19 de abril de 2016

Reiki e Religião

Um dia, ao voltar da missa, passei em uma igreja onde o pastor pregava que apenas Jesus curava com as mãos, e que qualquer outra que dissesse fazer o mesmo era... hum... digamos que seria mal educado de minha parte postar aqui. Só sei que minha vontade era de entrar no culto e dar uma lição de moral no pastor, afinal, sou reikiana e quero defender meu peixe. No lugar de fazer isso, decidi escrever o post mesmo. Primeiro que o Reiki não possui vinculação com nenhuma religião, além da premissa de que a energia do Reiki não prejudica ninguém.

Adentrando um pouco na História do Reiki, tem-se o fato de que Mikao Usui seguia o budismo Tendai. Não, ele não era padre, muito menos cristão. Essa história foi inventada pela Hawayo Takata quando trouxe o Reiki ao Ocidente - só isso renderia um post extra, e mesmo uma monografia acadêmica. Não existe requisito religioso para começar a praticar - você segue a religião que quiser, e se quiser. No entanto, essa recíproca não é verdadeira: as religiões podem sim criar empecilhos para tal.


Os dogmas religiosos podem ser contra esse tipo de técnica de forma veemente ou mesmo restringir ações semelhantes apenas a um determinado grupo de praticantes. Não há mérito nem demérito nisso. Você tem que pesquisar a respeito da religião que pratica antes de praticar Reiki. Aí entra uma reflexão: o que minha religião impede de praticar? O que isso interfere no meu contato com Deus? Os princípios do Reiki estão presentes em sua doutrina? Do que devo abrir mão: do Reiki ou da minha religião?

Talvez esta questão seja muito delicada. Geralmente as pessoas "passam por cima" de suas crenças e doutrinas, considerando-as algo vazio de sentido, mas se você não consegue praticar sua religião de forma integral, como pretende fazer o mesmo com o Reiki? Não digo que uma pessoa deva se tornar fundamentalista, fanática ou algo do gênero - geralmente essas vertentes são contra esse tipo de coisa. Religiões são de certa forma contraditórias e por muitas vezes confusas. Só que indo além de dogma e doutrina, há o cerne da religião, que é o contato com o Divino - seja lá o nome que se dê.

Um grande problema é que as instituições religiosas tendem a alienar seus membros, proibindo-os de buscar conhecimento. Uma coisa é mostrar o caminho das pedras, o certo e o errado, o bem e o mal com as suas diversas máscaras; outra coisa é falar que é pecado ler determinados autores ou ouvir determinadas músicas - não há o esclarecimento. Uma pessoa esclarecida escolhe o que lê - ela sabe o que faz bem ou não para ela. A pessoa não esclarecida tem medo de dar o próximo passo, e acaba deixando de seguir seu caminho evolutivo.

Não deixe de ler, estudar, criticar. Quem não deve, não teme. Entretanto, não se deixe levar pelo que vê: é comum, principalmente na internet, ler sobre coisas absurdas e reprováveis como se fossem coisas maravilhosas, ocultas do vulgo. Proibir seria uma forma de evitar que as pessoas sejam enganadas, mas a curiosidade chega a ser um veneno nesse caso. É como um pai que proíbe o filho de fazer algo: ele fica curioso e vai fazer escondido, e acaba achando aquilo legal - só lá na frente ele descobre o engano (ou não, o orgulho pode não deixar).