28 de novembro de 2014

Como lidar com a Raiva

Se você veio aqui procurando uma receita de bolo, uma dica de relaxamento, ou apenas palavras confortáveis, creio que não irá gostar deste post. Porque lidar com a raiva requer muito trabalho. Você vai literalmente ignorar a raiva, porque esta é incontrolável. Esqueça todos os depoimentos de pessoas que usam a energia da raiva para fazer algo para mudar as próprias vidas. A raiva é uma energia cega e destrutiva, então enquanto você pensa que está fazendo algo de bom com a raiva, na verdade você está cavando sua própria ruína.

Depois do ataque de raiva (ou fúria) sempre há aquela sensação de exaustão. E o arrependimento. E o ciclo recomeça. Quando você alimenta a raiva, você tira de si sua própria força para mudar a vida, e não consegue quebrar este ciclo. Eu mesma já passei por essa experiência, e tentei muitos métodos para me "acalmar" - sem resultado. Claro que cada caso é um caso, e muitas pessoas podem discordar do que estou dizendo - e mesmo atestar a eficácia de métodos "calmantes".

O ponto não é esse. O que realmente resolve o problema da raiva é a dispersão da mesma, e para se conseguir isso você pode tentar utilizar uma série de métodos que realmente a esvaziam. Traduzindo: a raiva só some quando você a domina, não o contrário. Dominar a raiva é difícil, e você continuará tendo crises pesadas por um bom tempo. Mas conforme elas vão diminuindo, você vai se sentindo mais estável e confiante. E questionando a própria raiva.

A princípio a raiva vai vir e te atropelar. Deixe passar, deixe a raiva ir, e sobretudo: não faça nada. A raiva vai te exigir alguma atitude - não lhe dê ouvidos. Ela apenas quer atenção, ou seja, se não fizer nada, ela perde o sentido de existir - geralmente a raiva tem um alvo momentâneo, que perde todo o foco quando você entra na dela - a raiva é cega. Já vou avisando: essa fase demora. Você vai ser sabotado, vai se deixar levar - não perca a paciência.

Aos poucos você vai percebendo que não precisa da raiva. E não precisa mesmo: ela não te faz crescer, ela não te faz mais forte, ela não te faz uma pessoa melhor. Você vai ficar mais lento, mas não se preocupe, é um bom sinal: você está mais atentos a si mesmo e ao que te cerca, permitindo refletir melhor sobre as atitudes. A essa altura do campeonato, a raiva nada mais é do que um sinal de descontentamento do ego, de que tem algo errado. A partir disso que vem uma atitude mais madura.

Deixo essa imagem para reflexão, extraída da página Sobre Budismo, do Facebook:

24 de novembro de 2014

Partindo para a Ignorância

Resolvi partir para a ignorância, de uma forma única, porém não original: ignorar tudo que nada adiciona a minha vida, principalmente coisas negativas. Se eu for levar em conta cada besteira que as pessoas falam ou fazem, acabo surtando. E muitos devem surtar por aí, cometendo crimes e outras atrocidades. Minha experiência pessoal resume-se a surtos de raiva a partir do segundo ano da faculdade, que ficaram intensos no terceiro. Procurei tratamento, e os surtos diminuíram.

Durante o tratamento, aprendi a lidar com a opinião alheia; aliás, ainda estou aprendendo. E quanto mais vou aprendendo, mais vou percebendo o quanto as pessoas não sabem lidar umas com as outras. Então eu aprendi a lidar com a minha raiva, e percebi que uma grande fonte dela é o excesso de informações que absorvemos ao longo dos dias, cuja maioria geralmente é desagradável e pessimista. Cortei a maior parte deste mal pela raiz: parei de assistir televisão. Não sinto falta dela, não me sinto desinformada, muito menos alheia ao mundo que me cerca. Mas me livrei de uma grande fornecedora de pessimismo, e ganhei tempo para fazer coisas realmente úteis na minha vida. E ter opinião própria, sólida, com base em argumentos (não em birras).

Outra coisa que acabei fazendo foi me afastar de pessoas negativas: reclamonas, que nada fazem por si, pessimistas, mimadas, vítimas de qualquer coisa, entre outras. Ficar ouvindo coisas que não nos fazem bem pouco contribuem para nosso crescimento e amadurecimento. Claro que há horas que precisamos de um chacoalhão para cairmos na real. E precisamos mais ainda nos levantarmos quando cairmos, porque quedas teremos sempre.


Por fim, ignorar propriamente dito. Não podemos ignorar tudo e todos que nos fazem mal. Não é possível viver em uma bolha isolada da sociedade. A verdadeira neutralidade se daria em processar sem envolvimento tudo que recebemos durante o dia, sem se deixar levar pela emoção ou pela ânsia de dar uma resposta pra tudo. Não precisamos da opinião alheia, assim como os outros não precisam da nossa opinião. Isso não significa não tomar atitude, até porque ignorar é uma atitude significativa, que surte um efeito considerável a quem está a nossa volta. Significa que estamos agindo com racionalidade e maturidade.

17 de novembro de 2014

O Estranho Thomas

Um cozinheiro de uma lanchonete em uma pequena cidade norte-americana tem o estranho dom de ver e se comunicar com os mortos e seres das sombras, e usa sua habilidade para resolver crimes e evitar catástrofes. Com o apoio de sua namorada, Stormy, Thomas tenta evitar que um massacre se abata sobre sua cidadezinha, investigando por conta própria um estranho morador, cercado por seres sedentos de sangue.

Depois de tanta insistência, lá fui eu ver o filme. Não é grande coisa, muito menos uma super trama. É uma ação simples, centrada apenas na resolução do mistério para evitar que um matador em massa cause estragos na cidadezinha. Quem não presta atenção perde o essencial do filme: como agem as sombras, e de que forma elas podem manipular as pessoas. Sim, o filme é real neste aspecto - e as pessoas passam despercebido por considerarem parte da ficção.

O interessante deste filme é o relacionamento do protagonista com os mortos e espíritos malignos - como ocorre na realidade. Estes últimos realmente agem daquela forma, manipulando a mente das pessoas para conseguir o que desejam: sangue e destruição. E é o que você vê hoje em dia por aí: pessoas tentadas a destruir e a fazer o mal - além de matar pessoas, promover atos bárbaros. Não é nem a morte em si que interessa, mas o sofrimento, a dor, a agonia.

Apenas Stormy acredita em Odd Thomas (trocadilho que ele explica logo no começo no filme), mesmo sem ter a mesma capacidade de seu namorado. Eles estão predestinados para ficarem juntos para sempre, mas não se sabe quando. O chefe de polícia da cidadezinha não consegue acreditar como os palpites de Thomas são tão certeiros. Até hesita em acreditar no sobrenatural (que é extremamente natural, diga-se de passagem), porém dá valor ao que esse "estranho" diz e toma todas as providências para seu informante não ficar visível.

Uma coisa que parece ficção mas também é real é o dom que Thomas tem de encontrar as pessoas ao acaso. Sim, isso também existe - aliás, esse filme poderia entrar na categoria de baseado em fatos reais. Thomas simplesmente anda em direção ao problema e encontra ao acaso os elementos para resolvê-los - uma pista, uma pessoa morta, sombras rondando pessoas e lugares. Fico pensando se as pessoas realmente querem ter esse tipo de dom.

Detalhe importante: Thomas não é padre, nem possui nenhum poder "mágico" para afastar as trevas. Tudo que ele faz está dentro do mundo material - alertar pessoas, conversar com o chefe de polícia, invadir a casa do suspeito e procurar pistas. E é isso que as pessoas devem fazer: dá para lidar com essas forças sombrias sem precisar de uma réstia de alho ao pé do ouvido. Dá para não ser manipulado, dá para não agir que nem gado, o problema é que as pessoas não querem, estão confortáveis assim. E serão cobradas por isso - em um futuro não muito longe.

Recomendo este filme como uma boa aula sobre "o outro lado" e como um alerta sobre o que está acontecendo no mundo atualmente. Ele não fica fantasiando ou viajando na maionese, simplesmente vai ao ponto sem deixar de perder a realidade do assunto.

13 de novembro de 2014

Somos Todos Crianças


Old Teddy Bear, por George Hodan

Somos crianças, não vamos negar isso mais. Vamos assumir esse lado infantil nosso, seja positivo, seja negativo. Cansei de ver marmanjos fazendo birra achando que têm razão. Se uma criança perde a razão fazendo birra, por que o adulto não deveria? Muitos acham que é a idade que dá razão, o que não é verdade: são nossas experiências de vida, e o aprendizado sobre elas, que nos dão maturidade. Você não vai ter razão meramente pela sua idade.

Além da questão do egoísmo, existe a falta de maturidade também. Crescer não é ficar mais velho, crescer é adquirir experiências ao longo do tempo e saber cada vez mais o que fazer e quando fazer. Não é ter razão, é ter uma opinião mais aprofundada e madura. Ser velho é diferente de ser experiente: há pessoas que passam a vida inteira à pão de ló e nada têm a adicionar, e crianças com experiência de sobra para toda a vida. Experiência vem do aprendizado, que pode ser doloroso ou não - escolha sua sofrer para aprender ou não.

O problema é quando a criança não amadurece - a pessoa se torna birrenta, mimada. Quer tudo do jeito dela, ou de jeito nenhum. E por ser mais velha, por ter maior contato com o mundo, liga-se a pessoas com ideias semelhantes e criam-se movimentos baseados em teorias sem o mínimo de bom-senso. O que se vê na rua não é um juventude engajada e disposta a mudanças, e sim uma criançada que não se conforma com a realidade do mundo e não consegue mudar a própria realidade, tentando, de certa forma, mudar a realidade da sociedade a qual pertence.

Li um texto para a faculdade que propunha uma ideia, mas minha mente teve outra conclusão: independentemente da sociedade ser desigual, ou até mesmo injusta, as pessoas podem ser felizes e viverem bem. Para isso, precisam lutar, correr atrás dos próprios sonhos. O que não significa querer mudar a mente das pessoas (se você sonha com isso, acorde! Isso é um pesadelo!) - mas sim a própria mente. Não se deixe levar pela ideia de que poucos têm muito. Isso é problema deles, não seu.

Não adianta sentar e reclamar que o mundo é mau. Não adianta querer sacanear algo porque não é do seu jeito. Fora que chorar para conseguir as coisas é negar a própria força de vontade e assumir que é uma pessoa incapaz, algo que ninguém é. Ninguém.

Eu me sinto uma criança grande: vejo tudo como novidade, vejo desenhos nas nuvens, adoro bolo de chocolate. Sim, há o lado bom de ser criança, aquele lado inocente e divertido, que não vê maldade nas coisas, que faz traquinagens (aprontar não é algo essencialmente ruim), que morre dentro de nós a cada dia que passa. Estamos estragando nossas crianças interiores, que se tornam seres irritantes e desagradáveis. Sugiro que comece a trabalhar sua infância, refletir sobre seus traumas e seus gostos. Muito do que somos hoje é puro reflexo do que ocorreu no passado. Entender algumas situações de quando éramos crianças ajuda a entender muitas posturas de hoje como adultos.

Ser criança não é algo ruim, é algo a ser trabalhado. Se for parar para pensar, criança sabe ser feliz, sabe se divertir, sabe lidar com a vida sem ver maldade nela (obviamente não estou falando aqui das crianças que são más por natureza - sim, elas existem), e sabe fazer as coisas de forma simples e original. Sua vida irá se encher de luz e cor quando sua criança interior crescer e se desenvolver.