25 de outubro de 2016

Reiki cronometrado ou Reiki intuitivo?


Por mais que o Reiki seja uma prática sobretudo intuitiva, há ocasiões nas quais o relógio fala mais alto - e não são poucas. É fácil afirmar que o Reiki não deve ser pautado pelos ponteiros do relógio; difícil é trabalhar a prática intuitiva em um atendimento profissional, no qual o tempo urge e a Sapucaí é grande.

A maioria dos cursos de Reiki no Brasil ensinam o trabalho intuitivo apenas na teoria, ensinando na prática o período de tempo por posição: de três a cinco minutos dependendo do nível que possui. Não é difícil achar por aí profissionais que atendem ao som de músicas relaxantes com um sininho indicando a mudança de posição, e há aplicativos de celular com a mesma finalidade.

Seguir a intuição em uma aplicação de Reiki demanda tempo. O Byosen indica as áreas que necessitam de maior atenção, e permanecer nelas (até meia hora, dependendo do caso) cansa. Sim, o reikiano cansa durante a aplicação, como um fio elétrico que se desgasta conforme a energia vai passando. O Reiki agir no reikiano durante a aplicação não significa que ele vai "sair inteiro".

Talvez a questão seja de não transformar o Reiki em algo mecânico, como a acupuntura tornou-se de uns tempos para cá. O trabalho com energia vai além do predefinido. Eu mesma sirvo de exemplo: por muitos anos tive depressão, e a mesma começou a me afetar o estômago e intestinos. Não adianta agulhar a barriga se a causa da depressão não era tratada em conjunto. Quando passei a trabalhar a solidão e a aceitação (junto com uma alimentação saudável), minha digestão começou a funcionar normalmente.

O problema está em aliar teoria à prática. Na teoria, tudo é perfeito e bonito, na prática, deve-se lidar com o imprevisível. Em uma hora tem que apresentar o Reiki, aplicar na pessoa e ouvi-la acerca de suas impressões. Cronometrar as posições reduz drasticamente o risco de ficar para mais. Intuitivamente a pessoa receberá energia onde e o quanto precisa. Fazer um esquema de aplicação (aqui eu aplico mais, ali eu aplico menos) é de grande valia. Quem está começando pode treinar em um parente ou amigo. Quem é profissional deve trabalhar sua experiência para tornar o tratamento mais completo e eficiente.

18 de outubro de 2016

Premissas do Reiki


Além dos cinco princípios, o Reiki possui algumas premissas que o diferencia de outras técnicas terapêuticas ou mesmo de manipulação energética. Pode-se dizer até que são alguns dos motivos que atraem tantos praticantes, tornando uma das técnicas mais praticadas no Brasil, de acordo com o SUS. No entanto, há pontos a serem refletidos a respeito, que irei compartilhar aqui.

Reiki funciona apenas pelo bem maior

À primeira vista isso soa maravilhosamente bem: Reiki não age se não há propósito elevado. Você não conhece prejudicar nenhuma pessoa utilizando o Reiki. A questão é: o que é melhor para a pessoa? Muitas vezes, pensamos que devido a isso a pessoa não irá sentir dor, não irá sofrer: ela será magicamente tratada pela energia universal. Ela irá sim: os problemas virão à tona, como acontece no tratamento floral. A pessoa sentirá dor, irá chorar, mas é necessário: é o melhor para ela.

Uma situação importante é a respeito da morte: nenhuma pessoa morre de Reiki ou devido a alguma aplicação, muito menos o reikiano "matou a pessoa" durante a sessão. Morrer é parte da vida, e tem hora que é necessário partir. Se a pessoa faleceu durante a aplicação ou depois, tenha certeza que foi em paz.

Reiki é uma energia inteligente

Energia não é inteligente per si, muito menos o Reiki. Existe a ideia de que o Reiki vai à origem do problema para saná-lo. Sim, ele vai, independente de onde esteja: em outra parte do corpo, em outra situação, em outra vida (Reiki viaja pelo tempo-espaço). Mas para isso funcionar, é necessário que a energia seja focada no problema em questão: não adianta aplicar Reiki em apenas uma posição na crença de que ele irá para onde precisa "sozinho". Isso é bom quando não se está tratando uma causa específica e/ou não há tempo disponível.

Reiki não é influenciado pelo aplicador

Talvez este ponto cause polêmica, mas o aplicador influencia no Reiki sim. Existe a ideia de que o Reiki flui pelo reikiano e vai para o receptor (utente, paciente, cliente, assistido) sem sofrer nenhuma influência daquele, e que parte da energia fica no aplicador. Cabe uma reflexão mais aprofundada sobre o assunto.

Partindo da premissa de que o Reiki não é uma energia inteligente, conclui-se que o reikiano pode influenciar esta energia, podendo até prejudicar alguém, conforte seu nível evolutivo. O Reiki pode ser anulado pelo próprio reikiano e a energia transmitida ser outra. Entretanto, veicular esse tipo de informação pode ser o fim do Reiki, mas pense bem: quantas pessoas que se dizem "elevadas" são nocivas para nós? Religiosos, esotéricos, gurus... Uma pessoa realmente evoluída emana uma energia refinada: o Reiki é potencializado nesses casos.

Volta-se ao Gokai como uma filosofia de vida a todo reikiano. Seguir estes princípios ajuda a crescer em todos os aspectos da vida. Quem está começando, sugiro que desenvolva a auto-aplicação e cresça com os cinco princípios. Assim a energia poderá fluir pela pessoa de forma pura, beneficiando aplicador e aplicado.

Reiki não pode ser aplicado durante cirurgias ou sangramentos

Dizem que a energia Reiki pode aumentar o sangramento como forma de expulsar energias negativas, podendo ser prejudicial ao receptor. Isso mostra uma dupla contradição: se o Reiki é uma energia inteligente que não prejudica ninguém deliberadamente, em um sangramento poderia se pensar justamente o contrário, não? Neste caso, cabe a lógica: o Reiki irá agir como deve agir, pelo bem da pessoa.

Há também o fator anestésico na jogada. Li recentemente que não se deve aplicar Reiki enquanto a pessoa está anestesiada, já que o efeito da anestesia se perde. Isso é algo a ser estudado mais seriamente, pois além de ser um fato contraditório - poucos dizem isso, mas os poucos que dizem têm credibilidade - acarretaria uma série de restrições a posteriori, pondo em risco a prática como um todo.

O que pode acontecer é: se uma pessoa estiver recebendo Reiki durante a cirurgia e a mesma for falha, a culpa seria automaticamente lançada ao reikiano. Lembre-se que o Brasil é um país onde determinadas classes profissionais são vistas como infalíveis em seu trabalho. Não duvido que já tenha algum profissional de saúde que apontou o dedo na cara do reikiano para dizer que o mesmo "matou" o paciente. Isso é jogo de interesses, polêmico por si só.

Encerando...

Entender o Reiki requer estudo, muito estudo, e prática, muita prática. É necessário sentir para tirar as próprias conclusões. Ir além do que o mestre ensina é parte do processo de aprendizado, já que dessa forma o conhecimento é consolidado. Cada reikiano tem sua forma única de sentir e aplicar Reiki, que evolui ao longo do tempo e da experiência. É algo a ser vivido.

11 de outubro de 2016

Por um Reiki menos místico

A pesada maioria de praticantes de Reiki aqui no Brasil é mística - e isso, para mim, não é uma boa notícia, pelo motivo de restringir a prática a apenas um determinado grupo de pessoas com visão diferenciada da vida. Reiki é para todos, e isso não significa que para praticá-lo deve-se seguir apenas um estilo de vida. Uma coisa é crescer e evoluir, sem deixar de ser você mesmo, e outra é mudar-se completamente apenas para ser visto como "evoluído". Só porque a maioria dos reikianos brasileiros seja esotérica, não quer dizer que você deva ser um ou mesmo que o Reiki faça parte apenas disso.


Esse talvez seja o maior obstáculo para o Reiki ser aceito como uma prática de saúde, seja o nome que deem (terapia alternativa, complementar, integrativa, etc.). O Reiki é associado a algo místico, sobrenatural, divino (no sentido de vinculado a um dogma religioso e/ou afastado das pessoas), e muitos acabam se afastando ou mesmo criando uma visão negativa por causa disso. Não que a pessoa não possa acrescentar ao Reiki sua prática pessoal, afinal, cada pessoa tem seu estilo de vida, mas o Reiki não pode ser associado a uma ideologia específica, forçando pessoas a aceitá-la.

Reiki é simples e natural, não esotérico. Os primeiros textos sobre Reiki o associam à anatomia ocidental e à acupuntura, relacionando o mal estar do corpo com o da mente (além de que a noção de espírito era completamente diferente). O uso dos chakras como parte da prática deu-se no Ocidente, junto com a noção de corpos energéticos e outra definição de espírito, dentro de uma visão esotérica do mundo, parte dos movimentos de Nova Era. Contudo, não se pode pensar que o "certo" estaria na prática original, na busca pelo purismo, nem em se copiar fielmente o que se aprendeu, mas buscar desenvolver o fluxo de energia dentro de si.

Levar a prática a sério é deixar de lado qualquer rótulo que limite o Reiki a determinado grupo ou ideologia e abrir possibilidades em qualquer área ou estilo de vida. Qualquer pessoa pode ser reikiana - não existem pré-requisitos. Não se precisa acreditar em anjos, devas, possessão, Era de Aquário ou o escambau. O próprio mestre Usui afirma que não se precisa acreditar em Reiki para receber um tratamento. A energia existe, o trabalho com ela é real, só que ainda é pouco conhecido pelas pessoas e pouco reconhecido por outros profissionais.

O Reiki convida à mudança, àquela felicidade que se encontra no interior de cada ser. O maior desafio nos dias de hoje é ser você mesmo. A mudança é necessária, um novo mundo se descortina, hábitos são deixados de lado para novos serem cultivados. A pessoa não deixa de ser ela mesma, pelo contrário: ela desabrocha como realmente é, aos poucos. Associar tudo isso a um processo sobrenatural é algo que não faz parte do Reiki (cujo nome é Método Usui de Cura Natural), mas pode ser associado por escolha pessoal.

4 de outubro de 2016

Carne e produtos de origem animal - consumir ou não?


Já falei sobre o consumo de carne para os praticantes de Reiki, dando minha opinião sobre. Decidi aprofundar o assunto, já que ele permeia não só as terapias alternativas, fazendo parte da discussão de diversos temas relacionados à saúde e ao bem-estar. É um assunto comumente não abordado por médicos ou especialistas na área, abrindo espaço para hipóteses de conjecturas - e mesmo teorias da conspiração.

Pessoalmente, acho que consumir ou não carne (e/ou produtos de origem animal) é uma questão de gosto e escolha pessoal. Cada organismo possui sua forma singular de funcionamento, e tentar seguir um padrão imposto por fora (mestres Reiki, gurus, terapeutas de diversas áreas, ou mesmo celebridades) pode ser arriscado. O que não é visto a curto prazo pode ser catastrófico a médio e a longo. O meu conhecimento é baseado no que aprendi na escola, e percebo que muitos dos que apregoam o vegetarianismo/veganismo possuem o mesmo nível de conhecimento.

O ser humano é um animal onívoro - come de tudo por natureza. Apenas animais extremamente complexos são assim - a maioria ou se alimenta de carne (predadores) ou de vegetais (presas). Ser onívoro garantiu (e ainda garante, de certa forma) a sobrevivência da espécie por aumentar a capacidade de adaptação. Com uma alimentação rica e diversificada, os humanos primitivos puderam desenvolver corpo e mente, o que permitiu a fixação da sociedades humanas e, por que não dizer?, da civilização humana como a conhecemos hoje.

Ou seja, não é uma questão de saúde - se fosse de saúde, comeríamos o que nosso corpo precisa, até carne. Alguns falam da violência contra os animais, mas e a violência contra os vegetais, fungos, etc? Se animais possuem sentimentos - como é visível em alguns -, os outros seres também possuem sua forma de expressar. Ou cairíamos naquela interpretação da Idade Moderna na qual algumas pessoas possuíam alma e outras não. E vejo que algumas pessoas são meio brutais com o alimento que será consumido, independente de qual seja. Respeitar o alimento vai além da máxima "por que cuido de alguns e como outros?".

Se fomos pensar em sofrimento animal, não deveríamos ter bichos de estimação, porque para aguentar os humanos... Nem mesmo plantinhas em casa, pois elas absorvem nossa negatividade e qualquer energia que possa nos atingir. Li em um livro de Reiki que a carne possui miasmas - energia de dor e medo acumulada, de acordo com o autor - o que prejudicaria o organismo da pessoa que a comeria. Só que não apenas a carne pode possuir: qualquer alimento mal preparado pode ser nocivo ao organismo. E qualquer tipo de trauma ou vibração nociva pode ser retirada através da aplicação de Reiki.

Existe uma teoria na qual o incentivo ao não consumo de carne vermelha estaria ligado à tentativa de falir os criadores de gado, em sua maioria grandes proprietários de terra e capital. Levá-los à falência seria uma "forma" - nada saudável - de redistribuir terras e dinheiro, além de mudar por completo todo o sistema produtivo. Parecida com a técnica para acabar com o tráfico de drogas ilícitas: divulgando e apregoando seus malefícios, desestimula-se as pessoas ao consumo, acabando com seu comércio.

Não somos vacas. Estas possuem o organismo desenvolvido para alimentar-se apenas de vegetais, enquanto nós podemos comer qualquer coisa. Já presenciei algumas pescas nas quais os peixes sofriam maus-tratos antes de virarem alimento, e frigoríficos que seguem padrões rígidos de abate para evitar qualquer forma de sofrimento ou de agonia. A paz de espírito vem de dentro de cada pessoa. Antes de tomar uma decisão sobre a mudança de hábitos de consumo, consulte um médico - ou mesmo mais de um. Pesquise sobre o que você consome e não caia na armadilha dos boatos. Sobretudo, não fique na obsessão de que os outros mudem por causa das suas ideias.