28 de março de 2017

Músicas para Reiki e um pouco mais


Indo na levada do post sobre o Reiki cronometrado, gostaria de refletir um pouco sobre o uso de músicas durante a aplicação de Reiki e mesmo sobre as próprias músicas. Eu adoro música, dos diferentes estilos, e acho que o estilo "padrão" de músicas usado é de certa forma limitante e poderia de certa forma ser inovado para tocar mais profundamente quem irá receber a energia.

Esse padrão musical limita-se a músicas instrumentais estilo New Age, algumas associadas a propriedades terapêuticas. Só procurar no YouTube que encontrará uma gama de músicas com ondas e frequências para as diversas atividades, e mesmo alguns reikianos recomendam algumas delas para tratamento e iniciações. Fora que dentro deste espectro maior, há músicas feitas exclusivamente para o Reiki, sobretudo com as marcações temporais. Por um bom tempo dependi destas, pois chega uma hora em que a mente viaja e é necessária uma boa dose de objetividade, sobretudo ao tratar alguém.

Como disse antes: eu gosto de música. A maioria destas, por facilitarem o relaxamento, acabam por relaxar o reikiano, e isso pode não ser muito bom, já que ele precisa de total atenção ao que está fazendo. Uma música mais animada pode acabar impedindo o receptor (o termo paciente é um tabu - só pode ser usado por "profissionais de saúde") de relaxar ou mesmo acordá-lo subitamente. O ideal mesmo para seria o silêncio, pois todos os sentidos seriam voltados ao que está ocorrendo naquele momento, naquele lugar.

Fugindo um pouco da aplicação, há também os procedimentos iniciático e o de alinhamento energético. Nestes, o receptor tende a não "desligar", ou seja, uma música mais animada é muito mais bem-vinda. Não digo para apelar para o heavy metal, sobretudo porque as letras não são compatíveis com as ideias transmitidas, mas para trocar o disco de vez em sempre. Há artistas muito profundos, com letras maravilhosas, que fogem desse nicho e acabam esquecidos.

Analisar a letra de música deveria ser algo constante, porque mesmo uma música em língua estrangeira acaba por influenciar negativamente uma pessoa que não a entende. Só jogar nesses sites de letras e cifras que possuem até tradução! Ao longo do tempo, mudanças sutis poderão ocorrer só por esta mudança musical. A música é como um alimento: deveria ser olhada a tabela nutricional e sua composição. E assim como a comida, algumas besteiras de vez em quando fazem bem.

21 de março de 2017

Avatar - A Lenda de Aang


Apesar do nome, este desenho (que não é anime) não tem nada a ver com o filme dos Na'vi e do planeta Pandora. Fala sobre a manipulação de quatro elementos através de movimentos que lembram o Kung Fu. Para quem não conhece nada, é algo fantástico, mas para quem conhece um pouco já percebe que as coisas não se encaixam muito bem. A proposta é boa, mas no final o que me interessou foram os combates de manipulação de elementos. A história em si não tem muito o que se aproveitar.

Muita gente já deve ter visto na internet aquela cena do desenho em que um guru ensina sobre os chakras. Não sei se foi falha da tradução (tudo leva a crer que não), mas além dos nomes e das associações estarem erradas, elas não fazem parte da cultura chinesa, e sim da indiana. Mas a proposta é justamente fazer uma salada de tudo! Aliás, quem trabalha com os pontos de acupuntura no combate é uma das vilãs...

Pra variar, os vilões possuem muito mais profundidade do que os protagonistas. É comum hoje em dia as obras de ficção terem heróis idiotas e imaturos e vilões complexos e evoluídos. Tanto é que a 3ª temporada é a menos pior das três. É questionável como Aang consegue com seus amigos vencer uma guerra sendo todos tão idiotas. É como se prática, disciplina e rigor pudessem ser facilmente trocados por brincadeiras e esperteza. Quem busca evoluir sabe que não é bem assim.

O desenho é muito raso e a trama é mais um encadeamento de episódios. Tive diversas vezes vontade de parar e ver algo que preste, mas assisti até o fim, para ter um argumento sólido antes que viessem com aquele "mas você não viu tudo!". Nem precisaria, é bem previsível. O problema nem é tanto a água com açúcar, mas esta disfarçada em lição de vida: que as mulheres podem tudo, e que os homens são, no fundo, crianças imaturas.

Um olhar mais atento percebe que a trama gira em torno da Katara, e não do Aang: ela que orienta o que tem que ser ou não feito, que se revolta para aprender a dobrar água pra combate (e quase põe tudo a perder!). Seu irmão, Sokka, que é bem mais maduro que ela, acaba por ser reduzido e ridicularizado. Ao contrário da Hermione, que faz e acontece por ela ser ela e não por ser mulher: há uma grande diferença nisso, mas acaba passando batido.

Existe uma continuação da série: A Lenda de Korra. Assim como não assisti ao reboot de Thundercats pela total distorção da série original, já tô vendo que a distorção do distorcido vai mais comer meu tempo e minha paciência que poderia usar com coisas inteligentes que ainda existem. Aliás, existe um filme que faz uma espécie de resumo da 1ª temporada: parte das asneiras ficam de fora e dá para aproveitar mais os efeitos especiais.

14 de março de 2017

A Vaidade e o Sucesso


Enya disse em uma entrevista uma frase muito interessante: "você pode comprar fama, mas não pode comprar sucesso". Ela não é conhecida aqui no Brasil, não está envolvida em escândalos, nem faz shows ao vivo. Muitas pessoas conhecem suas músicas, mas não fazem a ideia de quem canta, fora as atribuições erradas de uma penca de músicas, sobretudo de trilhas sonoras. O que seria tudo para dar errado nos moldes atuais resultou em mais de 70 milhões de discos vendidos e em uma das maiores fortunas da Irlanda.

Para mim, Enya é um caso de sucesso, sobretudo quando se analisa a fundo: teve que escolher entre os empresários e a família, foi morar com os primeiros, mudando-se para Dublin (ela morava em Donegal, do outro lado do país), além de montar um estúdio quase que por conta própria. Um álbum da Enya - que ela mesma considera ser o trio Eithne, Roma e Nicky Ryan - demora cerca de três anos para ficar pronto, tanto das composições até gravação do disco em si. Disciplina e amor pelo que faz, sem seguir qualquer moda, como ela mesma diz.

Muitos podem achá-la arrogante, mas geralmente é assim: quando uma pessoa é autoconfiante, é vista como arrogante, mas o pior é que quando uma pessoa é arrogante, ela é vista como autoconfiante. Peguei o exemplo da Enya, que pelo seu requinte e humildade, pode não ser vista como uma pessoa simples, ou mesmo modesta. Só que aí entra o diferencial: não adianta querer chamar atenção e ser lembrado por querer chamar a atenção. Para ser reconhecido pelo trabalho, o mesmo deve ser bem feito.

De forma geral, as redes sociais lembram um jogo Pay to Win (pague para vencer): você paga para ser famoso e ser "conhecido", ou mesmo reconhecido. O problema é quando a qualidade é deixada de lado em nome de um reconhecimento vazio. Dever-se-ia primeiro procurar a qualidade, fazer um trabalho profundo e a divulgação ser um meio e não uma prioridade. Reconhecimento vem de algo bem feito, não de divulgação. Fora a sensação de fazer aquilo que gosta, a satisfação de fazer. Isso é sucesso.

Por trás da vontade de aparecer estão a vaidade e a carência. A vaidade de se achar alguma coisa, e que essa coisa é melhor que a dos outros. Aí reside a falta de humildade: a pessoa não se conhece, portanto se acha superior que as demais. Já a carência é a falta de si mesmo, causada pela autonegação. É querer buscar fora algo que está dentro de si, que falta ser reconhecido por si mesmo. Como a pessoa não se aceita como ela é, ela acaba por buscar que os outros a aceitem.

Ao se fazer um trabalho, procure fazer um bom trabalho, para não dizer o melhor trabalho possível. Mas não busque logo de cara fama, não queira chamar a atenção: muita gente acaba por "torcer contra" sem você saber e as coisas misteriosamente não fluem. Não que divulgar seja algo negativo, longe disso: a propaganda é a alma do negócio. Mas ela vem depois, e ela não pode ser sinônimo de trabalho bem-feito, muito menos de sucesso. Deve-se pensar primeiro em atingir profundamente as pessoas, envolver-se profundamente com aquilo que nos faz sorrir.

7 de março de 2017

Visão além do alcance

Gosto de conversar com as pessoas. Aprendo muito com elas, apesar de nem sempre a recíproca ser verdadeira, rs. Tive uma conversa interessante com uma pessoa que gostaria de desenvolver a famosa Terceira Visão através do Reiki. Acho que a decepcionei, afinal o Reiki não confere poderes mágicos. Só que durante o percurso o reikiano desenvolve uma nova visão de mundo e de realidade, vendo o que as pessoas geralmente não veem. E isso não é nada sobrenatural, tende mais ao óbvio. Tão óbvio que a maioria do vulgo não vê...


Espada Justiceira, dê-me a visão além do alcance!

Reiki não é sobrenatural, faz parte da natureza, das pessoas, de tudo. É energia. Não tem nada demais. O que surpreende as pessoas é o que não está dentro de seu limite de compreensão, que tende a ser reduzido. Quando se conhece algo, aquilo se torna natural, normal. Cabe a quem conhece "desmistificar" e esclarecer.

A técnica desenvolve os corpos energéticos do reikiano, assim como um músculo é desenvolvido ao ser trabalhado e a mente acelera-se ao ser treinada. Os chakras tendem a processar mais energia, o que pode levar a fenômenos "incomuns", mas isso não é regra. No caso do Terceiro Olho, desenvolvê-lo não significa que será aberta uma "visão sobrenatural", como nas ficções. Este chakra está ligado à visão de realidade que a pessoa possui, inclusive à formação de factoides.

Querer ver além implica primeiramente ver o que está em volta, o sistema, a caixinha, a caverna. Só de possuir esta percepção a pessoa já vê além que grande parte da sociedade. Esse deveria ver o foco. Ver o "futuro", "seres de outras dimensões", além de não fazer parte do Reiki, é algo muitas vezes construído por factoides, prendendo a pessoa em ilusões criadas por ela mesma. Fora que há outras técnicas e práticas que possuem este objetivo, não sendo necessário o Reiki para tanto.

Reiki é natural. É um caminho de crescimento interior. A parte terapêutica é apenas uma parte, assim como a manipulação energética. Não tente por o carro na frente dos bois nem crie expectativas. Ninguém tem "poderes": é apenas um canal que deve ser bem utilizado. E para isso deve se esvaziar da vaidade, do orgulho, controlar o ego. O terapeuta só consegue trabalhar de forma plena quando o seu interior está harmonizado.