29 de dezembro de 2015

Superar os traumas


Mais importante do que evitar os traumas é superá-los. As pessoas buscam evitar a dor de forma tão obcecada que quando a sentem não sabem mais como lidar. Seja uma ofensa, seja a morte de alguém querido, o fato é que um dia as coisas não sairão como queremos (aí você descobre que nada é como a gente quer, mas como realmente deve ser). Aprender a lidar com isso e deixar o Universo seguir seu rumo é fundamental nessa hora.

Vejo que desde a educação dada atualmente até as leis em vigor busca-se evitar o máximo o sofrimento das pessoas. Só que essa busca tornou-se obsessão, e qualquer coisa que pode ser vista como danosa a alguém é evitada a todo custo. Esqueceu-se que a dor é necessária ao aprendizado. A violência, em suas formas mais banais, é anulada de forma a favorecer os mais fracos. Só que o que a humanidade não dá jeito, a Vida dará o dela. Se existem desvantagens, é para que cada um busque seu verdadeiro potencial e sobreviva da melhor forma possível, sempre buscando o melhor.

Hoje em dia as pessoas se ofendem por qualquer coisa. Isso está dando motivo para coisas desnecessariamente violentas surgirem. Não é buscando ser não-violento que esse tipo de coisa vai parar, e sim sendo agressivo na hora certa. Interessante que é exatamente isso o que as artes marciais ensinam. Você apanha, se machuca, se ofende. E você tem que superar isso, por você mesmo. Se não superar, o problema é seu, unicamente. Por mais que as pessoas hoje em dia tendem a jogar a culpa nos outros e busquem criar "mecanismos antitrauma", você irá acumulando traumas e mais traumas se não os encarar de frente e extrair seu aprendizado.

Livrar do mal não significa livrar do sofrimento, ele é tão necessário quanto o prazer. É possível aprender sem dor? Até certo ponto. Seguir a natureza, seguir o universo, não nos deixa livres do sofrimento, muito pelo contrário: nos deixa mais expostos. Expostos a quem não quer seguir o fluxo, e sobretudo às nossas "imperfeições". Nessa hora que acontece o aprendizado. Tendemos a aprender pelos problemas, afinal, em time que está ganhando não se mexe.

22 de dezembro de 2015

Uma (nova) vida sem televisão

Faz cerca de um ano e meio que não assisto à televisão, além de não possuir televisão em casa. Claro que algumas vezes acabo assistindo a alguns programas com minha família, mas não é mais algo habitual. É como se eu me desligasse de uma parte desnecessária da sociedade, liberando uma carga pesada de informações e energias negativas. Com o acesso à internet, posso simplesmente escolher o que eu quero ler, ver ou ouvir, a qualquer hora do dia ou da noite. Para mim, isso é um avanço. Acho que as pessoas tinham que prestar mais atenção sobre.


Praticamente não sei mais nada do que está acontecendo no mundo, e não sinto falta disso. Minha vida segue normalmente: eu sei das coisas que me afetam porque estão na minha vida! Não preciso assistir às notícias sobre violência e atrair essa energia para mim: eu simplesmente tomo cuidado por onde eu ando na rua, independente de onde eu esteja. Para que acompanhar novelas (eu já gostei muito), se a nossa própria vida é cheia de aventuras (se você o permitir)? Claro que não é para ser levado a ferro e fogo, seria incoerente de minha parte. Não é para chegar em qualquer lugar e desligar a tv dos outros simplesmente por não querer assistir.

Quando se deparar com uma tv ligada, apenas a ignore. Não tenha aquela reação de nojo que alguns vegetarianos/veganos têm ao ver um pedaço de carne, não precisa. As pessoas têm direito de escolher seus entretenimentos, e querem de certa forma agradar. Aproveite a situação para ver sob um outro ângulo. A sensação é de como se estivéssemos fora da caixa - muito boa, por sinal. Deixamos de nos apegar a pessoas e a situações que não nos dizem respeito e que nem merecem nossa atenção ou mesmo nossa emoção. É desperdício de energia acreditar que alguma coisa vai mudar só porque temos alguma opinião a respeito.

Estou passando agora experiência semelhante com o Facebook. Enquanto pessoas próximas comentam, e às vezes até brigam, sobre fatos e fotos da rede, eu fico apenas observando, tecendo comentários (mentalmente ou não), mas a sensação é de não pertencer a este mundo. Mas ao contrário do estranhamento das pessoas por não assistir tv (algumas acham absurdo), a respeito do Facebook, algumas até concordam e dizem querer sair também, mas por algum motivo (geralmente vazio, já caí nessa armadilha) acabam ficando. Mesmo na hora de deletar a conta, são feitas diversas perguntas (até apelam com as fotos de alguns amigos), e deixam claro que se você voltar, vai estar tudo como você deixou.

Se você realmente quer, você faz, independente dos obstáculos. Porém para isso é preciso refletir se é isso que realmente quer e se está realmente pronto para aguentar as consequências. É como um vício que se finda: você sente falta dele, sentindo-se capaz de fazer qualquer coisa para tê-lo de volta. Determinação é fundamental para não se deixar levar pela abstinência.

8 de dezembro de 2015

O importante é o que importa

Eu tenho um temperamento difícil, para não dizer que sou muito chata. E isso já me fez perder muitas amizades e até mesmo dois namoros. Eu me estresso com muita facilidade, e já houve tempos em que eu explodia de raiva (passei a graduação sem lançamento da Enya, rs). Só que depois do afastamento de algumas pessoas muito importantes para mim, fiquei pensando no que eu poderia fazer para evitar esse tipo de coisa... E cheguei a algumas conclusões interessantes. Nessa aproximação da neutralidade, que não possui um rumo definido, as mudanças simplesmente surgem e novos pensamentos ocorrem.

O que é mais importante para sua vida? O que realmente importa? Quais são seus sonhos? Foque neles e no que o leva a eles, e esqueça o resto. Sim, pode esquecer sem medo, porque o que não é importante, ou mesmo quem não o é, acaba indo embora de alguma forma, geralmente dolorosa. E quando algo volta, é porque ele é realmente importante, mas isso não é motivo de preocupação, e sim uma prova de fé.

O desapego não é apenas com bens materiais. Carregar-se de preocupações chega a ser tão nocivo quanto carregar-se de roupas, até porque doar estas é mais fácil que descarregar aquelas. E muitas vezes precisamos de mais coisas materiais do que muitos acham que é necessário. Estar ligado à matéria é importante, para poder ter clara ligação com o espírito e com a mente. E se é importante de alguma forma, é o que importa e deve ser focado. Se o que importa não faz bem, reflita se isso é realmente importante para sua vida. Para algo novo vir, sobretudo algo bom, o que está atravancando nossas vidas tem que sair, dar espaço.

Deixar as coisas irem nos torna cada vez mais leves. Essa leveza pode ser assustadora no começo, mas como diz o ditado: um coração leve vive mais. Não exatamente em quantidade de anos de vida, mas sobretudo em qualidade de vida. Você vive melhor, consequentemente por mais tempo. Ou não! Em alguns casos a longevidade é apenas o apego a matéria que nos impede de ir embora. Queremos estar tão bem de corpo que esquecemos do resto - e um corpo saudável depende também de uma mente saudável e de um espírito tranquilo.

1 de dezembro de 2015

Editorial: Viver como as Flores


- Mestre, como faço para não me aborrecer? Algumas pessoas falam demais, outras são ignorantes. Algumas são indiferentes. Sinto ódio das que são mentirosas. Sofro com as que caluniam.

- Pois viva como as flores! - Advertiu o mestre.

- Como é viver como as flores? - perguntou o discípulo.

- Repare nestas flores. - continuou o mestre, apontando lírios que cresciam no jardim - Elas nascem no esterco, entretanto, são puras e perfumadas. Extraem do adubo malcheiroso tudo que lhes é útil e saudável, mas não permitem que o azedume da terra manche o frescor de suas pétalas.

É justo angustiar-se com as próprias culpas, mas não é sábio permitir que os vícios dos outros o importunem. Os defeitos deles são deles e não seus. Se não são seus, não há razão para aborrecimento.

Exercite, pois, a virtude de rejeitar todo mal que vem de fora.

Isso é viver como as flores.

Trabalhar com História muitas vezes (para não dizer todas) requer trabalhar com coisas desagradáveis a respeito do que pesquisamos. Ser historiador não é tarefa fácil, e as pessoas acabam não levando a sério, surpreendendo-se e se frustrando com o que encontram. A Verdade tem gosto amargo, muitas vezes de sangue, desonra, egoísmo. Nessa hora temos que ser imparciais, objetivos, afinal não se pode mudar o Passado, mas o Presente pode mudar com essas coisas vindo à tona.

Indo na contramão de uma parcela importante dos pesquisadores, acredito que haja sim uma Verdade a ser encontrada, através das diversas mentiras e meias verdades. Imparcialidade é possível, objetividade é necessário, e o Amor pela profissão deve permear tudo isso. Quando você realmente ama História, você não se deixa levar pelas tristezas que amargam a boca. É um mal necessário, e um trabalho sério a ser feito.

Um desabafo que eu gostaria de fazer, aproveitando a ocasião, é sobre a questão dos arquivos. Eu sinceramente não confio na gestão dos arquivos aqui no Brasil. Tenho a impressão que se perde muita documentação, o que acaba prejudicando a pesquisa. Sem saber o máximo de lados possíveis, a pesquisa fica algo manco. Alguns estudos mais polêmicos pecam por acabarem fazer o papel de justiceiros e não de historiadores, e muitas vezes isso é devido à falta de documentação. Não carregamos espadas, carregamos trombetas. Somos testemunhas.

E isso é bom para se levar para a vida toda: busque as entrelinhas, busque o não-dito. Uma ferramenta interessante de pesquisa é a gravação de relatos, seja áudio ou vídeo. Eu vejo a História se perder como areia entre os dedos. As pessoas vão morrer um dia, e muita coisa se apaga junto. Na maior parte das vezes, cheguei à conclusão que os fatos passam por distorções tendenciosas e acabam se tornando livros. É muito comum falarem que historiadores e jornalistas são mentirosos, não sem razão.

10 de novembro de 2015

Evolução Negativa


Apesar das crises, parece que tudo está indo, tudo está se encaminhando: as pessoas possuem mais liberdade de escolha de serem e fazerem o que querem, a tecnologia avança para todas as direções, e principalmente quem está nos centros urbanos percebe a busca incessante por igualdade a todos. Hawkins fala que chegamos ao nível da Coragem como humanidade, mas uma coisa que não está presente no livro dele é que a evolução pode seguir justamente o caminho contrário: podemos evoluir tanto para o Bem quanto para o Mal, para a Luz e para as Sombras.

Muitos dizem que essa história de bem e mal absolutos não existe, é tudo muito relativo, o que é bom pode ser ruim, etc. E é bem isso que está acontecendo: enquanto as pessoas acham que estão fazendo o bem e evoluindo nessa direção, ocorre justamente o contrário.

Um dos principais sintomas da depressão é o vitimismo, no qual a pessoa se martiriza como se a sociedade fosse culpada pelo estado no qual se encontra. Se você for bom entendedor, já deve ter entendido qual ferida estou cutucando. Se você não entendeu, explico um pouco mais: a maioria das políticas sociais (no mundo todo, mas vou analisar a nível de Brasil) são baseadas no vitimismo das pessoas frente à sociedade em que vivem. A depressão é uma doença pouco conhecida do grande público e seus meandros podem estar enraizados na sociedade de forma tal que esteja levando todo mundo pro fundo do poço sem saber.

Evolução negativa tende ao caos, evolução positiva tende à ordem. Isso é básico. Mas como saber em qual direção se está caminhando? Simples, veja a beleza que se exala. A beleza exterior reflete a beleza interior. A busca por algo cada vez mais natural, tons alegres e pastéis (leve isso para o sentido figurado também!), indica evolução no sentido positivo. A beleza artificial (inclua nessa tatuagens, body modification, cabelos pintados de forma artificial, inclusive cobrir os fios brancos), com tons fortes e chamativos, indica a evolução negativa.

Parece preconceito, mas lembra do que eu disse sobre? Está tão na cara que chega a ser ofensivo para quem se ofende fácil (que são muitos!). Se você se encaixa na descrição, e não se ofendeu, sugiro que reflita sobre as atitudes de sua vida a respeito. Será que as pessoas não conseguem por si mesmas o que querem? A luta é tão desigual ao ponto de a gente facilitar o caminho de alguns em detrimento de outros por dívida social? Está havendo uma confusão entre compaixão e desigualdade social, mas só evoluindo para a Luz para entender a diferença.

Sim, qualquer caminho pode ir para Luz ou para as Sombras, dependendo das escolhas feitas. Um exemplo é o Yoga, que pode levar para a Luz ou para as Sombras, dentro daquele esquema do Hawkins, sem a pessoa saber. Não, não falo de Vergonha, Culpa ou Apatia; falo de Alegria, Paz e Iluminação sombrias. Estas existem e são muito mais perigosas que as primeiras. Não basta se preocupar em evoluir, tem que prestar atenção em evoluir na direção certa.

20 de outubro de 2015

Guerreiras Mágicas de Rayearth ou Em Tempos de Crise

Outro post que eu estava rascunhando há algum tempo, que ganhou um tempero especial: como estou decidida a resenhar o anime Guerreiras Mágicas de Rayearth, resolvi mesclar os dois posts pelo seu ponto comum: como lidar com crises. Aproveitar também o medo e insegurança que pairam sobre o país nestes tempos tão difíceis. Rayearth conta na sua primeira temporada na afobação em se salvar Cefiro (há variações nos nomes do original japonês à dublagem em português, passando por inúmeras traduções e adaptações), e na segunda temporada a tentativa de consertar o estrago.

Essa resenha tem spoilers, mas sugiro que leia até o fim, afinal, o post está cheio de surpresas.

Há uma confusão no nome do anime: por que Rayearth se a terra é Cefiro/Zephir? Resposta simples: Rayearth é o nome do principal gênio guardião de Cefiro, e as guerreiras mágicas estão ligadas mais a eles do que à terra que defendem. Sim, já vi gente brigando por causa disso, melhor esclarecer antes do que fazer barraco depois.

Como eu disse antes, a ação das meninas em Cefiro é afobada: enquanto tudo é destruído, elas precisam agir rapidamente para tentar por ordem na casa. Sem conhecer o problema, tentaram dar uma solução conforme a lenda do lugar: tornaram-se guerreiras mágicas, despertaram seus gênios correspondentes (seres com aparência de robôs) e destruíram Zagato/Zagard. Seus seguidores mudam de lado, com exceção de Alcyone/Alcyon, que foge e reaparece na segunda temporada servindo Debonair/Devonair. Quantas vezes nós tomamos atitudes precipitadas, sem entender direito o que está acontecendo, apenas para evitar o pior de uma situação? "Não há tempo a perder", Guru Clef virou pedra e não tem como nos orientar. Mas finalmente resolvemos, nas coxas.

Aí que dá a transição para a segunda temporada: a Princesa Esmeralda tem que morrer também, mas, opa!, não era para mantê-la viva? Não era para salvá-la? Ela estava corrompida para a missão, como é explicado posteriormente. Esmeralda não pensava mais no seu povo, e se tornou a raiz do problema. O que a gente acha que tem que ser salvo na verdade é o que tem que ser jogado fora (lembra da história zen da vaca?). A coisa vai ficar feia? E muito! A segunda temporada de Guerreiras Mágicas é deprimente, a ponto da espada da Lucy ser quebrada por ela mesma!

É durante a crise que refletimos sobre o que está acontecendo de forma franca e honesta. Enquanto tudo estava indo bem, negamos que alguma coisa poderia dar problema (não é legal ter uma pessoa que fique rezando dia e noite para tudo dar certo?), mas humanos falham. Sobretudo: humanos são livres para escolherem seus caminhos, independente de ser o certo ou o errado. Estragando sua alegria: Lucy é escolhida para ser o novo Pilar de Cefiro, que simplesmente divide a responsabilidade entre os habitantes e volta pra casa. Lição aprendida, problema resolvido.

Cefiro é movida pelos sentimentos das pessoas. Enquanto eles pensavam que havia alguém orando por eles, os sentimentos bons prevaleciam. Quando o pilar foi destruído, todos começaram a sentir medo e insegurança, e foi esse medo e insegurança que destruiu Cefiro. Isso fica visível quando em uma das invasões de monstros ao castelo os mesmos ficam mais fortes por causa do choro e medo das crianças. Quando estas se conscientizam que não precisam ter medo (as Guerreiras Mágicas estavam lutando por elas!), transmitem isso aos seus pais e vizinhos para evitar que o castelo seja destruído.

Isso é muito real! Quantos monstros criamos em nossa imaginação (medos, rancores, etc) que nos atacam na realidade? Se não forem combatidos, tratados, transformam-se em Novas e nos arrebentam! Nova nada mais era do que nossos temores, mágoas, rancores acumulados sem resolução. E quando finalmente nos resolvemos, fazemos as pazes com nós mesmas, que força poderosa surge dentro de nós! Nós nos completamos e podemos agir, e tudo magicamente se resolve. Separar Nova de Devonair foi necessário para salvar aquela e destruir esta.

Enfim, o anime é muito bom, com a vantagem de estar bem dublado (não pude comparar com a voz em japonês). E ele nos ensina coisas importantíssimas, na minha opinião: cultivar bons pensamentos é fundamental, e que precisamos enxergar o todo da situação para poder resolvê-la sem tomar decisões precipitadas. Na primeira volta a Tóquio, elas sentem que algo ficou inconcluso e decidem voltar. A segunda volta é definitiva, afinal o mundo delas é Tóquio, não Cefiro.

13 de outubro de 2015

Essa tal Neutralidade


Conforme avanço rumo ao nível da Neutralidade, vejo minhas atitudes mudarem consideravelmente, até mais do que quando saí do Orgulho e cheguei à Coragem. Não são mudanças sutis de palavras e atitudes, é uma forte mudança para o... Cagar e Andar da vida. Essa expressão é proporcionalmente pesada à mudança: as coisas começam a perder todo o sentido, você não joga mais aquela carga emocional, e o racional começa a despontar. Sim, você começa a pensar mais logicamente nas coisas, sem se ater àquela emoção desenfreada e arrebatadora.

Aquela energia da Coragem vai dando lugar aos poucos à hibernação da Neutralidade. É como se você voltasse para si e sua carapaça ficasse cada vez mais dura, a ponto de nada do exterior te atingir (pelo menos não com a mesma força de antes). Pode parecer algo negativo, mas é algo muito bom de se acontecer. Você ganha autoconfiança e começa a desenvolver seu autocontrole. É quando você pode dar opiniões puramente imparciais em diversas situações. Você não precisa mais dar sua opinião, nem querer convencer o outro de que está certo ou que tem razão.

Parece que Neutralidade é algo fundamental para viver nos dias de hoje, para lidar com situações e pessoas nocivas. Hawkins afirma que o nível médio de consciência da humanidade é 207, Coragem. Aos poucos as pessoas deixam o Orgulho para assumir as rédeas da própria vida, só que até abandonar de vez o nível anterior, muitos revezes ocorrem, e o risco de queda é grande. Dar um passo de cada vez para evitar retrocedimentos. É complicado, e ter pressa é desnecessário.

Outro detalhe interessante é que a partir da Neutralidade algumas coisas começam a "bugar", como a Astrologia. Os mapas astrais mais precisos falham perante pessoas de consciência elevada - assim como diversos outros testes. Magia também começa a não surtir efeito, sem precisar de nada para se proteger - você se torna autoprotegido pela própria consciência. Sim, a progressão da consciência afeta o nível energético e o ambiente a sua volta e energias lançadas para prejudicar acabam voltando contra quem lançou.

Mas não adianta ansiar pela Neutralidade, nem correr atrás dela (que coisa maluca...), pois isso afasta a pessoa do novo estado de consciência. Afinal, é um estado de consciência que não anseia, não deseja, ele apenas acontece. E deixar acontecer, ter paciência, é algo complicadíssimo. Essas são minhas impressões a respeito, afinal, estou em transição, e ainda há muitas coisas a mudar. No futuro escreverei mais posts a respeito, e provavelmente haverá outra opinião.

1 de setembro de 2015

Editorial: Não precisa de nada disso


Recebi de um grande amigo meu um link sobre postagem e publicação em blogs. Gostei do material e li o blog inteiro. Como a crítica tende a ser negativa, não vou dar nome aos bois, afinal, eu agradeço sempre a oportunidade de aprender e crescer com o que eu aprendi. O blog fala basicamente sobre como atrair mais leitores, mais comentários, e até mesmo mais dinheiro, para seu blog através de diversas técnicas. Eu já havia lido material semelhante há anos atrás, em uma situação semelhante com outro blog meu: eu buscava melhor divulgação, mas não fui muito adiante.

Os Ecos carregam minha experiência de quase 10 anos com blogs (parece que foi ontem!), então posso dizer algumas coisas sobre o que eu vi desse mundinho até então. Minha própria experiência como pessoa também me permite escrever algumas coisas a respeito (por isso o título). Concordo que nosso blog tem que ser fácil de ler, seja na forma, seja no conteúdo. Gosto muito das ideias, estratégias e dicas para as pessoas escreverem cada vez melhor sobre o que gostam. Mas entendam: ter um blog vai muito além de qualquer tutorial de como ter sucesso.

Por que digo isso? Porque houve uma época em que os blogs eram conhecidos como diários virtuais onde as pessoas escreviam sobre suas experiências de vida para uma plateia invisível. Algumas faziam mais sucesso do que outras e se foi criando uma rede virtual. Esses escritores foram crescendo e deixando seus blogs de lado, abrindo espaço para o surgimento de blogs como vemos hoje em dia. Ainda sou blogueira das antigas - se eu fosse criar um blog para cada tema específico que eu escrevo, eu teria o trabalho multiplicado com pouco benefício.

Creio eu que estas dicas de divulgação sejam úteis quando você tem um blog mais especializado e quer ser lido por um público mais amplo. Mesmo assim, nem tudo deve ser levado ao pé da letra. Sério. No meio de tantas ideias, as pessoas podem esquecer que o mais simples é o melhor caminho, ou mesmo que a marca pessoal é o que diferencia um blog de outro. Conheço blogs de sucesso que vão contra qualquer regra de leitura (e já arranquei meus cabelos por isso). Para quem tem blog pessoal, usar como experiência para o próprio público é algo muito interessante.

Lá no fundo, um bom blog é sempre encontrado pelo leitor na hora certa. Não fique caçando visitas, likes e comentários (já deve entender o que eu penso sobre monetização). Confesso que desencanei disso, mas sempre curto ler o que outras pessoas dizem a respeito: é um aprendizado. Gostaria que as pessoas escrevessem mais por paixão de escrever, sem se importar com o resultado (ele virá um dia). O que geralmente as pessoas dizem ser bom ou ruim é baseado no que as próprias pessoas acham bom ou ruim, não exatamente algo imparcial. E isso você pode aplicar em outros aspectos da vida, inclusive nos padrões de qualidade que geram tantas brigas por aí...

28 de julho de 2015

Gado Humano

Talvez seja uma das coisas mais tristes que eu escreva aqui, mas é algo real e importante a ser dito. É uma das várias tentativas de "acordar" as pessoas de sua situação atual. Não, não vou acordar para os problemas ambientais, muito menos políticos ou financeiros. Aliás, não vou acordar ninguém, vou apenas "chacoalhar" as pessoas - ou melhor, tentar chacoalhar. É bem provável que muitos se ofendam com o que vou escrever aqui - aliás, quanto mais você evolui, mais as pessoas te odeiam (a ponto de te crucificarem, entendeu a referência?).


Que as pessoas são manipuladas é fato. Porém o alcance dessa manipulação chega a níveis, digamos, alarmantes. É como se a massa humana se deslocasse adiante, sem rumo definido, à deriva do Universo - sem seguir o fluxo do mesmo. Não, não dá para forçar a evolução de todo mundo de uma pancada só - até porque isso seria catastrófico (evolução demanda muita energia). O que ocorre é que uma pessoa desperta e cresce por vez - as águas do lago se agitam e voltam a ficar tranquilas.

No livro Power vs. Force (sem tradução para o português), Hawkins fala que apenas 5% da população mundial tem consciência de si e de seus atos, e 2,7% possui o que se dá a entender por "polaridade inversa" (o que faz bem para todos faz mal para esse grupo e vice-versa - isso é mais perigoso do que se imagina!). Hawkins ainda considera que esses 2,7% sejam causadores de mais de 70% dos problemas mundiais! Não sou muito afeita com números, geralmente são usados como ferramentas de manipulação. Porém o raciocínio em si faz muito sentido. Tirando cerca de 7,7% da população mundial, temos uma massa de pessoas soltas, a mercê destes pequenos grupos.

Indo para o cotidiano, vemos o que faz sucesso, o que está escondido nas páginas de busca (depois do que eu li sobre marketing digital, fiquei com vontade de começar minhas pesquisas da página 5, enfim...), e mesmo o que é boicotado ou esquecido. Pessoas atraem pessoas, conforme seus pensamentos e sua frequência; algumas pessoas puxam outras para cima e para baixo, como se estas últimas parecessem bonecos! Crescer e evoluir não depende exatamente de você estar cercado das melhores pessoas do mundo ou no melhor ambiente, mas sim de seguir seu caminho com seus próprios pés - mesmo que o ambiente tente de jogar pra baixo.

A reflexão desta semana (sim, os posts agora são semanais) é sobre formar a própria opinião e começar a desenvolver a própria personalidade. Firmar posição sem se fechar para o mundo. Aprender com os erros dos outros é de grande valia, principalmente se você começa a praticar a compaixão e o desapego. Se deixar levar por escolha própria é diferente de ser manipulado, mas mesmo assim podemos estar sendo manipulados inconscientemente. Combater essa "manipulação consciente" é algo vão: sempre irá existir, e nem é a raiz do problema. A grande manipulação é feita de forma sutil - imagens, frases de efeito, e mesmo números.

Uma ditadura política, por mais que cerceie opiniões e expressões, não abala a paz interior. Tudo está dentro do coração, da alma. E é lá dentro da alma, no mais profundo do nosso ser, onde somos realmente livres ou não. Destruir o sistema não é quebrar máquinas, depredar ruas ou matar pessoas. Talvez ele exista eternamente, enquanto houver pessoas que se sujeitem ao mesmo. No entanto, você tem escolha: sair ou não.

14 de julho de 2015

Lustrando a Cruz


Estou passando dias muito bons na minha vida, dias perfeitos ao meu ver - não fico mais de mesquinhez ou inveja ante as dificuldades, apesar da minha pouca maturidade frente a algumas questões. Lembrei-me de uma expressão bem conhecida que é jogar chiclete na Cruz (ou pedra, ou mesmo cuspir). É uma expressão bem chula, eu sei, mas é comum entre as pessoas que passam dificuldades e as amaldiçoam - como se tivessem vindo a este planeta para sofrer.

Fica a dica: nunca amaldiçoe nada, nem ninguém, e tire do vocabulário palavras como ódio, maldito, etc - faz bem pro corpo e pra alma. Decidi então mudar um pouco a expressão para a minha vida: estou lustrando a Cruz - estou fazendo algo bonito e tendo resposta por isso - quando você faz algo de coração, a resposta é imediata, apesar de ser percebida tempo depois. Não significa que eu faço as coisas procurando uma recompensa - não espero resultado algum, a resposta é algo natural e inesperado (por ainda não haver a afinação perfeita com o Universo).

Aliás, faço o convite: não jogue mais pedras na Cruz, nem chicletes, nem cuspe. Faça das pedras sua fortaleza, seu lar; após mascar, jogue o chiclete no lixo (bom, eu engulo, rs); seja higiênico na hora de cuspir. Isso já faz um mundo melhor e faz de você uma pessoa melhor (e mais educada). Problemas sempre existem, assim como alegrias. A escolha entre cuspir e lustrar é unicamente sua.

7 de julho de 2015

Cada um no seu Quadrado


Você pode não gostar de funk, mas tem que admitir que a música Dança do Quadrado é bastante inteligente. Afinal, ela expressa muito bem o que é limite - uma coisa que as pessoas estão deixando de lado sistematicamente, achando-se donas da vida alheia. Hoje em dia damos muito palpite na vida alheia, esquecendo de respeitar o principal de uma pessoa: seu livre-arbítrio. As pessoas têm todo o direito de escolher o que querem fazer, pensar ou falar, sendo totalmente responsáveis por tal. Sugerir e aconselhar são coisas muito boas, pois elas te mostram outro ângulo da situação em que você se encontra, porém você não é obrigado a seguir a opinião de ninguém.

Antes de cuidar dos outros, temos que aprender a cuidar de nós mesmos. Como assim cuidar dos outros? Conforme nosso ego se retrai (ou mesmo se anula), deixamos de lado nossos interesses pessoais para agir em nome de um coletivo. Já não existe mais o Eu e sim o Nós. Vejo muitas ideologias políticas trabalharem com isso, mas elas erram em forçar essa anulação do individual em nome de um coletivo sem forma ou conteúdo. Não vamos colocar o carro na frente dos bois: primeiro anula-se o ego, depois se trabalha com o coletivo.

Até entendo que as pessoas que estão fora de determinada situação podem vê-la por um ângulo diferente das pessoas que estão dentro, e isso pode ser de grande valia em diversos casos, mas isso não é justificativa para intervir onde não foi chamado - todos nos encontramos em situações em que as pessoas que estão fora as veem melhor. Como a metáfora do passarinho vendo um veado fugindo do predador e se deparando com um rio caudaloso. O passarinho vê diversas saídas para a situação do veado, mas não vê que há um gavião atrás dele pronto para caçá-lo. Assim é com nossas vidas: vemos muitas formas de ajudar o outro, mas na maioria das vezes temos que acabar aceitando que nada podemos fazer, e buscar entender o que está acontecendo a nossa volta.

E olha que fato interessante: nós só sabemos como andam as coisas através do que os outros dizem porque eles estão de fora! É algo importante a ser filtrado e analisado, além de depender do nosso esforço pessoal para evitar confusões e dissabores futuros. Ouvir o que o outro tem a dizer é algo saudável a nós mesmos, além de ser uma forma de discernir quem tem boas intenções conosco ou não. Convido a refletir bastante a respeito.

Irei mudar a frequência de postagem para apenas uma vez por semana. Assim fica mais tempo para refletir a respeito do que é escrito aqui - além de permitir melhor elaboração dos posts.

3 de julho de 2015

Vilões das Ficções


A ficção é tão real quanto a realidade que nos cerca. Através da ficção, podemos ter acesso ao que as pessoas tentam ocultar. Por isso aquela ideia de que a ficção não existe - é uma salvaguarda pra não entrarem em paranoia coletiva. Claro que não é algo literal, mas algo para ser analisado e refletido. Quando você começa a ler as entrelinhas - da "ficção" e da "realidade" (não existem fronteiras concretas) - tudo muda de figura. O que você achava, de forma tão sólida, perde o sentido, e coisas tão "sem noção" passam a ser reais.

Analisando o "coitadismo social" que a nossa sociedade vem passando hoje, onde as pessoas protegem as vítimas de forma exagerada, como se fossem seres sem capacidade de ação, na ficção não é diferente. Histórias antigas são recontadas de forma distorcida - como se fossem o "lado oculto" a ser visto e considerado como verdadeiro. Digo isso pelo filme Malévola, onde a bruxa malvada da Bela Adormecida nada mais era do que uma fada traumatizada pela crueldade dos homens, como se isso justificasse suas atitudes (que são relativizadas ao longo do filme).

Lendo tanto sobre filmes, séries, HQ's, mangás, ficções em geral, vê-se que o vilão é uma pessoa traumatizada por algum motivo e que não conseguiu superar esse trauma de forma saudável, e suas ações buscam "por pra fora" aquilo que fere por dentro. No fundo, são vítimas de si mesmas (repito: de si mesmas). Falar que os vilões são vítimas da sociedade, ou dos pais, ou de qualquer outra coisa, é justificar sua maldade, e permitir que eles continuem causando danos. Aí o herói que seria o malfeitor, pois combatendo uma vítima da sociedade na qual ele representa. Confuso, mas esclarecedor.

O vilão é uma vítima que precisa ser tratada (não digo no sentido médico, apenas), impedindo-a de causar danos em uma esfera social. Não é de se pegar no colo e trocar fraldinha, aliás, não é pra se fazer isso com vítima nenhuma. Dar apoio é necessário, mas o principal é permitir que cresça por conta própria, para que tome as próprias atitudes. E vilões devem ser combatidos e punidos, para não causarem mais danos. Bem e Mal existem em absoluto, porém estão escondidos em camadas de conceitos e teorias - são extremamente simples e extremamente complexos.

Usar a ficção para entender a realidade em volta é uma forma de se chegar ao fundo de questões aparentemente sólidas e comuns. É questão de ir além, utilizando-se do conhecimento à disposição e a sensibilidade interior. Formar uma opinião, superar um problema também são questões de sensibilidade, além de lógica e raciocínio. É uma questão complexa, que pouco adianta ser explicada aqui em suas minúcias, já que cada um vai formar sua experiência pessoal a respeito.

30 de junho de 2015

Pecado e Karma - o que temos a aprender

Começar pelo básico: não viemos a este planeta para sofrer. Tá que aqui não é um dos melhores lugares para se viver (mas não vou dizer que aqui é dos piores - nunca se sabe!), mas o sofrimento é mais um meio ou uma consequência, nunca o fim. Digo isso porque o aprendizado pode ser sem dor, alegre e muito gostoso - depende do nosso ponto de vista. O que para alguns é sofrimento, para outros é aprendizado. Aceita que dói menos, saca?

Todos cometemos erros, em diferentes escalas, mas todos dentro do nosso "programa de aprendizado". Esses erros são cobrados - não tem como fugir ou "empurrar com a barriga" (ou seja, não adianta desejar mal para alguém que se safa de uma situação, ou julgar a pessoa por não ser condenada por um crime). Todos os nossos problemas e dificuldades geralmente estão ligados a uma lição específica de aprendizado - tanto é que quando a gente aprende a lição os problemas magicamente somem (e outros surgem).

Passamos por muitas situações desagradáveis, aprendizados difíceis. É como se a gente estivesse pagando nossas dívidas. Basicamente estamos, de certa forma. Estamos consertando o que fizemos de errado, mas isso não é exatamente algo ruim. Engraçado que isso não é visto como uma nova oportunidade de crescimento (assista Wolf's Rain e seja grato!). Busque ver as situações como consequências do que foi feito no passado - isso é karma, isso é pecado - e sorria pela oportunidade de rever o que foi feito para fazer melhor.

Vejo as pessoas usarem essas palavras - karma e pecado - de forma muito vulgar (meio que pra justificar qualquer coisa), o que acaba provocando em outras a reação de não usá-las. Pecado virou algo restrito à religião (principalmente à católica) e karma virou uma dívida a ser paga para não sei quem. São conceitos simples, que precisam ser vividos para serem definidos. É normal ter medo, mas não se deixe ser dominado por ele - afinal, você errou e está vivendo as consequências (pagando pelo pecado de certa forma), podendo rever seus atos e tomar atitudes melhores com base no que aprendeu (queimar o karma).

Afinal (ou ao final?): qual é o problema de errar? Por mais catastrófico que seja o erro, sempre haverá o perdão, sempre haverá uma segunda chance - olhe para além do trauma, da raiva, do sistema. Pessoas que se sacrificam pelas outras buscam de certa forma consertar o que fizeram ajudando outras pessoas em seus erros. Isso passa batido e muitas pessoas até acham uma atitude vazia - e é justamente o contrário.

26 de junho de 2015

A Importância do Perdão


Já falei muitas vezes aqui sobre deixar o Passado ir, e ficar onde ele deve ficar: no passado. Talvez seja uma das coisas mais difíceis a serem feitas durante a vida. É praticamente a mesma coisa que falei anteriormente, só que com um detalhe importante: como reagir quando nos deparamos com algo semelhante no Presente? Às vezes esquecemos do Passado, mas não superamos aquela situação. Quando ela volta à tona, uma torrente de rancor vem junto e parece nos consumir novamente pela fúria. Inclusive essa é a causa de muitas doenças do corpo físico.

Perdoar é estar em paz com determinada questão dolorosa de nossas vidas. É algo que não pode ser ignorado, mas também não pode ser forçado. Perdão é algo natural e tranquilo - é um sentimento de profunda libertação, como se aquilo nunca houvesse existido, mesmo que esfreguem na sua cara o fato. É algo maravilhoso, intenso e muito profundo. E lento - muito lento. Quando pegamos "prática", quando perdoar se torna algo natural, claro que é mais e mais rápido, ao ponto de nada nos ofender ou fazer mal (ao ponto de até feitiços feitos contra nossa pessoa se anularem "do nada").

Por mais difícil, ou mesmo impossível, que pareça, perdoar é importante, necessário, fundamental. Muitos ainda dizem "eu não perdoo isso" ou "aquilo é imperdoável". Nada é imperdoável. Absolutamente nada. E sabe por quê? Porque quanto mais rancor guardamos de algo (não perdoar acumula rancor dentro da gente, progressivamente), mais doentes ficamos. Doentes fisicamente, mentalmente e até mesmo espiritualmente. E isso nos destrói - destrói mais que os atos ruins que praticaram.

Comece a ver o perdão de outra forma. Não é "ser bonzinho" no sentido de ser ingênuo. É ser bondoso como no Reiki, lembra? Quando a gente perdoa de verdade, a situação não se repete, como muitos pensam. Ocorre o contrário: conforme acumulamos raiva e não perdoamos, a situação se repete até que aprendamos e perdoemos. Vejo isso na atitude das pessoas, que insistem nos mesmos erros e reclamam dos mesmos resultados. Esse julgamento de "melhor" ou "pior" é tão preconceituoso quanto as desigualdades que tentam combater, porque cada erro nosso (ou mesmo os coletivos) corresponde a nossa demanda de aprendizado.

23 de junho de 2015

Sobre o Potencial Acerolático


Para uma acerola crescer saudável e dar frutos, ela precisa de diversas condições, tanto externas quanto internas. Para uma pessoa desenvolver seu potencial acerolático (de se tornar uma grande acerola, exuberante e cheia de frutos), além de se desenvolver interiormente, ela precisa de um ambiente favorável. Não adianta crescer como pessoa se o seu ambiente é desfavorável.

É uma questão bem complicada (já comecei complicando). Nós podemos mudar o ambiente em que vivemos, mudando nosso interior. Ok, fato. Porém essa mudança não é exatamente proporcional, direta (do tipo, pessoas melhores formam ambientes melhores sempre), podendo inclusive acontecer o contrário: o ambiente se mostrar realmente hostil e você ter que "mudar de ares".

Um ambiente positivo é fundamental pra gente crescer saudável. Se uma acerola cresce em um local desfavorável, ela não atingirá seu pleno potencial. Mesmo se for mudada para um lugar melhor, esse potencial fica prejudicado. Muitas pessoas "cresceram" em ambientes nocivos e negativos. Tendem a permanecer nos mesmos. Caso consigam de alguma forma sair deste lugar para crescer em outro, o processo demora mais do que o normal - afinal, tem que se recuperar dos traumas, fora alguns defeitos que não podem ser mais corrigidos.

Acho fundamental que a infância seja a menos traumática e a mais amorosa possível, justamente para permitir o pleno desenvolvimento do potencial acerolático da pessoa. Infelizmente poucos o conseguirão, mas isso não é algo para ficar triste. Podemos nos desenvolver ao máximo e superar nossos próprios limites, a cada dia que passa. Não se culpe se tem traumas de infância (muito menos culpe seus pais!). Perdoe e siga em frente. Se tiver filhos (ou pensa em tê-los), reflita sobre isso e dê a eles o melhor ambiente possível para desenvolver todo seu potencial acerolático.

Para os grandinhos, além de perdoar pelo que aconteceu no Passado (perdoar é a melhor forma de por o Passado no Passado, mas fica para outro post), busque um ambiente propício ao seu crescimento. O ambiente influencia pessoas, e as pessoas influenciam o ambiente. Só que influenciar o ambiente dispende muita energia. Para quem não desenvolveu seu potencial acerolático, acaba sendo influenciado pelo ambiente.

Busque um ambiente que o agrade e que o faça crescer e desenvolva seu potencial acerolático. Quando crescer e começar a dar frutos, terá capacidade de mudar o ambiente (favoravelmente) e permitir que outras pessoas também desenvolvam seu potencial acerolático e possam desenvolver o potencial acerolático de muitas outras. E eu adorei essa palavra, acerolático.

16 de junho de 2015

Uma teoria sobre Respeito


Cactos coloridos, por Vera Kratochvil

Depois de tantos absurdos que vejo e leio por aqui, e ainda não possuir uma consciência consolidada ao nível da neutralidade, é normal o sentimento de estafa e decepção. Lembre-se que se nós atraímos isso, é porque há isso dentro da gente. Intolerância atrai intolerância, preconceito atrai preconceito. Não serão leis e punições que irão resolver isso - afinal, o rancor fica e procura uma forma de extravasar - de forma extremamente dolorosa.

Acabei inventando um esquema sobre gostar e respeitar. São duas coisas distintas que se relacionam, e muita gente se confunde. E ultimamente as pessoas se confundem muito, e já estão chegando ao absurdo de terem atitudes absurdas.

1- Gosta e Respeita
2- Não Gosta e Respeita
3- Gosta e Não Respeita
4- Não Gosta e Não Respeita

1- Gosta e Respeita
O tipo mais esperado pelas pessoas, afinal é muito legal estar com alguém que, além de respeitar, gosta da mesma coisa que nós. O grande problema é que dentro das possibilidades é bem raro de achar.

2- Não Gosta e Respeita
São pessoas "aceitáveis". Mesmo não gostando de determinada coisa, respeitam-na e principalmente quem gosta, evitando palavras e atitudes grosseiras. O problema é que muitos não as compreendem: um comentário inteligente, ou até mesmo bem-humorado pode ser visto como ofensa, ou mesmo muitos confundem gostar e respeitar, achando que quem respeita deve gostar também.

3- Gosta e Não Respeita
Este tipo é bem interessante: são os famosos haters que encontramos por aí. Na verdade eles gostam, porém exteriorizam de outra forma, que acaba desunindo determinados grupos. Esse tipo de pessoa que mais deveríamos tomar cuidado e prestar atenção, porque independente de gostar, ele não respeita. Os confusos de gostar e respeitar acabam preferindo aceitar pessoas assim do que as do tipo 2.

4- Não Gosta e Não Respeita
Não vou dizer que são os intolerantes declarados, pois muitos acabam se escondendo em discursos "politicamente corretos". Mas quem possui um discernimento mais apurado percebe que são pessoas, digamos, perigosas. O que acontece é que muitos são rotulados como tipo 4 (principalmente os de tipo 2), mesmo não sendo, como se fosse motivo para perseguição. Atitudes merecem providências, não pensamentos.

Gostar e respeitar são coisas distintas. Gostar é uma escolha pessoal, e respeitar é um dever social. Cada um respeita de uma forma, mas o que vale é a sua intenção (hehe, não adianta se esconder por baixo dos discursos!). A atitude é algo a ser apurado em âmbito jurídico e ponderado em âmbito pessoal. Autocrítica e discernimento são fundamentais, além de como uma boa intenção, na mente e no coração.

A ideia não é fechar em regras e esqueminhas, e sim abrir caminho para a reflexão. Em um determinado assunto, como eu ajo? Sou do tipo 1, 2, 3, ou 4? Como eu vejo intelectuais (e pseudo-intelectuais, rs) discutindo sobre determinado tema? É desagradável, mas no final descobrimos que a maior parte do que absorvemos no dia a dia é besteira, e nos abrimos ao que realmente importa, imunes a qualquer lixo que possa ser jogado contra a gente.

12 de junho de 2015

Keep Walking

A vida não para. O tempo não para. Movimento é vida. "Movimento depende do referencial", dizem. "Então escolha um referencial melhor", respondo. Ficar parado é quase uma morte, você estagna, e perde a vontade de continuar (por isso preguiça é algo perigoso - você vai ficando, vai ficando, e não quer sair mais). Vida é movimento, e mesmo a Morte tem seu movimento - para uma nova vida.

Por vezes nós nos estagnamos no tempo enquanto o Universo continua sua dança. Tentamos nos enraizar em um tempo qualquer em uma vã tentativa do mesmo arrastar-se ad aeternum. É algo extremamente doloroso - o Universo segue o ritmo dele e vai nos arrastando junto de alguma forma. Como eu disse no post linkado anteriormente, o Universo evolui e nós também, afinal, fazemos parte dele. Pense nisso quando bater aquela nostalgia dolorosa ou se revoltar com alguma novidade. Claro que nem sempre o novo é melhor que o velho (não devemos correr como loucos atrás de novidades), mas achar que tudo que é mais antigo é melhor é apegar-se a um tempo que não volta - não da mesma forma ou da forma como desejamos.

É muito mais doloroso ficar parado no tempo do que se libertar das amarras do Passado. Não nego que há dor neste último caso, mas são dores que nos libertam - e que nos tornam mais fortes. Vou falar sobre dores em outra oportunidade. E assim como tudo passa, a dor também passa, e o alívio fica. Parece trabalhoso estar sempre aberto aos dias que se renovam, sem deixar de carregar no coração os bons momentos - relembrar é uma viagem ao Passado, sobretudo porque depois voltamos ao Presente.

A ideia é dar o próximo passo, continuar avançando, por mais que tenha ventos contra, por mais que seja doloroso. Lutar para dar o próximo passo é a melhor atitude a ser tomada. Enquanto nosso ritmo não flui em harmonia com o Universo ainda, vale a pena o esforço de seguir sempre em frente, independentemente dos obstáculos e dificuldades que aparecem. Para seguir o caminho, é necessário caminhar.

9 de junho de 2015

Algumas palavras sobre a Inveja


Eu preciso falar um pouco mais sobre Inveja, até porque eu me descobri uma pessoa invejosa recentemente. Era algo que eu não esperava, justamente porque sempre critiquei a inveja das pessoas. Era tudo projeção: apontava a inveja dos outros para esconder a minha. Confesso que ainda não superei este estado, mas estou procurando formas para tal. Dói saber que o sucesso dos outros mais me entristece do que alegra (é claro que eu tento ficar feliz, as pessoas merecem coisas boas!), principalmente com pessoas próximas.

A inveja é, sobretudo, a negação do próprio potencial como pessoa. Todos nós podemos fazer coisas maravilhosas, incríveis. O problema é que ao longo da vida acabamos por absorver comentários negativos sobre nossa pessoa, fazendo nossa mente concluir que não somos capazes de grandes coisas. Então começamos a criticar o sucesso dos outros, porque não conseguimos conquistar o nosso. O foda é quando a inveja fica aparente e a pessoa acaba passando a imagem de vilã - estou trabalhando para não chegar a este ponto.

No fundo, o invejoso é uma pessoa com baixa auto-estima, que precisa muito mais reconhecer o próprio potencial do que um ser maléfico que precisa ser eliminado. Claro que não é fácil, já que alguns invejosos acabam produzindo danos aos outros e causa uma confusão danada. Não é caso de pegar o invejoso no colo e dizer o quanto ele pode ser bom, mas sim enfiar um espelho no nariz dele para que se reconheça como tal. O invejoso espera o reconhecimento dos outros, mas esquece de se reconhecer.

Eu precisava fazer este desabafo. Não sou uma grande pessoa que escreve aqui lições de moral para todos. Sou apenas uma pessoa que busca crescer e compartilhar o que aprende. Aprendi muita coisa nesses últimos anos que me fizeram reformular totalmente o blog. Estou gostando do que estou escrevendo e buscando escrever cada vez mais e melhor, mas ainda fico receosa em falar dele para as pessoas. Tento não criticar o blog alheio, mas apreciá-lo no que tem de melhor.

5 de junho de 2015

Cabeça vazia é Oficina do Diabo?


Esvaziar a mente é algo fundamental para nossas vidas. Dá muito trabalho de se conseguir (eu mesma tenho uma grande dificuldade), porém o resultado compensa o esforço. Imagine uma estação de metrô (ou de trem, sei lá): em horários de maior movimento, é notável o desconforto ao se locomover por ela, embarcar e/ou desembarcar; quando a mesma está vazia, uma enorme tranquilidade nos envolve, e até nosso padrão de pensamentos muda. Nossa mente é assim: quando ela está cheia (de preocupações, tarefas, pendências), nos sentimos desconfortáveis, e só produzimos mais lixo mental. O resultado é uma estafa muito grande. No entanto, quando estamos com a mente vazia, estamos abertos a novas situações e nos deixamos levar pelo ritmo do Universo, onde tudo se encaixa da melhor forma possível, sem preocupações.

Só que isso me faz lembrar de um dito popular: cabeça vazia é oficina do Diabo. Aí começa a confusão. Muitas pessoas temem esvaziar a mente por uma série de motivos. Acham que vamos esquecer das coisas, ou mesmo que estamos a ignorar a realidade que nos cerca. Teve um que comentou que não tem como esvaziar a mente vendo a situação da sociedade brasileira nos dias de hoje. Ué, se não vamos mudar nada, nem ninguém, a não ser nós mesmos, por que encher a cabeça de caraminholas e preocupações com medo de deixá-la vazia?

Muitos querem descanso, mas não conseguem descansar. Uma mente vazia é limpa de preocupações e maus pensamentos e está pronta para o que der e vier. É impossível descansar sem limpar a mente, mas a mente limpa está sempre descansada. Buscar eliminar pensamentos da mente de forma constante é uma forma de descanso. A mente ativa permite maior autocontrole, principalmente em situações de emergência. O equilíbrio corpo-e-mente tem por característica poder levar o corpo além de seu limite, através do controle mental.

Mas mente vazia não é oficina do Diabo? Isso não seria algo essencialmente ruim? Eu respondo que sim, porque há uma interpretação errada no ditado, pelo menos ao meu ver. Essa mente vazia é a mente sem atividade, pessoa que nada faz e fica enchendo a cabeça de caraminholas e preocupações. Uma mente realmente vazia está pronta para agir, alinhada a um propósito maior - seja ele qual for. Quando a pessoa está em atividade, a mente antes vazia enche-se de dados realmente necessários para aquela situação, que desaparecem quando a mesma termina. A mente é uma perfeita "oficina do Diabo" quando está cheia de coisas sem nada a ser feito.

Imaginem uma máquina com seis braços que tem por função mover caixas de lugar. Há seis caixas para serem movidas, o que fazer? Tentar mover as seis de uma vez, um braço para cada caixa, ou utilizar os seis braços para mover uma caixa só? Aí está a magia da coisa (por assim dizer): não adianta querer mover todas as caixas de uma só vez, você vai fundir a máquina, dividindo o potencial dela em seis e multiplicando o trabalho em seis. O ideal é mover uma caixa de cada vez, dividindo o trabalho por seis e multiplicando o potencial da máquina em seis - vai muito mais rápido, fora que a tarefa é cumprida de forma precisa.

Esvaziar a mente faz bem de forma holística. Não existe um método preciso e eficaz para tanto - o importante é praticar constantemente, focando a mente em uma tarefa de cada vez. Muitos poderão reclamar disso, até porque as novas gerações têm por característica principal fazer várias tarefas ao mesmo tempo. Sugiro refletir a respeito: e a qualidade das tarefas, como fica? A mente se esvazia ao terminar as atividades ou continua maquinando outras e outras, chegando ao nível de estafa? O que parece uma qualidade esconde um grande perigo.

29 de maio de 2015

Cores!

Eu gosto de cores, gosto de tudo colorido. No meio do preto e do cinza, lá vou eu de amarelo, verde, vermelho. As cores são uma forma de expressão, não só de nossos campos energéticos, mas de nosso humor e de nossos pensamentos também. Pretendo não falar em cores no sentido terapêutico, já que limitar-se a utilizar determinadas cores para atrair determinadas coisas não ajuda muito. Precisamos de mais cores assim como precisamos de mais sorrisos.


C.E. Abstract Lace, por Gale Titus

Vamos deixar de lado essa obsessão pelo clean e pelo discreto e começar a variar nas cores. Sobriedade demais dá a sensação de depressão e melancolia. Ser sério e ser sisudo são coisas completamente diferentes - demonstrar uma atitude profissional independe de roupas pretas (claro que em alguns casos há regras que devem ser cumpridas, aí não há muito o que fazer). Se o escuro é necessário, tente cores escuras. Caso contrário, comece a adicionar cores vibrantes e dê nova harmonia a sua vida.

Muitas pessoas veem nas cores uma forma de terapia - até existe a cromoterapia, que busca cuidar de diversos problemas através do uso de cores nas mais variadas maneiras. Sugiro não ficar utilizando um sistema específico de cores e correspondências, como uma receita de bolo, e sim basear-se no que está sentindo a respeito (além do que você sente a sobre uma cor). Cada pessoa responde de uma forma diferente cada tipo de energia, resultando em afinidades diferentes.

Comece a prestar atenção nas cores de sua vida e nos seus mais variados tons. Pinte seus pensamentos com as mais diversas cores ao longo do dia e a utilize mais objetos coloridos, além das roupas. Repare nos variados tons de cores de temos, os olhos, a pele das mãos e dos pés, os dentes, a língua; repare também na cor dos alimentos - um prato colorido não é só saudável, como também é mais gostoso e a gente sente a diferença no final da refeição.

Este mundo (pra não dizer o universo) é formado por milhões de cores diferentes, e nos restringimos a apenas algumas durante o dia. É como querer que o corpo funcione sem seus órgãos não-vitais - não vai ser algo "harmônico". É algo que tempera e anima a vida.

26 de maio de 2015

Você quer ser feliz ou você quer ter razão?


OK Button, por Rostislav Kralik

Essa pergunta me acompanha há alguns anos. Ela parece um freio a qualquer ação que visa por ordem em alguma coisa - isso é insignificante demais para ir tão longe... Deve ser parente da expressão aceita que dói menos - sábia frase, mas geralmente usada para machucar as pessoas. Como o indivíduo fica paralisado ao ouvir uma frase dessas e meio sem saber como agir - afinal, está bem claro que a causa é pouca para tamanho esforço -, refletir sobre ela fora de um momento de tensão pode evitar desassossegos.

Temos que lutar pelo que acreditamos - faz parte de nossa vida. Tem horas que parece que não avançamos, que nada dá certo. É tempo de parar e refletir, se realmente estamos no caminho certo do que desejamos. Após profunda reflexão, as coisas fluem com maior facilidade, e percebemos se estamos lutando por algo que realmente vale a pena. Não adianta querer parar no meio do caminho só porque não sabe qual o próximo passo dar - ou porque alguém disse que é inútil. Quem fala a verdade é o coração.

Presenciamos injustiças todos os dias, porém devemos lembrar o que é justo ou não se baseia em uma interpretação pessoal da situação - mesmo quando utilizamos a Lei em nossa argumentação. O que pra nós é injusto, para outros pode ser altamente justificável (mesmo coisas extremamente absurdas), e vice-versa. E quando alguém acha que aquilo não faz sentido, faz justamente esta pergunta como uma forma de refrear a ação do outro. Tenha em mente: é apenas uma opinião. Podemos ou não refletir a respeito.

Inclusive há casos em que precisamos correr atrás da razão para sermos felizes - mas isso vai além. Corremos atrás de justiça para termos paz interior. Nada pior que manter uma situação como está só por causa de um motivo ínfimo que nos tira o sossego. E boa parte das pessoas prefere ter uma postura passiva (e mesmo negativa) só para não ter que se esforçar para mudar a situação. Isso só aumenta a frustração dentro de nós, levando àqueles boicotes internos e externos.

Vamos parar de ter preguiça para mudar as coisas que precisam ser mudadas, principalmente quando elas demandam urgência. Mesmo que o motivo seja pequeno - se ele incomoda, ele não é pequeno. Não é questão de querer ter razão o tempo todo, mas sim de buscar o que é certo pra si. Claro que um freio de vez em quando ajuda a ponderar sobre nossos atos e atitudes... para continuar agindo.

19 de maio de 2015

Uma Casa. Um Lar. Um Templo


Bird, Tree and Nature, por George Hodan

Me mudei de novo! Meu Deus, faz um ano que saí da casa dos meus pais, e desde então tive quatro moradas: um quarto de um apartamento de família, dois quartos de república, e agora uma kitnet só minha. Não leve isso como ostentação, e sim como experiências, bagagens que levarei comigo pela vida inteira. Aprendi muito em todos os lugares onde morei, e este último promete ser o mais especial por ser só meu.

Todas as nossas moradas são nossos lares. Por menos tempo que fiquemos - se for analisar, fiquei em média três meses em cada lugar - é nosso lugar de repouso e refúgio, onde podemos nos estabelecer. E deitar para dormir em um lugar por um tempo breve é uma sensação dolorosa - onde a gente fica, enfincam-se raízes; se a gente vai embora, as raízes são desfeitas; raízes são coisas duras para enfincar e retirar.

Quando estamos em busca de um lugar pra morar - seja uma república, uma pensão, um apartamento - devemos procurar por um lar. Um lar que podemos chamar de nosso, mesmo que seja uma cama e uma porta de armário. E se nos sentimos à vontade em nosso lar, podemos seguir em frente de forma segura - surge uma sensação de paz em nosso interior de que temos um lugar para repousar sem sermos incomodados.

A sensação de estar em um lar é muito boa: limpar e organizar são feitos com carinho, como se cuidássemos do nosso próprio corpo. A gente aprende a dar valor e sempre busca fazer melhorias. Se sua casa está suja, bagunçada, mal cuidada, com coisas quebradas, o que está acontecendo com a sua própria vida? Sim, cuidar da casa é cuidar de si e do planeta, de certa forma.

Um lar é como um templo, porque nele nos encontramos com nós mesmos todos os dias e vemos com amplidão toda a nossa totalidade. Nosso lar deve ser tratado com respeito e com carinho - nós estamos abrigados, nós estamos seguros, nós podemos nos avaliar e melhorar a cada dia que saímos de casa. O lar é nosso ninho onde nos conectamos com algo maior, seja lá do que você chame. Pense nisso na próxima faxina.

12 de maio de 2015

A Grande Falha do Feminismo Atual


Pompeii Ruins, por Svetlana Tikhonova

Durante o intervalo de um dia estressante de trabalho, deparei-me com uma notícia da BBC onde uma jovem chamou a polícia por sofrer assédio dos pedreiros de uma obra. Até aí tudo bem, virou moda isso. Entretanto, talvez pelo sangue ter fervido, acabei soltando um comentário até que rude no link do facebook. A resposta veio em peso, mas não em forma de debate ou troca de ideias: a linguagem ofensiva e as opiniões infantis foram um balde de água fria para mim. Não consigo entender por que tantas pessoas eximem a vítima de sua responsabilidade pela situação em que se encontra.

O que eu entendi da notícia: a guria em questão fazia o mesmo caminho todos os dias, e neste caminho havia uma obra, cujos pedreiros ficavam assoviando. Por algum motivo (duvido que foi do nada...), o assédio chegou ao ponto dos pedreiros bloquearem seu caminho para que contornasse os mesmos para seguir (não sei qual é o problema disso). A jovem não aguentou mais a humilhação e chamou a Polícia para denunciar (aliás, a Polícia aliás só serve pra isso hoje em dia...). O caso está sendo investigado, e ainda não houve conclusão. Obviamente, centenas de pessoas foram "tomar as dores" da inglesa que nunca viram - e ai que quem expresse um comentário contrário. Lá fui eu.

Uma falha da notícia é que ela não mostra as reações da menina aos primeiros assovios. Como dar opinião sobre algo se não temos uma informação importante? Ou a reação dela foi tão óbvia que pareceu clichê noticiar? Vamos lá: vítimas são pessoas, e como tais possuem ações e reações. Ser vítima não isenta ninguém de nada, muito menos de ação. Independente da reação, ela primeiramente aceitou aquilo como ofensa. Se ela não o tivesse feito (seja ignorando, ou levando como elogio), pararia tudo por aí. Sério: agressão só existe quando a "vítima" aceita como tal.

Quando a situação piora, uma pergunta me vem à mente: por que ela não mudou de caminho? O que dá a entender na notícia é que ela continuou fazendo o mesmo caminho, por sua conta em risco, usando fones de ouvido e óculos escuros. Olha como a situação muda de figura: é como se ela procurasse o problema e aceitasse aquilo como ofensa. Usar óculos escuros e fones de ouvido não significam absolutamente nada. A rua é de todos? Sim. Liberdade de ir e vir? Não sei como é lá, mas se alguém de confiança fala pra mim que determinado lugar é perigoso, obviamente não passo por lá. Entenda isso não como uma crítica à garota, mas às atitudes que muitas pessoas têm ao ver situações como essa - e aos comentários, muitas vezes infantis.

Repare que não há uma agressão física à garota: os pedreiros estavam no meio do caminho, assim como ela também passa pelo ele. Será que a intenção era mesmo incomodar? Não há informações precisas para tanto - você pode até considerar a menina paranoica que terá argumentos para tal. Depois de chegar a este ponto - depois de um mês, como ela aguentou tanto tempo? - ela chamou a Polícia e fez a denúncia. Disse que conversou com o dono da obra, pra falar como era ofensiva a atitude de seus subordinados. Em outras palavras: sim, eu me ofendo com isso. Passe livre para continuarem, afinal, ela aceitava aquilo.

O caso fez sucesso, e a guria ganhou louros por manter uma atitude imatura sobre a situação. O que se vê é que ela nada aprendeu a respeito - e ainda quis ensinar algo. Ensinar que se um homem está interessado em uma mulher, ele tem que se aproximar de forma respeitosa, que fiu-fiu é algo ultrapassado. Só que os pedreiros não estavam interessados nela e fiu-fiu não é uma forma de dizer que tem interesse. Fiu-fiu é o que podemos chamar de provocação: se ofende quem quer. Lembro da música Vida Louca Vida do Cazuza: "Quando ninguém olha quando você passa/Você logo acha "Eu tô carente"/"Eu sou manchete popular""...

O mais interessante disso tudo foram as respostas ao meu comentário no facebook. Duas ofensas, alguns argumentos infantis, um querendo pagar de inteligente, e uma concordância (na verdade eu não entendi o que a pessoa quis dizer). O nível de diálogo das pessoas está muito baixo - não vejo pessoas argumentando, apenas concordando ou discordando baseando-se em sua própria opinião, sem querer aprender com isso. A agressividade é constante e dolorosa - como se o outro devesse ser punido por expressar uma opinião diferente. São crianças que querem que tudo seja do jeito que elas pensam - por pior que seja.

Isso está ligado justamente ao cerne da reportagem: o fato de uma pessoa não aceitar a atitude/postura de outra pessoa, ofender-se com isso e não aprender com a situação, tomando até atitudes mais negativas. Tem gente que se ofende com o fiu-fiu, mas é problema da pessoa, não da sociedade. A vida não dá colo pra ninguém, então não adianta sentarmos e chorarmos porque nos ofenderam. Não vamos mudar as pessoas, mas a nós mesmos - como repito no blog constantemente, ir pra rua sem amadurecimento nenhum só piora a situação.

1 de maio de 2015

Editorial: o Som do Silêncio

Nesse mundo cheio de sons, o silêncio torna-se uma sinfonia harmoniosa. Tem horas em que dá vontade de "desligar os ouvidos" de tanta coisa que ouvimos - simplesmente ficamos saturados e não dá pra aguentar mais. Muitas vezes pela qualidade do que ouvimos quanto pela quantidade. Como o que comemos, muitas vezes temos que filtrar e nos abster de determinadas coisas para manter nossa saúde, e, por que não, nossa sanidade.

Quando falo sobre se abster de alimento, falo de parar de comer por pura compulsão, pura gula, a famosa gordice. O corpo não precisa do alimento naquela hora, mas é forçado a digerir o que não precisa. Quantas vezes não passamos por situações semelhantes, tendo que digerir coisas que não precisamos apenas por digerir pura e simplesmente, atravancando nossa mente e nos estressando desnecessariamente.


Rain On Window, por David Wagner

Com o ouvido é a mesma coisa. Com os olhos também. Vamos atrás do desnecessário por simples compulsão, apenas para entupir a mente de pensamentos e preocupações. Abster de ficar horas na internet navegando em sites que nada nos adicionarão na vida pode limpar nossa mente de pensamentos desnecessários e deixá-la aberta para novas (e mais produtivas) ideias.

Se somos seletivos com a comida que comemos, devemos ser seletivos com os sons que ouvimos e com as imagens que vemos. Vamos começar a fechar os olhos por alguns momentos para olharmos dentro de nós. E ficarmos em silêncio para ouvir nossa voz interior. O silêncio vai além da ausência de som. É algo que preenche a alma de vazio - mas um vazio fértil, enriquecedor, iluminador. É o silêncio meditativo em que simplesmente somos.

Ter a mente em silêncio e em vazio é essencial para os dias de hoje. Cultivar o silêncio interior é complicado, mas importante.

21 de abril de 2015

Pink Reiki ou O Reiki não é levado a sério

Pink Reiki porque quis fazer um paralelo com Pink Wicca - pessoas que acham que a Wicca é linda e maravilhosa, que os deuses são bonitinhos, mas esquecem da dualidade de tudo e da dificuldade do trabalho, achando que tudo pode ser conseguido num estalar de dedos. Engraçado que ao me aprofundar nos estudos de Reiki, encontro grupos de pessoas com as mesmas atitudes e ideias, como se fosse um Pink Reiki, e isso é um dos entraves da aceitação do Reiki no Brasil. Com os praticantes não levando a sério a própria técnica, como acham que o público irá reconhecê-la como tal?


Teddy Bears, por Petr Kratochvil

Reiki é bom, não tem contraindicação e é impossível utilizá-lo com má intenção. No entanto, isso não significa que é fácil de aprender e que você pode tudo com ele. Para ser reikiano é necessário trabalho, dedicação, disciplina, e muito amor. O Reiki tem que fazer parte da sua vida, como seu coração o é. Não adianta só ser iniciado e ter decorado a apostila do mestre. É se autoaplicar todos os dias e fazer do Gokai uma filosofia de vida. É ser grato, gentil, bondoso, confiante e trabalhar honestamente de forma natural, sem forçar a barra "porque eu sou reikiano".

Você não é um ser humano melhor ou pior por ser reikiano - muito menos por ser mestre. Conheci pessoas que vivem os Cinco Princípios e nunca tinham ouvido falar de Reiki - algumas até se assustam. Conheci pessoas que tratavam de outras com energia de forma eficaz sem nunca terem sido sintonizadas - eu sei que não é Reiki, mas isso não significa que sejam inferiores ou que a energia não seja tão eficiente - são até melhores em alguns casos.

Outro ponto importante: em praticamente todos os fóruns de discussão que eu entrei sobre Reiki (inclusive grupos no facebook) não vejo uma discussão "séria" sobre o assunto. Discussão séria não quer dizer sisuda, mas sobre assuntos de relevância dentro da técnica - e há muita a ser conversada que é deixada de lado. O que eu vejo são pessoas transmitindo, querendo ostentar seu título de mestre, mas sem fazer exatamente algo prático - a partir do nível II você já pode transmitir para outras pessoas à distância, não é nada extraordinário -, fora a discussão de que tudo é lindo e maravilhoso - é mesmo, mas isso não é desculpa para ignorar os problemas sem resolvê-los.

Enfim, querer que as pessoas levem o Reiki a sério depende principalmente de que os reikianos o levem a sério. Essa manobra é arriscada, já que existe o real risco de ser incorporada à profissão médica como a acupuntura e homeopatia. Enquanto isso não acontece (espero que nunca aconteça, mas...), devemos ter em mente que Reiki é uma técnica a ser estudada e praticada, e que possui uma filosofia de vida que deve ser vivida de forma natural.

14 de abril de 2015

Gokai - Seja Gentil


Mãos em concha estendidas, por Geoge Hodan

Finalmente, para encerrar a série de posts sobre o Gokai, umas palavrinhas sobre gentileza e respeito. Se prestarem atenção eu troquei os dois últimos princípios da ordem original (trabalhe honestamente é o último e seja gentil o penúltimo) pelo tema deste post ser relativamente delicado para mim. É muito mais fácil falar de trabalho do que respeito, gentileza - as pessoas tendem a por seus traumas em primeiro lugar, esquecendo de ouvir o que o outro tem a dizer. Aliás, muitos traduzem essa parte como respeite pais e professores, respeite os mais velhos, o que causa uma baita confusão.

Gentileza gera gentileza? Em partes. Ser gentil não significa exatamente que todos serão automaticamente gentis com você (talvez você trombe com mais pessoas rudes do que antes!), porém quando você é gentil com alguém, você de alguma forma melhorou o dia dessa pessoa - e é isso que irá voltar pra você. Seja grato apenas por poder dar, sem esperar por receber - até porque você pode receber algo bem desagradável (sim, há pessoas estúpidas o suficiente para responderem gentileza com grosseria).

Em outras versões, esta parte é traduzida como respeite os mais velhos, ou mesmo pais e mestres. Temos que respeitar aqueles que vieram antes de nós. Eles já conhecem o caminho que iremos passar, sabem como a vida é, e passaram por dificuldades até maiores do que nós. Eles que darão os melhores conselhos para nossa vida, isso você pode ter certeza. Mas aprenda a discernir: vejo hoje em dia muitos idosos que não viveram a vida e acham que têm razão só por estarem "velhos" no RG. Viva a vida intensamente hoje para compartilhar experiências amanhã.

O mesmo digo sobre os mestres: muitos são mestres apenas no diploma (confesso: eu sou um desses), mas na vida prática nada adicionam. Um mestre de verdade não fala por aí que é mestre, ele é mestre e ponto. Contudo, temos que respeitar a todos mesmo assim, pois cada um tem alguma experiência a compartilhar. Ser gentil e respeitoso, independente de quem seja, sem se zangar, muito menos se preocupar, trabalhando honestamente, só por hoje.

10 de abril de 2015

Avatar

Este filme sempre me chamou a atenção, principalmente por ter perdido um Oscar para o Guerra ao Terror. Claro, Avatar dá um soco no ego das pessoas ao mostrar como nossa sociedade está decadente e como nos ressentimos frente a outras alternativas de vida. O filme conta a história de um ex-militar paraplégico que é chamado para uma missão no lugar de seu irmão que havia falecido. A missão consistia em assumir o corpo de um habitante nativo do planeta Pandora e interagir com os demais, além de fornecer informações sobre este povo para uma possível dominação. O protagonista acaba se identificando tanto com esse novo estilo de vida que acaba se voltando contra os terráqueos numa tentativa de invasão.

De início, o filme lembra a trilogia Matrix, por chamar a atenção pelos seus efeitos visuais. Não foi uma revolução, mas muitos acabaram se admirando com a beleza de Pandora que esqueceram da mensagem a ser transmitida - que, como Matrix, fica nas entrelinhas, devendo o expectador prestar atenção e refletir consigo próprio. Basta comparar a beleza de Pandora com o declínio da Terra - quase inabitável, a beira de um apocalipse, por assim dizer. Sem querer ser pessimista, estamos seguindo por este caminho (e olha só: o filme é de 2009!).

Os habitantes de Pandora possuem uma característica especial: estão ligados uns com os outros em uma fortíssima rede energética. Quando digo habitantes, vou além dos na'vi - estou falando das plantas, dos animais, das pedras, da água. Tudo está ligado em fluxos de energia que tornam impossível o uso de radares terráqueos. Os na'vi conhecem bem essa ligação e buscam viver da forma mais harmoniosa possível, o que os terráqueos já não sabiam mais fazer em relação ao próprio planeta e davam pouca importância ao fato - o foco deles era outro: a grande mina de um metal específico que valia bilhões.

Só com isso podemos refletir nossa situação atual. Não estaríamos fazendo a mesma coisa? Só porque não temos um metrô de ponta-cabeça, nem aquele incinerador lúgubre, não quer dizer que não somos assim. E nossa busca desvairada por dinheiro, prestígio e poder, que nos faz passar por cima de tudo e de todos, independente do que é ou quem seja? Nem vou entrar no mérito das Grandes Navegações, das nações dizimadas em nome de Deus e da Coroa só pra não misturar as coisas - apesar de uma cena do filme falar justamente disso. É um sinal de alerta ao que estamos fazendo com nós mesmos, e um convite a nos voltarmos a nossa própria fonte de vida.

Essa ligação poderosa existente entre os habitantes de Pandora é real. Tudo está ligado e o que acontece na China pode refletir dentro da gente. Basta sentir e se deixar levar, entrando em harmonia com o ritmo do Universo - nós fazemos parte dele. E essa ligação nos torna mais fortes e mais presentes, permitindo o que façamos o que deve ser feito. Nós não nos anulamos em nome de um coletivo, nós nos harmonizamos ao todo, sem deixar de sermos nós mesmos. Não precisamos correr atrás de um remédio poderoso ou de um grande tesouro para mudarmos nossas vidas - está tudo dentro da gente.

3 de abril de 2015

Todo conhecimento é válido

Depois de matutar sobre o que escrever sobre burrices, cheguei à conclusão de que todo o conhecimento é válido. Sim, cada um, com sua experiência, possui seu conhecimento. Ou seja, as pessoas não são burras (por mais que pareçam!), mas possuem sua bagagem de conhecimento conforme seu nível de evolução e maturidade. O que para nós é tão óbvio, para os outros não é, e vice-versa: tem hora que pagamos grandes micos apenas porque não sabemos de algo que as pessoas acham que deveríamos saber.


Green-eyed gatinho, por Alex Grichenko

Estou fazendo uma disciplina na faculdade sobre História da Ciência, e estou gostando muito. É legal ver o desenvolvimento do conhecimento ao longo do tempo, pois abre novas perspectivas e possibilidades dentro da pesquisa histórica, fora o trabalho interdisciplinar que pode ser feito nas escolas (apesar da falta de interação entre Bacharelado e Licenciatura dentro da própria faculdade). O que me chamou a atenção, entretanto, foi a postura dos meus colegas perante alguns assuntos, junto com o conteúdo das aulas, me fizeram refletir para escrever este post.

Em um dos textos, a autora critica a desconstrução da Ciência em favor de outras formas de conhecimento locais. Para ela, a Ciência permite questionar a sociedade e seus valores (ué, isso não é uma forma de desconstrução?) para que a mesma possa continuar se desenvolvendo de forma livre. A autora exemplifica com o caso indiano: a Ciência é uma forma de promover a igualdade entre castas e o conhecimento a todos sem distinção. É até bonito o discurso dela olhando por esse aspecto, mas olhando de outra forma percebe-se que as coisas não funcionam assim.

Em outro texto, o autor afirma que a Ciência não é perfeita: está sujeita a falhas e paixões, aos interesses pessoais, e ela sozinha não pode ser árbitra para qualquer caso. O texto termina com o autor afirmando que as diversas formas de conhecimento devem andar juntas e serem respeitadas como são. Isso de nenhuma forma promove o autoritarismo ou a discórdia - é quando o saber de um ou de um grupo se sobrepõe ao outro que a coisa desanda e o conflito surge. Leve em conta que não há o julgamento do certo e do errado, do que funciona e do que não funciona, pois tudo faz parte do Todo.

Para encerrar com um exemplo bem interessante: até hoje uma boa parte dos estudantes e pesquisadores de História acham que as pessoas que viveram durante a Idade Média eram extremamente ignorantes - nem estou falando do público em geral. O que acontece é que o conhecimento produzido pelas pessoas naquela época era visto como "inferior" pela carga teológica que havia neles. No começo do século XX iniciaram-se linhas de pesquisa nessa área que apresentaram o grande vigor científico da época. Mesmo assim, muitos não acreditam (ou não aceitam?) e possuem bons motivos para tal. Uma coisa é certa: burros não eram mesmo.

31 de março de 2015

Fale bem de você mesmo


Gold Christmas Tree Topper, por Petr Kratochvil

Confesso que eu me autodeprecio muito - acho que até exageradamente. Eu também estou em processo de aprendizado, e aqui eu compartilho um pouco do que eu estou aprendendo ou do que eu aprendi (ou do que eu custo a entender, hehe). É uma questão de costume: se falamos bem de nós mesmos, logo somos tachados de metidos, arrogantes e egocêntricos. Falar mal de si é algo comum, até porque todo mundo tem problema; só que isso nos corrói por dentro, até a gente não conseguir mais nada por se achar incapaz.

É um problema aqui, outro ali, uma frustração acolá, e logo se apodera de nós um sentimento de incapacidade profundo. Simplesmente nos frustramos, não conseguimos nada. Tudo isso porque dentro de nós algo nos sabota. Repito: algo dentro de nós - não são as pessoas que nos impedem de conseguir as coisas, e sim nós mesmos. Se a gente acredita que não consegue, tudo a nossa volta irá conspirar para que a gente não consiga mesmo! Para sair dessa, o caminho é simples: acredite que consegue, e aceite todas as suas vitórias, valorize-as.

Para reconquistar nossa autoconfiança, precisamos muito aceitar que somos capazes, e que fazemos coisas incríveis. E aceitar que fizemos algo realmente bom. Não espere louros, palmas e elogios dos outros - aplauda a si mesmo. Isso não tem a ver com o ego ou com exibicionismo, mas com autovalorização. Se receber um elogio, aceite-o como um presente, mas não se acostume: você pode correr o risco de ficar dependente da aprovação dos outros, o que joga a autoconfiança pra baixo.

Seja bom pra você mesmo. Dê o melhor de si pra si (e pelos outros também). Fale bem de si, converse sobre coisas boas, exalte suas qualidades quando tiver que falar delas, sem medo ou receio. Isso não é ostentação ou egocentrismo - é amor próprio. Aprender a elogiar a si (e se aceitar como é) permite que você se elogie e aceite as pessoas como elas são - sem julgamentos ou preconceitos. Valorizar a si é valorizar o outro, porque você se torna ciente de seus defeitos e limitações - e se esforça para dar sempre o melhor.

27 de março de 2015

Gokai - Trabalhe Honestamente


Honeycomb, por Petr Kratochvil

Eu já queria escrever sobre trabalho, e essa é a melhor ocasião para tal. Não quero falar sobre produtividade, resultados, promoções - afinal, todo mundo fala disso. E como tem sido a rotina no trabalho? Está satisfeito? O que falta? O que sobra? Qual é a sensação de se arrumar para ir trabalhar e qual é a sensação depois do expediente? Já parou para pensar sobre isso?

Vamos parar de pensar em salário e pensar se o nosso trabalho realmente nos satisfaz. Trabalhar honestamente não é só fazer um serviço ético, mas ser honesto consigo enquanto trabalha - você está satisfeito com o que faz? Você realmente gosta do que faz? O que você gosta (e o que você não gosta) do seu emprego? Só existe ética no trabalho quando há satisfação com o mesmo. Se você faz as coisas de má vontade, porque não gosta do que faz ou mesmo porque está insatisfeito, você sempre vai procurar uma brecha - e acabar se machucando seriamente nela.

Se não está satisfeito com o seu trabalho, mude essa situação imediatamente. Às vezes, só uma mudança de setor ou de unidade já basta para o stress diminuir. Claro que há situações mais complicadas, que pedem uma mudança radical de emprego, de cidade, de vida. Se isso for o melhor pra você, por mais complicado que seja, vá atrás. O efeito aparece a longo prazo, tenha paciência que tudo ficará bem.

Somente por hoje, trabalhe honestamente. Seja grato por ter um emprego, e não se preocupe com sua rotina. Não se zangue com o que acontece, deixe passar.

24 de março de 2015

Gokai - Seja Grato


Pebbles on the Beach, de Petr Kratochvil

Já falei sobre gratidão no blog, e por incrível que pareça, continuamos em uma grave crise hídrica (apesar de ter chovido bastante esses dias). Mesmo que seja uma série sobre os Princípios do Reiki, deve-se ter em mente que isso é algo para ser praticado durante a vida, não para ficar restrito às aplicações. Até tinha cogitado a hipótese de apenas linkar o outro post, mas sempre há algo mais a se dizer.

Gratidão deveria ser um sentimento constante, afinal somos agraciados com diversas dádivas o tempo todo. Aqueles pequenos acasos da vida que fazem a diferença, tanto positivamente quanto negativamente - estamos em processo de aprendizado, revezes são fundamentais. Olhe a sua volta e agradeça por cada coisa boa, sem fazer nenhum pedido de melhora ou solução. Apenas agradeça, dê valor ao que tem, ao que é, ao que acontece. Agradeça não só as coisas boas, as coisas ruins têm seu espaço na gratidão - o problema faz a gente crescer, muito mais do que quando estamos alegres, infelizmente.

Quando você é grato por algo, está valorizando-o e dando sua devida importância. E coisas importantes não deixamos de lado, não jogamos fora, muito menos desprezamos. E quando damos valor a algo, não o perdemos, nem nos arrependemos. Hoje em dia é tão comum a falta de gratidão - ou mesmo a ingratidão - que quando agradecemos, muitos estranham nosso comportamento. Ignore a opinião alheia e seja grato até pelas desgraças.

Apenas por hoje, seja grato. Apenas por hoje, agradeça pela dádiva da Vida, e tudo que ela traga de bom.

20 de março de 2015

Sobre a Regulamentação do Reiki

O terapeuta reikiano não é oficialmente reconhecido como profissional na área da saúde, apesar de possuir código CNAE para ser discriminado em nota fiscal (8690-9/01). Pesquisei na internet sobre algum documento que comprove qualquer reconhecimento legal da técnica, e por mais que muitos terapeutas, mestres ou não, o afirmem, o Reiki não é uma terapia reconhecida em lugar nenhum. Sério. Não existe um documento legal que fale reconhecemos o Reiki como técnica para x, y e z... O que existe é o apoio da OMS e do Governo Federal para atividades que busquem o bem estar do ser humano como um todo - meio que simbólico, já que não há uma medida efetiva para tal.


Food Law, por Geoffrey Whiteway

Digo isso para não se iludirem, e terem embasamento legal na hora de trabalhar. Como não há uma regulamentação, qualquer um pode se dizer terapeuta reikiano e trabalhar como tal, assim como um terapeuta profissional ser acusado de charlatanismo. Infelizmente, como intuição não é usado como parâmetro, as pessoas tentam tirar vantagem sobre. Regulamentar ajudaria a por ordem no barraco, mas cercearia terapeutas nas suas diversas técnicas - e há vários tipos de Reiki.

Existe o CRT, que é a carteirinha do terapeuta holístico, mas ela exige carga horária entre outras exigências. E quem disse que fazer um curso de 120 horas faz um terapeuta melhor que o que fez o de 8? Reiki é prática e experiência diária, o paciente tem que se sentir bem após o tratamento. Você só sabe que foi iniciado corretamente na hora de aplicar - e isso não vem do diploma, vem da competência, algo complicado nesta sociedade tão cheia de regras e papéis e quase vazia de honestidade.

Outro risco é a terapia Reiki tornar-se uma especialidade médica, como a acupuntura e a homeopatia. Vendo a popularidade crescente das duas técnicas, esvaziando consultórios e farmácias (para que se entupir de remédios se algumas agulhas bem posicionadas, ou mesmo uma substância tão simples, me fazem melhor?), a providência foi impedir não-médicos de exercerem suas atividades. Nunca testei homeopatia, mas eu posso garantir que a acupuntura praticada pelos médicos é de qualidade sumamente inferior a dos acupunturistas formados na China ou em centros especializados de outrora.

Não estou nem entrando no mérito de funcionar ou não. É fácil falar "a ciência não comprova" quando diversos trabalhos científicos são recusados de publicação em revistas oficiais por ferirem o ego (e a conta bancária) de muita gente (os trabalhos só são reconhecidos quando publicados por uma revista científica oficial). A eficácia da acupuntura é conhecida há milênios e só agora recebeu o status de terapia complementar pela OMS - complementar no sentido de que a alopatia é superior a todas.

Com tudo isso quero dizer: abra não só os olhos do corpo, como também da mente e do coração. Busque alternativas aos seus problemas. A gente sempre recomenda não abandonar o tratamento médico enquanto faz terapias complementares/alternativas, mas e quando o remédio não funciona, ou a cirurgia não resolve? A pessoa é livre para decidir se quer abandonar um tratamento ou não, tendo em vista o melhor para ela. Humildade é essencial para não só assumir nossos erros, mas também nossas limitações.

17 de março de 2015

Gokai - Não se Preocupe

Lembra da catastrófica frase de Marta Suplicy a respeito da crise dos aeroportos? O que mais ofendeu as pessoas foi o uso de um termo de conotação sexual de forma pública do que a postura da então ministra perante um problema de ordem nacional. Esse não é o ponto, e agora que se passaram alguns anos, dá pra ver que existe um fundo de sentido na frase. Relaxe, não se preocupe, não adianta se desesperar.

E não adianta mesmo. Desesperados não conseguimos fazer nada direito, nem pensar, nem tomar alguma atitude, nem evitar uma atitude. Preocupados somos potencialmente catastróficos. O ideal é não fazer nada até retomar o autocontrole. E trabalhar todos os dias para mantê-lo. Não se preocupar é uma das formas, assim como não se zangar. As coisas acontecem como devem acontecer - e se quer que algo aconteça para você, trabalhe para isso.

Se preocupar é gastar energia com algo que não existe. É sofrer por antecipação, é atrair o que se teme. Chega até a ser uma armadilha: aparentemente, preocupar-se com os problemas é uma forma de trabalhá-los com prudência. Só que não é necessário preocupação - só de estar tranquilo e seguro consigo mesmo fica mais fácil de planejar qualquer problema.

Tem horas nas quais a desgraça vai acontecer na sua frente, vai lhe causar danos, e você não poderá fazer absolutamente nada. Por que entrar em pânico ou se zangar? Sempre haverá algo a ser feito - mesmo que não seja nada - e a hora certa para agir - mesmo que demore naquele momento. Não se preocupe, tenha fé que é o melhor que poderia acontecer para o momento, seja grato pela experiência e pelo aprendizado.