22 de novembro de 2016

A interferência no livre-arbítrio


Regra geral, para aplicar Reiki é necessária a autorização de quem irá receber. De preferência após uma breve explicação sobre o método, para que a pessoa entenda o que irá acontecer e possa tirar todas as suas dúvidas. E quando simplesmente não dá para perguntar, e lá no fundo do coração algo diz que o Reiki é necessário? Conforme se avança na prática, a intuição passa a afinar-se de forma tal que chega a ser possível definir o que cada pessoa precisa em relação ao Reiki: seja uma aplicação, uma cirurgia energética, ou mesmo a iniciação.

Alguns falam que é melhor algum Reiki do que nenhum Reiki. Entretanto, se a pessoa que precisa da energia é justamente alguém que não quer recebê-la de forma alguma? Tentar conversar, explicar, pode criar mais barreiras e agravar a situação da pessoa. Aprendi que quando se envia Reiki a uma pessoa que não o deseja, a energia não surte efeito e aterra - e pude comprovar isso. Esqueça a questão do "Eu Superior": você não irá trocar uma ideia com ele na maior parte das vezes - geralmente é uma sugestão mental, fruto da presunção de que se é mais evoluído.

Ninguém precisa saber se está sendo enviado Reiki para alguém. Muitos reikianos deixam de lado a humildade e põem seus nomes acima da própria prática, como se o mesmo fosse a fonte de toda a energia. E acabam externando coisas que não precisam ser ditas. Se o coração bate forte e o chakra começa a rodar loucamente, envie em silêncio para a situação como um todo. Se a pessoa aceita, a pessoa recebe. Se não, o problema é dela, e ponto.

Se ajudar alguém fosse uma interferência "proibida" ao livre-arbítrio, caridade não existiria, já que por um lado não se pode ajudar quem se quer, e por outro não se quer ajudar quem acha-se que não precisa. Quando se envia Reiki, a situação pode mudar de rumo, mas quem aceita isso é a pessoa na qual está inserida. Há pessoas que são contra a profissionalização do Reiki justamente por pensar que este deve ser gratuito para todos. Há pessoas que perderam noção da própria vida e querem se deixar levar pelos piores caminhos. Há também pessoas que preferem se resguardar para evitar confusões futuras.

Pessoalmente, eu envio, sobretudo quando a situação me incomoda - sinal de que há afinidade minha com a situação. Apenas falo que me utilizei do Reiki caso a situação no futuro me permita dizer tal coisa. Algo só se realiza quando há aceitação por parte da pessoa: seja uma aplicação de Reiki, seja mal olhado ou mesmo uma ofensa verbal. Será mesmo que o Inferno está cheio de boa intenção?

15 de novembro de 2016

Mãos de Luz

Este é um livro de referência para todo reikiano, mesmo seu assunto não sendo Reiki. Lembre-se que o Método Usui de Cura Natural é apenas uma da miríade de técnicas através de imposição de mãos no trato energético. Há muito o que aprender com outras técnicas, o que incrementa a prática do Reiki e torna a aplicação mais eficiente. Antes de aprender com a obra, entretanto, deve-se aprender a lidar com ela para assim aproveitar todo o seu potencial. Nessas horas, é comum haver confusão, mistura-se uma coisa com a outra, o que pode gerar interpretações errôneas a respeito.

Eu acabo insistindo em dizer que Mãos de Luz não fala sobre Reiki pelo motivo de alguns reikianos utilizarem algumas informações deste livro sem dar as devidas explicações. Utilizam sobretudo as ilustrações, como se o Reiki fosse aquilo. Concordo que as ilustrações são maravilhosas e retratam bem os campos energéticos. Contudo elas se baseiam na experiência pessoal da autora Barbara Ann Brennan, que não é reikiana (e nem fala sobre Reiki em sua obra), o que requer atenção, discernimento, e os devidos créditos.

A obra em si é sobre seu trabalho terapêutico através da transmissão de energia, indo além do relato de experiências. Ela explica o funcionamento e o trato com os corpos energéticos e chakras, analisa pesquisas científicas a respeito, e ainda orienta o leitor quanto ao autotratamento e formação como terapeuta (no livro usa-se o termo curador). Pessoalmente, considero uma obra completa para qualquer terapeuta ou profissional de saúde. É possível perceber como a aura influencia a vida física, às vezes de forma tão óbvia, abrindo a mente para novas ideias e para novas atitudes.

A experiência meditativa na infância é para a autora o fator chave de sua Alta Percepção Sensorial. Ela comenta sobre como esta sensibilidade influenciou sua vida e orienta como desenvolver esta habilidade, para ser usada não só como terapia ou autoterapia, mas também em situações cotidianas. Não deixo de imaginar os metrôs lotados e ruas movimentadas, com aquela mistura energética desagradável, na qual se leva pra casa uma vibração que não é sua. Não é algo sobrenatural, como alguns pensam, é apenas algo no qual as pessoas se fecham achando que ficam imunes a tal.

Os reikianos de certa forma possuem algumas "vantagens" em relação ao trabalho energético do Mãos de Luz: essa "sintonização energética" é transmitida através das iniciações, afinando o reikiano ao seu ambiente, devendo ter o cuidado apenas de desenvolver tal afinação. O Byosen é, inclusive, uma técnica que "escaneia" a aura do receptor em busca de pontos que precisam de mais energia Reiki do que outros. Se sua concentração durante uma aplicação de Reiki for abalada, o receptor não sofre com isso - a energia continua fluindo. No método de Brennan, qualquer "dispersão" de ideias pode causar mais danos do que os que a pessoa atendida já tinha.

A postura "menos mística" da autora é algo a se notar. As coisas acontecem porque são naturais, guias falam porque existem, e tudo faz parte da vida, e ponto. Está desvinculado completamente de qualquer religião ou filosofia de vida (lembre-se que o Reiki tem por base o Budismo). Apesar de ser um livro antigo (década de 1980), seu assunto e conteúdo são atuais, além de ser uma obra fácil de encontrar. É um livro para ser estudado, e mesmo inserido na prática reikiana, com suas devidas adaptações e reflexões.

8 de novembro de 2016

Crítica profissional e crítica pessoal

Há pessoas maravilhosas que são péssimas profissionais - pelo menos na minha opinião - e vice-versa. São coisas separadas que se entrelaçam e interagem entre si. O problema é quando se critica a atitude profissional de alguém e isso é tomado como algo pessoal, gerando uma grande confusão. E o contrário também! Se por um lado é quase impossível desassociar o pessoal do profissional, por outro lado essa separação deve ser feita, pois se corre o risco de um "engolir" o outro.


Vejo que a maioria dos profissionais reikianos não possuem uma postura profissional justamente por misturar o pessoal com o profissional. Isso vale para outras profissões também. Como o terapeuta Reiki trabalha com o bem-estar de seus atendidos, o desenvolvimento pessoal é deveras importante. Muitos reikianos caem na vaidade: põem seus nomes acima da técnica e usam o título de mestre com uma ostentação frívola. Ser mestre de Reiki é diferente de um mestre acadêmico, e está bem próximo de um mestre de artes marciais: é aquela pessoa que se transcendeu através do seu trabalho.

O Reiki muda as pessoas - fato. Até entendo quando argumentam que o Reiki não poderia ser visto como mera profissão, mas minha interpretação é outra: a profissão deve ser valorizada, pois faz a pessoa crescer. Como confiar em um profissional que apenas quer se exibir? Esta é a interferência negativa da esfera pessoal na esfera profissional, quando uma consome a outra de forma negativa. Isso sem comentar os workaholics que destroem a vida pessoal em nome da vida profissional...

Quando o mestre Reiki toma a postura de mestre - tanto no pessoal quanto no profissional - as coisas mudam de figura. Ele não só é um profissional confiável, como também uma pessoa confiável. E por ter uma postura mais evoluída acaba por sofrer revezes de outras pessoas. Mais evoluído não significa mais amado - pode acontecer justamente o contrário. Mas a evolução consiste também em superar este tipo de coisa. Aprender a ouvir, a apanhar, e a bater também.

1 de novembro de 2016

Sobre almas-gêmeas e sua evolução


Passei os últimos três anos estudando sobre o assunto. Não há muitas fontes nem trabalhos de pesquisa. É algo meio solto e aberto, envolvo de fantasias e ilusões. Por um lado, boa parte da "ficção" a respeito é real, no entanto, cabe uma reflexão mais profunda, e de preferência, menos hipócrita. Confesso que me preocupo com o que escrevo aqui, pois infelizmente há pessoas que se ofendem com qualquer coisa, ou às vezes nem isso, para ganhar uma indenização ou sentir-se superior.

As almas-gêmeas, descrita como seres "feitos um para o outro", não existem. Não existe um único ser que irá completar outro, existem vários. E existe aquela alma especial, que pode ser chamada de alma final, na qual o ser ficará definitivamente com ela, chegando ao extremo de se fundir com o outro ser. Enquanto isso, o ser conhecerá outras almas, que podem ser chamadas de almas afins, com as quais terá o processo de crescimento e evolução. O que não significa que existe uma alma final: esta é uma alma afim que desenvolve laços tão profundos com o ser (a famosa sintonia), que acabam por permanecer juntos.

Os seres possuem força e nível evolutivo. Um ser pode ser forte e não possuir um nível evolutivo reduzido e vice-versa, assim como é comum encontrar seres fracos de pouca evolução (exemplo o planeta que estamos) e extremamente raro achar seres fortes e evoluídos. Apesar de a força poder ser desenvolvida junto com o nível evolutivo, isso não é regra.

Durante a evolução, as almas conhecem inúmeras outras e se ligam por afinidade. Essa afinidade se dá sobretudo energeticamente - você olha para a pessoa e se sente confortável ou não. As essências de ambas as pessoas (a centelha primordial do ser) reagem uma a outra, positivamente ou não. Quanto mais evoluído o ser é, menos almas afins ele possui - até restar uma. Ou seja, quanto mais involuído um ser é, mais almas afins ele possui - e olha que coisa, a sociedade de hoje prega justamente para não se ter vínculos com as pessoas!

Em canalizações e mediunidades, alguns espíritos falam que as almas não possuem sexo. Não como aqui - não existe uma genitália. O que ocorre são essências que se complementam: Yin e Yang, por assim dizer. E não, um ser masculino será sempre masculino, ele não carrega uma essência feminina, como dizem por aí. O contrário também é válido. Se não houvesse isso, não haveria a união das almas. E olha que coisa: falam que as pessoas carregam o masculino e o feminino dentro de si, que por si só já se bastam.

Ao longo da evolução, o ser se une a outros por esses laços afetivos e através deles pode evoluir ou não. Há seres que não podem se relacionar, pelo triste motivo de um sugar a essência vital do outro, e isso nem é por uma relação de ódio. Outros seres, quando unidos, promovem todo o desenvolvimento evolutivo por si, sem precisar mais de outras almas afins. Essa é, ou deveria ser, a essência do casamento, que neste planeta é apenas um mero "contrato social". Em um casamento você se compromete a evoluir junto com o ser afim, por aquele determinado período (até que a morte nos separe).

A alma-gêmea - ou alma final - pode emergir na multidão de almas afins através de um fator crucial: o sacrifício livre e espontâneo. Algo que nossa sociedade tenta impedir a qualquer custo, e que as pessoas não percebem. Não se morre por alguém, por um ideal que considera nobre, por algo importante para si. Quanto menos prejuízo a pessoa tiver melhor, até. Na minha cabeça involuída, penso ser essa a única prova de amor, existente e necessária. Ela vem com a evolução - não adianta forçar a barra. Sobretudo quando um ser é mais evoluído que o outro.

Enquanto as duas almas afins não forem evoluídas ao ponto de terem apenas afinidade energética entre si, não podem ser consideradas como almas finais (ou almas-gêmeas). Elas podem se separar (e se unir de novo, talvez) e se relacionar com inúmeras outras. Lá na frente, bem lá na frente, caso se comprometam com o processo evolutivo (que inclusive vai além dos níveis de consciência), elas conseguem desenvolver a capacidade de fundirem-se em um ser único temporariamente. Suas habilidades e capacidades potencializam-se exponencialmente. Talvez no futuro esta união seja definitiva: os dois seres deixam de evoluir para serem apenas um só.

Para serem um só, é necessário deixar de ser um, sem deixá-lo de ser. É saber que nenhum ser humano é uma ilha e sim são arquipélagos. Querer ser independente do todo é ao mesmo tempo necessário e impossível. As pessoas devem, antes de tudo, ser elas mesmas, para que possam ver seu reflexo no coração das outras pessoas, que também são elas mesmas.