27 de dezembro de 2016

Uma crítica ao bom senso


O bom senso é algo extremamente subjetivo, ou seja, não existe um bom senso coletivo, como muitos querem acreditar. O bom senso parte da visão pessoal de razoabilidade. E é algo tão pessoal, tão único, que pouquíssimas pessoas se concordam em algumas coisas, tendendo a discordar de muitas outras. Disso surgem as discussões: quem está certo e quem está errado? Ninguém! Interessante como este conceito ainda não foi passado pelo crivo da relatividade, a exemplo de outros conceitos mais sólidos e absolutos.

É difícil aceitar que o bom senso coletivo não existe. Parece tão claro, tão óbvio! Mas o que é óbvio para uns, é absurdo para outros. No final, prevalece o bom senso de quem manda, mesmo que todos discordem. Simples assim. Quando uma pessoa apela ao bom senso, simplesmente ela quer dizer: para mim isso é certo e não dou a mínima importância para a sua opinião. O que parecia algo promissor lembra mais uma doença alojada no organismo há tanto tempo que não se sabe como começar o tratamento.

Não confunda senso comum com bom senso: o primeiro sim é algo coletivo, o famoso lugar comum. Ele não é algo a ser desmontado, pois é vazio por natureza, apesar de ser uma boa orientação quanto à programação humana. O segundo é mera observação da realidade: um ponto de vista é a vista de um ponto. O que é bom para uns não é bom para outros, e disso surgem diversos conflitos. Se o conceito de bom e ruim é relativo, porque o bom senso seria absoluto? Tente refletir.

Desmontar este conceito (de que o bom senso é algo coletivo) confronta em cheio com pessoas que opinam o contrário. Partindo do princípio do qual as pessoas são programadas, o conflito é questão de tempo. Vão dizer que está impondo sua opinião, sem perceber que também o fazem ao invocar o bom senso! Algumas pessoas nunca irão saber que o fazem, e simplesmente continuar no conflito contra si mesmo. Outras podem sair dessa.

20 de dezembro de 2016

Diane Stein, mestre Reiki?

Deparei-me com esta pergunta ao ler mais atentamente o livro Reiki Essencial, de sua autoria. Nele, ela conta suas desventuras em se tornar mestre Reiki e suas dificuldades. Foi iniciada no nível I por um amigo nível II, além de outros amigos e conhecidos lhe ajudarem a receber iniciações nos outros níveis gratuitamente, já que não possuía dinheiro para pagar os cursos na época.

O que ocorreu é que ela nunca recebeu um certificado que comprovasse tal sintonização, e em seu livro ela não cita os nomes de seus mestres. A coisa fica meio solta ao se apresentar a linhagem de Reiki, que é justamente uma forma de se comprovar que é reikiano. De certa forma isso deslegitima seus iniciados sucessivamente, chegando aos dias de hoje. O que muitos não aceitariam.

Reiki é canalização de energia, e não irradiação. Enquanto aquele é o uso da energia do ambiente, este é o uso da própria energia vital, o que além de causar danos em quem emite, pode causar danos em quem recebe. Por isso a linhagem é tão importante: é a certeza de que aquela pessoa foi iniciada, sabe o mínimo do que está fazendo, e não haverá "contaminação" energética.

Por outro lado, Diane Stein é reconhecida mundialmente por seu trabalho. Centenas de pessoas foram iniciadas por ela (de acordo com o que ela diz), fora aqueles que não se preocupam com sua linhagem com tanto zelo. Ela sentia a energia, melhor que muitos reikianos devidamente iniciados. Ela trabalhou com muita gente, mas muita gente mesmo. Se ela não tivesse sido iniciada, ela não teria feito nem metade do que fez.

Esse tipo de impasse talvez nunca será resolvido, mas não há como mudar o passado, e sim superá-lo com novas atitudes. Uma delas é quanto ao reconhecimento do reikiano. Há duas implicações: a formal e a energética. A formal é o reconhecimento social do reikiano: um documento que o permita ser reconhecido como reikiano e possa atuar como um. A energética é o que ele faz ser realmente um: canalização da energia cósmica. Não adianta ter um diploma se não sabe aplicar, assim como só saber aplicar sem um reconhecimento formal pode gerar muita confusão.

13 de dezembro de 2016

Reiki como profissão - até que ponto?


Vejo muitos profissionais reikianos falarem que ver o Reiki apenas como profissão é algo antiético, que deve ser, sobretudo, amor e doação. Quem não está nas nuvens sabe que não é bem assim. Fazer um curso de Reiki para tornar-se terapeuta e fazer disso uma profissão é algo louvável, mas também um desafio: o Reiki muda a vida das pessoas. Deve-se estar pronto para ver a vida virar de cabeça para baixo antes de começar a ganhar dinheiro. Não vejo problema nenhum em querer trabalhar com isso. Todo trabalho honesto deve ser valorizado, pois por si só engrandece o homem.

Primeiro, a questão do dinheiro: ele em si não é algo negativo, sujo. É algo a ser trabalhado e merecido. Vive-se na matéria, deve-se aprender a conviver com ela, como já foi dito diversas vezes aqui. Reiki não é (só) doação. Pode ser muito legal fazer um trabalho voluntário com o Reiki, sobretudo quando não se possui oportunidade para praticar e sobra vontade de fazê-lo, mas é maravilhoso poder sustentar a vida material com algo tão nobre, já que os Cinco Princípios permeiam vida e trabalho.

Segundo, a postura profissional: acho que a questão está em fazer um trabalho de qualidade em meio a um público amplo e diversificado. Reiki hoje é uma técnica fechada a um nicho específico, próprio. Extravasar o Reiki para fora deste círculo é um grande desafio, que muitos preferem abdicar, diminuindo a qualidade do trabalho feito e dando uma imagem "amadora" a quem busca fazer um trabalho profissional. Antes de convencer os profissionais de saúde que veem as práticas complementares como "charlatanismo" ou mesmo "competição mercadológica", é necessário convencer os próprios reikianos de sua própria postura.

Terceiro, o essencial: fazer um trabalho de qualidade. Não existe nenhum curso na área de saúde e bem-estar que dure apenas algumas horas, muito menos à distância - neste caso há raríssimas exceções, ainda em discussão. Quando se lida com o corpo, é necessário um corpo. É necessário praticar. E prática requer tempo. Fazer um "curso" (que alguns chamam de "seminário", mais para justificar a questão da carga horária) de um dia ou dois, no qual se transmite apenas a teoria, jogando a responsabilidade da prática para o aluno, que mal é iniciado em um nível já quer a iniciação do próximo, não faz sentido para quem é de fora.

E para finalizar, o diferencial: não se cura ninguém, promove-se o bem-estar. Aquela sensação de relaxamento que cada dia torna-se essencial como água e ar puro.

6 de dezembro de 2016

Democracia da chatice

Não é pela sua cor de pele, nem pela sua escolha sexual ou afetiva. Não é pela sua origem social, posição social atual ou futura, nem pela sua religião. Não é pela sua filosofia de vida, se você tem uma, ou pela ideologia de mercado. Não é pela formação que você teve. Não é pela roupa que você veste, ou por você dizer biscoito ou bolacha. Não é pelo sexo, gênero ou sei lá o nome que dão agora, nem pelo dinheiro que sobra no final de todo mês, muito menos pelo lugar onde mora, e em que tipo de lugar você mora. Não é pelo quanto de chapinha que você usa, nem pelo time que você torce, muito menos do planeta que você veio.

Você é chato, irritante, insuportável. É isso que você é. E nada irá justificar a não ser suas próprias atitudes. Se esconder em si mesmo é uma das piores armadilhas que as pessoas caem.