19 de junho de 2018

Sobre Reiki e artes marciais


Vejo que o Reiki e as artes marciais - sobretudo as japonesas - têm muito em comum. Só de pensar que o próprio mestre Usui praticava uma delas antes de fundar o Reiki (de acordo com as palavras da época), significa que há muito a se relacionar e muito a aprender com isso. Mas antes de começar é bom frisar que a arte marcial está longe de ser uma arte de pancadaria, como alguns pseudopacifistas pensam. A arte marcial é o trabalho de corpo, mente e espírito para melhoria do indivíduo enquanto ser humano. Seria a arte de parar a agressão, e não de promovê-la. É um caminho para paz interior tão rico quanto o Reiki, pela sua complexidade e plasticidade.

Em um aspecto teórico, as filosofias das artes marciais estão ligadas à não-agressão e ao autocontrole. Como disse antes, parece contraditório à primeira vista, mas olhando mais a fundo, ou melhor dizendo, sem preconceitos, faz total sentido. Geralmente a pessoa de índole violenta não consegue suportar o treinamento de uma escola de artes marciais, pois essa violência é direcionada e trabalhada para outros fins. Quem tem prazer por agredir os outros não busca técnicas "eficazes" para tal, apenas expulsar aquela energia agressiva da melhor forma possível para si. Outro motivo pelo qual o "violento" não gosta de arte marcial: o artista de verdade não se deixa levar pela provocação, mas ao precisar utilizar suas técnicas, o violento não terá defesa, acabando assim a brincadeira, risos.

As artes marciais orientais carregam consigo uma grande carga filosófica, assim como o Reiki - e mesmo da mesma fonte, o Budismo. Isso não significa que o Reiki tenha um vínculo formal com a instituição religiosa. Continuando a falar sobre não-agressão, o Reiki possui como o primeiro princípio o Sou Calmo: não se deixar levar pela impulsividade da raiva, de modo a não tomar atitudes destrutivas (que em outro post vou observar sobre). Em arte marcial, a não-agressão transforma a luta em defesa, não em ataque. Ao agredir o outro, o artista/lutador busca se defender e neutralizar o oponente.

O equilíbrio de corpo e mente (e espírito?) é parte da arte marcial como também do Reiki. Entenda o equilíbrio não como algo estático, mas como uma melhoria constante de ambos os aspectos através da prática. Você pratica o Reiki buscando se equilibrar e se melhorar, transmitindo esse equilíbrio através da terapia. Praticar uma arte marcial equilibra o corpo (exercícios, posturas) e a mente (concentração, disciplina), formando uma pessoa melhor do que ela já foi, e com consciência desta mudança.

Outro ponto em comum dentro da parte filosófica é a concentração. Ambos necessitam disso, assim como a vida da pessoa como um todo. Concentração, foco, atenção, etc. deveriam ser ensinados de forma mais direta. Não falo de meditação, pois acaba dando uma conotação de prática separada que acaba por não adicionar nada no cotidiano. Sem concentração, o Reiki fica tão robotizado quanto um movimento recém-aprendido na arte marcial. Interessante apontar que com a constância, a prática fica inconsciente, natural. Há relatos de reikianos cujo automatismo de movimentos é fruto da percepção, e não de um roteiro a ser seguido.

E como não relacionar um mestre de artes marciais com o mestre Reiki? Pessoas que de certa forma ultrapassaram o conhecimento ordinário sobre o assunto e criaram seu próprio caminho. Por mais que não seja assim, a ideia é por aí. Mesmo alguns reikianos e pesquisadores afirmam que para Usui o nível de maestria era concedido quando o praticante alcançava a iluminação, ou pelo menos tivesse um satori, algo assim. Seria o ideal inclusive para artes marciais: se não na faixa preta, pelo menos em alguns graus acima. Contudo, isso não faz parte da "cultura", principalmente no Ocidente, onde Iluminação é um assunto restrito a um grupo que acha que sabe de evolução.

Também pode-se falar da questão da repetição como outro aspecto coincidente de ambos. Tanto o Reiki quanto as artes marciais precisam ser praticadas arduamente para terem efeito. Isso desenvolve disciplina e foco, algo que já deu a entender anteriormente. E como o Reiki, a arte marcial deve ser praticada em casa também. Um artista marcial é formado não só na aula, mas fora dela também. Assim como o reikiano não o é apenas durante cursos e aplicações. E pessoalmente, um reikiano que não atua profissionalmente não é "menos reikiano" que o terapeuta que não pratica os Cinco Princípios.

Um reikiano, assim como um artista marcial, possui uma postura social, por assim dizer, diferente de quem não o é. Seja em palavras, gestos ou mesmo atitudes. Ao percorrer um caminho, a pessoa muda, sem deixar de mudar: ela apenas deixa vir à tona o que ela mesma é. Claro que boa parte das vezes a pessoa apenas reproduz atitudes da tribo, mas reduzir a apenas isso é tirar todo o mérito que o Reiki e as artes marciais possuem. Elas buscam formar indivíduos, pelo menos mais evoluídos do que foram. Não que elas sejam "diferenciadas", ou melhores do que qualquer outro caminho: qualquer prática que seja feita com Amor promove a evolução do ser, seja o Reiki, meditação, Yoga, artes marciais, tricô ou culinária. O resultado final é o mesmo, apesar de uns fazerem pratos maravilhosos ou outros saberem se defender de situações complicadas.

12 de junho de 2018

As falhas de calibragem


Por mais que eu goste do trabalho do Hawkins, eu tenho minhas críticas a fazer. Apesar das descrições sobre os níveis de consciência e as formas de progressão sejam precisas e eficientes, vejo um problema em como calibrar estes níveis. Hawkins usa um método cinesiológico de "forçar o braço" para obter suas respostas sim ou não. O que pode ser eficiente em um aspecto acaba tornando as coisas meio rasas.

Percebi isso lendo o livro Truth vs. Falsehood, literalmente Verdade contra Falsidade, obra que também não possui tradução para português. Algumas coisas foram bem calibradas como a Coca-Cola, cujos estudos de danos à saúde são cediços. Mesmo algumas obras foram calibradas em nível baixo, como o filme Matrix, por conta de "detalhes". No caso deste filme, as cenas de violência despencaram a calibragem.

Tolkien (sua obra) foi calibrado aquém do que eu mesma avaliei. Não é mera questão de opinião, como pode parecer, mas uma análise mais objetiva sem balançar o braço. No caso, devido ao objeto de análiser ser a trilogia O Senhor dos Anéis, deixando de lado sua principal obra, O Silmarillion. Ou seja, Hawkins é preciso e objetivo em diversos aspectos, mas é necessária uma visão mais ampla sobre a calibragem para que esta seja mais precisa e abrangente.

Além de alguns aspectos como a precisão das perguntas, e mesmo o método em si de forçar o braço, ainda insisto na questão da evolução negativa, na qual algumas pessoas (ou mesmo filmes, músicas, e a Coca-Cola) possuem um alto grau de consciência, mas tendendo ao caos. Hitler, que foi calibrado em 80, está mais para um -700 (iluminação negativa), pela sua consciência voltada à destruição.

Outro exemplo é o Nelson Mandela, calibrado em 500 pela sua imagem de "pacificador", quando que poderia ser calibrado em -500 (amor negativo), já que foi líder de um grupo terrorista, matando dezenas de inocentes, para depois "pagar de bonzinho", por assim dizer. O próprio Hawkins acusa essas imprecisões para calibrar criminosos e psicopatas: no Truth vs. Falsehood, ele apresenta o caso de um traidor que possuía duas calibragens: uma de sua imagem pública e outra relativa a sua conspiração. Neste caso, a calibragem negativa uniria ambos os aspectos, mostrando que a pessoa tem a consciência de fazer o mal, tanto quanto de fazer o bem.

Não vejo no momento calibragens negativas abaixo do nível 200: pode haver pessoas desenvolvendo consciência da vontade de dominar outras mas sem que a mesma esteja apurada. Assim como pessoas abaixo de 200 desenvolvendo uma consciência para o bem de si e dos outros. Como até 200 os níveis são instáveis, fica difícil precisar níveis negativos, podendo até serem compartilhados com a consciência negativa: ao superar o orgulho, a pessoa pode desenvolver uma coragem positiva (200) ou uma coragem negativa (-200).

Seria interessante que as pessoas estudassem e trabalhassem essas ideias em seu cotidiano, aprimorando a forma de calibragem e mesmo a descrição dos níveis e suas passagens. Uma escala negativa faz sentido em um planeta pouco evoluído (85% das pessoas calibradas abaixo de 200), pois discerniria pessoas de pouca consciência apenas das pessoas que possuem consciência do que estão fazendo, mas para outro lado.

5 de junho de 2018

Esse discurso do Saruman...

Indo no embalo do post sobre o Tolkien, gostaria de ressaltar um personagem muito peculiar na trilogia O Senhor dos Anéis: o mago Saruman. Assim como os outros magos, ele tinha por objetivo de fazer frente a Sauron, porém sem medir forças com este, muito menos dominar os habitantes locais. Não é o que acontece com Saruman: ao invejar o poder de Sauron, acaba agindo igual a ele, criando seus exércitos e dominando a região na qual vivia. Por fim, tenta suplantá-lo, e acaba sendo destruído em sua política duas caras.

Essa política teve por base o "belo" discurso do mago. Palavras bonitas e envolventes, que acabavam por convencer os desavisados que o ouviam. Mesmo seu servidor, Língua de Cobra, era perito nesta "arte". Confesso que ao ler suas falas eu ficava meio fora de mim e perdia o raciocínio da história. Pessoas que falam bem convencem e acabam por inverter situações desfavoráveis. A razão é perdida.


Isso serve de alerta aos "belos discursos" que existem hoje em dia. Pessoas que falam bem e conseguem convencer pelos "floreios" de suas palavras. Quando o encanto passa, para os espíritos atentos, percebe-se seu engodo: não existe matéria prática para agir ou base para pensar. O discurso é certo porque é bonito. Isso é parte da estratégia de manipulação mental que existe hoje em dia: a programação não oferece "defesa". Geralmente quem tem razão não apela para discursos "bonitinhos": expressa seu raciocínio e ponto - perdeu a discussão.

Quem nunca ficou com uma sensação amarga de ter razão e não ser compreendido, ou mesmo de "ter perdido" uma discussão para algo sem pé nem cabeça? Seria um efeito do discurso à Saruman, digamos assim. O interlocutor não busca entender ou aceitar seu raciocínio, mas busca "brechas" para derrubá-lo, com palavras bonitas e discursos idílicos de preferência. Pessoalmente, tentar usar a mesma estratégia acaba por não transmitir a ideia, mas a torna igual a do mago, e não ajuda ninguém.

Por não ter base, o efeito do discurso não dura muito tempo. Doses prolongadas podem até provocar um entorpecimento do raciocínio, mas ele pode acabar de uma hora pra outra. Aí entra Gandalf, o único mago que conseguiu cumprir a missão. Os outros acabaram perdidos, provavelmente dominados por Saruman. Só quem realmente conhecia o Gandalf sabia da sabedoria que trazia em seu discurso nem um pouco elaborado e bonito - pra mim bonito por ser sábio. Foi assim que o rei Théoden foi curado do discurso do Língua de Cobra - e ainda saiu "vacinado", repelindo o discurso de Saruman tempos depois, enquanto seus cavaleiros quase caíram no encanto.

Interessante que quem não gostava de Gandalf o reduzia a arauto de desgraças, pois, no final das contas, ele que tinha que dar as "más notícias", ou melhor dizendo, "falar a verdade nua e crua". A beleza do discurso de Gandalf era a verdade contida no mesmo, a sinceridade e a honestidade presentes. Não se buscava convencer ou dominar, mas falar o necessário. Pense nos discursos de hoje em dia: eles são mais Saruman ou Gandalf? Esse reducionismo aparente acaba por mostrar a imensidão da obra de Tolkien ao retratar assuntos tão reais em um ambiente fantástico.

Um coração forte repele discursos bonitinhos. Lembra a manipulação mental feita pelos jedi em Star Wars: era utilizada quando julgavam necessário, mas surtia efeito apenas pessoas de "coração fraco". Seria pegar o que foi dito e o analisar à luz da razão: não se deixar levar pelo famoso canto da sereia. Mesmo após algum tempo, como a trama mostra, a manipulação jedi deixa de ser eficiente, mesmo com "corações fracos". Isso demanda esforço por parte das pessoas, tanto para se livrar do discurso quanto para conter a raiva que dá quando alguém é manipulado e convencido.

29 de maio de 2018

Ofensa e Agressão


Já comentei sobre a dificuldade em conversar com as pessoas hoje em dia, e mesmo pontuo em alguns posts sobre a questão da ofensa e da agressão. Contudo, a impressão que eu tenho é que as pessoas estão se ofendendo com coisas cada vez mais bobas, e criando celeumas desnecessárias. Existe até um termo para isso: violência psicológica, como se uma pessoa pudesse agredir outra apenas pelo pensamento.

Pois bem, mesmo que estejamos em uma era onde a dominação ocorre principalmente pela via mental (reprogramações, lavagens cerebrais, etc), a verdadeira agressão é contra a integridade física do ser. É muito mais fácil lidar com palavras do que com socos, ao contrário do que apregoam por aí. Isso também faz parte de uma estratégia de dominação: sugerir que a pessoa não possui "força mental" para reagir a este tipo de coisa.

Existe um ditado que diz que a substância é venenosa para quem a ingere. A ofensa é basicamente isso: um veneno para quem toma, para quem aceita ser agredido por ela. Eu posso dizer algo extremamente agradável e elevado, mas a pessoa pode se ofender e brigar comigo por isso. E o contrário também é verdadeiro: uma pessoa pode dizer palavras rudes, com o claro objetivo de ofender, mas seu interlocutor não esboçar nenhuma reação a respeito. Isso é diferente de ignorar, pois, para ignorar, deve-se aceitar aquilo como ofensa, o que dá a entender que se ofendeu, mas que irá fazer pouco caso daquilo, abrindo o espaço para mais "agressões".

Agressão é quando uma pessoa busca atingir a integridade física de outrem. Isso não se dá por palavras, mas por ações, seja no corpo, nos bens da pessoa, ou mesmo nas suas contas na internet, e deve ser respondida como tal. Não como vingança, mas como defesa. Interessante que quando a causa é legítima, a resposta é mal vista. Uma pessoa pode chorar por ter sido "ofendida", mas não pode defender-se de um tapa. Perceba então a questão da atitude: tomar uma atitude é errado, mesmo com razão.

Ofender-se com algo não é uma atitude, e ainda abre espaço para que outras pessoas entrem na questão. No fundo, o ofendido teve seu ego ferido, sua vaidade arranhada. Quando se ofende com algo digo, é porque aquilo foi contra o próprio orgulho. Se fosse pensar sobre violência psicológica, seria muito mais as reprogramações nas quais as pessoas estão sujeitas do que uma palavra mal interpretada.

Quando se ofender com algo, reflita sobre o que lhe ofendeu, não com o suposto "ofensor". Na maioria das vezes, é algo tolo que apenas atiçou o ego a reagir ruidosamente. Ignorar é apenas aceitar que aquilo lhe agrediu, demonstrando que não haverá resposta. Seguir em frente, desconsiderando o que foi dito. Se a pessoa o fez para agredir, ela mesma se sentirá "ofendida", pois sentirá o seu ego "rosnar". Se a pessoa o fez sem intenção maldosa, a conversa pode continuar fluindo normalmente, sentindo-se segura em continuar a falar.

É uma questão de maturidade e evolução. Quem se ofende por qualquer coisa, a ponto de produzir transtornos de grande porte, precisa parar e refletir sobre o que está lhe ferindo: se é a ação do outro ou o próprio ego, que discorda da situação e, além de não saber aceitar a opinião e postura do outro, não sabe como reagir. Ao contrário do que pode parecer num primeiro momento, este tipo de resposta não resolve a situação, apenas a agrava, chegando a exemplos cada vez mais absurdos.

22 de maio de 2018

Resenhando Tolkien

Tolkien é uns escritores mais brilhantes de todos os tempos, talvez o mais. Contudo, a impressão que tenho é de que o reconhecimento está aquém da genialidade de sua obra. Uma pessoa que, ao longo de sua vida, desenvolveu sozinha toda uma mitologia, com descrições detalhadas e profundas de pessoas, acontecimentos e lugares em tramas complexas e profundas, sem perder a beleza da escrita e da narrativa, interligadas por conjuntos linguísticos completos. Não há palavras para descrever tamanha maravilha. Só lendo para sentir a profundidade de seu trabalho.

Há alguns anos, eu tinha lido a trilogia O Senhor dos Anéis, e a tinha achado muito interessante, mas acabei deixando de lado. Ano passado, contudo, decidi ler a obra inteira de Tolkien, ou pelo menos o máximo de livros que pudesse encontrar de sua autoria. Talvez eu não consiga ler a obra por inteiro: cada ano que passa, mais textos inéditos são publicados, fruto da miríade de rascunhos acumulada pelo autor. Por enquanto, meu "apetite" pelas obras está mais do que satisfeito, a ponto de poder escrever esse post.

Creio eu que as obras inéditas não irão "fugir" do que irei escrever aqui, ou mesmo as já publicadas que ainda não tive oportunidade de ler. É difícil o Tolkien se contradizer ou mesmo fugir das próprias ideias: uma contradição ou outra que possam aparecer seriam mais "alternativas" do que "conflitos" em si. Exemplo disso seria a própria história de Galadriel, em que se busca um motivo para sua ida à Terra-Média, não se ela haveria nascido lá, apesar de ter permanecido por eras.

A sensação de deslumbramento é a mesma que admirar o universo: você fica parado observando aquela vastidão, ao mesmo tempo em que se sente tão pequeno. É como se você entrasse em outra dimensão, conhecesse outras pessoas e novos lugares, admirando a paisagem, a relva, a estrada, as nuvens. Você não quer largar os livros, ler a história até o final de uma vez só, ao mesmo tempo que quer saborear cada palavra bem colocada. Em O Hobbit, por exemplo, abri mão de uma hora de sono para terminar de ler, porque eu não conseguiria dormir sem terminar.

As línguas, por mais interessantes que sejam, me causam confusão. Creio eu que seja pela falta de notas de rodapé explicando, sobretudo quando as falas são totalmente em outra língua. Existem cursos das mais diversas línguas de Arda (o "mundo da Terra-Média"), inserir uma tradução aproximada seria de muita valia. São elas que dão o verniz fantástico às histórias, que deixam de ser meros contos para ganharem a dimensão de relatos. Fazendo uma dedução lógica: quando você viaja para outro lugar, mesmo "outro mundo", os habitantes deste lugar falam outra língua. Compreendê-la é outro processo, mas acaba por se confundir com a visita em si.

Sugiro começar com a coletânea das cartas escritas por ele. O organizador, um dos seus filhos, tem o cuidado de não publicar assuntos pessoais e ressaltar aspectos interessantes sobre a obra. A partir desta coletânea dá para se ter uma ideia do quanto ele escreveu, e mesmo revela alguns detalhes sobre suas obras. Este livro é gigantesco, e pode ser desanimador a princípio, mas vale muito a pena, pois permite ler os outros livros com mais segurança e melhor entendimento.

Pessoalmente, sinto algo a mais em sua obra. Algo que não se resume a frases de efeito ou histórias rasas. Talvez grandioso seja a melhor descrição de sua obra. Se você permitir, algo dentro de você mudará após a leitura, sem que saiba explicar. É como se conversasse com o próprio coração do leitor, e mesmo que aqueles seres possam ter existido ou mesmo vir a existir, em algum lugar. É algo que você não consegue vulgarizar: permanece a majestade mesmo em memes, principalmente quando o assunto são as primeiras eras de Arda, e mesmo antes dela.