28 de junho de 2016

Algumas observações sobre Bullying


Eu sofri bullying em toda minha idade escolar, sendo necessários tratamentos psicológicos e mesmo complementares para superar os traumas decorrentes. Foi nessa ocasião que descobri o Reiki, os florais, e toda uma gama de terapias alternativas e complementares, que hoje estudo com tanto afinco e paixão. Enfim, na faculdade pensei que estudaria um pouco sobre este fenômeno presente nas escolas desde tempos idos, mas foi aquém da minha expectativa. Além de ter que estudar por conta própria, percebi que não existem políticas e estudos efetivos a respeito aplicados na escola, sendo utilizadas as velhas fórmulas paliativas e ineficazes.

Resolvi então listar algumas coisas que considero importantes sobre o bullying como forma de alertar pais, alunos, professores, entre outras pessoas ligadas à educação.

Ignorar não funciona

A primeira coisa que nos sugerem ao ato de bullying é ignorar. Deixar de lado para o bullie cansar e desistir de importunar. Quase nunca funciona, e o motivo é simples: você está dando a entender que permite a agressão e que não irá fazer nada contra. O que era um apelido infeliz torna-se uma agressão verbal - continuar a ignorar é deixar o problema crescer.

Quando a vítima toma alguma atitude logo de cara, perde a razão. O professor geralmente sabe que a pessoa estava sofrendo com a situação, mas não permite que ela reaja. Se ela responde por conta própria, é como se tirasse a "autoridade" do professor, ou do coordenador. Mas como se tira autoridade de quem não a exerce? Afinal, não fazer nada não é exatamente fazer alguma coisa...

O bullie (praticante de bullying) hoje é o "pseudorrevolucionário" de amanhã

Esse é o dedo na ferida. Quem ganhou tudo no grito e na pancada no passado vai querer ganhar tudo no grito e na pancada no presente. Não duvido que os movimentos sociais compostos por jovens que causam algum transtorno à sociedade não seja consequência da falta de providência aos praticantes de bullying durante a idade escolar. Mesmo a vítima de bullying pode encontrar neste tipo de movimento uma válvula de escape aos traumas do passado.

Se a criança não teve limites bem demarcados durante a infância, não os desenvolverá sozinha no futuro, e necessitará de medidas coercitivas da própria sociedade. A vida educa.

Quem é vítima de bullying hoje tornar-se-á vítima de assédio moral amanhã

Como a vítima de bullying não aprendeu a se defender efetivamente, ela tende a não saber reagir a perseguições do chefe e colegas na empresa em que trabalha. A pessoa cria uma postura de vítima como se estivesse colado nas costas um papel escrito "me chute". E não duvido que quem tenha praticado bullying na escola não irá praticar assédio moral na idade adulta. Ninguém impede, ninguém faz nada, e quem faz vira culpado da situação.

Assédio moral: bullying de gente grande

Assédio moral é um nome bonitinho para bullying de gente grande, mas o conceito é o mesmo: agredir e perseguir alguém, seja de forma física, seja de forma psicológica, gerando graves danos tanto na vítima quanto no agressor (afinal, este também cria distúrbios mentais ao achar que pode se impor assim). E como o bullying escolar, a vítima de assédio moral que toma alguma atitude acaba que por sofrer as consequências, sendo comum perder-se o emprego por isso.

O grande diferencial do bullying para o assédio moral é que este último é muito mais abafado que o primeiro. No bullying ainda há coleguinhas e funcionários que tentam fazer algo para dar um fim à situação, enquanto que na empresa todos fecham o bico para não sofrerem as consequências. Coletar provas chega a ser tarefa impossível, pois o que pode ser perseguição para uns, é mera brincadeira entre outros. Testemunhas podem fazer o disparate de acusarem a vítima ao invés de a defenderem como prometido. Fora que há a pressão para a vítima pedir demissão e assim não receber seus direitos trabalhistas.

Um tapa na cara pode ser a melhor saída

Sim! Ensinar a vítima a se defender, e mesmo chegar às vias de fato pode ser uma saída interessante para quebrar o círculo vicioso do bullying. Em uma sociedade que prega a não-violência de forma absurda, mesmo para própria defesa e sobrevivência, não faz sentido a falta de atitude contra os bullies, afinal, eles são tão agressores quanto as vítimas que se defendem. Pregar a passividade a este tipo de situação só fomenta uma sociedade cada vez mais passiva e permissiva, não pacifista, como imaginam.

Uma agressão justificada vale mais que horas de perseguição. O praticante de bullying tem que ver que não pode se impor desta forma e aprender a conviver com os outros de forma mais amigável. O bullie que apanha hoje não irá agredir outro amanhã. Obviamente não estou pregando a ideia de que todos os praticantes de bullying devem apanhar das suas vítimas, mas esta atitude também deve ser permitida.

Quem tem autoridade da situação no momento deve buscar evitar que a situação chegue a tal ponto, tomando uma atitude. Mandando o bullie calar a boca e respeitar o colega. Dando advertências e suspensões - não só falando pra vítima ignorar, que a culpa é dela. Se a culpa é dela, ensine-a a resolver também.

Bullying sempre existiu

Bullying começou a vir à tona quando os próprios estudantes começaram a não conseguir resolver esta situação por conta própria. Antigamente os professores não intervinham na situação - eles se resolvem e ponto. Hoje em dia, os professores tentam evitar a agressão, quase sempre de forma errônea. Ilude-se quem pensa que bullying é um fenômeno recente - ele só começou a ser estudado recentemente, e mesmo assim muitos negam sua existência.

Isso era o que eu tinha para falar. Por um momento pensei que já tinha escrito sobre (será que não encontrei a postagem?). Quando fui fazer meu estágio, a primeira coisa que me disseram era que na escola não havia bullying. Mas foi necessário dez minutos de observação para ver um caso. Olhos e coração abertos é necessário.

14 de junho de 2016

Consertando heróis e protegendo sonhos

Era um assunto que eu iria pontuar há algum tempo aqui, mas acabei deixando as coisas acontecerem antes. Nessa onda de filmes onde super-heróis se enfrentam para demonstrar sua humanidade, ou mesmo na onda de anti-heróis que arrastam grande público, fico imaginando onde a humanidade vai parar. Os super-heróis foram criados para serem exemplos às pessoas, para seguirem seus sonhos, para terem um ideal. Se for viajar um pouco na maionese, essa teoria lembra os santos católicos - mas aí é outra história.


O herói transcende o individual em nome de um coletivo - salvar o planeta, o universo, seja lá o que for. Possui ética inabalável e é incorruptível aos seus princípios. Não é uma pessoa perfeita, mas busca superar-se continuamente, além de não se deixar levar pelos problemas. O trabalho em equipe é harmonioso, e mesmo divergências são resolvidas entre si, sem precisar de confrontos externos. Pois é, deveria ser assim.

Estamos em uma época de valores distorcidos. Não adianta argumentar que isso é discurso de vó/pai/velho, pois isso só impede o crescimento como pessoa. Distorcer e relativizar parecem coisas boas, mas hoje em dia são usadas para corromper e não para evoluir. Destrói-se a base sem se construir uma nova - o mundo se liquefaz. Em quem confiar? Quem irá nos defender? Nossos heróis roubam e matam sem motivo, enfrentam-se uns aos outros.

Não, não precisamos de novas referências enquanto pudermos confiar nas antigas. E não precisamos distorcer padrões velhos para criar novos. Os verdadeiros heróis são exemplos de vida - mesmo que não se autointitulem como tais. Estão tirando isso da vida e nada colocando no lugar. Estamos perdendo referências... Fora que isso também é uma fuga para não evoluir: se seres tão evoluídos cometem erros e possuem fraquezas, por que nós não?

Aí está o diferencial do herói: ele supera seus erros e fraquezas, e busca tornar-se melhor a cada dia. Somos heróis quando fazemos isso e nos tornamos exemplo para outras pessoas. Sim, as pessoas precisam disso - todos nós precisamos. Distorcer um exemplo para apenas nivelar por baixo nosso potencial não nos liberta, muito pelo contrário: ficamos presos em nós mesmos. Nos libertar, nos superar torna-se algo condenável pelos nossos pares, que consideram autoconfiança como arrogância e determinação como presunção.

Permita que o idealismo volte para sua vida. Super-heróis não precisam existir de carne e osso para existirem na nossa mente. Não precisamos inventar uma desculpa quando não queremos algo. Não queremos e ponto. Isso precisa ser respeitado. Heróis precisam ser respeitados como tais, e querer ser um (principalmente para si mesmo) é algo louvável. Salvar a si e aos outros vai além da teologia - mas isso é assunto para outro post.

Não creio que seja uma forma de escapismo, afinal, você não está fugindo da realidade: você está nela agindo nela e por ela. Isso é transformar sonhos em realidade. Não se vive uma ilusão: se molda a realidade da melhor forma possível. Sim, realidade se faz com sonhos, com ideias, com coisas boas...