26 de dezembro de 2017

O Caminho do Meio


É muito bonito falar sobre o Caminho do Meio, e na filosofia pseudo-evoluída de hoje em dia. Pseudo porque ela é baseada na vaidade do indivíduo e não na superação da mesma, em transformar de fora para dentro e não de dentro para fora. Caminho do Meio é um lugar comum para dizer que a pessoa não se baseia em nenhum extremo: "não concordo, nem discordo, muito pelo contrário", já dizia alguém na televisão. Só que... só existe um caminho: o seu.

Quando diz seguir o Caminho do Meio, a pessoa simplesmente adota ambos os extremos que diz rejeitar e os usa da forma que julgar mais conveniente. Ela está mais oscilando pra lá e pra cá do que seguindo em frente propriamente dito. Ao invés de seguir o próprio caminho, acaba por seguir o que outras pessoas seguem, o que não leva a lugar algum. Já dizia a piada: "se seguir pelo meio você apanha dos dois lados".

A transcendência propriamente dita está em superar os opostos e ver que são uma coisa só, manifestadas de formas diferentes, e isso pode ser alcançado por todos, das mais diversas formas. A mudança consiste em despertar e desenvolver o que há de melhor dentro de você, criar a própria equação, e não forçar goela abaixo a equação formatada que dizem ser a mais apropriada. Por isso que poucos tentam, e mesmo entre desses poucos, muitos ficam pelo caminho.

O tal equilíbrio que buscam encontra-se no interior de cada pessoa, durante as atividades cotidianas. Por mais que meditação possa ser algo legal, a mudança se efetiva quando as ideias saem da cabeça e passam a tomar o corpo e a bater junto com o coração. O próprio caminho leva a fazer escolhas e a tomar atitudes, mas isso é fruto da consciência e não de mero comodismo - e geralmente é algo bem desconfortável em relação aos outros.

19 de dezembro de 2017

Entrando em outro sistema


Percebi que nesses dias que se passaram muitas pessoas estavam comentando sobre o filme Matrix, que estava disponível no Netflix. Achei interessante as pessoas conversarem sobre manipulação e sistemas, terem um vislumbre da programação de que são feitas, mas infelizmente parou por aí. Pior: pessoas dizendo que saíram da caverna, acusando um grupo ou outro de manipular.

Bom, não estou aqui para tirar sarro de ninguém, mas não deixei de esboçar um sorriso após essa afirmação. Primeiramente, Matrix é uma trilogia, só ficar no primeiro filme não explica muita coisa, principalmente para quem não é da área. Nessa toada, quem tem aquela sensação de que saiu do sistema só de ver o filme, com raríssimas exceções, entraram em outro sistema. Afinal, seria ingênuo pensar que um sistema não conhece suas próprias falhas.

Só para deixar um spoiler, o terceiro filme, Matrix Revolutions, parece contradizer as ideias do primeiro filme, mas na verdade é a melhor alternativa para a situação apresentada anteriormente: sacrifício e coexistência. As pessoas mal conseguem desenvolver algum conhecimento a partir do primeiro filme, quem dirá dos outros dois. A questão aí seria ter humildade em perceber que apenas um passo foi dado e que muitos enganos podem ocorrer. Você só percebe que saiu do sistema quando está fora dele.

"Eu tive sorte, eu estava vivo
Um olhar para trás, eu poderia ter morrido"

Asia - Sole Survivior

Isso lembra uma prova daquelas gincanas que tinham na televisão na década de 1990: havia várias portas e você tinha que atravessar uma delas. A certa era feita de isopor: o participante quebraria e passaria. As outras eram rígidas, mas obviamente não machucavam. Ao contrário da prova, a pessoa pode insistir em outras portas, procurar a correta, ou, digamos, a passável. A intenção de buscar uma saída é uma bússola que irá orientar o caminho.

12 de dezembro de 2017

Direito do Desejo x Direito da Percepção


Com essa noção de que devemos ser tratados como nos sentimos ser abre espaço para uma discussão que seria interessante se não fosse tão infantil. As pessoas hoje em dia querem ser tratadas como acham que são, causando uma tremenda confusão, já que cada pessoa percebe a outra de forma diferente. Hoje em dia, você pode se declarar qualquer coisa: um cavalo, uma ave, uma planta até. E exigir ser tratado como tal.

Para quem lê o blog sabe a falha que isso é: primeiramente porque o desejo é algo extremamente fugaz. "Hoje eu sou planta, amanhã serei um cachorro, e a cada dia que passa, quero ser tratado da forma como eu sinto ser". Com um agravante: "ai de quem me tratar diferente! Ai de quem me olhar e dizer que sou algo diferente do que eu me sinto ser! Isso é preconceito, é alguma-coisa-fobia, e tenho direito a reparação (em dinheiro, claro). Afinal sou uma pessoa livre para ser quem eu quero ser".

Por outro lado, quando alguém se utiliza do direito do desejo de forma que não me convém, eu uso o direito da percepção: eu te vejo de forma diferente, seja pelo motivo que for. "Eu não te vejo pessoa, eu te vejo animal". "Você diz ser gato, mas eu te vejo como boi". Isso faz com que as situações sejam julgadas pela conveniência, não pelos fatos e intenções. Imagine apurar um crime nestas condições!

Não existe caminho do meio para esta situação (em outro post, vou explicar que caminho do meio não existe pra nada!). O que pode superar esse conflito é o Direito Natural: aquele que a Natureza, em sua sabedoria, mostra que pão é pão, queijo é queijo. E ninguém gosta disso, porque desejo e percepção deixam de ser convenientes para a situação, colocando todo mundo em seu lugar.

5 de dezembro de 2017

Os quatro grandes pilares


Apesar da aparência de um post político, esta não foi a intenção. Os assuntos se entrelaçam, e não há muito o que se fazer. Também não adianta apenas navegar mais e mais fundo dentro de si, se não se traz esse conhecimento para fora. A ideia é fugir da equação previsível, com o maior afinco possível, pois por mais que se estude e se viva, a impressão que dá é que andamos em círculos.

Indo na levada da Reserva de Mercado, e fazendo um paralelo com Divergente e Matrix, existe na sociedade quatro grandes pilares que a sustentam, como grandes reservas de mercado.

  • A Academia: o "conhecimento da realidade";
  • A Igreja: ou as instituições religiosas;
  • As Leis: a ordem social;
  • A Desordem: tudo o que não se encaixa nos pilares anteriores.

Entenda que isso por si só não é algo negativo. É algo necessário para o animal humano sobreviver. O ser humano precisa de ordem - ele não consegue viver sem. É uma parte de seu instinto controlar e ser controlado. Nessa deixa, a pessoa é programada para viver em grupo, tornando-se previsível - por mais excêntrica que aparente ser. A programação começa na mais tenra idade e segue ao longo da vida. Ela pode sair dessa situação, através da progressão da consciência - algo já explicado aqui -, e deixar de ser influenciada pelos pilares.

O pilar da desordem é uma contraposição aos outros três, composto por outras estruturas menores, mas interligadas. A pessoa que sai do sistema transita entre os pilares, tem consciência deles, mas deixa de sofrer influência. Não segue mais a programação padrão - possui a própria, baseada no instinto natural com a consciência do sistema e das programações. Torna-se, então, imprevisível - o que é perigoso para o sistema como um todo, para todos os pilares. De forma geral, as pessoas buscam libertar-se dos pilares, mas não têm maturidade para isso.

No final das contas, não existe contraposição, e sim conflito de interesses. Como em Divergente, as diversas facções servem para manter o sistema funcionando como um todo - e mesmo os sem-facção possuem seu lugar. A cidade é trancada para fora, e não para dentro - e ninguém nunca questionou isso. Anular esta influência, e mesmo usá-la ao seu favor, é talvez a principal tarefa de uma pessoa. Quando se é muito jovem, apesar da abertura mental que existe, não existe maturidade para agir. Ao amadurecer, a programação já está concluída e funcionando, o que torna difícil a reprogramação. É algo que muitos querem, mas poucos tentam, e alguns realmente conseguem.

28 de novembro de 2017

Religião da Paz?


Engalfinhei-me com uma pessoa no WhatsApp (deu pra entender que usei a palavra no sentido figurado, né?) por causa de religião. Não por uma ser melhor que a outra, longe disso, mas pela ideia vigente de que há religiões que não pregam valores elevados, sendo uma em específico. O problema é foi que tal pessoa colocou tudo no mesmo saco, tirando só a que ela praticava. Pior do que isso foi uma terceira pessoa enviar mensagem no privado tentando me constranger, e soltou a seguinte pérola: "Para política, só existem três religiões".

Estudo consciência e evolução há alguns anos e percebi que há duas manifestações dentro de cada religião: a institucional e a dogmática. Na primeira, há a atuação "formal" da religião; na segunda, o terreno da fé, que acaba por transcender a primeira. Muitos, por exemplo, se dizem cristãos sem seguir uma igreja em específico, mas pela fé que têm em Cristo. As críticas de Gil Vicente contra a Igreja de sua época foram aprovadas pela Inquisição, por focar na corrupção e não na instituição ou no dogma em si.

É um terreno complicado e delicado de se abordar, sobretudo por conta do preconceito. Concordo que discutir dogma é algo inútil e mesmo doloroso, mas discutir sobre instituições, sobre pessoas, deveria ser algo saudável com o intuito de melhorar a instituição como um todo, pois pior que os tranqueiras são os omissos - e isso acontece em qualquer religião.

Outra coisa que me surpreendeu foi o fato de determinadas religiões (instituições e/ou doutrinas) serem consideradas inferiores a outras. Por algumas possuírem maior número de "adeptos", acabam por ganhar mais importância do que outras, sobretudo em questões que envolvem "coletividades". O nível da conversa diminui a níveis de reservas de mercado e jargões de programação, ou seja, como não se deixar influenciar pelo outro ou mesmo influenciá-lo.

Um dos argumentos usados é de que a religião do outro prega imposição sobre pessoas que não seguem da mesma instituição, cuja doutrina o ratifica. Se isso for realmente verdade, é uma exceção à regra, já que religiões, de forma geral, são caminhos de contato com o Divino, seja lá o nome que deem. Quanto mais elevados seus princípios, mais têm pontos em comum. Se uma "religião" não consegue transcender valores, que contato com o Divino ela tem? É meio que uma ideologia política, não?

"Mas, se alguém vier me atacar em nome da religião?" As pessoas temem ter seus sistemas de crença destruídos por outras pessoas, sobretudo seus desafetos. Fé não é uma coisa que se perde porque o outro te ameaça. A luta é, principalmente, dentro de cada indivíduo, e só ele pode mudar sua própria situação. Sobretudo: a religião é algo muito mais pessoal do que institucional ou coletivo.

21 de novembro de 2017

O animal humano


"Eu nunca vi na natureza
uma flor tentando ser um leão
Eu nunca vi na natureza
uma cobra tentando ser um gavião"


Homem do Brasil - Bicho Estranho

O ser humano é um animal, como qualquer outro. Talvez você tenha visto isso em uma aula de biologia, mas com tantas ciências humanas acabou deixando isso de lado. É algo meio opaco e esquecido. Fala-se de progresso e civilização, superação dos instintos pela consciência. Os conflitos de hoje em dia estariam ligados aos instintos animais que ainda persistem na humanidade. A biologia estaria em conflito com a sociologia, antropologia e afins...

Sob o prisma evolutivo, chega a fazer sentido a tentativa de abandonar os instintos com o intuito de despertar a própria consciência. Há a impressão de abandonar o lado animal em nome do lado humano, mas... o ser "humano" é um animal como qualquer outro. Ou seja: o caminho evolutivo está justamente em trabalhar os próprios instintos. Despertar a consciência não é abandonar os instintos e trocar por um comportamento mais social, mas agir com os instintos de fora racional.

Parece contraditório, mas os conflitos que ocorrem na sociedade hoje em dia são por causa da obsessão das pessoas em tentar reprimir algo que é tão natural nelas. Assim como se ofendem quando chamadas de crianças, as pessoas tendem a se ofender quando chamadas de animais. O animal é ligado a algo bruto, involuído, quando na verdade ele está livre das programações criadas pelas reservas de mercado. O comportamento humano é igual ao do animal revestido de civilidade.

Interessante perceber como as coisas mudam de sentido ou mesmo o perdem sob o olhar animal. Grandes conflitos do dia-a-dia podem ser simplesmente ignorados: não passam de mimimi, há coisas mais importantes para gastar energia. Entrar em conflito com alguém, seja por palavras, seja por vias de fato, é algo tão natural quanto ouvir aquela conversa mole. Os relacionamentos ganham uma nova dimensão: a mente não permite reprogramar os instintos de forma completa.

Ao observar a natureza, seja a selvagem, seja a de criação, é comum humanizar o comportamento dos animais, quando dever-se-ia refletir sobre o contrário: os humanos que são próximos aos animais. Quando você tiver uma dúvida, veja como os animais agem na natureza, sobretudo os mamíferos, que são biologicamente mais próximos. Não tenha medo de seus instintos, por mais "irracionais" que sejam: no fundo eles são racionais, mas além da compreensão das pessoas programadas.

14 de novembro de 2017

O Vazio


Para haver algo, é necessário nada haver primeiro. Para que o Todo surja, é necessário que Nada exista. Para encher um copo, é necessário esvaziá-lo antes. E depois de Tudo, o Nada retorna naturalmente. Parei para pensar nisso depois de reparar que as pessoas acham que o Vazio, o Nada, é um estado "antes" de acontecer algo, sem importância em si. Muitos o temem, poucos realmente o entendem, mas todos o vivem constantemente.

Sempre haverá aquele momento de "nada para fazer". Sempre haverá aquele momento no qual as ideias somem, as palavras perdem sentido, e o fazer alguma coisa torna-se nulo. Não adianta forçar a barra, fazer algo que será inutilizado depois. Para quem quer praticar meditação, é o momento perfeito para entendê-la e vivê-la. Não o preencha. Não faça nada, nem reprima nada.

Acho interessante o temor que as pessoas têm pelo Vazio: a ânsia de preenchê-lo faz com que as pessoas façam coisas absurdas - entram aí os vícios. Seja por compras, por álcool ou drogas, o vício é uma tentativa de preencher o Vazio, nem que seja por alguns momentos; mas ele continua lá, porque para algo existir é necessário que não exista. Não é necessário lutar contra os vícios: ao se aceitar o Nada, o Todo é aceito junto. E a necessidade do preenchimento constante desaparece. Claro que, se necessário, o tratamento de saúde correspondente deve ser realizado.

Parece paradoxal um post sobre o Nada, palavras para descrever o que não dá para ser descrito. Se fosse assim, não seria necessário escrever sobre o Óbvio, afinal, ele é óbvio, mas mesmo assim se escreve sobre ele. É uma tremenda vaidade considerar o óbvio desnecessário de explicação. O óbvio não é tão óbvio assim, assim como o Todo e o Nada são absolutamente assim. Para esses assuntos, uma reflexão profunda é necessária.

7 de novembro de 2017

Evolução quântica


quântico (adj): fís.quânt que diz respeito a um sistema físico cujas grandezas físicas observáveis assumem valores discretos, de tal modo que a passagem de um determinado valor para outro ocorre de maneira descontínua, segundo as leis da mecânica quântica. (grifo meu)
Retirado do dicionário do Google

Vulgarmente falando, quântico seria sinônimo de aleatório, ou melhor, de um sequencial aleatório, sem uma lógica conhecida. Isso ocorre no processo evolutivo, sendo mais perceptível a partir do nível da Neutralidade (250), quando lições mais elevadas são conscientemente percebidas. É normal que a pessoa tenha vislumbres da Paz (600), ou mesmo da Iluminação (700), mesmo apanhando para subir para Disposição (310) ou mesmo para a Aceitação (350). De 20 a 175 (da Vergonha ao Orgulho), não existe uma definição fixa do estado de consciência da pessoa, que oscila continuamente.

A evolução não é um processo linear, mais parece com idas e voltas e rodopios. Contudo, é possível notar que há um rumo a ser seguido, e sendo seguido. Aprendem-se lições que servirão de base para as próximas, como uma escola. No entanto, nem sempre o conhecimento prévio é suficiente para alcançar um nível maior de aprendizado, tornando-se necessário buscar outras fontes, outros níveis, para retornar ao caminho original. Ao finalmente chegar a níveis de consciência mais elevados, a passagem torna-se mais suave, mais rápida até.

Essa conjugação de níveis e frequências de consciência é comum em níveis abaixo da Coragem (200), apesar de passarem imperceptíveis. Ao tomar consciência do Medo (100) e usar a energia da Raiva (150) com o intuito (Desejo - 125) de superar o Orgulho (175), a pessoa consegue sair da ciranda dos níveis mais baixos de consciência e tomar as rédeas da própria vida de forma mais eficaz. Essa confluência de frequências é percebida mais tarde, quando começam a ser aprendidas lições sobre Amor (500), Alegria (540), Razão (400), entre outros níveis mais elevados.

Contudo, tentar forçar a barra para aprender "coisas elevadas" antes do tempo - sobretudo com o objetivo de parecer "evoluído" - bagunça toda a situação. É fácil falar Somos Todos Um ou O Bem e o Mal não existem quando não se sente isso lá no fundo, não se vive isso verdadeiramente. Acaba por tornarem-se jargões para evitarem que novas programações sejam inseridas, ou que conceitos sejam alterados. Ser humilde (de verdade) dá uma clara visão do aprendizado, independentemente da opinião alheia.

31 de outubro de 2017

Reserva de Mercado


Reserva de mercado é uma área de controle de determinada programação. O exemplo mais clássico é o filme Matrix, no qual o sistema é uma grande reserva de mercado, programando e controlando quem está sob seu julgo. Este conceito é pura abstração, e uma das ideias mais próximas do que seria o sistema em si. É normal ver pessoas contra o sistema, no entanto estão presas a uma visão limitada do mesmo: o Capitalismo seria um sistema, o grande mal da humanidade. Acham que destruir esse sistema seria uma forma de libertar a todos e resolver tudo o que há de "errado".

As reservas de mercado buscam controlar, sobretudo para conquistar mais poder e influência, e assim se autopreservar. Existem em todas as áreas da sociedade, sejam materiais (como profissões), sejam mentais (como instituições religiosas). Inclusive há reservas de mercado voltadas à evolução: grupos de meditação, de filosofias alternativas, etc. Mesmo que alguns preguem estar fora do sistema, apenas atuam na manutenção do mesmo. O processo evolutivo é solitário, raramente em pequenos grupos, impossível coletivamente. É uma questão que vai além do dinheiro: conhecimento, informações e mesmo a legislação são também formas de controle das reservas de mercado.

O que é mais perceptível de uma reserva de mercado é sua visão em relação ao outro: o que não é definindo o que é. Ao definir o outro, define a si mesmo; ao desvalorizar o outro (mesmo que de forma velada), valoriza a si mesmo. Quando um grupo tenta restringir a atuação de outro, percebe-se claramente a ação da reserva de mercado: a maioria das pessoas não busca formular a própria opinião, seguindo cegamente o que outras dizem (pela autoridade, pelo conhecimento que aparentam ter). Ao se questionar, a pessoa desvincula-se das reservas de mercado e acaba por criar a própria.

Não é possível sair de uma reserva de mercado sem entrar em outra, ou mesmo criar uma própria: quando alguém pensa que finalmente está livre das mazelas de determinada programação, esbarra com os problemas de uma nova. De certa forma, a pessoa acaba por criar a própria reserva de mercado, a própria programação, o próprio rumo. No final das contas, tudo leva ao mesmo lugar, tudo é a mesma coisa. As reservas são criações que impedem interações que possam por tudo em xeque. São caminhos que levam ao mesmo destino, e que a pessoa pode fazer o próprio trajeto da forma que lhe convém.

Reservas de mercado não deixam de ser caminhos, códigos-fonte, por assim dizer. Parte delas propõe a mesma coisa, e uma não é melhor que a outra, a menos para a pessoa que analisa e observa. Cada caminho possui seus cruzamentos, e as pessoas são livres para atravessá-los e seguir por outras ruas e avenidas. Quando alguém diz que isso não é permitido, estranhe, questione. E continue seu caminho.

"Aprenda a forma, mas busque o disforme
Ouça o silencio
Aprenda tudo, esqueça tudo
Aprenda o caminho, depois encontre seu próprio caminho"

Filme O Reino Proibido

24 de outubro de 2017

Como é dentro, é assim fora, ou Como os oráculos funcionam


Talvez seja um princípio mais perceptível que as próprias leis da Física - na minha opinião, deveria ser uma, rs. Como as pessoas são programadas, suas ações e pensamentos são previsíveis e mapeáveis, além do mais, estas acabam por ressoar de diversas formas: o interior reflete no ambiente e vice-versa. O oráculo seria um estudo do interior através da representação exterior - suas previsões seriam oriundas do automatismo da inconsciência da pessoa, por mais consciente que ela diga ser.

Um ambiente ruim, seja de trabalho, seja em casa, é reflexo de algo que ocorre na pessoa. Tudo está interligado, e é impressionante notar como uma simples mudança de atitude pode mudar situações inteiras. Por isso a tomada de consciência, de estar presente, ou seja lá o nome que for para despertar ou sair do sistema é tão importante: as coisas realmente começam a acontecer. E conforme a consciência se desenvolve, mais é perceptível como as pessoas vivem em automatismo, com seus problemas enraizados, em uma falsa luta para resolvê-los.

O oráculo, seja ele tarô, búzios, astrologia, ou qualquer outra coisa que se encaixe nessa categoria, irá mostrar a situação da programação no momento: como a pessoa foi programada, como o sistema está rodando, e mesmo o que vai acontecer se a pessoa não tomar consciência e superar a situação. Na maioria das vezes, o que acontece é como estava previsto, não porque o oráculo viu algo sobrenatural, mas pela natural programação da pessoa que aquilo iria acontecer. E é muito engraçado quando quando alguém diz que vai mudar e que aquilo não irá acontecer e acontece justamente daquela forma: isso se chama inconsciência.

Só uma pessoa que realmente despertou pode bugar um oráculo. Ele mostra o que pode acontecer dentro da programação, mas não o que pode acontecer fora: as possibilidades são infinitas. Cabe à pessoa escolher se ela quer seguir aquilo ou modificar a sua maneira, mudando seu interior. Não pense que um oráculo torna-se mero brinquedo ao se transcender a consciência: um bom oraculista é aquele que consegue ver além do sistema e das possibilidades. No entanto, isso é algo que as pessoas desenvolvem internamente, não só com a prática rotineira.

17 de outubro de 2017

Reiki ao Planeta - por que não recomendo


Nessa iminência de guerra mundial, pediram-me para enviar Reiki ao planeta para acalmar os ânimos - fazer com que as pessoas caíssem na real e deixassem de lado essa ideia "boba". Parece algo muito bonito de se fazer, mas, analisando a fundo, é algo arriscado e, na minha opinião, desnecessário. Cada pessoa é em si um reflexo do planeta, ou seja, se o planeta vai mal, em você a coisa não está boa também. O que se tem hoje em dia é uma agressividade reprimida, pronta pra explodir a qualquer momento, que ao invés de ser liberada, é mais e mais reprimida - afinal, "não se pode ser violento".

O envio de Reiki coletivo é comumente ensinado no Shinpiden (Reiki IIIa), mas pode ser praticado mesmo no Shoden (Reiki I). Para alguns mestres, enviar Reiki ao planeta é uma obrigação equivalente a recitar os Cinco Princípios todos os dias. No entanto, como toda aplicação, o envio de Reiki ao planeta traz à tona problemas que estão enraizados há muito tempo, nos quais as pessoas (em sua grande maioria) não têm consciência para aprender com eles e superá-los. De certa forma, você fica responsável por essa "bagunça" - mais do que já o é.

A situação do mundo neste momento é um reflexo de como está o interior das pessoas: explosivo. Qualquer coisa, dita ou feita, já causa alvoroço. Não se busca entender o que aconteceu, mas logo tomar uma providência. Não é questão de pensar antes de fazer, mas sim de agir pensando, consciente da situação. Há muita raiva acumulada e mal trabalhada. É perceptível o desejo que algumas pessoas têm em agredir outras. Será que tentar manter um mundo "em paz" seria uma forma de se tentar manter o status quo, ou mesmo de evitar ter que se adaptar a uma nova situação?

Cuidar de si mesmo é a melhor forma de promover a paz mundial. A paz interior ressoa no ambiente e o harmoniza. É comum pessoas falaram que se sentem bem na presença de determinados indivíduos: é a paz que eles irradiam, e que pode ser alcançada por todos. Isso não significa que sejam pessoas não-violentas: quando necessário, partem pra cima de quem for. Ter mais disciplina com a própria evolução, independentemente do caminho que escolher, surte muito mais efeito, apesar de ser menos aceitável entre as pessoas.

10 de outubro de 2017

Sobre a Caridade


Caridade é um conceito complexo e nobre. É algo bem visto pelas pessoas, mas nem sempre bem feito. Ajudar quem precisa de ajuda, independente de quem seja, ou qual situação, é caridade. O importante nessa prática é não esperar por uma devolutiva, seja ela direta ou indireta. A confusão está, sobretudo, em dois aspectos: o primeiro, a pessoa doa por vaidade sem perceber (apenas para se dizer caridosa); segundo, quase sempre a pessoa espera uma devolutiva para si.

Muitos pensam que a caridade é apenas para pessoas em situações extremas, em situação de miséria, mas não. Ajudar o colega de serviço, sem esperar nada em troca, mesmo dando tudo errado, é caridade. O importante é estender a mão quando o outro precisa (e quando o outro o aceita, só que nem sempre), independentemente de quem o outro seja. Os pobres são cuidados, os ricos são esquecidos. Caridade não é só comida e cobertores. É uma palavra amiga, um gesto gentil, sem esperar nada em troca (nem um obrigado).

A compaixão é o sentimento por dentro da caridade. É parte do amor incondicional - fazer o bem sem olhar a quem. Cresce e aquece o coração, dando a verdadeira sensação de bem-estar. Não diria ser útil, mas fazer parte do Todo. É algo que exige discrição, e não ostentação - esta é vaidade, que leva à frustração. Nem sempre o resultado vai ser bonitinho: pode dar tudo errado. Nem sempre aquilo que a pessoa pediu era aquilo que ela queria, ou mesmo o que ela precisava - mas o aprendizado era necessário para o momento.

Como dito antes, caridade não é só fazer doações de dinheiro, alimentos ou vestuário. Uma pessoa pode ser caridosa apenas por ouvir os colegas e mediar conflitos, sem nunca ter dado um centavo a um morador de rua. Ela não é obrigada - não se sabe o passado, não se sabe a intenção. Não é questão de merecer ou não, é a primordial questão de escolha, livre-arbítrio e programação. E uma pessoa não é ruim porque se afastou ou passou direto por alguém "necessitado". Todos têm problemas e todos têm escolhas.

Infelizmente, os ajudados acabam por se acomodar na situação de carência. Para alguns, é mais fácil pedir dinheiro do que ter um emprego e uma vida social. É escolha deles. Não pense que existe miséria porque existe riqueza ou vice-versa: a abundância existe para todos, mas não significa que todos serão milionários. E não o serão porque o escolhem, não porque um grupo impõe isso. Fora que é perceptível o vitimismo presente neste grupo social dos vulneráveis - tratar poderia ser uma boa alternativa, mas recai sobre a questão do livre-arbítrio.

No caso, não é uma questão de esperar uma devolutiva, mas ajudar por sentir que aquilo é necessário - mesmo que não faça nenhum sentido à primeira vista. O vitimismo acaba por envenenar as pessoas, forçando uma divisão que algumas são boas e que algumas são más por conta disso. Mas e quem apenas ajuda para suprir apenas a própria carência, para poder dormir mais tranquilo? A primeira pessoa a ser ajudada, cuidada, é ela mesma. Só é possível ajudar o outro de forma efetiva quando se aprende a receber, quando o ego está evoluído ao ponto de não precisar mais de atenção.

3 de outubro de 2017

O que move este mundo


Infelizmente se engana quem pensa que este mundo é regido por valores elevados. Quem está atento à "realidade" das notícias, do Big Brother, e das fofocas de WhatsApp e Facebook percebe que as duas coisas que movem este mundo são a vaidade e o medo, sendo aquele a principal consequência deste. Não adianta negociar, dialogar, as pessoas agem porque se sentem coagidas a tal - conscientemente ou não.

Dependendo com quem se conversa, ou você é iludido, enganado, ou foi tempo gasto em vão. Se impor pela força torna-se questão de necessidade. A força é a única coisa com a qual falsidade não consegue se impor. Por isso que hoje em dia ser forte é algo tão condenado: é considerado algo extremado, desnecessário à civilização, onde todos são iguais. Além desta última premissa ser falsa, o que se percebe é um acovardamento das pessoas, que buscam resolver as coisas ora com jeitinho, ora com maldade.

É possível perceber isso nas brincadeiras de hoje em dia: uma pessoa ofende claramente outra. Além da ofensa direta, a ofendida não pode se defender, pois era uma brincadeira, algo sem relevância. Se realmente fosse algo sem relevância, não seria nem dito - e se fosse algo importante, outro tom seria dado. O outro extremo - pessoas que se ofendem por qualquer coisa - oriunda da vaidade de querer ser o centro das atenções - a pobre vítima do mundo. Quando se ignora quem se vitimiza, este se revolta por não ser o centro das atenções. Quem quer superar a situação não adota postura de vítima, se esforça para fugir dela.

Quem realmente tem por norte valores elevados acaba por ser crucificado neste mundo, seja no sentido figurado, seja no sentido literal. Interessante notar a raiva natural que sentem por essas pessoas, sobretudo nas pesadas críticas que são feitas, que tem por fim apenas desvalorizar. Não adianta: qualquer atitude pode gerar raiva em outrem, por mais elevada que esta seja e mesmo não havendo a intenção. É como o outro recebe: ninguém quer ser puxado pra cima, forçado a evoluir - tendência é puxar para baixo.

Isso não significa que a pessoa deva desistir de seguir seu norte, pelo contrário: uma atitude elevada buga o sistema e faz as coisas andarem no rumo certo. Nadar contra a corrente parece um esforço hercúleo à primeira vista, mas é a corrente que se encontra em sentido errado. Ter consciência e trabalhar estes fluxos pode facilitar muita coisa: o medo e a vaidade podem, e devem, ser usados para algo melhor.

26 de setembro de 2017

O sofrimento é uma ilusão?


Questionaram-me por que eu vivo sorrindo, com a justificativa de que eu estaria tentando mascarar algum sofrimento. Achei uma pergunta interessante, e me pus a refletir para responder. É um exercício muito gostoso de ser feito, pois dá permite uma autocrítica sincera e produtiva.

Primeiramente, o sofrimento é real, ele existe sim, isso não pode ser negado. Negar tira todo o controle da situação, ela continua ocorrendo sem consciência da pessoa. Aceitar que o sofrimento existe é um passo importante na progressão da consciência, pois permite que possa ser tomada uma atitude efetiva a respeito.

O sofrimento é algo ruim? Depende da postura adotada, da resposta que é dada. Sofrer o sofrimento ajuda? Até certo ponto sim, é o chamado luto, necessário para seguir em frente. O luto é algo difícil de lidar, apesar de ser um nível de consciência relativamente baixo. É aquele baque inicial de algo inesperado, geralmente algo negativo.

Há um limite para o luto - como tudo na vida, ou quase tudo. Sofrer ajuda a por o excesso pra fora, mas e depois? Continuar a reclamar, a sofrer, chorar e se martirizar mais agrava a situação do que a alivia. Depois do luto não adianta mais sofrer - é como um doente que se recusa a melhorar. Martirizar-se não o fará uma pessoa melhor - talvez mais chata, rs.

Responder com alegria não é mascarar o problema - claro, se isso é feito de forma consciente. Quando há consciência, não há sofrimento, as coisas estão onde devem estar. É o contentamento e não a conformação. É agradecer e confiar no momento presente. Como se não existissem problemas, e mesmo que o sofrimento seja uma ilusão - ou uma questão de postura.

Se alguém acha que o outro está buscando mascarar seu sofrimento através de uma alegria falsa, a questão inverte: não seria o questionador a projetar seu próprio sofrimento no outro e não encontrar devolutiva? Ou mesmo incomodar-se com uma postura mais serena do outro? As pessoas em nível de consciência menor tendem a não suportar pessoas em nível de consciência mais elevado - o efeito Matrix. Isso as impede de conhecer coisas novas e aprofundar o conhecimento e a conexão consigo mesmo.

19 de setembro de 2017

Milagres são muito bonitos na Bíblia


Não pense nesse post como algo cristão. A ideia é refletir sobre a hipocrisia que existe em relação ao sobrenatural, aos milagres de forma geral. Muitos adorariam que tudo caísse do céu, e a vida fosse resolvida num passe de mágica - só pensar nas frases relacionadas à loteria. Entretanto, quando um milagre realmente acontece, ele é rejeitado e às vezes repelido pela própria pessoa que o desejou. As coisas acontecem não do jeito que se quer, mas do jeito que é necessário.

As pessoas tendem a se acomodar com seus problemas. Por mais que queiram que estes sejam resolvidos, no fundo, lá no fundo mesmo, o desejo é de que o problema permaneça. Motivo? Ele traz vantagens: a pessoa conhece seus mecanismos e sabe se adaptar ao mesmo, além de que resolvê-lo é criar um novo problema - as pessoas não gostam de novos problemas, pois estes são desconhecidos. Problemas e traumas são prazerosos: há quem diga que liberam neurotransmissores nos quais a pessoa se vicia, como uma droga.

Outra questão: pessoas querem que seus problemas sejam resolvido da forma como elas acham melhor. Se fosse do jeito delas, já teriam resolvido. O grande nó está em aceitar que as coisas não são do jeito que se quer, o que não significa que não sejam boas. Interessante notar que quando um problema some, ou é resolvido sem a anuência da pessoa, esta simplesmente se revolta. Depois de reclamar, reclamar e reclamar, alguém de saco cheio põe um fim à situação. Novos problemas surgem, mas a ladainha é a mesma de sempre.

Ninguém acredita em milagres, ou não os aceita, pelo menos em sua própria vida. Por mais que queiram esse contato sobrenatural, ao trombar com um, as pessoas não percebem ou o esnobam. Porque ele é simples, porque ele não tem nada demais. Milagres seriam coisas naturais mas incompreensíveis, ou mesmo inaceitáveis. O próprio processo evolutivo é sem graça, pelo menos nesse sentido - mas é tão profundo e tão gostoso que se torna mágico. E quando alguém vê esse processo ocorrendo em outrem, quer que aconteça com ela - bom, só a parte do encanto.

E quando alguém conta algo fantástico que aconteceu? Se não for alguém próximo ou mesmo aberto a ouvir, vai pensar que é história de pescador, ou mesmo que está contando vantagem. Vem aquela enxurrada de perguntas "lógicas" buscando alguma explicação "plausível" para o ocorrido. Quando não há, a história foi mal contada. Não é questão de acreditar vendo ou acreditar sem ver: é estar aberto ao que não se conhece. Como chamar de confuso algo que a própria pessoa não compreende?

12 de setembro de 2017

Trolls

Época esquisita, onde vampiros se alimentam de sangue animal, minions são amarelos e trolls são fofinhos...

Os filmes infantis acabam por ensinar coisas importantes para qualquer idade. Acabo por preferir filmes infantis a um gênero mais "adulto" pela simplicidade, emoção bem dosada e pelas cores alegres e vibrantes. Os filmes para um público "adulto" acabam sendo sombrios e melancólicos nas suas cores, por mais que os temas sejam alegres. Mesmo os filmes de comédia andam sem graça.

Este filme é uma boa reflexão sobre alegria e felicidade. Os trolls são seres animados, que cantam, dançam e se abraçam o tempo todo, e alimento dos bergs, seres que lembram os trolls da mitologia (os de verdade?). O efeito que o troll causa em um berg é de uma tremenda alegria e contentamento - isso mesmo, como uma droga. Os trolls então organizam uma fuga de sua árvore, mas acabam sendo descobertos e raptados.

O desenrolar da trama poderia até ser chamado de à procura da felicidade. Os trolls não eram realmente felizes, mas quem tinha realmente consciência disso era o Tronco - que sabia também que a imaturidade dos trolls os levaria a uma nova desgraça. Resgatar os amigos também foi um resgate da verdadeira amizade e felicidade. Eles sabiam que a felicidade estava dentro de cada um, mas estavam presos à mecanização do que consideravam a mesma. Assim como os bergs que achavam que só eram realmente felizes ao comer um troll.

Tronco vive traumatizado pela alegria dos trolls, o que lhe dá consciência e maturidade da realidade a sua volta, mas não faz o caminho de volta - não busca sua felicidade interior. Está tão focado em proteger-se dos bergs que acaba por esquecer de ajudar a proteger seus semelhantes, tão crente que estava na inconsciência e imaturidade destes.

Na minha opinião, o ponto mais importante da história é a traição de Creek, o troll zen. Quem diria, o troll iluminado simplesmente se recusa a ser devorado, entregando a vida de seus amigos pela sua. Não poderia ser dito que ninguém esperava isso dele, pois ninguém esperava nada mesmo. Chega a ser uma crítica interessante: aquele que se diz evoluído é quem toma a atitude mais covarde. Quantos evoluídos de Facebook não são assim? Aliás, Creek também não possui nenhum tipo de empatia por Tronco - as coisas começam a estar erradas aí.

Entretanto, mesmo Poppie deixa de lado por um momento a berg Bridget para tentar salvar seus amigos, acreditando que ela teria coragem de assumir sua verdadeira identidade perante o novo rei Gristle. Só que há coisas nas quais que só se consegue fazer com o apoio dos amigos - amigos de verdade. No desenrolar da trama, o povo troll se vê aprisionado dentro de uma caçarola e finalmente cai na real. E quando isso acontece, percebem o que é ser cinza de verdade.

Tronco sempre foi azul, mas os outros não conseguiam ver isso nele até se tornarem cinza. E ao verem as cores verdadeiras (as coisas como elas são, de certa forma?), a alegria é expressa de forma espontânea e natural, independentemente da situação em que se encontram. Quando isso acontece, os trolls ajudam Bridget a assumir seu amor, mostrando que a felicidade encontra-se dentro de cada um, não em alguma coisa. Parece contraditório, mas amar alguém de verdade é encontrar a felicidade interior, porque deixa de existir o eu e começa a existir o nós.

As coisas não mudam substancialmente. Os trolls voltam a viver na cidade berg, mas agora sem a ameaça de serem devorados. Não existe mais hora do abraço: as coisas tornam-se espontâneas. Mesmo os bergs encontram a alegria de viver à sua maneira. Isso sem a cozinheira que dizia que a felicidade estava em comer trolls (a fonte de seu poder), e sem aquele troll que fechava os olhos à realidade em que vivia.

5 de setembro de 2017

Ingratidão


Greve para mim é uma manifestação de ingratidão. A pessoa não agradece pelo que tem, nem tenta se mover para melhorar a própria vida sem querer atrapalhar a dos outros. Bom, é a minha opinião - se ficou desagradado com ela, sugiro não terminar de ler este post, mas fica o convite a fazer uma reflexão diferente (e interessante) sobre o assunto.

Você é feliz com o emprego que possui? Busca se aprimorar pensando em melhorar a qualidade do próprio trabalho (não pensando somente em vantagens financeiras)? Toma atitudes pela empresa e pelos colegas ou acaba deixando as coisas "escorregarem das mãos"? E com o salário que ganha? É possível pagar as contas, se permitir alguns "luxos" e sobra um pouco para emergências? Esqueça toda e qualquer análise externa (política, econômica, fofocas) - aqui a questão é analisar a própria vida, que é vivida por você, não pelos outros.

Basicamente, se sim: por que não agradecer pelo que tem e se melhorar a cada dia, independentemente do que dizem? Se não: o que você pode fazer para melhorar a situação, passando por cima das circunstâncias (é aí que consiste a superação e o crescimento)?

Greve nada mais é do que atrapalhar outrem por causa própria. Como ajudar ou apoiar alguém que prejudica deliberadamente apenas para chamar a atenção? Se a pessoa (ou um grupo) está insatisfeita com suas condições de trabalho, deve-se procurar meios próprios para superar tal situação, inclusive procurando outro emprego. Nada é seguro ou estável suficiente para prender-se em situações insuportáveis por tempos demasiado longos.

Nestas horas, recorro aos Cinco Princípios do Reiki como um auxiliar à reflexão:

  • Somente por hoje: só o hoje existe, para não dizer só o agora. Passado e Futuro são ilusões criadas pelos traumas e expectativas;
  • Sou calmo: quando se está zangado, irado, irritado, as atitudes são danosas, inconsequentes, imaturas;
  • Confio: nada é por acaso, as situações estão lá porque fazem parte de você;
  • Sou grato: não existem problemas, existem situações, que podem ser favoráveis ou não. Cabe a você para superar e evoluir;
  • Trabalho honestamente: seja honesto se quer que os outros sejam honestos com você. Respeite se quer ser respeitado, nada mais;
  • Sou bondoso: é o dormir com a consciência tranquila à noite. Se bem que há pessoas tão cansadas de si que não possuem consciência disso.

Estou rascunhando este desabafo há alguns meses, depois de uma discussão entre reikianos sobre aderir à tal greve geral ou não. Também foi um assunto recorrente na faculdade e mesmo no trabalho. O pessoal que busca algo além do mundano acaba por não saber como reagir nestas horas. Oras, buscar um conhecimento profundo não significa ignorar a realidade, digamos, mundana. É justamente ligar as duas pontas: a sabedoria, digamos, profunda deve fazer parte do cotidiano - e mesmo inspirar outras pessoas.

29 de agosto de 2017

Kung Fu (série)

Ao se pensar em kung fu, a primeira coisa que vem à mente é alguma cena de filme de luta, na qual o protagonista faz movimentos surreais para derrubar seus oponentes. Depois alguma sequência de movimentos de treino, e se houver tempo para isso no filme, alguma cena de meditação. Hoje em dia as pessoas consideram tudo mera ficção e mesmo a arte marcial em si como pouco eficiente.

Uma arte marcial não pratica somente luta, para começo de conversa. Como arte, a técnica se adapta ao praticante e este se transforma através do treino constante. A prática extravasa da academia e passa a fazer parte do cotidiano. Não só os movimentos mudam, a forma de pensar também. Não é um mero exercício físico, como alguns pensam: é para o ser como um todo, para a vida toda.

Talvez sem essa introdução fique mais difícil entender a proposta da série estrelada por David Carradine (é, o cara do Kill Bill) na década de 1970. As cenas de luta da série ficam relegadas a partes esparsas, nas quais o protagonista não possui outra saída - principalmente na primeira temporada. Além de que a coreografia dos combates é mais "realista" do que as pessoas acostumaram após Matrix - os movimentos são mais objetivos, tornando a luta mais bruta.

O grande destaque da série são as lembranças em um templo shaolin, com seus ensinamentos ricos e profundos. Para a sociedade micro-ondas de hoje em dia, tentar refletir sobre esse tipo de assunto é complicado, sobretudo quando se quer apenas ver cenas de luta e pancadaria gratuita. Caine, personagem interpretado por Carradine, é um garoto que entra para a ordem após perder os pais e a avó. Por ironia do destino, Caine mata o sobrinho do Imperador, após este ter matado seu querido mestre Po, o que acaba sendo obrigado a fugir para fora do país, indo parar nos Estados Unidos do Far West.

No meio da sociedade bangue-bangue, Caine destoa de toda a sociedade, mesmo de seus conterrâneos que ali viviam e trabalhavam. Ele realmente foi tratado como se trata um estranho, na miríade de reações que as pessoas podem ter. É interessante ver como as pessoas bugavam com suas observações, e como ele interagia com todos os meios sociais da época, apesar do preconceito. Ele era chinês, não usava armas de fogo, não portava uma arma, andava a pé, não usava sapatos, não comia carne nem bebia álcool. E não era um coitado qualquer como a maioria dos personagens dentro do padrão.

Dando rumo à trama, Caine começa a buscar seu meio-irmão, filho de seu pai. Enquanto a primeira temporada é mais reflexiva, a segunda é mais objetiva, perdendo um pouco a profundidade. Para finalizar, a terceira temporada mescla ação e reflexão, e mesmo alguns personagens marcantes reaparecem. Quem prestar atenção, perceberá que os cenários começam a se repetir - e mesmo os atores ficam menos diferenciáveis. O final é aberto e até meio bobo: não há mais motivos para fugir, o obstáculo será encarado de frente.

Essa série é muito especial, diferente do que está em moda hoje em dia - reflexo de um problema social de ordem evolutiva. Dá para dar umas boas risadas, não forçadas. Dá para chorar de emoção, ficar apreensivo, até ficar torcendo e mesmo elucubrando sobre os próximos episódios. É uma série muito bem trabalhada, muito bem feita - não no sentido de efeitos especiais, fotografia, etc. É uma série muito bem trabalhada nas mensagens que ela transmite.

22 de agosto de 2017

Kung Fu Panda 3 e o Reiki


Não poderia deixar de traçar paralelos e analogias entre o filme a prática do Reiki. É algo que gera mimimi, porque afasta o Reiki daquela visão mística que a maioria das pessoas tem e o aproxima do que ocorria na época de sua criação. O filme acaba por convidar os mestres de Reiki a uma reflexão mais profunda sobre a própria prática, e acaba por dar um novo rumo a quem trilha por este caminho. Nessas horas, é bom deixar um pouco de lado o que é e o que não é Reiki, afinal, além de isso ser visível (para não dizer óbvio), é um ensinamento muito simples e sutil.

A base do Reiki (Usui Reiki Ryoho) são os Cinco Princípios, algo que a maioria dos reikianos deixa de lado logo após o Nível I. Recitar os Cinco Princípios de manhã e à noite não é apenas um exercício mecânico: é algo a ser vivido a cada momento - só por hoje. É o começo para tornar-se uma pessoa melhor a cada dia. Não significa ser infalível, mas dar o melhor sempre, sem comparações a não ser consigo mesmo - a famosa autocrítica.

É essa evolução que permite uma maior e melhor canalização de energia. Não há macete secreto: só ficar aplicando pode dar uma boa resistência nos braços, mas não vai dar aquela virada evolutiva necessária. A chave estar em ser você mesmo, não um padrão ou uma modinha. Ser você mesmo é o que permite que as coisas fluam. O Reiki, de certa forma, é adaptado ao estilo de vida do reikiano, sem deixar de ser Reiki, assim como a pessoa começa a descobrir quem realmente é. A transformação (Okuden) não é se tornar outra pessoa, pelo contrário: é se descobrir.

Por isso há tantas vertentes de Reiki como linhagens de Kung Fu, grãos de areia na praia e estrelas no céu. Cada uma delas reflete a experiência pessoal de cada mestre. Não cabe aqui julgar qual é a melhor, muito menos a vigarice de determinadas pessoas (talvez a experiência de vida delas tenha sido ganhar dinheiro como algo primordial), mas o que cada uma pode acrescentar ao próprio universo pessoal. Querer buscar o primordial é válido como uma alternativa, mas considerá-lo o único verdadeiro é limitar, e mesmo estagnar a si mesmo, fechando-se para oportunidades inusitadas.

No final do filme, as pessoas aprendem a canalizar o ch'i, sendo elas pandas ou não, cada um da sua forma. Não são mestres sobrenaturais ou místicos, mas pessoas comuns que aprendem um novo recurso para terem uma vida cada vez melhor. Reiki é algo tão simples que até perde a graça ou mesmo gera algumas frustrações. Claro que isso é apenas uma analogia e uma reflexão e que cada coisa é uma coisa. No entanto, andar neste tipo de terreno pode ser uma experiência muito enriquecedora e gratificante, porque ela força a sair da zona de conforto apesar de parecer terreno conhecido.

15 de agosto de 2017

Não, nunca, jamais: reaprendendo a usá-las

Dizem que viralizou na internet (que termo doentio, com trocadilho e tudo o mais) uma discussão entre duas mulheres a respeito de uma delas não ter deixado o filho da outra brincar com uma action figure (existe um termo para isso que a reportagem esqueceu de pesquisar - e pelo visto nem a dona sabia). A briga gerou em torno do fato do objeto em questão ser um brinquedo, e por ser um brinquedo, a criança poderia brincar com ele.

A questão vai mais fundo: e se realmente fosse um brinquedo de brincar, a criança poderia pegá-lo, mesmo sem o consentimento da sua dona? Apenas o "não" não seria justificável? Independente do que seja, de brinquedos a panelas, o não, porque eu não quero é um argumento por si só, e deve ser levado em conta como qualquer outra justificativa. No caso, ao invés de a mãe trabalhar a frustração do filho e ensinar-lhe sobre respeito e aceitação, a mesma tomou as dores para brigar por algo vazio.


O não impõe limites, e isso não é uma coisa negativa. Da mesma forma que o não é não em relacionamentos (lembre das propagandas sobre estupro), também o é em outras situações. Hoje em dia é normal inventar desculpas complexas apenas para substituir o não quero, o não posso, pois os mesmos são considerados tão vazios quanto vou dar banho no meu peixe.

Chegaram ao ponto de dizer que a mente humana não reconhece a palavra não. Fica o questionamento: a mente humana não reconhece ou não quer reconhecer? O não faz parte da vida cotidiana, e mesmo esse post não faria sentido algum sem esta palavra - ela não precisaria existir no léxico. Quando explanam que o não deve ser substituído porque a mente não o entende, é apenas uma nova programação para não entender o não, e mesmo não aceitá-lo.

O pensamento positivo não está ligado a frases afirmativas - aliás, o pensamento positivo é forçar a mente a pensar coisas que ela não aceita. É mais fácil, e muito mais natural, aceitar o não como parte da vida do que ficar gastando tempo para reformular uma frase só para não dizer não - ou nunca, ou jamais. Por exemplo: na frase "eu não quero ser assim", a pessoa não deixa claro como ela quer ser, apenas o que ela não quer ser. Já é uma coisa, mas falta a outra, mas não se sabe se, no fundo, ela quer ser daquela forma, mas não consegue aceitar.

O mesmo raciocínio serve para as palavras nunca e jamais. Nunca diga nunca é contraditório por si só e se auto-anula. Para aquele momento, o eterno torna-se necessário. Por exemplo: eu nunca vou beber álcool, significa que algum dia eu vou beber? Não! Por mais que passe o tempo, as circunstâncias mudem e a pessoa comece a ingerir álcool, nunca continua significando nunca. Interessante notar que as pessoas não reconhecem o peso da palavra não, mas até temem o peso da palavra nunca.

Há alguns anos, disseram-me que no irlandês não existia a palavra não, pois sempre usavam uma afirmação para negar outra. Nunca pude confirmar o fato, além de ter minhas dúvidas: talvez não exista o não de outra forma, assim como saudade é traduzido como sentir falta em outras línguas. O não existe, e funciona: depende de como a própria mente está condicionada. Talvez para determinadas pessoas o não lhe seja um obstáculo para atingir objetivos, mas ao invés de adaptar-se e desenvolver o próprio potencial, acusam uma mera palavra.

8 de agosto de 2017

O Mundo de Sofia

Para mim, este livro talvez seja um parente distante do Matrix ou mesmo do Divergente, já que todos eles abordam o mesmo assunto de diversas formas: vive-se num mundo ilusório, e sair dele é parte da trama (objetivo ou não), além de toda uma reflexão a respeito. Enquanto que em Matrix sair do sistema é tomar as rédeas da própria vida e ter consciência das próprias escolhas, em Divergente não há uma noção clara do mundo em que se vive, até que outro mundo se descortina para além dos limites então conhecidos.

Já n'O Mundo de Sofia, é visto um pouco de cada aspecto: ao estudar filosofia, toma-se conhecimento de que vivem em uma ilusão, e sair da obra torna-se imperativo ante os "desmandos" do autor. Assim como Divergente, é um mundo dentro de outro mundo: Sofia nada mais é que uma personagem de um livro de filosofia que será dado de presente à filha de um militar em missão pela ONU. As realidades se cruzariam e interagiriam entre si: cartões postais ao longo da história que serão "entregues" no futuro tornam-se o exemplo mais emblemático.

A coluna vertebral da história é um curso de filosofia ministrado à protagonista, que aborda a questão da existência e da realidade. Um presente de 15 anos que ajudaria a entender o mundo em que vive e a se orientar dentro dele. A ênfase recai nos clássicos, que dão origem ao conceito de filosofia. Conforme o curso vai progredindo, Sofia começa a criar uma nova consciência sobre ela e sua realidade, o que permite descobrir seu propósito. A mera curiosidade em descobrir sobre os cartões postais a leva a ter noção de toda a situação. E o plano de sair do controle do major é consequência do conhecimento de si mesmo.

A diferença de consciência de Sofia para os outros personagens vai ficando mais latente ao longo da obra, até atingir seu ápice no final do livro, durante sua festa de 15 anos. As pessoas não aceitam que são personagens de uma história e o caos se instala na festa. O jardim é destruído e sair da história deixa de ser uma escolha para tornar-se uma necessidade. Desenvolver a consciência é um caminho sem volta. Por maior que seja a vontade de desistir, seguir em frente é questão de sobrevivência. O conhecimento leva a isso.

Por mais que o conhecimento seja de matéria mental e a evolução seja um processo além da mente, trabalhar a mesma é necessário. Tudo começa por ela. A mudança de pensamento abre caminho para uma mudança de consciência e consequentemente para uma mudança de atitude. É o que permite uma visão mais suave das coisas, ao invés de se ficar no útil/inútil que não leva a nada. No começo, busca-se beber de boas fontes, para depois descobrir que qualquer fonte é boa quando se sabe aproveitá-la.

E talvez seja nisso que o livro "peque". No final, o filósofo apresenta à Sofia a seção de Nova Era (New Age no livro) de uma livraria. Livros sobre espíritos, tarô, magia, entre outros assuntos afins. Essa cena vai de encontro com o início do curso, no qual é abordado que a primeira "missão" dos filósofos clássicos era combater a "superstição" de uma sociedade mergulhada em mitos. Caberia ao filósofo, através da razão, dispersar esse misticismo - ao invés de se aprender com ele? Ou seja, mesmos problemas, mesmas perguntas, mesmas formas de agir?

Parece até que é algo contraditório: o conhecimento como forma de conhecer o mundo e a si mesmo, mas determinadas coisas são mera superstição, mera experiência mal interpretada. Que vende, aliás. Retornando à coluna vertebral, vê-se que o autor do livro (não o personagem, o real mesmo) busca ligar os autores clássicos ao racionalismo do renascimento, e com isso à noção que se tem hoje em dia de ciência. Por isso essa visão alternativa é tratada com desprezo - e os casos "sobrenaturais" da história podem muito bem ser racionalizados.

Isso poderia ser visto como um exemplo de limitação a outras visões de mundo. No final do livro, Sofia e o filósofo ficam presos a uma realidade paralela do major e sua filha, tentando interferir no que é possível. É algo não possível de ser explicado com a filosofia racional apresentada ao longo do livro, mas aberto a todo tipo de reflexões e discussões. É um livro que pode ser interpretado de duas formas: como mera apostila de Filosofia, ou como um mundo de possibilidades para a própria vida.

1 de agosto de 2017

Os fatores e vetores de desenvolvimento do núcleo


A evolução pode ser positiva ou negativa, como apresentado em posts anteriores. No entanto, há duas coisas que apontam a direção evolutiva, sobretudo em aspectos específicos: os fatores e os vetores. Para tal, é necessário entender o que seria o núcleo, no qual aqueles agem diretamente.

Cada ser é um microcosmo, que ressoa com o macrocosmo (o Universo), infinito e complexo quanto este o é. Este microcosmo seria o núcleo de cada ser, algo tão pequeno, mas extremamente intenso e vasto. O Universo segue este padrão. Talvez o conceito de "pequeno" possa gerar estranhamento, já que é a maior coisa conhecida pelo ser humano, mas ficam as dúvidas e as conjecturas sobre outros Universos e mesmo dimensões.

O núcleo é cercado de situações e acontecimentos - os fatores. Estes se alinham conforme suas afinidades evolutivas em torno do núcleo, ou seja, cada "dificuldade", "problema", ou "situação" está ligado a um rumo evolutivo, por assim dizer. Esse rumo evolutivo seria o vetor, para onde os fatores convergem. Ao refletir sobre os "problemas da vida", a pessoa tem a oportunidade de perceber que o conjunto de fatores estão ligados a uma determinada lição, e perceber que um problema não é algo negativo em si.

O vetor pode estar apontado para fora, para dentro, ou mesmo tangenciar a circunferência do núcleo. Quanto maior esta circunferência, maior quantidade de fatores e vetores. Ao se aprender determinada lição, a circunferência aumenta de tamanho. Superando uma dos fatores do vetor, os outros são superados com mais facilidade - praticamente se dissolvem. Quando uma pessoa diz estar afogada em problemas, a maioria (para não dizer todos) dos fatores segue apenas um ou alguns vetores - ao aprender a lição necessária, os problemas "acabam".

25 de julho de 2017

O Jeitinho Brasileiro e suas consequências

De uma forma ou de outra, as pessoas conhecem a tão famigerada Lei de Gérson: "gosto de levar vantagem em tudo, certo?" Alguns levam no sentido da "esperteza saudável", estar atento às coisas, mas o sentido literal do termo é passar por cima do que for (e de quem for) para levar vantagem em determinadas situações. Se para começar, esperteza não é algo inteligente (o inocente não precisa ser esperto, pois ele está aberto às situações), levar vantagem prejudicando deliberadamente alguém é algo... isso deixo para você refletir.


É tão fácil levar vantagem sobre as coisas: tá bem na nossa frente, dá pra aproveitar e ninguém vai perceber. Aquela adrenalina, a sensação de orgulho por fazer algo inteligente... Se eu fosse enumerar alguns exemplos de jeitinho, primeiro que é difícil de escolher os mais emblemáticos, segundo que são muitos e acabaria por diluir o post. As pessoas têm seus próprios casos de jeitinho e convido você a refletir sobre os que acontecem em sua vida e trabalho.

Se em coisas pequenas é tão fácil passar a perna, imagina nas grandes. Como diz Mestre Yoda: "quem aprende a levantar uma pedra, levanta um avião". Esses grandes esquemas de corrupção que são noticiados são apenas reflexo das pequenas corrupções diárias, nada mais. Aquela pequena malandragem rotineira causa grandes danos a toda a sociedade, que clama pelo fim da corrupção, mas não consegue superar a própria esperteza. Parafraseando aquela propaganda: o problema do Brasil é o brasileiro.

Como toda evolução, o processo é interno para depois se tornar externo. Não adianta criar grandes operações policiais, prender e condenar "os corruptos". Uma nova safra irá surgir, tomar seu lugar e repetir os mesmos atos - porque ainda haverá aquele jeitinho brasileiro para tudo. A maioria nem vê que o faz, de tão corriqueiro que é. Se não o faz, ou é trouxa, perdeu a oportunidade, ou é caxias, faz tudo certinho, sendo associada uma coisa com a outra.

A questão no caso é de consciência: dos danos e consequências a longo prazo. De ir dormir com a famosa sensação de peso e se tornar dependente de remédios para poder repousar o corpo. Com o tempo, a sensação fica entorpecida e anestesiada: o erro dilui-se. Ao vir à tona, é como se a pessoa tivesse acabado de acordar: não tem muita noção do que está acontecendo e ao perceber o erro e suas dimensões, fica constrangida. O jeitinho não apenas prejudica a sociedade como um todo, prejudica a própria pessoa que o pratica.

18 de julho de 2017

O Caminho de Ida e o Caminho de Volta


As pessoas seguem o caminho de ida, que chamam carinhosamente de caminho de volta, buscando um novo mundo dentro de si, longe das atribulações do cotidiano. Um lugar puro e verdadeiro, para se repousar eternamente. Quem finalmente chega lá descobre que vai ter que voltar à superfície, uma hora ou outra, estando o caminho aberto e livre para ir e vir. Alguns se recusam a voltar, isolando-se no próprio mundinho. Outros fazem o caminho de volta, sem olhar pra trás, trazendo ao vulgo sua experiência e aprendizado, enriquecendo a todos.

Já chamaram isso de dupla-traição: você trai seu grupo em busca de si mesmo (ida), e você trai a si mesmo para voltar ao grupo (volta). Acho traição um termo pesado, por causa de sua conotação negativa, e a busca interior não o é - pelo menos não deveria ser vista como tal. De certa forma, a pessoa que entra em si o faz questionando o que está em volta dela. É inconsciente e até certo ponto energético. Depois de um tempo, as pessoas começam a te olhar estranho na rua, e mesmo acontece o efeito Matrix que eu já havia comentado anteriormente.

Voltar pra casa não é o Caminho de Volta, e sim o de Ida. A volta é trazer à tona o que você encontrou - seria o voltar à "realidade". Voltar para casa é um mergulho em si mesmo, onde você se encontra e se descobre. Mais importante do que saber o que ocorre a sua volta é saber o que se passa no próprio interior. Descobrindo-se o maravilhoso mundo interior, uma nova perspectiva desdobra-se diante da pessoa. É quando as baterias são recarregadas e os problemas são resolvidos - ou pelo menos atinge-se uma dimensão mais profunda da situação.

Há um problema na hora de voltar. Está tudo tão bom, tão maravilhoso, que voltar ao cotidiano é penoso - mas necessário. Ficar preso neste mundo é tão danoso ou nocivo quanto à "realidade". Como no mito da caverna, ninguém vai entender nada - podem até te matar. A experiência da ida só faz sentido na volta ao cotidiano. Assim o ciclo se completa: sempre que necessário o caminho pode ser trilhado. Parece que nada mudou, mas tudo está diferente - a percepção da pessoa quanto ao mundo está mudada.

11 de julho de 2017

Não tenha pressa em evoluir


Por mais que um dos assuntos do blog seja o crescimento pessoal, não tenha pressa em evoluir. A evolução já está em não ter pressa para que as coisas aconteçam - elas irão acontecer. Parece estranho, mas evolução não demanda esforço - pelo menos, não no sentido de forçar a barra. Só de haver a vontade em evoluir - aquela vontade genuína, constante - as coisas já começam a mudar. Querer fazer da evolução um hábito, uma prática, corre o risco de tornar-se uma mera fachada de vaidade.

Uma questão que fica é se realmente há mudanças. Parece contraditório - o processo evolutivo é cheio de contradições e vazio de lógica - mas a pessoa muda sem mudar de fato. Ela não deixa de ser ela: apenas desabrocha o verdadeiro ser quem é. Ou seja, uma pessoa evoluída é apenas uma pessoa como ela é - com defeitos, manias, e mesmo mau humor matinal. Engana-se que seres evoluídos são doces de enjoar ou aquele estereótipo do zen de Facebook. A maioria dos evoluídos New Age não passam de meros vaidosos que se recusam a aceitar quem realmente são.

Uma pessoa evoluída não deixa de ter suas máscaras, expressões parciais de um todo resolvido, o que causa muita confusão. A diferença está na consciência em que isso é feito. A pessoa não precisa mudar seu visual ou seus hábitos apenas para aparentar que cresceu. Às vezes, essas mudanças radicais apresentam o contrário, ou mesmo uma resistência ao próprio processo. Evoluir não é tornar-se outra pessoa, seria meio que se transformar em si mesmo.

E sim, evoluir não tem lá muita graça, sobretudo para as pessoas de fora. Muitos querem evoluir apenas para exibir uma aura de evolução. Desistem do processo, ou fingem prosseguir, ao perceber que as mudanças são mais internas do que externas. Fora que cada pessoa possui suas dificuldades, que a cada superação modifica o ambiente em volta. Não significa desistir, ou mesmo não tentar, mas dar o devido tempo para as mudanças e as aceitar conforme surgirem.

4 de julho de 2017

Hipocrisia e questionamento


Vi uma reportagem muito interessante sobre pais que se recusavam a vacinar seus filhos por concluírem que aquilo não era bom para eles, o que poderia ser a causa de epidemias de "doenças controladas" pela vacinação. O que me chamou a atenção, contudo, foi a forma de se afirmar que vacinar era necessário. Não havia exatamente uma explicação, ao contrário das pessoas que recusavam a vacinar-se, mas uma afirmação contundente, de que precisava e ponto, e se havia epidemia, a culpa era deles, ponto final.

Eu sou a favor da vacinação. É um cuidado que evita muitos problemas, entretanto é um recurso que deve ser continuamente aprimorado como qualquer coisa. Ficar apenas afirmando que "temos porque temos", sem uma justificativa plausível, abre brecha para questionamentos mais e mais fortes. E assim as coisas mudam abruptamente (para não dizer dolorosamente): quando não se está aberto a críticas, estas tomam as rédeas da mudança, anulando até o que havia de bom no estágio anterior. Permitir que críticas e questionamentos faz com que qualquer coisa evolua e se torne melhor ao longo do tempo.

No entanto, tem-se a impressão de que questionar é algo negativo. Parece que quem questiona está indo contra o grupo e querendo causar confusão. Quem não conhece os vídeos do Mamãe, Falei, nos quais perguntas viram motivo de agressão? Assumir que não se sabe algo é parte da humildade, que abre portas para o aprendizado e para o crescimento. Por mais polêmico que seja o assunto, ou mesmo que ele tenha aparência de resolvido, sempre há espaço para discutir-se e aprender.

Questionar e ser questionado é estar aberto ao novo e à mudança. Mudar é necessário, por mais inseguro que pareça. O mundo não é mais sólido como antes - isso se alguma vez ele o foi ou apenas agora está visível sua fluidez. Mais importante do que questionar o que está fora é questionar o que está dentro também - o famoso se olhar no espelho. Não é questão de se estar certo ou errado - ora se pode estar certo e ora se pode estar errado - mas ter atenção no rumo o qual a vida está seguindo. É algo ao mesmo tempo maduro e infantil, pois carrega aquela visão de mente aberta a tudo das crianças com uma postura mais postura frente ao que já se passou.

27 de junho de 2017

Bom senso, senso comum, quem julga quem?

Já falei sobre a fragilidade do bom senso neste post. Indo além, o senso comum não é exatamente o que pensam muitas pessoas - como uma cidade ou mesmo um país inteiro - sendo no máximo um grupo pequeno (comparado ao todo) que acaba impondo sua opinião sobre os demais. O senso de justiça seria a opinião de uma pessoa sobre o que seria justo ou não pra ela, indo pelo mesmo caminho do bom senso e do senso comum.


Quando se julga algo, quando se dá uma opinião, é algo meramente subjetivo, por mais objetividade que a pessoa tente exprimir, ou seja, de nada valem se o outro assim o achar. Sério: sua opinião não vale nada, a menos que alguém diga que o vale - e valerá apenas para ela, e ninguém mais. A opinião de ninguém é melhor que de outrem. Reflita sobre os famosos formadores de opinião, ou mesmo aquelas pessoas que fazem "sucesso" nas redes sociais. Há pessoas que "vencem" argumentações simplesmente por rejeitar a opinião de outras pessoas.

É mais fácil seguir a opinião de outro do que pensar e formar a própria, que será apenas sua e de mais ninguém - e não será reconhecido por isso. Afinal, para que pensar se seu pensamento não será levado em conta, né? Claro que não é bem assim: formar sua opinião é ter uma visão temporária sobre algo. Sim, temporário, porque quando se está aberto, consciente, as coisas mudam de uma hora para outra, de um dia para outro. É normal que as pessoas estranhem: mas ontem você não pensava assim, por que mudou de opinião? Porque ontem é ontem. Ontem é Passado - apesar de alguns ainda o viverem.

A impressão que dá é de um enorme vazio de ideias: julgar alguém é apenas dar uma opinião sobre algo. Se a opinião vale algo, depende da situação em que ela se encontra: todos que vivem em sociedade são obrigados a seguir determinadas regras para que todos possam viver em ordem (as pessoas de hoje em dia não gostam dessa palavra, né?). Fora os meios formais, os julgamentos nada mais são que comparações e opiniões formuladas pelas pessoas de forma geral. Ou seja, é algo que gasta tempo que poderia ser utilizado para coisas mais importantes. A vida dos outros é dos outros, olha que coisa óbvia.

Tirando os julgamentos formais (esse sim necessários), os julgamentos de opinião são mero gasto de tempo. Cada pessoa possui sua certeza e sua razão, mesmo quando prefere adotar a de outrem. Se as pessoas são iguais, por que a opinião de uma vale mais do que de outra? Talvez mais importante do que julgar seria questionar, compreender, entender como o outro pensa: é mais uma forma de aprender, de crescer, evoluir.

20 de junho de 2017

A dificuldade da aceitação


Aceitar é diferente de conformar-se. Já falei sobre em outro post. E por ser algo complexo e profundo, aceitação e conformação acabam se confundindo. Para Hawkins, a Aceitação vem antes da Razão, e antes da Aceitação vêm a Neutralidade e a Disposição. É um caminho longo e árduo, mas muito gostoso, pois muita coisa é deixada pra trás, como aquela sensação que se tem após um barulho constante cessar.

Interessante notar que aceitação e razão são conceitos meio que temidos pelas pessoas. Teme-se aceitar e se conformar com tudo que está em volta, travando-se e deixando de evoluir. Teme-se a razão por pensar que se deixa de lado as emoções, tornando-se um ser frio e desprovido de amor ou compaixão. É bem por aí, mas não é bem isso. Aceitar tudo o que está em volta não é algo ruim, é algo bom e necessário, afinal não se pode mudar os outros. A razão é saber ponderar além da emoção, levando ela em conta, mas no devido lugar. É necessária a razão para se chegar ao Amor, que é logo depois. Que coisa, não?

No entanto, os níveis de consciência são entrelaçados. Trabalhar níveis elevados em níveis inferiores é mais comum do que se imagina, e esse escalonamento é mais um efeito didático do que prático. Ou seja, a Aceitação está presente mesmo quando a pessoa está em um nível de consciência abaixo da Coragem (que seria um nível neutro). Aprender a aceitar é uma forma de evoluir na qual as pessoas precisam aceitar. Aceitar para compreender - sem julgamentos. Aceitar põe o passado no lugar dele - no Passado - e abre o presente para ser vivido.

Jogar o passado pra trás é complicado pois fica um buraco a ser preenchido. E o que se pode ser preenchido? A pessoa é livre para escolher: pode ser qualquer coisa. Isso é tão incrível que dá até medo: o que eu vou por no lugar? Porque mesmo o vazio meditativo é alguma coisa. É mais fácil se apegar ao passado e jogar a culpa nos outros, do que pegar esse espaço todo e fazer o que se sempre quis e sonhou. É algo realmente além da compreensão da maioria das pessoas.

13 de junho de 2017

Divergente

Um livro realmente viciante e interessante. Fiquei de tal forma absorta por ele que não conseguia parar de ler. O interessante é que a história em si não é muito profunda, e o excesso de objetividade deixa a desejar em diversos pontos. Para um livro tão ruim ser tão bom, é porque o que importa é realmente bom. A ideia foi trabalhada a seu tempo, para agradar sua geração - para mim, ela foi mal aproveitada, mas deixa pra lá. Dizer que é uma versão mais atualizada de Matrix também seria exagerado, mas é uma boa analogia.

A trama gira em torno do domínio mental entre as pessoas das cinco facções existentes na sociedade: Abnegação, Audácia, Erudição, Franqueza e Amizade. São perfis sociais que trabalham em áreas específicas de forma a promover a paz e evitar a guerra. Entretanto, pessoas são pessoas, e algumas delas querem poder. Para tanto, irão se utilizar as sutilezas mentais para conseguir seu intento. Ao contrário de Harry Potter, onde as casas de Hogwarts formam perfis psicológicos positivos, que incentivam as pessoas a darem seu melhor, as facções de Divergente são como rotulações nas quais as pessoas se limitaram para não se destruírem.

Além das cinco facções, existem os sem-facção: os párias da sociedade. Por algum motivo, essas pessoas não pertencem a nenhuma facção (como o nome diz) e são excluídas socialmente. Vivem de empregos pequenos e da caridade, conduzida principalmente pela Abnegação. Também existem os Divergentes: pessoas cujos perfis extrapolam uma facção, demonstrando características além da média. São considerados perigosos, pois, ao contrário dos membros de facções serem facilmente manipuláveis em nome de seus grupos (inclusive com biotecnologia), estes não são controláveis, formando seus próprios juízos. Engraçado que dependendo da palavra a se utilizar, a imagem de um Divergente parece realmente perigosa.

Os Divergentes nada mais são que pessoas que transcendem a própria mente e os padrões sociais estabelecidos. São conscientes de suas ações e do todo, livres de qualquer tentativa de manipulação. Olhar por este ângulo torna o livro fascinante (e mesmo viciante). Enquanto os membros das facções vestem-se e pensam dentro de determinados padrões (não que sejam iguais, mas previsíveis), os Divergentes acabam por pegar elementos dos mais diversos grupos aos quais tendem. Não significa que tenham características de todas as facções, mas são abertos aos diversos grupos. Não é um padrão da moda (por isso o livro não colou tanto), a pessoa nasce e se desenvolve daquele jeito.

Outra sacada legal é o mecanismo da simulação. Através de substâncias injetáveis e programas de computador, a pessoa passa por simulações de situações como forma de autoconhecimento e superação. Como se entrassem em uma Matrix, mesmo vivendo em uma - um sistema dentro de outro sistema? Mesmo sendo algo simulado, as sensações são reais. E quando se passa por uma situação real, após ter vivido uma simulação da mesma? Talvez seja isso que diferencie: a consciência. É ela que permite as modificações das simulações - já que as pessoas comuns apenas a vivem como mais uma, enquanto os Divergentes a moldam ao seu bel-prazer. Lembra Neo modificando a Matrix: o sistema não é real, mas o que é real?

Talvez as pessoas não gostaram de Divergente porque ela trabalha de forma simples um conjunto de ideias que é considerado complexo ou mesmo restrito a um grupo de pessoas que se acham especiais. Algo abordado pelos clássicos da literatura e do cinema que não deveria ter sua versão teen. Também há a questão da qual as pessoas não gostam de ser questionadas se aquilo que vivem é realmente real, vivendo absortas em uma ilusão criada por elas mesmas, cheia de sofrimento e alegrias efêmeras.

6 de junho de 2017

A ignorância seria mesmo uma bênção?


A resposta é não, e ponto. Poderia acabar o post aqui, mas aí seria mais prático escrever no Facebook, além do quê a ideia é convidar à reflexão. Após uma situação estafante, onde se descobre tanta coisa amarga, esse mote acaba por resetar a informação recém-inserida na mente. Quem viu o primeiro filme da trilogia Matrix pode já ter imaginado como tudo seria após ingerir a pílula azul, ou mesmo se fosse possível reverter os efeitos da pílula vermelha (mesmo que a simples ingestão da pílula não cause grandes efeitos por si só). Um dos personagens tenta voltar à Matrix, e quase põe a perder toda a missão do Nabucodonosor, expondo a questão de que viver na Matrix seria realmente negativo.

Pode-se criar a partir disso três tipos de visão: a ignorância é uma bênção (o caminho de ida), viver imerso na realidade (o que é realidade?), aprenda a forma-esqueça a forma (o caminho de volta). Por mais que o terceiro tipo seja praticamente igual ao primeiro, a diferença é um fator fundamental, apesar de aparentar ser tão pequeno: a questão do sofrimento. Conhecer o sofrimento e aceitá-lo é outra forma de aprenda a forma, esqueça a forma: é ter consciência do que ocorre, mas isso não causar danos. Isso não se alcança apenas se isolando e aceitando "de fora": deve-se imergir no mundo e conhecer a realidade - e o sofrimento também.

Não adianta iluminar-se em um lugar tranquilo, se esta "iluminação" é quebrada na primeira buzina de carro. Essa é a primeira visão de que falei: a calma vem do desconhecimento (aquilo não existe, aquilo não me alcança). Infelizmente, as pessoas continuam a seguir este caminho achando que este é o certo. Ele é "certo" apenas no começo, mas não significa que ele é "necessário". Essa sensação é "ilusoriamente boa" (lembra do nível de consciência do Orgulho? Falsa sensação de bem-estar), e muitos negam-se a sair dela. Quando a vida bate à porta, negam-na ainda mais, como um círculo vicioso.

Matar um leão por dia é a expressão referente à rotina das pessoas de forma geral. Sofre-se, vive-se, conhece-se. O conhecimento, a verdade, a realidade, é preferível à ilusão e à mentira. Entretanto, continua-se a viver a ilusão do sofrimento. Alguém precisa fazer o trabalho sujo. É daqui que saem conceitos reais, sólidos das coisas. Mas ainda há cegueira: as pessoas ofendem-se por qualquer coisa, e acham que qualquer coisa pode ofender, atingir. Apesar de parecer um estágio inferior ao anterior, é o contrário: é mais fácil abrir os olhos ao que está além, abrir à mente e despertar.

A terceira visão é muito parecida com a primeira, pode-se usar as mesmas palavras, e a diferença é tão sutil que fazer uma diferenciação com palavras é muito delicado. Resumindo: aquilo tudo que as pessoas da primeira visão buscam encontram na terceira de forma profunda e efetiva. O sofrimento passa, mas não se sofre. Mesmo que alguém tenha a intenção de ofender, ferir, não há resistência. Sabe-se que a verdade é amarga, mas não rejeita o gosto, não se opina sobre. Não seria uma frieza emocional: as emoções estão lá, mas no papel delas, como uma criança que obedece aos pais e não o contrário.

Buscar saber, buscar sofrer com isso, é o que torna a pessoa forte. E faltam pessoas fortes no mundo. Não se deixar nivelar por baixo - porque uma pessoa não o quer, não significa que os outros não devam crescer. Ignorância ilude, voa-se sem aprender a voar: a queda é muito mais dolorosa, apesar do voo despreocupado e confortável. E é possível ter um voo despreocupado e confortável sabendo voar, dependendo apenas da própria capacidade de adaptar-se ao vento.

30 de maio de 2017

Coitadismo social


Abordei este assunto em outros posts de forma indireta e mais suave, afinal, esse fenômeno apenas é reflexo do que vem ocorrendo no interior das pessoas nos últimos anos (décadas? Séculos?). O coitadismo social é fruto do vitimismo exacerbado das pessoas gerando mudanças sociais. Empoderamento, opressão, orgulho (ah, o orgulho!) são alguns dos termos usados hoje em dia por pessoas que são sobretudo vítimas de si mesmas, e acabam por projetar em outrem a causa de sua situação.

A gravidade desse fenômeno é percebida quando se sugere a evolução da pessoa: adaptação e aceitação são conceitos rejeitados ferozmente por pessoas vitimistas, já que a tiram do estado de vítima e o peso da responsabilidade se faz sentir. Hoje em dia, ter responsabilidade é um ato de coragem pouco incentivado, valorizado geralmente por pessoas mais experientes de vida - idosas ou não. Mesmo os idosos "de idade" de hoje em dia não possuem mais a maturidade dos anos vividos, tentando apegar-se na tênue ideia de juventude - e achando que têm razão de alguma coisa só por ser "mais velho".

Boa parte dos programas sociais são frutos desse coitadismo social: não se abre possibilidades de crescimento e evolução - sobretudo em um aspecto pessoal. É uma muleta na qual a pessoa se apoia e desaprende de andar. Outros sistemas sociais são vistos como opressivos justamente por forçar a pessoa a sair do estado de vítima e tomar uma atitude quanto à própria vida. Ao contrário do que dizem por aí, adaptação e aceitação são conceitos maduros e importantes, ligados a níveis elevados de consciência.

Ofender-se por qualquer coisa e querer dar lições de moral é outro sinal desse vitimismo. Apenas a pessoa e seus "amigos" estão certos - os questionamentos são vistos com repulsa e não como uma oportunidade de aprendizado. Lembre-se que o diálogo é uma forma de reprogramação e evolução. Repulsas coletivas são cada vez mais comuns, como se não existisse um indivíduo distinto no meio de uma massa. Por falar em níveis elevados de consciência, pessoas nesta frequência podem "anular" massas e massas de pessoas involuídas, "nivelando por cima". Estar perto de um indivíduo evoluído traz uma sensação de bem-estar profundo.

Sair do estado de vitimismo requer muito, muito esforço. É gostoso fazer o papel de vítima constantemente, dizer-se oprimida pelo sistema. O sistema atua sobretudo na mente da pessoa - ela que permite a opressão, por assim dizer, para manter este estado. Vi em um documentário a informação de que as pessoas viciam-se nos neurotransmissores de suas emoções (por isso se apegam a elas), buscando situações para ter uma constante liberação dos mesmos. Não é questão de assumir os problemas de todo mundo, mas apenas de assumir os próprios problemas (o que já é bastante coisa) e resolvê-los. Não são os outros que deixam ou não, somos nós mesmos.

23 de maio de 2017

Os 17 níveis de consciência humana, segundo David Hawkins

Ainda não terminei de ler Power vs. Force, mas estou com a leitura bem adiantada, o que permite escrever sobre o ponto principal da obra e refletir sobre. Se jogar na internet, encontrará uma tradução (meio zoada) desse trecho do livro, sem comentários ou mesmo reflexões sobre. As pessoas simplesmente copiam-e-colam achando bonitinho e fica por isso mesmo. Resolvi ir além, ler a obra inteira (dei uma pausa para me dedicar ao Reiki), e tomar minhas próprias conclusões.

Os níveis de consciência humana foram estruturados como parte de um estudo de 30 anos na área da cinesiologia, explicados com detalhes no livro anteriormente citado. As pessoas oscilam em média 0,4 pontos em sua vida, progredindo ou regredindo, devendo lembrar que quanto mais avançado um nível, mais complicado é um avanço, ou seja: 0,4 no nível do Medo é muito menor que 0,4 no nível da Aceitação. Há a questão também de que a pessoa desloca sua consciência da Vergonha ao Orgulho de forma muito fácil, por serem níveis muito baixos e indefinidos da escala.

Um ponto que Hawkins não observa é que as pessoas podem não fazer uma evolução positiva como analisado, e sim voltar-se às Trevas e ao Caos. Só que já é tão complicado trabalhar a progressão para a Luz, que falar de outros tipos de progressão pode causar uma confusão desnecessária.


A escala Hawkins é logarítmica, e a melhor forma que encontrei para representá-la é pela espiral logarítmica de Bernoulli, apelidada por ele de spira mirabilis (espiral maravilhosa) - diferente da proporção áurea da espiral de Fibonacci. Os níveis mais baixos encontram-se no centro da espiral, e conforme a pessoa progride, a espiral torna-se mais e mais aberta. Além da consciência da pessoa estabilizar-se, tornando-se mais difícil regredir de nível, e mesmo de progredir. Caso haja uma queda de nível, o processo de recuperação ao nível anterior é mais lento e complicado.

O ponto crítico da escala é o nível da Coragem (200). Abaixo deste nível, há a predominância de um ímpeto "primitivo", que Hawkins chama de Força. Os níveis do Medo e da Raiva caracterizam-se por impulsos egocêntricos em busca da autossobrevivência, e o do Orgulho expande o motivo de sobrevivência para outras pessoas. Chegar ao nível da Coragem traz à tona o bem-estar das pessoas em volta. Os níveis acima, que Hawkins chama de "Poder", a pessoa não deixa de cuidar de si, mas o bem-estar do outro também é levado em consideração. Não se deixe enganar: pessoas de baixo nível de consciência que praticam "caridade", apenas buscam o bem-estar de si mesmas e não do outro verdadeiramente.

Enumerando-se os níveis, do mais baixo ao mais elevado têm-se: Vergonha (20), Culpa (30), Apatia (50), Luto (Tristeza/Pesar) (75), Medo (100), Desejo (125), Raiva (150), Orgulho (175), Coragem (200), Neutralidade (250), Disposição (Boa-Vontade) (310), Aceitação (350), Razão (400), Amor (500), Alegria (540), Paz (600) e Iluminação (700-1000). Sim, a Iluminação seria o apogeu da consciência que algumas culturas pregam. Não é algo distante ou apenas para alguns escolhidos. Requer esforço dia após dia para superar a si mesmo. Não significa que a pessoa deixa de ser ela mesma, mas desenvolve o próprio potencial.

Cada nível de consciência tornar-se-á um post no blog. Essa era a proposta que eu tinha há alguns anos e acabei deixando de lado. É uma das linhas-guia do blog, assim como a trilogia Matrix. O Reiki é um caminho para o autodesenvolvimento também, muito mais que uma terapia "para os outros". Os níveis de consciência do Hawkins ajudam a orientar qualquer caminho com este objetivo, mostrando "qual o próximo passo".