12 de dezembro de 2017

Direito do Desejo x Direito da Percepção


Com essa noção de que devemos ser tratados como nos sentimos ser abre espaço para uma discussão que seria interessante se não fosse tão infantil. As pessoas hoje em dia querem ser tratadas como acham que são, causando uma tremenda confusão, já que cada pessoa percebe a outra de forma diferente. Hoje em dia, você pode se declarar qualquer coisa: um cavalo, uma ave, uma planta até. E exigir ser tratado como tal.

Para quem lê o blog sabe a falha que isso é: primeiramente porque o desejo é algo extremamente fugaz. "Hoje eu sou planta, amanhã serei um cachorro, e a cada dia que passa, quero ser tratado da forma como eu sinto ser". Com um agravante: "ai de quem me tratar diferente! Ai de quem me olhar e dizer que sou algo diferente do que eu me sinto ser! Isso é preconceito, é alguma-coisa-fobia, e tenho direito a reparação (em dinheiro, claro). Afinal sou uma pessoa livre para ser quem eu quero ser".

Por outro lado, quando alguém se utiliza do direito do desejo de forma que não me convém, eu uso o direito da percepção: eu te vejo de forma diferente, seja pelo motivo que for. "Eu não te vejo pessoa, eu te vejo animal". "Você diz ser gato, mas eu te vejo como boi". Isso faz com que as situações sejam julgadas pela conveniência, não pelos fatos e intenções. Imagine apurar um crime nestas condições!

Não existe caminho do meio para esta situação (em outro post, vou explicar que caminho do meio não existe pra nada!). O que pode superar esse conflito é o Direito Natural: aquele que a Natureza, em sua sabedoria, mostra que pão é pão, queijo é queijo. E ninguém gosta disso, porque desejo e percepção deixam de ser convenientes para a situação, colocando todo mundo em seu lugar.

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