31 de outubro de 2017

Reserva de Mercado


Reserva de mercado é uma área de controle de determinada programação. O exemplo mais clássico é o filme Matrix, no qual o sistema é uma grande reserva de mercado, programando e controlando quem está sob seu julgo. Este conceito é pura abstração, e uma das ideias mais próximas do que seria o sistema em si. É normal ver pessoas contra o sistema, no entanto estão presas a uma visão limitada do mesmo: o Capitalismo seria um sistema, o grande mal da humanidade. Acham que destruir esse sistema seria uma forma de libertar a todos e resolver tudo o que há de "errado".

As reservas de mercado buscam controlar, sobretudo para conquistar mais poder e influência, e assim se autopreservar. Existem em todas as áreas da sociedade, sejam materiais (como profissões), sejam mentais (como instituições religiosas). Inclusive há reservas de mercado voltadas à evolução: grupos de meditação, de filosofias alternativas, etc. Mesmo que alguns preguem estar fora do sistema, apenas atuam na manutenção do mesmo. O processo evolutivo é solitário, raramente em pequenos grupos, impossível coletivamente. É uma questão que vai além do dinheiro: conhecimento, informações e mesmo a legislação são também formas de controle das reservas de mercado.

O que é mais perceptível de uma reserva de mercado é sua visão em relação ao outro: o que não é definindo o que é. Ao definir o outro, define a si mesmo; ao desvalorizar o outro (mesmo que de forma velada), valoriza a si mesmo. Quando um grupo tenta restringir a atuação de outro, percebe-se claramente a ação da reserva de mercado: a maioria das pessoas não busca formular a própria opinião, seguindo cegamente o que outras dizem (pela autoridade, pelo conhecimento que aparentam ter). Ao se questionar, a pessoa desvincula-se das reservas de mercado e acaba por criar a própria.

Não é possível sair de uma reserva de mercado sem entrar em outra, ou mesmo criar uma própria: quando alguém pensa que finalmente está livre das mazelas de determinada programação, esbarra com os problemas de uma nova. De certa forma, a pessoa acaba por criar a própria reserva de mercado, a própria programação, o próprio rumo. No final das contas, tudo leva ao mesmo lugar, tudo é a mesma coisa. As reservas são criações que impedem interações que possam por tudo em xeque. São caminhos que levam ao mesmo destino, e que a pessoa pode fazer o próprio trajeto da forma que lhe convém.

Reservas de mercado não deixam de ser caminhos, códigos-fonte, por assim dizer. Parte delas propõe a mesma coisa, e uma não é melhor que a outra, a menos para a pessoa que analisa e observa. Cada caminho possui seus cruzamentos, e as pessoas são livres para atravessá-los e seguir por outras ruas e avenidas. Quando alguém diz que isso não é permitido, estranhe, questione. E continue seu caminho.

"Aprenda a forma, mas busque o disforme
Ouça o silencio
Aprenda tudo, esqueça tudo
Aprenda o caminho, depois encontre seu próprio caminho"

Filme O Reino Proibido

24 de outubro de 2017

Como é dentro, é assim fora, ou Como os oráculos funcionam


Talvez seja um princípio mais perceptível que as próprias leis da Física - na minha opinião, deveria ser uma, rs. Como as pessoas são programadas, suas ações e pensamentos são previsíveis e mapeáveis, além do mais, estas acabam por ressoar de diversas formas: o interior reflete no ambiente e vice-versa. O oráculo seria um estudo do interior através da representação exterior - suas previsões seriam oriundas do automatismo da inconsciência da pessoa, por mais consciente que ela diga ser.

Um ambiente ruim, seja de trabalho, seja em casa, é reflexo de algo que ocorre na pessoa. Tudo está interligado, e é impressionante notar como uma simples mudança de atitude pode mudar situações inteiras. Por isso a tomada de consciência, de estar presente, ou seja lá o nome que for para despertar ou sair do sistema é tão importante: as coisas realmente começam a acontecer. E conforme a consciência se desenvolve, mais é perceptível como as pessoas vivem em automatismo, com seus problemas enraizados, em uma falsa luta para resolvê-los.

O oráculo, seja ele tarô, búzios, astrologia, ou qualquer outra coisa que se encaixe nessa categoria, irá mostrar a situação da programação no momento: como a pessoa foi programada, como o sistema está rodando, e mesmo o que vai acontecer se a pessoa não tomar consciência e superar a situação. Na maioria das vezes, o que acontece é como estava previsto, não porque o oráculo viu algo sobrenatural, mas pela natural programação da pessoa que aquilo iria acontecer. E é muito engraçado quando quando alguém diz que vai mudar e que aquilo não irá acontecer e acontece justamente daquela forma: isso se chama inconsciência.

Só uma pessoa que realmente despertou pode bugar um oráculo. Ele mostra o que pode acontecer dentro da programação, mas não o que pode acontecer fora: as possibilidades são infinitas. Cabe à pessoa escolher se ela quer seguir aquilo ou modificar a sua maneira, mudando seu interior. Não pense que um oráculo torna-se mero brinquedo ao se transcender a consciência: um bom oraculista é aquele que consegue ver além do sistema e das possibilidades. No entanto, isso é algo que as pessoas desenvolvem internamente, não só com a prática rotineira.

17 de outubro de 2017

Reiki ao Planeta - por que não recomendo


Nessa iminência de guerra mundial, pediram-me para enviar Reiki ao planeta para acalmar os ânimos - fazer com que as pessoas caíssem na real e deixassem de lado essa ideia "boba". Parece algo muito bonito de se fazer, mas, analisando a fundo, é algo arriscado e, na minha opinião, desnecessário. Cada pessoa é em si um reflexo do planeta, ou seja, se o planeta vai mal, em você a coisa não está boa também. O que se tem hoje em dia é uma agressividade reprimida, pronta pra explodir a qualquer momento, que ao invés de ser liberada, é mais e mais reprimida - afinal, "não se pode ser violento".

O envio de Reiki coletivo é comumente ensinado no Shinpiden (Reiki IIIa), mas pode ser praticado mesmo no Shoden (Reiki I). Para alguns mestres, enviar Reiki ao planeta é uma obrigação equivalente a recitar os Cinco Princípios todos os dias. No entanto, como toda aplicação, o envio de Reiki ao planeta traz à tona problemas que estão enraizados há muito tempo, nos quais as pessoas (em sua grande maioria) não têm consciência para aprender com eles e superá-los. De certa forma, você fica responsável por essa "bagunça" - mais do que já o é.

A situação do mundo neste momento é um reflexo de como está o interior das pessoas: explosivo. Qualquer coisa, dita ou feita, já causa alvoroço. Não se busca entender o que aconteceu, mas logo tomar uma providência. Não é questão de pensar antes de fazer, mas sim de agir pensando, consciente da situação. Há muita raiva acumulada e mal trabalhada. É perceptível o desejo que algumas pessoas têm em agredir outras. Será que tentar manter um mundo "em paz" seria uma forma de se tentar manter o status quo, ou mesmo de evitar ter que se adaptar a uma nova situação?

Cuidar de si mesmo é a melhor forma de promover a paz mundial. A paz interior ressoa no ambiente e o harmoniza. É comum pessoas falaram que se sentem bem na presença de determinados indivíduos: é a paz que eles irradiam, e que pode ser alcançada por todos. Isso não significa que sejam pessoas não-violentas: quando necessário, partem pra cima de quem for. Ter mais disciplina com a própria evolução, independentemente do caminho que escolher, surte muito mais efeito, apesar de ser menos aceitável entre as pessoas.

10 de outubro de 2017

Sobre a Caridade


Caridade é um conceito complexo e nobre. É algo bem visto pelas pessoas, mas nem sempre bem feito. Ajudar quem precisa de ajuda, independente de quem seja, ou qual situação, é caridade. O importante nessa prática é não esperar por uma devolutiva, seja ela direta ou indireta. A confusão está, sobretudo, em dois aspectos: o primeiro, a pessoa doa por vaidade sem perceber (apenas para se dizer caridosa); segundo, quase sempre a pessoa espera uma devolutiva para si.

Muitos pensam que a caridade é apenas para pessoas em situações extremas, em situação de miséria, mas não. Ajudar o colega de serviço, sem esperar nada em troca, mesmo dando tudo errado, é caridade. O importante é estender a mão quando o outro precisa (e quando o outro o aceita, só que nem sempre), independentemente de quem o outro seja. Os pobres são cuidados, os ricos são esquecidos. Caridade não é só comida e cobertores. É uma palavra amiga, um gesto gentil, sem esperar nada em troca (nem um obrigado).

A compaixão é o sentimento por dentro da caridade. É parte do amor incondicional - fazer o bem sem olhar a quem. Cresce e aquece o coração, dando a verdadeira sensação de bem-estar. Não diria ser útil, mas fazer parte do Todo. É algo que exige discrição, e não ostentação - esta é vaidade, que leva à frustração. Nem sempre o resultado vai ser bonitinho: pode dar tudo errado. Nem sempre aquilo que a pessoa pediu era aquilo que ela queria, ou mesmo o que ela precisava - mas o aprendizado era necessário para o momento.

Como dito antes, caridade não é só fazer doações de dinheiro, alimentos ou vestuário. Uma pessoa pode ser caridosa apenas por ouvir os colegas e mediar conflitos, sem nunca ter dado um centavo a um morador de rua. Ela não é obrigada - não se sabe o passado, não se sabe a intenção. Não é questão de merecer ou não, é a primordial questão de escolha, livre-arbítrio e programação. E uma pessoa não é ruim porque se afastou ou passou direto por alguém "necessitado". Todos têm problemas e todos têm escolhas.

Infelizmente, os ajudados acabam por se acomodar na situação de carência. Para alguns, é mais fácil pedir dinheiro do que ter um emprego e uma vida social. É escolha deles. Não pense que existe miséria porque existe riqueza ou vice-versa: a abundância existe para todos, mas não significa que todos serão milionários. E não o serão porque o escolhem, não porque um grupo impõe isso. Fora que é perceptível o vitimismo presente neste grupo social dos vulneráveis - tratar poderia ser uma boa alternativa, mas recai sobre a questão do livre-arbítrio.

No caso, não é uma questão de esperar uma devolutiva, mas ajudar por sentir que aquilo é necessário - mesmo que não faça nenhum sentido à primeira vista. O vitimismo acaba por envenenar as pessoas, forçando uma divisão que algumas são boas e que algumas são más por conta disso. Mas e quem apenas ajuda para suprir apenas a própria carência, para poder dormir mais tranquilo? A primeira pessoa a ser ajudada, cuidada, é ela mesma. Só é possível ajudar o outro de forma efetiva quando se aprende a receber, quando o ego está evoluído ao ponto de não precisar mais de atenção.

3 de outubro de 2017

O que move este mundo


Infelizmente se engana quem pensa que este mundo é regido por valores elevados. Quem está atento à "realidade" das notícias, do Big Brother, e das fofocas de WhatsApp e Facebook percebe que as duas coisas que movem este mundo são a vaidade e o medo, sendo aquele a principal consequência deste. Não adianta negociar, dialogar, as pessoas agem porque se sentem coagidas a tal - conscientemente ou não.

Dependendo com quem se conversa, ou você é iludido, enganado, ou foi tempo gasto em vão. Se impor pela força torna-se questão de necessidade. A força é a única coisa com a qual falsidade não consegue se impor. Por isso que hoje em dia ser forte é algo tão condenado: é considerado algo extremado, desnecessário à civilização, onde todos são iguais. Além desta última premissa ser falsa, o que se percebe é um acovardamento das pessoas, que buscam resolver as coisas ora com jeitinho, ora com maldade.

É possível perceber isso nas brincadeiras de hoje em dia: uma pessoa ofende claramente outra. Além da ofensa direta, a ofendida não pode se defender, pois era uma brincadeira, algo sem relevância. Se realmente fosse algo sem relevância, não seria nem dito - e se fosse algo importante, outro tom seria dado. O outro extremo - pessoas que se ofendem por qualquer coisa - oriunda da vaidade de querer ser o centro das atenções - a pobre vítima do mundo. Quando se ignora quem se vitimiza, este se revolta por não ser o centro das atenções. Quem quer superar a situação não adota postura de vítima, se esforça para fugir dela.

Quem realmente tem por norte valores elevados acaba por ser crucificado neste mundo, seja no sentido figurado, seja no sentido literal. Interessante notar a raiva natural que sentem por essas pessoas, sobretudo nas pesadas críticas que são feitas, que tem por fim apenas desvalorizar. Não adianta: qualquer atitude pode gerar raiva em outrem, por mais elevada que esta seja e mesmo não havendo a intenção. É como o outro recebe: ninguém quer ser puxado pra cima, forçado a evoluir - tendência é puxar para baixo.

Isso não significa que a pessoa deva desistir de seguir seu norte, pelo contrário: uma atitude elevada buga o sistema e faz as coisas andarem no rumo certo. Nadar contra a corrente parece um esforço hercúleo à primeira vista, mas é a corrente que se encontra em sentido errado. Ter consciência e trabalhar estes fluxos pode facilitar muita coisa: o medo e a vaidade podem, e devem, ser usados para algo melhor.