26 de janeiro de 2014

A Longa Duração para a Vida

É fácil encontrar por aí pessoas que não gostam de História, assim como pessoas que não gostam de Português, Biologia ou Matemática. O problema é quando essas pessoas se dedicam às ultimas matérias citadas com mais zelo do que se dedicam à História. E deixam de ver a própria vida com olhar historiográfico. Passei por uma situação difícil ontem que seria menos dura se as pessoas em meu entorno entendessem o que é a Longa Duração.

História não é uma coisa para ficar nos livros, esquecida por muitos e estudada por poucos. É algo para se viver, para se aplicar na vida prática, como a gente aplica (ou deveria aplicar) as regras de Português e as recomendações de Biologia. Analisar os fatos da própria vida a partir de diversos ângulos, colocá-los dentro de um contexto e fazer ligações com outros fatos, vendo a situação de uma perspectiva micro e macroscópica. Isso evitaria tanta coisa desnecessária e indesejada...

Algumas coisas na vida são rápidas, os fatos: eles acontecem e pronto. Mas eles ocorrem devido a uma vasta gama de situações lentas, as conjunturas: os contextos. Um fato aqui e outro acolá deixam marcas que vão definindo acontecimentos futuros. Há ligações múltiplas entre fatos e pessoas que vão definindo outros fatos. História é uma arte de analisar esses fatos e ligações.


Ocean Sea Blue, por Alex Borland

Não podemos esquecer o profundo, o que não muda, ou o que muda tão lentamente que nem percebemos. Há quanto tempo comemos de garfo, faca, colher? Há quanto tempo existe o hashi? Há quanto tempo existe a ideia de que irmãos não podem se casar e ter filhos? Isso podemos chamar de estrutura: o que está relativamente fixo perto dos contextos mutáveis com os quais temos maior convivência. O que geralmente é mudado com as revoluções.

Imagina pensar a própria vida com essas variações e ligações? A História liberta, e nos leva para além de nossos próprios pensamentos. Nos faz mais humanos também. E porque não dizer menos burros.