âmbito político e passa a dominar o estilo de vida das pessoas. Não existe um “estilo de vida conservador”, mas existe um “estilo de vida marxista”. A pessoa passa a consumir determinados produtos e boicotar outros, ler determinados livros e páginas na internet e redes sociais, vestir determinados tipos de roupa e mesmo adotar certos hábitos de vida que lhe dão a sensação de “pertencer a algo maior”. A noção de indivíduo é diluída na noção de “classe social”, em guerra com outras. A guerra em si é ilusória, presente apenas na mente dessas pessoas, mas alimentada constantemente pela própria ilusão.

A gravidade da situação está no aprisionamento mental em que situa a pessoa. Por conta de delírios ideológicos, perde-se a capacidade de discernimento e autocontrole, agindo como que manipulada por um titereiro invisível. Vidas são destruídas em nome da “causa”, que se arrasta ao longo das gerações e toma um vulto cada vez mais assustador a apocalíptico. Famílias são anuladas; relacionamentos instabilizam-se; perdem-se referências que outrora orientavam a sociedade, se não ao progresso, mas ao seu desenvolvimento; em nome de algo que traz morte, doenças e miséria por onde passa, mas é negado ou ignorado.

Nesse aprisionamento mental também há a negação das mazelas que as ideologias esquerdistas causaram nas últimas décadas, ou mesmo a ignorância. Poucos comentam que o comunismo chinês matou aproximadamente o décuplo de pessoas que foram mortas pelo nazismo, ou mesmo que a miséria que assola a Venezuela atualmente é fruto de um governo que tinha por objetivo “acabar com a miséria e a opressão”, mesmo que forçando reeleições duvidosas. Mesmo Cuba é retratada como um “paraíso” por se “sublevar” ao domínio estadunidense, enquanto pessoas fogem desesperadas da ilha em busca de uma condição mais digna de vida.

Ao tentar conversar com esse tipo de “adoentado”, seja para esclarecer, ou mesmo para entender melhor sua posição, este se revolta violentamente, buscando evitar que sua programação sofra alterações – como se estas alterações pudessem causar-lhe algum mal efetivo ou sua própria corrupção. O diálogo perde espaço todos os dias, a menos que seja apenas para afirmar ou engrandecer o que se concorda. Não existem argumentos para quem não consegue aceitar que o outro tem uma visão de mundo diferente. O esquerdista conversa como que de forma automática, através de chavões e sofismas, sem buscar entender, na maioria das vezes, o que está falando.

Talvez o leitor deste artigo esteja “rezando” para que o mesmo termine com um “remédio” para este mal. Os estragos causados por essa “nova patologia”, cuja ação e contágio ocorrem apenas por via mental, talvez não possam ser revertidos ao “estágio original”, mas serem “superados”. Toda doença é uma forma do indivíduo crescer, e consequentemente a humanidade como um todo. Não esmorecer frente ao desafio talvez seja a providência número um: assim como o esquerdismo é algo presente há décadas na humanidade, levarão séculos para uma cura efetiva do mesmo.

Outras providências que podem ser tomadas estão relacionadas aos sintomas: o vitimismo deve ser paulatinamente neutralizado socialmente e pessoalmente. As pessoas devem ser encorajadas a superar as próprias situações sem o auxílio externo exagerado, devendo ser ignoradas as birras sociais, como manifestações violentas ou absurdas. A extinção de determinadas políticas públicas e mesmo uma legislação mais imparcial seriam grandes auxílios ao quebrar o círculo vicioso do vitimismo: menos a pessoa age por conta própria, mais reclama de outros grupos sociais, mais o poder público busca “equilibrar a situação” desequilibrando-a.

O conhecimento deve ser novamente difundido pela sociedade. Ao invés de “martelar-se” em questões como “ideologia de gênero” ou “machismo”, o estudo de sistemas clássicos de filosofia, da Grécia ao Oriente, por exemplo, podem elevar o nível das conversas e mesmo do intelecto das pessoas. Isso reflete diretamente no ensino escolar, que atualmente forma um “cidadão” sem senso crítico ou visão aberta, algo que só pode ser adquirido pelo conhecimento e gosto pelo saber.

Uma coisa nova a ser inserida é o autoconhecimento. Talvez esse assunto tenha sido relegado a filosofias orientais e distorcido pelos movimentos de Nova Era. A pessoa deve se olhar como indivíduo pertencente ao Todo, não a um determinado grupo ou classe, mas único em relação ao mesmo. Formular um estilo de vida dentro do que considera ser adequado aos seus valores, e não porque determinada ideologia o “determina” a ser assim.

Por último, e talvez o mais importante, é a difusão da fé. O estudo da religião e das doutrinas religiosas como religação com o Divino. É a fé que “move montanhas” e que pode fazer a transformação do indivíduo, superando-o dos males que o aflige. Deve-se lembrar de que conceitos evoluídos, se levar em consideração a escala do Dr. Hawkins, são iguais em sua essência, apesar da diferença de discurso. Ensinamentos de Jesus Cristo são encontrados no Confucionismo e no Budismo. Talvez o maior mal que assola a humanidade atualmente seja na verdade o desafio necessário para a própria evolução.

10 de abril de 2018

Desmistificando O Pequeno Príncipe


Rascunho de uma das aquarelas queimado de cigarro e manchado de café, exposto no The Morgan Museum and Library em 2014

Coisas que aparentam perfeição devem ser analisadas com mais atenção. Muitos acabam por ser levados sem o mínimo questionamento, achando que as coisas são o que dizem ser, não o que realmente seriam. Algumas pessoas chegaram ao estágio de unanimidade forçada: todos concordam, ou melhor dizendo, a maioria concorda, enquanto uma minoria se vê coagida a não criticar. Vi esses dias um vídeo no qual um filósofo afirma que Platão estava errado com o seu Mito da Caverna, contudo não explica o motivo. Ele mais se vangloria por discordar do que explicar porque discorda.

Não é esse o caso. Falo de pessoas nas quais está cada vez mais difícil tecer críticas - quando feitas, o são de forma "controlada". Para ilustrar, com o trocadilho, comentarei um pouco sobre O Pequeno Príncipe e seu autor, o conde Antoine de Saint-Exupéry. Já escrevi anteriormente sobre o filme baseado neste livro, mas as opiniões mudam, e não se deve ter medo da mudança.

Apesar de todo o misticismo sobre ambos, autor e obra, não há nenhum santo propriamente dito - só no título nobiliárquico. Poucos param para refletir sobre a vida do autor, imaginando uma vida extraordinária e frutífera. Não, não foi. Depois de uma doce infância, o autor é jogado num colégio rígido no qual lhe gera traumas profundos - e a própria vida aristocrática acaba por lhe gerar repulsa. Depois de tantas notas baixas e revoltas em ambiente escolar, decide correr atrás do prejuízo para entrar na Escola Naval, indo parar na Força Aérea.

Ele não era um cara de personalidade agradável, não mesmo. Casa-se com a guatemalteca Consuelo em uma viagem à Argentina - dando a entender ser mais por revolta do que por sentimento. Ela também não era lá flor que se cheirasse - mais trocadilhos, rs. Os dois brigam, e muito, e acabam por traírem um ao outro. Nessa celeuma, Saint-Exupéry se refugia nos Estados Unidos, onde escreve a obra que o marcaria. Logo depois, retorna à Europa para lutar na guerra, tendo o avião abatido durante uma sessão nostalgia de voar pelas regiões de sua infância. Seu corpo nunca foi encontrado, e os destroços do avião o foram décadas mais tarde.

Isso não prova nada com coisa alguma, mas já dá para chacoalhar a cabeça. Saint-Exupéry não dedica O Pequeno Príncipe a sua esposa, mas sim ao seu amigo Léon Werth, um escritor com tendências socialistas mais de 20 anos mais velho. Como um conde, educado no seio da nobreza francesa, com educação religiosa e monarquista, poderia ter um amigo assim? Concordando com ele, talvez, por mais que não fique explícito. Fora que o soldado alemão (nazista?) que o abateu lamentou-se por tê-lo matado, segundo alguns depoimentos. Ideais concordantes, através de caminhos diferentes, talvez fossem companheiros.

A obra é publicada em 1943 e não teve lá muito sucesso, que foi aparecendo décadas mais tarde. Em si, ela não tem significado algum, como todas as outras obras de Saint-Exupéry, que são mais desabafos de experiências de viagem com um misticismo cristão fruto dos estudos de escola. Note como os menos ligados ao Cristianismo acabam por ter mais conhecimento que a maior parte dos cristãos praticantes. Quem insere tantos significados são os próprios leitores. Uma pesquisa rápida na internet mostra quantos simbolismos a obra pode ter, mas não exatamente que tenha. Esse é o ponto mais importante.

Se a obra possui múltiplos significados sem uma intenção explícita, ela não possui significado nenhum em si. O castelo desmorona, ou melhor dizendo, o asteroide vira areia. Dê-lhe numerosos significados, serão apenas seus, não da obra. É a sua visão sobrepondo-se à obra. E por permitir múltiplas interpretações, caiu no gosto de muitos, pois cada um a vê da forma que a convém. Como eu mesma o fiz há dois anos atrás. As interpretações giram em torno do tema da Paz Mundial, o famoso clichê de misses.

Uma obra vazia para pessoas vazias - este é o estereótipo das candidatas e vencedoras dos diversos concursos. Quase que como leitura obrigatória, foi uma febre nos tempos áureos dos concursos. A popularidade d'O Pequeno Príncipe foi meio que forçada ao longo das gerações. Quase rejeitado em sua época - tenha em mente que não ganhou nenhum prêmio literário, ao contrário de outras obras menos expressivas do autor - hoje é uma das mais traduzidas e mais vendidas, equiparando-se à Bíblia.

Por não ter uma definição, o bálsamo pode ser um veneno para gerações, por abrir espaço para reprogramações perversas - como um trojan. O que as pessoas veem como salvação pode ser a própria perdição. A interpretação mais bacana que conheci do livro é a da perda do instinto e da masculinidade: o homem que não quer crescer e assumir quem é. Perceba quantas pessoas são assim hoje em dia, recusam-se a crescer e a aceitar as mudanças.

Talvez algumas pessoas pensem que falta uma bibliografia para este post. Existem duas biografias do Saint-Exupéry que fornecem algumas informações sobre o que eu falei: Vida e morte do Principezinho e A Vida Secreta de Antoine Saint-Exupéry. Outras informações foram coletadas aqui e ali na internet - eu quase pirei com tanta pesquisa. As conclusões são minhas. Uma pessoa não é sábia por citar inúmeros outros para confirmar o que diz.

3 de abril de 2018

Geração Nutella - Uma reflexão sobre Sofrimento


Desaprendemos a sofrer. Qualquer dor nos incomoda, e é feito de tudo para evitá-la. Os avanços tecnológicos permitem que as pessoas sofram o mínimo pelo menor tempo possível. O problema é que sempre haverá problemas, sempre haverá dor e sofrimento. Contudo, desaprendeu-se a capacidade instintiva de lidar com isso. Busca-se fugir de situações que possam causar dores emocionais e estresses mentais. Resiste-se às situações adversas ao invés de encará-las de frente. O vitimismo hoje em dia está a um nível endêmico. E agora?

A atual geração é fraca, de corpo e mente. Não possui a solidez física dos pais e avós, muito menos possui desenvolvimento mental. Nascer "conectado" não é um mérito, é mera consequência do desenvolvimento tecnológico. A questão é que os jovens de hoje em dia passam por menos problemas que as gerações anteriores, e tentam evitar a todo custo situações inevitáveis. Não falo em "criar problemas", muito menos de "bater de frente" em tudo, longe disso, mas falo de situações que, mais cedo ou mais tarde, terão de ser encaradas e superadas.

Existe até um termo para isso: o creme de avelã Nutella. Exageradamente doce, significa a versão zuada de algo que já era bom. Não dá sustância. A pessoa se sente incapaz de resolver os problemas, ou mesmo recusa-se a passar pelos mesmos. Sofrimento existe, sempre existirá. Sofrer pode até ser bom: depende da postura que a pessoa toma diante da situação. Para quem toma a postura de vítima, sempre será algo doloroso, mas no fundo confortável: quantas pessoas exibem seus status de vítima exigindo "reparação" da sociedade?

Há alternativa: encarar a situação de frente. O sofrimento é real, mas é um processo mental. Não é questão de resistir, e sim de insistir. Repare a diferença de atitude: resistir é não aceitar, querer evitar o problema; insistir é aceitar o problema e se esforçar para aprender e superar. O sofrimento continua existindo, mas é trabalhado de outra maneira, que as pessoas, ao não verem uma atitude vitimista, acabam por achar que o outro não sofre, ou mesmo que é frio ou psicopata.

Na maioria das vezes, as pessoas aprendem pela própria dor. É ela que faz acordar ("me belisca pra ver se estou sonhando") e ter consciência da situação de forma mais profunda. Quando a pessoa resiste, ela tenta anestesiar o que sente ou mesmo fugir da situação - o que aumenta ainda mais o dano. Mudar de postura nessas horas, aceitar o sofrimento e aprender com ele, acaba por mostrar o que realmente importa na vida, e nos tornar realmente fortes para o mundo.

27 de março de 2018

A importância do Byosen no tratamento Reiki


Caspar David Friedrich - O Viajante sobre o Mar de Névoa

O Byosen-ho geralmente é a primeira coisa a ser feita durante uma aplicação de Reiki, após, obviamente do Gassho e Reiji-ho. Você está concentrado e com a percepção mais afinada. Estudar o terreno a ser desbravado, no caso o utente e seus desequilíbrios energéticos, é algo mais natural do que fazer uma série de posições mecânicas sem discernimento. Sabendo onde dar prioridade, pode-se abrir mão de áreas ainda equilibradas ou que pouco pode ser feito no momento e deixando para outra sessão.

Eu não diria que o Byosen reduz o tempo de sessão de tratamento - em alguns casos, ele pode te forçar a ficar 20, 30 minutos em um mesmo local, com outras áreas a serem aplicadas ainda. O reikiano não é um profissional de saúde física, beleza, mas desconhecer as oscilações energéticas do utente, ou não se interessar pelas mesmas, é como um artista marcial que não desenvolve seu corpo de forma mais apurada.

Como já deu a entender anteriormente, o Byosen-ho é a técnica de escaneamento energético do utente. Criada pelo mestre Usui, alguns mestres tradicionais usam como "validação" do reikiano para o próximo nível. Aqui no Brasil, contudo, é difícil ouvir falar dessa técnica, muito menos aprendê-la, já que é vista como algo automático. Faço aqui algumas observações sobre sua importância, já que sou da opinião de que é uma técnica a ser trabalhada com mais atenção.

Tradicionalmente, a mão dá seis respostas sobre o estado energético da pessoa: calor, muito calor, formigamento, pulsação, dor ou frio. Podem vir sozinhas ou combinadas, dependendo do que ocorre: calor indica pouca energia na região; já muito calor, quase nenhuma (pensei nos reikianos que ficam com calor durante aplicação, estão a se esgotar?); formigamento é uma "trepidação energética", um fluxo irregular de energia; pulsação é sinal de que a energia está sendo absorvida de forma natural; dor é o acúmulo de energia na região, sendo sugerido retirar e sacudir as mãos antes de continuar (é, a dor pode subir); frio geralmente está associado a um trauma ou bloqueio de chakra.

Cabe à pessoa escolher o que vai trabalhar primeiro, o que ela considerar mais importante. Como os problemas se entrelaçam, tentar resolver todos de uma só vez pode atrapalhar mais do que ajudar. Sugere-se usar o Byosen ao encerrar o tratamento, como comparativo e controle para próximas sessões. Alguns reikianos também escaneiam as costas do utente em busca de outros desequilíbrios energéticos, além de mensurá-los mais precisamente.

As vibrações do Byosen não se limitam nas seis anteriores. Inclusive a sensação de frio não fazia parte do rol original. Byosen varia com a percepção: cada pessoa percebe o mundo de uma forma. Algumas veem, outras ouvem, outras sentem pelo tato, outras sentem cheiros, e por aí vai. Inclusive há mestres Reiki que ensinam o Byosen sem nem saber o nome! Ao contrário de outras técnicas, mesmo tradicionais, que podem ser substituídas pelo tratamento intuitivo, Byosen é quase insubstituível: quem abre mão do mesmo é quando se sabe exatamente o que fazer e onde fazer, fruto do Reiji-ho.

Novamente, é mais natural você estudar um terreno a desbravar do que se utilizar de movimentos mecânicos como se tudo fosse a mesma coisa. Descanse sua mão sobre o corpo da pessoa (tocando ou não). Sinta o que ele está falando, memorize o que considerar importante. Deixe-se demorar um pouco para refletir sobre, criando um roteiro de posições - tradicionais, auxiliares, intuitivas. Veja se há necessidade de alinhamento, cirurgia ou mesmo da iniciação para autotratamento. É o que faz a diferença a longo prazo.

20 de março de 2018

O Empirismo não é tão empírico assim


Imagine poder fazer download de todas as informações necessárias em determinado momento. Imagine situações onde algo totalmente novo surge perfeito para resolver. Imagine ter acesso ao que pessoas que se foram pensavam sobre determinado assunto. Imagine ter todas as respostas... Agora saiba que isso é possível, e mais, que isso ocorre o tempo todo sem que as pessoas tenham consciência - pelo menos a maioria delas.

Platão afirmava existir um Mundo das Ideias, lar das formas perfeitas, que tudo surgia lá, e depois de um tempo aparecia aqui, com as imperfeições da matéria. No Espiritismo, de forma geral, o médium é aquele que recebe informações dos espíritos e as transmite, o que não impede de que ocorra o contrário. Quem não se lembra das várias cenas de download da trilogia Matrix? Ou mesmo do inconsciente coletivo do Jung? Mesmo Hawkins fala dessa capacidade de ter acesso ao conhecimento através da consciência.

Veja que ainda não falei sobre o Empirismo, que é a ideia de que todo o conhecimento só pode ser adquirido através dos sentidos e da experiência. A ciência clássica tem por base o empirismo. E o que aquelas coisas surreais citadas anteriormente têm a ver? De que todo o conhecimento vêm de uma consciência universal, compartilhada por todos, mas não manifestada. Conforme a pessoa trabalha a própria percepção, o acesso torna-se mais consciente, complementando o próprio processo de desenvolvimento da consciência, e o que está pode vir pra .

Interessante notar que o conhecimento atual seja formado sobretudo por multimídia, mas sem que a pessoa tenha consciência para formular sua própria visão a respeito. Ao conversar, note quantas citações são feitas, sem que a pessoa possua profundidade sobre o que está falando. Note também o argumento de autoridade: "sou formado nisso, naquilo, tenho experiência de tal coisa", como se o outro não tivesse capacidade de formular as próprias argumentações por não ter uma vida semelhante. Então reflita que os "grandes pensadores" apenas tiveram acesso a um conhecimento que você também pode ter e tomar as próprias conclusões.

Talvez o próprio processo meditativo possa ser uma forma de adquirir consciência e percepção, ao invés de um meio de acalmar a mente, como muitos querem por aí. É a ideia sem noção que você teve poder ser um conhecimento útil para todos, como o título deste post. Através da percepção, o conhecimento é adquirido de uma consciência universal, de coisas simples a coisas consideradas complexas. O estudo continua uma forma válida de chegar lá, mas ficam visíveis as reservas de mercado, tornando o caminho menos confiável - é menos entender e mais sentir.

13 de março de 2018

Homens são de Marte e Mulheres são de Vênus

Homens e mulheres são diferentes em suas características como consequência da evolução de machos e fêmeas. Por isso é correto usar o termo sexo para feminino e masculino e não gênero como se emprega hoje dia. Este está mais para coisas do que pessoas: gênero musical, literário, de filme. As características sexuais vão além de cromossomos, hormônios e órgãos reprodutores, permeando o comportamento e a mente das pessoas. É algo constantemente moldado pela natureza para perpetuação e evolução de espécies.

Nenhuma pessoa nasce indefinida. O que ocorre é que, pela alimentação, pela educação e, sobretudo, pela mídia e contato social, começou a ocorrer uma distorção dos caracteres sexuais, indefinindo os sexos. Hoje em dia forçam tanto a barra para dizer que podemos ser do sexo que quisermos que as pessoas estão desesperadamente perdidas quanto a isso. Claro que há uma minoria biologicamente anômala, como ocorre com os animais de forma geral, mas isso nunca deveria ser tomado por regra. Enfim...

Faço essa introdução para falar desse livro porque a crítica que fazem com ele recai neste aspecto: não existe essa história de que a pessoa pode ser do sexo que ela quer - ela nasce com determinadas características que florescerão ao longo do tempo. Conhecer essas características permite que relacionamentos tornem-se mais sólidos e duradouros, algo indesejado hoje em dia: veja a "cultura" do pega mas não apega. Formar uma família tornou-se um desafio da escolha do parceiro até a criação dos filhos.

O próprio autor critica obras com esse viés de guerra dos sexos, onde um é oprimido pelo outro (em outras palavras, a ideia de que a mulher passou a História sendo oprimida pelo homem), pois isso agrava mais e mais as divergências entre ambos, ao invés de melhorar o convívio. Aceitar que homens e mulheres são diferentes melhoraria não só os relacionamentos amorosos como também o próprio convívio social. Cada um, por suas características inatas, acaba por ter funções específicas na sociedade e na família - claro que há exceções, mas vamos focar na regra, se não vira bagunça.

Outro motivo de crítica é a questão do sexo oposto. O autor não aborda o homossexualismo, coisa que hoje em dia é comum (o livro é do começo dos anos 1990). Hoje não se fala de procurar o oposto que complementa, mas qualquer outro ser que esteja no mesmo barco. Fica aquele espaço vazio, que dinheiro nenhum preenche, tornando as pessoas presas fáceis para diversas formas de controle. Uma pessoa igual a você mesmo não adiciona em nada na própria vida, é apenas mais uma com os mesmos problemas (e as mesmas chatices, risos). Ao buscar uma contraparte, um complemento, o horizonte de possibilidades expande-se, e aquela sensação de que vale a pena vem à tona.

Pode parecer um discursinho politizado, mas poucos percebem que a família vem sendo desconstruída paulatinamente todos os dias há bastante tempo. Qualquer coisa que gere "caos" é bem-vinda, qualquer coisa que gere "ordem" é mal vista. Uma família bem estruturada é abrigo das divergências sociais, econômicas e culturais. Qualquer coisa que tentem impor na sociedade tem que passar pelo crivo da família. Uma família bem estruturada é base para pessoas equilibradas e com pleno potencial para si e para o outro - pessoas incontroláveis.

Ou seja, diluir o conceito de família é uma forma de quebrar um crivo e permitir a invasão de novos conceitos e ideias. E aí entra uma questão importante: qual a qualidade desses conceitos e ideias novas que borbulham na sociedade atualmente? Se eles fossem realmente bons, talvez não precisassem de um trabalho homérico como esse. Sempre houve conflitos familiares, e desses conflitos surgiram valores que desenvolveram a própria família. Contudo, parece que hoje em dia entrou um cavalo de troia no seio da família, destruindo tudo o que ela foi um dia.

O livro parece bobinho na abordagem do assunto: generaliza homens e mulheres como seres de dois planetas distintos (Marte e Vênus) que ao virem à Terra acabam por esquecer suas diferenças planetárias e entram em atritos conjugais. Interessante notar como as pessoas, que se dizem únicas, encaixam-se tão bem nesses padrões de comportamento e atitudes. O autor não dá uma receita de bolo para resolver problemas de forma instantânea e/ou como viver perfeitamente bem com o parceiro, mas joga uma luz sobre ambos os pontos de vista, abrindo espaço para o leitor tomar novas atitudes da forma que considerar mais adequada.

O autor mostra que atitudes típicas de seu sexo, ou de seu "planeta", podem ser mal compreendidas pelo parceiro. Tentar "igualar" é certeza de fracasso - por isso há tantos divórcios e brigas entre casais (nem vou falar de divergências sociais). A solução é tentar entender o outro, aceitá-lo como ele é e se esforçar para comunicar-se de forma que ele possa entender e apreciar. Ao invés das pessoas mudarem pelo outro, ou forçarem o outro a mudar, elas mostram quem elas realmente são e por que estão juntas. É isso que faz com que aquela sensação gostosa de estar junto de determinada pessoa permaneça.

É uma mudança de postura e de atitude. Isso demanda esforço e comprometimento. É mais fácil chamar de pessoa errada ao invés de reafirmar porque está com ela todos os dias. Interessante como relacionamentos duram anos antes de se dissolver: seria força do amor ou do hábito? Ou mesmo mera conveniência? E o sentimento?

As atitudes que uma pessoa toma com o parceiro é consequência do que ela aprendeu em família (e mesmo em sociedade), e isso é algo que pode ser trabalhado e melhorado. Mostrar ao companheiro o que deseja de forma direta não é forçar a barra, como parece à primeira vista, mas ser honesto consigo mesmo e com o outro. A resposta parece "falsa" no começo, mas é sinal de que o companheiro entendeu a mensagem e está se esforçando para melhorar. Isso foge do que se prega hoje em dia: não se ensina entender o outro, mas que a falta de entendimento é sinal de falta de comprometimento, ou mesmo falta de amor.

O livro apresenta como exercício-chave a Carta de Amor. De uma brincadeira bobinha para relacionamentos, ele se mostra como uma ferramenta de autoconhecimento para as diversas áreas da vida. Nela você consegue expor seus sentimentos em camadas, chegando ao âmago da situação em questão, trazendo à tona seu amor e alegria. De forma simples, o autor também mostra como as pessoas tendem a esconder seus sentimentos, explicando que esses problemas de relacionamento são fruto do relacionamento dos pais: na falta de bons exemplos na família, a pessoa acaba sem referências, cometendo os mesmos erros.

No final, o autor mostra que um relacionamento amoroso traz à tona sentimentos reprimidos ao longo do tempo, e que muitas vezes são confundidos com falta de amor. O amor é um sentimento extremamente elevado, e os relacionamentos verdadeiros acabam por potencializar o processo evolutivo. Nisso despertam traumas esquecidos mas não superados, que são erroneamente considerados como algo do relacionamento atual. Conseguir superar isso com o apoio do parceiro é profundamente enriquecedor, além de ser uma grande lição e exemplo para outros casais e mesmo futuras gerações.

O próprio relacionamento possui seus altos e baixos: as estações do amor. Nada é eternamente belo e fofinho - e isso não é necessariamente ruim. Ter alguém que está nos momentos bons e ruins é algo valioso que deve ser cultivado. Muitos preferem a vida de solteiro por não conseguir resolver divergências com o outro - na maioria delas muito simples. Entender que o cônjuge possui uma visão de mundo totalmente diferente da sua é um convite a conhecer um novo universo com infinitas possibilidades.

9 de março de 2018

Sobre o Voluntariado Emílio Ribas

Em pleno dia do falecimento do querido mestre Mikao Usui, venho relatar minha triste experiência com o Voluntariado do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, aqui em São Paulo. Eles possuem uma gama de projetos que têm por objetivo amenizar a situação dos internados através de diversas atividades, entre elas o Reiki. Surpreende-me o fato de haver projetos de Reiki em hospitais aqui no Brasil, e esse em especial por ser aberto para pessoas se inscreverem e participarem - a maioria dos projetos acaba sendo feita por pessoas do próprio nicho de contatos do hospital.

Inscrevi-me, e depois de aguardar alguns meses para iniciar o curso de capacitação, o fiz abrindo mão de alguns dias de kung fu, afinal fui informada de que eu poderia fazer o trabalho voluntário no dia e hora que eu pudesse ir. Entreguei documentos, assisti à palestra do Centro de Voluntariado de São Paulo, e agendei a entrevista para encaminhamento ao projeto. Nesta entrevista, deixei claro que só poderia em dia e horário específicos devido aos meus compromissos, o que pareceu não importar ao entrevistador, que me informou haver horários para todos.

Paguei pelo jaleco que iria receber na formatura da nova turma de voluntários. O fiz pensando na garantia que eu tinha de que não haveria óbice que me impedisse de participar. Contudo, durante a reunião dos voluntários reikianos, fiquei surpresa, pois no horário que eu havia escolhido apenas eu tinha interesse em atuar - ao contrário dos outros projetos, em que há até concorrência. Os coordenadores combinaram comigo que entrariam em contato para encontrar uma solução.

Contudo, mesmo argumentando que não poderia abrir mão de meus compromissos para comparecer ao treinamento, não obtive uma resposta definitiva sobre. O que é estranho, pois um trabalho voluntário não deveria interferir nas obrigações cotidianas. No final da semana seguinte à reunião, no começo deste mês, informaram que só poderia ser naqueles dias, contudo sem afirmar se haveria alternativa ou não. Enquanto refletia no que fazer, fui excluída do grupo de WhatsApp do projeto e não obtive mais respostas. Assim, do nada.

Até fui à secretaria do Voluntariado conversar com o pessoal no dia 03/03, sábado. Os voluntários de outros projetos se propuseram a me admitir em seus programas caso a situação não fosse resolvida. Conheci outros veteranos do projeto Reiki, que se prontificaram em me ajudar para que eu pudesse fazer o treinamento em outro horário. Montei uma conversa em grupo no WhatsApp para avisarmos, em conjunto, da alternativa. Não houve resposta, autorizando ou não.

Resolvi mandar e-mail para a secretaria do voluntariado explicando o ocorrido. Liguei no dia seguinte para chegar a um melhor entendimento, ao que fui atendida muito rispidamente pela secretária. Esta informou que solicitaria que a coordenação do projeto me retornasse, fato que não aconteceu. Conforme mais uma semana ia acabando, confiando menos não só no projeto Reiki, mas também no próprio VER. Menos tempo para fazer o treinamento, menos chances de concluir todas as etapas necessárias para a formatura.

Ontem (é, no "dia das mulheres") fiz meu último contato com o Voluntariado. Eu havia recebido um e-mail, falando que eu deveria esperar mais um pouco. Ao telefone, a funcionária do financeiro gritava tanto comigo que tive que pedir para outra pessoa intermediar a situação para evitar conflitos. Foi dito que eu poderia participar de qualquer projeto, menos o de Reiki, sem me informar o motivo para isso. Solicitei então, o desligamento do projeto, e a devolução do dinheiro do jaleco, além da justificativa de eu não poder participar do projeto de Reiki. No e-mail, então, foi enviado o comprovante de transferência do meu dinheiro, mas nada de justificativa.

Não faz sentido eu participar de qualquer outro projeto do VER depois de a situação ter-se desenrolado dessa forma. Não existe segurança jurídica para tal. Guardei registro de todas as conversas por WhatsApp e e-mail - é o que me resguarda de qualquer problema futuro. Não é uma questão de rotina hospitalar, de pacientes ou mesmo dos projetos. É a falta de segurança transmitida pela falta de justificativas e de posturas objetivas.

6 de março de 2018

O Carnaval e Zion


Por um triste acidente, acabei parando no meio de um bloco de rua do carnaval de São Paulo esses dias. Foi uma das piores sensações que eu tive em minha vida, risos. As pessoas pensam que níveis baixos de consciência estão ligados apenas a fome, doenças ou desespero, ou seja, nem cogitam que uma festa poderia ser um evento tão involuído quanto uma fofoca. Quem lembra do Matrix pode pensar na cidade de Zion, que apesar de ostentar-se como o último bastião humano na Terra, não era lá grande coisa.

Enfim, é interessante observar pessoas dormindo quando se está acordado, mas pode ser também uma sensação torturante, já que nada pode ser feito. É, nada. Imagina chegar na pessoa e falar: olha, isso explica tudo que há de negativo na sua vida. Se você não for agredido fisicamente, provavelmente ela vai dizer que você está com inveja dela. Paciência.

Uma festa de Carnaval de hoje em dia é um festival de promiscuidade organizado. Resumindo: é uma ocasião onde eu posso aprontar o que eu quiser, do jeito que eu quiser, que estará justificado. Se isso não for um padrão baixo de consciência, nem vou querer saber o que é, então. Excesso já é algo negativo por si só, imagine então o excesso de coisas negativas: álcool, drogas ilícitas, e mesmo sexo sem sentimento. Para quem gosta de visualizar, imagine a nuvem escura que paira nessas festas - nem dá pra ver direito.

E como semelhante atrai semelhante, um padrão negativo atrai gente negativa, que atrai outras condutas negativas, por exemplo a criminalidade. É comum nessas festas, sobretudo as de rua, terem um alto índice dos mais diversos crimes ou mesmo confusões que são raras em dias "normais". Cabe notar que são coisas que as pessoas não querem e entram em contradição: "quero tirar foto com os amigos, mas não quero ser roubado", "quero pegar todo mundo, mas não quero ser estuprado"... Não adianta "campanhas de conscientização": consciência mesmo é não frequentar esse tipo de evento, não adotar esse tipo de postura.

Zion acaba por cair - talvez seja necessário. Talvez tenha faltado às pessoas o mínimo de consciência. Nessas horas que você entende porque o mundo está como está, e por que "milagrosamente" sua vida está tranquila. Mas, por favor, não pense que Carnaval é época para brincar de retiro - é tão patético quanto um bloco de rua. Entenda: uma coisa é fazer para aproveitar os dias de folga, outra coisa é apenas para dizer que teve uma atitude mais "evoluída". Consciência está nos detalhes.

27 de fevereiro de 2018

As quatro caixas, ou as quatro estações


Depois da pirâmide dos quatro pilares, venho falar sobre as quatro estações e os quatro tipos de pessoas, sendo este uma versão reduzida da escala Hawkins de consciência. As quatro estações seriam as fases do processo de criação, e os quatro tipos de pessoas refletem esses estágios. Compreender e aceitar esses processos contribui para o próprio desenvolvimento evolutivo, saindo desses padrões. Uso o termo caixas pelas pessoas estarem presas a determinados padrões e regras.

O que dá início a esse ciclo, e acima desses quatro tipos de pessoas, está a criação e as pessoas que são chamadas de fora da caixa: a coisa surge do nada, a partir do nada, ou de algo que já existe, mas ganha força e vida próprias. Não existem regras, mas não existe a "maldade".

  • Primavera - os pioneiros: seriam os desbravadores, os que receberam a criação e tentam aprimorá-la e mantê-la ao máximo. Não possuem a capacidade de criar algo "do nada", mas possuem capacidade (e energia) criativa para manter e melhorar o que já existe - fazer o máximo com o mínimo. É tudo novo - a época boa. Todos se ajudam, tudo é lindo e maravilhoso. A maldade ou é controlada ou inexiste.
  • Verão - os medíocres: esses são os arroz-com-feijão. Nada criam, nem copiam. Apenas fazem sua parte com honestidade. Começam a aparecer os primeiros parasitas, mas existe um esforço coletivo para contenção. Seria a fase de estabilidade após o ápice, antes do declínio.
  • Outono - os espertos: as coisas começam a degringolar. São pessoas que tentam tirar vantagem da criação, e acabam por afastar os medíocres, acelerando o processo de declínio. Quando surgem as reclamações de que as coisas não vão bem. Dos primeiros, poucos restam, por consciência de que devem estar onde se encontram. Não se busca conter o parasitismo, tornando-se regra.
  • Inverno - os parasitas: eu iria usar como termo ou os vagabundos ou os bandidos, mas soaria pesado demais, tamanha a imagem de vítima que transmitem, mas são essas pessoas mesmo. São pessoas que não dão a mínima à moral estabelecida e tentam sugar o que ainda existe. É o fim do processo.

Contudo, não pense que o processo criativo para - os criadores continuam criando e criando, os pioneiros estruturando, e por aí vai. É desconfortável saber que tudo irá acabar um dia, mas é o que ocorre para que a criação continue a acontecer - se não tudo para e morre de vez. Todos os ciclos de vida (e mesmo de evolução) pautam-se nesse ciclo.

Quando a pessoa evolui, ela passa a desenvolver sua habilidade criativa - criar é divino. Ela sobe de nível das caixas de limitação até livrar-se dos padrões das mesmas, assim como pode descer de nível de caixas. Perceba que quanto menor o nível, maior número de pessoas envolvido e no equilíbrio de consciência entre eles, como Hawkins exemplifica no Power vs. Force: uma pessoa iluminada neutralizada milhões de pessoas de níveis baixos de consciência.

Como falei anteriormente, os criadores não possuem regras, assim como os parasitas. O que difere um do outro é a capacidade criativa: um cria, desenvolve, enquanto o outro se aproveita da situação para tirar o máximo de vantagem possível. Por isso a sociedade precisa de regras e limitações: sem elas, o caos se instalaria (e por isso algumas pessoas não gostam de ordem).

Aceitar que as coisas são assim permite que os processos fluam com maior naturalidade - e mesmo renovar este processo. Sim, é possível regenerar os estágios, assim como as pessoas podem evoluir de suas caixas. Para isso, no entanto, é necessário força. Evoluir é despertar a força interior e desencadear o próprio processo criativo.

Por isso as pessoas não gostam da força - ela impõe a ordem, regenera do processo destrutivo e obriga as pessoas a evoluir. Disso surge a máxima: a força gera a compreensão. Com a força, é possível compreender o processo da natureza e controlar pessoas de má índole, que se vitimizam jogando a culpa nos outros - sobretudo nos que se esforçam dentro do processo criativo.

20 de fevereiro de 2018

Poder ou Força?


Eu tinha pensado em escrever sobre há alguns anos, mas quis estudar um pouco mais a obra antes de postar sobre. Agora que estou na última parte, e meus dedos agitam-se para escrever mais coisas sobre, penso em escrever uma conclusão que eu tive sobre esses dois conceitos que Hawkins usa em sua obra. Tanto o Poder quanto a Força seriam as bases das atitudes e pensamentos da pessoa, conforme seu nível de consciência. Até um determinado ponto evolutivo, ela deixa de usar a Força para usar o Poder que possui dentro de si.

Basicamente, a Força seria o conceito bruto, involuído, do ser humano. Atitudes baseadas na Força tendem a não durar e a serem sobrepostas por atitudes baseadas no Poder. A Força está ligada à faixa de níveis de consciência da Vergonha (20) à Coragem (200). Este seria um nível de consciência "neutro", onde a pessoa começa a abandonar padrões de Força para adotar padrões de Poder, este sim, evoluídos e duradouros - os que fazem a diferença na humanidade (e mesmo no Universo como um todo). A Força seria, então, algo fraco, sendo forte, então, o Poder.

Pessoalmente, creio que houve uma troca de termos: a Força é algo natural, inerente ao ser humano, e mesmo ao Universo. É algo não-forçado, como a não-ação do Taoísmo, e mesmo assim, profundo e transformador (além de duradouro). Já o Poder, este corrompe, é algo artificial, pressionado. É mais fácil associar o Poder com os níveis mais baixos e a Força com os níveis mais elevados - é mais natural. Dá até para fazer uma referência com a Força de Star Wars: quando manipulada sabiamente, faz coisas incríveis; do contrário, torna-se instrumento de dominação.

Refletir sobre o que é Poder e Força é um bom começo para estudar a obra. Você muda a forma com que toma as atitudes, muitas vezes sem mudar as mesmas. Tem uma máxima que as pessoas tendem a não gostar, de tão verdadeira que é: a força gera a compreensão. Não é o Poder, não é a imposição: é a própria natureza do Todo. Apesar de parecer mera discussão terminológica, dentro das próprias observações de Hawkins, uma palavra pode fazer toda a diferença no padrão de um discurso. Pequenas ações elevadas fazem toda a diferença.

13 de fevereiro de 2018

Fake News - a verdade inevitável


Eu tenho um apreço por esta expressão, que remete à historiografia e estudo de fontes. Quantas vezes não encontramos notícias, ou mesmo relatos, de realidade duvidosa, e mesmo quantas vezes não nos deixamos levar por eles? História é a construção de uma realidade em um tempo ilusório - geralmente o que querem que permaneça. Distorções e "forjas" de notícias são mais comuns do que se imagina. Já escrevi sobre antes, mas sinto que deveria me alongar um pouco mais a respeito.

O Passado é uma montagem criada por determinado grupo de pessoas, o Futuro é uma ilusão criada pelas projeções de algo melhor, o Presente depende da percepção de cada um. Viver isso, aplicar isso, é pedir para enlouquecer (mais?). Imagine depois de cinco anos de faculdade de História concluir que tudo não deixa de ser uma montagem? Por mais que alguns considerem isso óbvio, quão óbvio isso é para causar mudança?

Liberdade e Realidade andam juntas, se anulam e se potencializam. Quanto mais próximo da Realidade se está, menos Liberdade se tem, e o contrário é verdadeiro também. Ou seja, quanto mais ilusórias as notícias e os fatos, maior a sensação de liberdade que as pessoas sentem: a mente não sabe discernir o que é realidade do que é ficção. Perceba a sensação de sair do cinema ou mesmo após um capítulo decisivo de uma novela televisiva: é como se a pessoa tivesse vivido tudo aquilo, junto com os personagens. Mas para isso você precisa ficar preso a uma sala, a uma tela, a algo externo.

Parece maluco, mas as pessoas precisam de regras, pois não têm evolução suficiente para viver sem. Sair do sistema, da caixinha, seja lá o que for, não é para qualquer um, apesar de todos poderem fazer isso. A ilusão da Liberdade é tão boa! Só seguir algumas regras, que são tão óbvias, que quem não as segue é obviamente mau caráter - ou tão involuído que não possui noção de determinados conceitos sociais. Como discernir? É a mesma coisa que perguntar a um cego a diferença entre as cores que estão diante dele.

Uma pessoa evoluída não precisa que lhe inculquem regras: ela sabe viver em sociedade, e dobrar as regras ao seu favor. Tornam-se imprevisíveis - e isso não é visto com bons olhos. Mesmo criminosos perigosos, se previsíveis, nada são perto de pessoas imprevisíveis. Psicopatas tendem a ser rejeitados pela sociedade por conta de sua imprevisibilidade e falta de controle. Não poder controlar (algo ou alguém) é um medo que permeia o inconsciente das pessoas - basta prestar atenção na reação das pessoas quando algo foge do controle: os instintos vêm à tona porque o "consciente" não sabe lidar com a situação, agindo literalmente como um animal.

Trabalhar o instinto não é controlá-lo, e sim saber viver com ele. A consciência deve basear-se no instinto, e não o contrário. É o que permite ter consciência do controle que buscam exercer diariamente sobre si. Quem controla, quem está no controle? Pode ser qualquer coisa. Talvez a liberdade que buscam não seja algo tão desejável quanto ter consciência do constante controle que é imposto sobre a própria pessoa.

6 de fevereiro de 2018

Sobre o que eu aprendi na faculdade


Sou formada em História, o que gera a curiosidade de muitas pessoas. É uma carreira sólida? Dá pra ganhar dinheiro? O que se aprende na faculdade? Como é o dia-a-dia da profissão? Bom, a ideia do post é refletir sobre História dentro do contexto do blog, já que o fator base da História é o Tempo, e este não é tão sólido quanto se imagina - assim como os fatos e as pessoas.

Acho que faltou no curso reflexões mais profundas sobre o Tempo, e mesmo sobre a questão documental e sua relação com ele. Ao invés do questionamento de políticas e inculcamento de visões de mundo, poder-se-ia abrir espaço para que os futuros historiadores pudessem trilhar os caminhos do Tempo, e permitir que outras pessoas também o façam dentro de suas limitações.

As pessoas não sabem ir além de uma notícia de jornal ou mesmo detectar um anacronismo. Para mim, o pensamento lógico difere do pensamento racional: o primeiro está relacionado a números e cálculos, o segundo seria o primeiro mais esse raciocínio sobre coisas não-tão-lógicas assim, onde a História tem seu lugar.

Não, isso não forma uma pessoa historiadora, mas lhe dá a capacidade de discernir meandros da sociedade, formulando as próprias ideias e agindo em função delas. O estudo dos fatos sob esse prisma ajudaria a formar uma sociedade mais madura, mas talvez seja exatamente isso que não queiram - mesmo as próprias pessoas.

História acabou deixando de ser uma profissão para mim e se tornando um caminho de reflexão e orientação. Muitos dizem que ela deixou de ser a magistra vitae, mestre da vida, mas esse aspecto ressoa nos corações das pessoas até hoje. As pessoas continuam a procurar a História para orientar as próprias vidas, infelizmente sem as habilidades necessárias para navegar por este mundo.

Mas como falar de Passado que este é uma mera construção? Talvez o maior choque que já tive depois de ter concluído o curso foi perceber que o Tempo é uma ilusão: o Futuro é uma ilusão criada com base nas nossas esperanças; o Presente é fruto da percepção; o Passado é uma construção feita com base nos nossos medos. Aceitar este fato para então extrair aprendizado da História de forma profunda.

Esse aprendizado torna-se experiência pessoal, e acaba por voltar a profissão de vez para si mesma. Talvez História possa "dar dinheiro" se vinculada a alguma exposição de sucesso, tão comum e tão vazia hoje em dia. Penso que assim a História possa ter função no cenário atual, além de um hobby para poucos.

30 de janeiro de 2018

Mas o que é realidade?


Mandaram-me um vídeo sobre a "verdade" a respeito de Nelson Mandela. Eu nunca estudei sobre na faculdade (talvez isso possa ser uma reflexão para um outro post), e meio que ficou na mente a imagem criada na escola. Nunca questionei por falta de interesse, mas alguns pontos me intrigavam, sobretudo com a questão da "realidade", não o fato em si. Simplesmente o tempo passou.

A impressão que dá é que ser pega de surpresa a respeito é algo meio "condenável" - até minha mãe já sabia e eu não (ah, a página dela da Tupperware tem mais curtidores do que a do blog. Não me faz diferença uma coisa e outra). Como passei o curso fugindo das tretas políticas, mergulhando na Idade Média e tudo o mais, para mim é como perguntar de medicina do esporte a um ginecologista.

Cheguei à conclusão de quanto "melhor pintada" é uma pessoa, mais duvidosa é sua história. Documentos (orais e escritos) podem ser adulterados, escondidos, e mesmo destruídos. O tempo vai passar e aquela imagem vai ficar, como Santa Fé de Conques que nunca existiu e possui uma relíquia de osso.

Mas não existe uma história verdadeira, muito menos falsa! São inúmeras versões de determinado assunto a se analisar e refletir - e assim tirar sua conclusão, que será diferente da de Fulano, de Ciclano, e de Cicloalcano.

A partir disso dá para se questionar a própria realidade: é aquela quebra da corrente de que fala Platão no Mito da Caverna e a pessoa sai por aí. Depois da luz do sol ofuscar, começa a se ver detalhes que antes não eram visíveis nas sombras. Como por exemplo:

  • A Bela d'A Bela e a Fera da Disney. Ela é uma mocinha totalmente no mundinho de Bob (e isso não é um elogio), que foge para seus livros para ser diferente dos demais. Essa é a falha dela: os livros não são uma forma de ver o mundo, mas sim para fugir dele, sem adicionar nada, nadinha.

    Casar-se com Gastón a colocaria nos trilhos, não de forma negativa - eu duvido que ele não seria um bom marido ou mesmo um bom genro. A Fera torna-se praticamente uma moça após ser "domesticada" por Bela (repare no simbolismo dos pêlos, alusão ao mundo natural), algo que ela nunca conseguiria fazer com o macho-alfa do povoado.

    Há outras versões da história, onde não existe um antagonista, mas o trabalho de um lado selvagem como forma de superar a vaidade (a Fera era "moça" demais). Nessas versões, Bela não é fútil, ao contrário das irmãs, que lembram a Bela versão Disney. A protagonista pensa no bem estar da família como um todo após seu pai perder tudo o que tinha. A rosa no caso era o único presente que tinha pedido, ao contrário de livros, roupas e joias, o que põe seu pai em contato com a Fera.

  • E o que dizer de Moana então? Uma adolescente imatura dando ordens a uma das principais divindades da religião polinésia, sobre algo que ocorreu em tempos imemoriais, sendo que, no final das contas, ela vira a heroína e grande líder! O que seria mais absurdo no caso: a vulgarização de uma doutrina religiosa (a religião polinésia é praticada até hoje, e o filme gerou um problema diplomático sério) ou propagação da ideia de que o jovem pode tudo, mesmo sem maturidade para tal?

Com esses dois exemplos, Mandela fica no chinelo! O que é matar pessoas perto de tirar a vida delas enquanto vivas, sem que elas saibam? Ambos são absurdos, não? Mas enquanto eu digitava isso, as pessoas mantinham suas preocupações "chakra básico": emprego, comida, pagar as contas, eleições...

23 de janeiro de 2018

Uma observação sobre opressão


Depois daquela treta na escola de Kung Fu, comecei a pensar se isso não era comum nas artes marciais de forma geral ou, pior, na cultura oriental como um todo. Até um tempo atrás pensei que a filosofia oriental fosse um caminho interessante para o processo evolutivo, e estava estudando esse assunto com especial atenção até o vídeo impactar minha mente.

Infelizmente cheguei à conclusão de que nunca existiria um Neo no Extremo Oriente, não pelas pessoas já terem superado estágios básicos de evolução, mas sim porque as culturas orientais conseguiram transformar conceitos elevados em ferramentas de controle social eficientes. Poucas pessoas realmente se libertam através desses caminhos, sendo muito mais uma forma de controlar os que conseguiram "sair do controle" do que incentivá-los a sair. Entenda neste caso que "sair do controle" é sinônimo de "sair do sistema", criar um novo rumo.

Se prestar atenção, é no Oriente que existe a cultura da submissão, da obediência cega, do controle do corpo e da mente (e até do espírito talvez). A pessoa se condiciona a fazer o que possível (e impossível) for, nem que para isso arrisque a própria vida - quase que sem devolutiva (um tapinha nas costas?).

O oriental, ao tomar o controle, torna-se tão controlador quanto seus antecessores, transformando o que sofreu em mera justificativa, e não verdadeira superação. Eu diria que é a cultura do "paga-lanche": o cara foi humilhado a vida inteira, e ao superar a situação, começa a fazer o mesmo com os outros. Não existe aprendizado, tampouco evolução.

Enquanto que no Ocidente esse tipo de hierarquia é mais maleável (apesar de seus defeitos), no Oriente mestre é mestre, por pior que seja, para não dizer um palavrão. Ele é considerado o melhor apenas por ser mestre, e não por ser um exemplo de superação (que muitos imaginam ser). E ai de quem questionar.

Talvez um dos grandes males da sociedade atual seja conceitos tão elevados (não-definição, realidade ilusória, reserva de mercado, etc) serem distorcidos como uma forma de controle. E nessa sociedade de rebanhos, ninguém se preocupa com isso. As pessoas são tão acostumadas ao controle social e mental que não lhe faz diferença quem está no comando.

16 de janeiro de 2018

E quem é você para me dizer o que eu tenho que fazer?

Indo na levada do post sobre a maturidade para se adquirir conhecimento, assisti a um vídeo esses dias que me deu aquela bugada: um mestre de kung fu, conhecido até fora dos círculos das artes marciais, dando uma tremenda sova em seus alunos durante uma aula. Apesar do vídeo ser antigo, só agora ele tomou vulto nas redes sociais. Talvez o vídeo gere alguns processos e mais alguns "cala-bocas" (que já estão ocorrendo), mas não pude deixar de escrever sobre.

Talvez o que mais tenha me chocado neste vídeo foi a postura de um deles: o guri se atirou no chão, num gesto claro de desculpas. Pera, além dele não ter merecido os safanões que tomou, ele pede desculpa?! Para piorar, dezenas de pessoas comentaram a favor do professor e de seu "método", o que me leva a seguinte conclusão: isso é comum nas artes marciais. Essa tentativa de censurar (o vídeo foi excluído) e repreender tem por objetivo preservar um método de ensino que é cediço entre os praticantes, mas nada é feito em relação a isso.

Interessante pessoas falarem que se tornaram gente após sofrer esse tipo de abuso. É como o guri que sofreu bullying na escola a vida inteira, e ao tornar-se chefe repete as mesmas práticas de que foi vítima. São pessoas que não conseguiram superar o trauma, e tiram proveito de seu vitimismo, agravando a situação. Como você espera aprender, e crescer, passando por determinadas situações?

Um outro aspecto dessa relação professor-aluno é o cerceamento de conhecimento que o primeiro faz em relação ao segundo. Sabe quando eu disse anteriormente que as pessoas não estão prontas para tal conhecimento? Pois é, quem o professor acha que é para isso? Será que existiu (ou existe) alguém, que pode ser chamado realmente de mestre, para sugerir o que deve ser aprendido ou não? Quantos alunos, com enorme potencial, são podados nas escolas, para que não superem os pupilos escolhidos ou mesmo os próprios professores? Passei por isso na faculdade, nunca achei que fosse ver isso nas artes marciais.

Mas pessoas são pessoas, aí entra a questão de ego e vaidade que tantos tentam esconder e outros projetam nos desafetos. Falam que o aluno é imaturo para aprender tal coisa, se ele vai atrás (e aprende, às vezes até melhor), ele é arrogante. Se o desafeto é acima da média, poda-se. Ele quer progredir? Boicota-o. Até ele desistir, até ele largar, achando que aquilo não é pra ele. Se for até o fim? Se, apesar de tudo, conseguir superar, tornar-se realmente alguém? Vira o queridinho-que-nunca-o-foi, o orgulho, aquele que foram dedicados os melhores esforços.

Lembrou-me agora a Diane Stein, com seu Reiki não-tradicional. Sua maestria foi negada pela sua mestra (e deixou um buraco nas árvores de linhagens de reikianos), e mesmo hoje em dia muitos não a consideram reikiana. Indo mais fundo, há reikianos japoneses que não reconhecem a mestre Takata como reikiana, ou mesmo mestre, o que acaba por desconsiderar a pesada maioria de reikianos do mundo - inclusive alguns japoneses, que aprenderam o Reiki por vias ocidentais. No final das contas, foi ensinado e aprendido Reiki? A energia foi transmitida?

Não há o que se concluir, mas muito há para se refletir. Não pude deixar de fazer essas reflexões, depois de tudo o que eu passei ou presenciei.

9 de janeiro de 2018

Conhecimento para todos?


O conhecimento é acessível para todos, independente de quaisquer outros fatores, mas isso não significa que todas as pessoas estão prontas para absorver este conhecimento e evoluir com isso. Segue o mesmo raciocínio de sair do sistema: nem todo mundo está pronto para sair, e mesmo alguns que o conseguem, acabam por voltar. No final das contas, são pouquíssimas pessoas que realmente têm maturidade para tais coisas, o que acaba por ferir muitos egos imaturos.

É possível perceber isso quando conceitos elevados na cabeça de pessoas imaturas têm uma péssima aplicação, ou quando são questionadas, não sabem explicar os conceitos de forma efetiva. Não adianta aprender e conhecer qualquer coisa: a internet é um livro aberto para tudo - e a sensação que se tem é que as pessoas estão cada vez mais burras e mesmo que as informações estão cada vez mais rasas.

Isso abre espaço para reflexão sobre a manipulação de conhecimento que existe, e sempre existiu. Conhecimento abre portas, mas é a consciência que permite atravessá-las. Quem me garante que os clássicos são realmente clássicos? E as queimas de arquivo? O Passado nada mais é do que uma construção feita pelas pessoas, com o intuito de preservar certas ideias e esquecer outras: uma espécie de memória coletiva da humanidade. E o Futuro uma ilusão criada pelas próprias expectativas, esperanças, e mesmo sonhos.

Li em algum lugar há alguns anos essa frase: "dê leite às crianças e carne aos adultos". Não adianta querer ensinar conceitos profundos e complexos sobre o mundo se a pessoa nem aprendeu o básico. Por isso fica tanta coisa "escondida" do olhar da maioria: aí a "criança" se ofende e vai querer ir atrás, não entende nada e ainda fica brava - chega a ser engraçado. Não se apresse em adquirir conhecimento ou mudar sua visão de mundo: busque aprender uma lição de cada vez. Claro que não ocorre em uma sequência lógica, mas não force a barra.

Outra coisa: é normal mudar de opinião ao longo do tempo (até não se ter opinião nenhuma?). Engana-se quem pensa que devemos nos prender a nossa visão de mundo. Conheço pessoas de avançada idade e pouca experiência - ainda se seguram à visão utópica de juventude com todas as forças que ainda lhe restam, resistindo às mudanças, deixando um rastro de vazio no mundo. Interessante que este tipo de pessoa é a que mais tenta impor suas ideias utilizando-se como desculpa a idade. Mas o que é idade quando o tempo é ilusório?