30 de junho de 2015

Pecado e Karma - o que temos a aprender

Começar pelo básico: não viemos a este planeta para sofrer. Tá que aqui não é um dos melhores lugares para se viver (mas não vou dizer que aqui é dos piores - nunca se sabe!), mas o sofrimento é mais um meio ou uma consequência, nunca o fim. Digo isso porque o aprendizado pode ser sem dor, alegre e muito gostoso - depende do nosso ponto de vista. O que para alguns é sofrimento, para outros é aprendizado. Aceita que dói menos, saca?

Todos cometemos erros, em diferentes escalas, mas todos dentro do nosso "programa de aprendizado". Esses erros são cobrados - não tem como fugir ou "empurrar com a barriga" (ou seja, não adianta desejar mal para alguém que se safa de uma situação, ou julgar a pessoa por não ser condenada por um crime). Todos os nossos problemas e dificuldades geralmente estão ligados a uma lição específica de aprendizado - tanto é que quando a gente aprende a lição os problemas magicamente somem (e outros surgem).

Passamos por muitas situações desagradáveis, aprendizados difíceis. É como se a gente estivesse pagando nossas dívidas. Basicamente estamos, de certa forma. Estamos consertando o que fizemos de errado, mas isso não é exatamente algo ruim. Engraçado que isso não é visto como uma nova oportunidade de crescimento (assista Wolf's Rain e seja grato!). Busque ver as situações como consequências do que foi feito no passado - isso é karma, isso é pecado - e sorria pela oportunidade de rever o que foi feito para fazer melhor.

Vejo as pessoas usarem essas palavras - karma e pecado - de forma muito vulgar (meio que pra justificar qualquer coisa), o que acaba provocando em outras a reação de não usá-las. Pecado virou algo restrito à religião (principalmente à católica) e karma virou uma dívida a ser paga para não sei quem. São conceitos simples, que precisam ser vividos para serem definidos. É normal ter medo, mas não se deixe ser dominado por ele - afinal, você errou e está vivendo as consequências (pagando pelo pecado de certa forma), podendo rever seus atos e tomar atitudes melhores com base no que aprendeu (queimar o karma).

Afinal (ou ao final?): qual é o problema de errar? Por mais catastrófico que seja o erro, sempre haverá o perdão, sempre haverá uma segunda chance - olhe para além do trauma, da raiva, do sistema. Pessoas que se sacrificam pelas outras buscam de certa forma consertar o que fizeram ajudando outras pessoas em seus erros. Isso passa batido e muitas pessoas até acham uma atitude vazia - e é justamente o contrário.

26 de junho de 2015

A Importância do Perdão


Já falei muitas vezes aqui sobre deixar o Passado ir, e ficar onde ele deve ficar: no passado. Talvez seja uma das coisas mais difíceis a serem feitas durante a vida. É praticamente a mesma coisa que falei anteriormente, só que com um detalhe importante: como reagir quando nos deparamos com algo semelhante no Presente? Às vezes esquecemos do Passado, mas não superamos aquela situação. Quando ela volta à tona, uma torrente de rancor vem junto e parece nos consumir novamente pela fúria. Inclusive essa é a causa de muitas doenças do corpo físico.

Perdoar é estar em paz com determinada questão dolorosa de nossas vidas. É algo que não pode ser ignorado, mas também não pode ser forçado. Perdão é algo natural e tranquilo - é um sentimento de profunda libertação, como se aquilo nunca houvesse existido, mesmo que esfreguem na sua cara o fato. É algo maravilhoso, intenso e muito profundo. E lento - muito lento. Quando pegamos "prática", quando perdoar se torna algo natural, claro que é mais e mais rápido, ao ponto de nada nos ofender ou fazer mal (ao ponto de até feitiços feitos contra nossa pessoa se anularem "do nada").

Por mais difícil, ou mesmo impossível, que pareça, perdoar é importante, necessário, fundamental. Muitos ainda dizem "eu não perdoo isso" ou "aquilo é imperdoável". Nada é imperdoável. Absolutamente nada. E sabe por quê? Porque quanto mais rancor guardamos de algo (não perdoar acumula rancor dentro da gente, progressivamente), mais doentes ficamos. Doentes fisicamente, mentalmente e até mesmo espiritualmente. E isso nos destrói - destrói mais que os atos ruins que praticaram.

Comece a ver o perdão de outra forma. Não é "ser bonzinho" no sentido de ser ingênuo. É ser bondoso como no Reiki, lembra? Quando a gente perdoa de verdade, a situação não se repete, como muitos pensam. Ocorre o contrário: conforme acumulamos raiva e não perdoamos, a situação se repete até que aprendamos e perdoemos. Vejo isso na atitude das pessoas, que insistem nos mesmos erros e reclamam dos mesmos resultados. Esse julgamento de "melhor" ou "pior" é tão preconceituoso quanto as desigualdades que tentam combater, porque cada erro nosso (ou mesmo os coletivos) corresponde a nossa demanda de aprendizado.

23 de junho de 2015

Sobre o Potencial Acerolático


Para uma acerola crescer saudável e dar frutos, ela precisa de diversas condições, tanto externas quanto internas. Para uma pessoa desenvolver seu potencial acerolático (de se tornar uma grande acerola, exuberante e cheia de frutos), além de se desenvolver interiormente, ela precisa de um ambiente favorável. Não adianta crescer como pessoa se o seu ambiente é desfavorável.

É uma questão bem complicada (já comecei complicando). Nós podemos mudar o ambiente em que vivemos, mudando nosso interior. Ok, fato. Porém essa mudança não é exatamente proporcional, direta (do tipo, pessoas melhores formam ambientes melhores sempre), podendo inclusive acontecer o contrário: o ambiente se mostrar realmente hostil e você ter que "mudar de ares".

Um ambiente positivo é fundamental pra gente crescer saudável. Se uma acerola cresce em um local desfavorável, ela não atingirá seu pleno potencial. Mesmo se for mudada para um lugar melhor, esse potencial fica prejudicado. Muitas pessoas "cresceram" em ambientes nocivos e negativos. Tendem a permanecer nos mesmos. Caso consigam de alguma forma sair deste lugar para crescer em outro, o processo demora mais do que o normal - afinal, tem que se recuperar dos traumas, fora alguns defeitos que não podem ser mais corrigidos.

Acho fundamental que a infância seja a menos traumática e a mais amorosa possível, justamente para permitir o pleno desenvolvimento do potencial acerolático da pessoa. Infelizmente poucos o conseguirão, mas isso não é algo para ficar triste. Podemos nos desenvolver ao máximo e superar nossos próprios limites, a cada dia que passa. Não se culpe se tem traumas de infância (muito menos culpe seus pais!). Perdoe e siga em frente. Se tiver filhos (ou pensa em tê-los), reflita sobre isso e dê a eles o melhor ambiente possível para desenvolver todo seu potencial acerolático.

Para os grandinhos, além de perdoar pelo que aconteceu no Passado (perdoar é a melhor forma de por o Passado no Passado, mas fica para outro post), busque um ambiente propício ao seu crescimento. O ambiente influencia pessoas, e as pessoas influenciam o ambiente. Só que influenciar o ambiente dispende muita energia. Para quem não desenvolveu seu potencial acerolático, acaba sendo influenciado pelo ambiente.

Busque um ambiente que o agrade e que o faça crescer e desenvolva seu potencial acerolático. Quando crescer e começar a dar frutos, terá capacidade de mudar o ambiente (favoravelmente) e permitir que outras pessoas também desenvolvam seu potencial acerolático e possam desenvolver o potencial acerolático de muitas outras. E eu adorei essa palavra, acerolático.

16 de junho de 2015

Uma teoria sobre Respeito


Cactos coloridos, por Vera Kratochvil

Depois de tantos absurdos que vejo e leio por aqui, e ainda não possuir uma consciência consolidada ao nível da neutralidade, é normal o sentimento de estafa e decepção. Lembre-se que se nós atraímos isso, é porque há isso dentro da gente. Intolerância atrai intolerância, preconceito atrai preconceito. Não serão leis e punições que irão resolver isso - afinal, o rancor fica e procura uma forma de extravasar - de forma extremamente dolorosa.

Acabei inventando um esquema sobre gostar e respeitar. São duas coisas distintas que se relacionam, e muita gente se confunde. E ultimamente as pessoas se confundem muito, e já estão chegando ao absurdo de terem atitudes absurdas.

1- Gosta e Respeita
2- Não Gosta e Respeita
3- Gosta e Não Respeita
4- Não Gosta e Não Respeita

1- Gosta e Respeita
O tipo mais esperado pelas pessoas, afinal é muito legal estar com alguém que, além de respeitar, gosta da mesma coisa que nós. O grande problema é que dentro das possibilidades é bem raro de achar.

2- Não Gosta e Respeita
São pessoas "aceitáveis". Mesmo não gostando de determinada coisa, respeitam-na e principalmente quem gosta, evitando palavras e atitudes grosseiras. O problema é que muitos não as compreendem: um comentário inteligente, ou até mesmo bem-humorado pode ser visto como ofensa, ou mesmo muitos confundem gostar e respeitar, achando que quem respeita deve gostar também.

3- Gosta e Não Respeita
Este tipo é bem interessante: são os famosos haters que encontramos por aí. Na verdade eles gostam, porém exteriorizam de outra forma, que acaba desunindo determinados grupos. Esse tipo de pessoa que mais deveríamos tomar cuidado e prestar atenção, porque independente de gostar, ele não respeita. Os confusos de gostar e respeitar acabam preferindo aceitar pessoas assim do que as do tipo 2.

4- Não Gosta e Não Respeita
Não vou dizer que são os intolerantes declarados, pois muitos acabam se escondendo em discursos "politicamente corretos". Mas quem possui um discernimento mais apurado percebe que são pessoas, digamos, perigosas. O que acontece é que muitos são rotulados como tipo 4 (principalmente os de tipo 2), mesmo não sendo, como se fosse motivo para perseguição. Atitudes merecem providências, não pensamentos.

Gostar e respeitar são coisas distintas. Gostar é uma escolha pessoal, e respeitar é um dever social. Cada um respeita de uma forma, mas o que vale é a sua intenção (hehe, não adianta se esconder por baixo dos discursos!). A atitude é algo a ser apurado em âmbito jurídico e ponderado em âmbito pessoal. Autocrítica e discernimento são fundamentais, além de como uma boa intenção, na mente e no coração.

A ideia não é fechar em regras e esqueminhas, e sim abrir caminho para a reflexão. Em um determinado assunto, como eu ajo? Sou do tipo 1, 2, 3, ou 4? Como eu vejo intelectuais (e pseudo-intelectuais, rs) discutindo sobre determinado tema? É desagradável, mas no final descobrimos que a maior parte do que absorvemos no dia a dia é besteira, e nos abrimos ao que realmente importa, imunes a qualquer lixo que possa ser jogado contra a gente.

12 de junho de 2015

Keep Walking

A vida não para. O tempo não para. Movimento é vida. "Movimento depende do referencial", dizem. "Então escolha um referencial melhor", respondo. Ficar parado é quase uma morte, você estagna, e perde a vontade de continuar (por isso preguiça é algo perigoso - você vai ficando, vai ficando, e não quer sair mais). Vida é movimento, e mesmo a Morte tem seu movimento - para uma nova vida.

Por vezes nós nos estagnamos no tempo enquanto o Universo continua sua dança. Tentamos nos enraizar em um tempo qualquer em uma vã tentativa do mesmo arrastar-se ad aeternum. É algo extremamente doloroso - o Universo segue o ritmo dele e vai nos arrastando junto de alguma forma. Como eu disse no post linkado anteriormente, o Universo evolui e nós também, afinal, fazemos parte dele. Pense nisso quando bater aquela nostalgia dolorosa ou se revoltar com alguma novidade. Claro que nem sempre o novo é melhor que o velho (não devemos correr como loucos atrás de novidades), mas achar que tudo que é mais antigo é melhor é apegar-se a um tempo que não volta - não da mesma forma ou da forma como desejamos.

É muito mais doloroso ficar parado no tempo do que se libertar das amarras do Passado. Não nego que há dor neste último caso, mas são dores que nos libertam - e que nos tornam mais fortes. Vou falar sobre dores em outra oportunidade. E assim como tudo passa, a dor também passa, e o alívio fica. Parece trabalhoso estar sempre aberto aos dias que se renovam, sem deixar de carregar no coração os bons momentos - relembrar é uma viagem ao Passado, sobretudo porque depois voltamos ao Presente.

A ideia é dar o próximo passo, continuar avançando, por mais que tenha ventos contra, por mais que seja doloroso. Lutar para dar o próximo passo é a melhor atitude a ser tomada. Enquanto nosso ritmo não flui em harmonia com o Universo ainda, vale a pena o esforço de seguir sempre em frente, independentemente dos obstáculos e dificuldades que aparecem. Para seguir o caminho, é necessário caminhar.

9 de junho de 2015

Algumas palavras sobre a Inveja


Eu preciso falar um pouco mais sobre Inveja, até porque eu me descobri uma pessoa invejosa recentemente. Era algo que eu não esperava, justamente porque sempre critiquei a inveja das pessoas. Era tudo projeção: apontava a inveja dos outros para esconder a minha. Confesso que ainda não superei este estado, mas estou procurando formas para tal. Dói saber que o sucesso dos outros mais me entristece do que alegra (é claro que eu tento ficar feliz, as pessoas merecem coisas boas!), principalmente com pessoas próximas.

A inveja é, sobretudo, a negação do próprio potencial como pessoa. Todos nós podemos fazer coisas maravilhosas, incríveis. O problema é que ao longo da vida acabamos por absorver comentários negativos sobre nossa pessoa, fazendo nossa mente concluir que não somos capazes de grandes coisas. Então começamos a criticar o sucesso dos outros, porque não conseguimos conquistar o nosso. O foda é quando a inveja fica aparente e a pessoa acaba passando a imagem de vilã - estou trabalhando para não chegar a este ponto.

No fundo, o invejoso é uma pessoa com baixa auto-estima, que precisa muito mais reconhecer o próprio potencial do que um ser maléfico que precisa ser eliminado. Claro que não é fácil, já que alguns invejosos acabam produzindo danos aos outros e causa uma confusão danada. Não é caso de pegar o invejoso no colo e dizer o quanto ele pode ser bom, mas sim enfiar um espelho no nariz dele para que se reconheça como tal. O invejoso espera o reconhecimento dos outros, mas esquece de se reconhecer.

Eu precisava fazer este desabafo. Não sou uma grande pessoa que escreve aqui lições de moral para todos. Sou apenas uma pessoa que busca crescer e compartilhar o que aprende. Aprendi muita coisa nesses últimos anos que me fizeram reformular totalmente o blog. Estou gostando do que estou escrevendo e buscando escrever cada vez mais e melhor, mas ainda fico receosa em falar dele para as pessoas. Tento não criticar o blog alheio, mas apreciá-lo no que tem de melhor.

5 de junho de 2015

Cabeça vazia é Oficina do Diabo?


Esvaziar a mente é algo fundamental para nossas vidas. Dá muito trabalho de se conseguir (eu mesma tenho uma grande dificuldade), porém o resultado compensa o esforço. Imagine uma estação de metrô (ou de trem, sei lá): em horários de maior movimento, é notável o desconforto ao se locomover por ela, embarcar e/ou desembarcar; quando a mesma está vazia, uma enorme tranquilidade nos envolve, e até nosso padrão de pensamentos muda. Nossa mente é assim: quando ela está cheia (de preocupações, tarefas, pendências), nos sentimos desconfortáveis, e só produzimos mais lixo mental. O resultado é uma estafa muito grande. No entanto, quando estamos com a mente vazia, estamos abertos a novas situações e nos deixamos levar pelo ritmo do Universo, onde tudo se encaixa da melhor forma possível, sem preocupações.

Só que isso me faz lembrar de um dito popular: cabeça vazia é oficina do Diabo. Aí começa a confusão. Muitas pessoas temem esvaziar a mente por uma série de motivos. Acham que vamos esquecer das coisas, ou mesmo que estamos a ignorar a realidade que nos cerca. Teve um que comentou que não tem como esvaziar a mente vendo a situação da sociedade brasileira nos dias de hoje. Ué, se não vamos mudar nada, nem ninguém, a não ser nós mesmos, por que encher a cabeça de caraminholas e preocupações com medo de deixá-la vazia?

Muitos querem descanso, mas não conseguem descansar. Uma mente vazia é limpa de preocupações e maus pensamentos e está pronta para o que der e vier. É impossível descansar sem limpar a mente, mas a mente limpa está sempre descansada. Buscar eliminar pensamentos da mente de forma constante é uma forma de descanso. A mente ativa permite maior autocontrole, principalmente em situações de emergência. O equilíbrio corpo-e-mente tem por característica poder levar o corpo além de seu limite, através do controle mental.

Mas mente vazia não é oficina do Diabo? Isso não seria algo essencialmente ruim? Eu respondo que sim, porque há uma interpretação errada no ditado, pelo menos ao meu ver. Essa mente vazia é a mente sem atividade, pessoa que nada faz e fica enchendo a cabeça de caraminholas e preocupações. Uma mente realmente vazia está pronta para agir, alinhada a um propósito maior - seja ele qual for. Quando a pessoa está em atividade, a mente antes vazia enche-se de dados realmente necessários para aquela situação, que desaparecem quando a mesma termina. A mente é uma perfeita "oficina do Diabo" quando está cheia de coisas sem nada a ser feito.

Imaginem uma máquina com seis braços que tem por função mover caixas de lugar. Há seis caixas para serem movidas, o que fazer? Tentar mover as seis de uma vez, um braço para cada caixa, ou utilizar os seis braços para mover uma caixa só? Aí está a magia da coisa (por assim dizer): não adianta querer mover todas as caixas de uma só vez, você vai fundir a máquina, dividindo o potencial dela em seis e multiplicando o trabalho em seis. O ideal é mover uma caixa de cada vez, dividindo o trabalho por seis e multiplicando o potencial da máquina em seis - vai muito mais rápido, fora que a tarefa é cumprida de forma precisa.

Esvaziar a mente faz bem de forma holística. Não existe um método preciso e eficaz para tanto - o importante é praticar constantemente, focando a mente em uma tarefa de cada vez. Muitos poderão reclamar disso, até porque as novas gerações têm por característica principal fazer várias tarefas ao mesmo tempo. Sugiro refletir a respeito: e a qualidade das tarefas, como fica? A mente se esvazia ao terminar as atividades ou continua maquinando outras e outras, chegando ao nível de estafa? O que parece uma qualidade esconde um grande perigo.