26 dezembro 2017

O Caminho do Meio


É muito bonito falar sobre o Caminho do Meio, e na filosofia pseudo-evoluída de hoje em dia. Pseudo porque ela é baseada na vaidade do indivíduo e não na superação da mesma, em transformar de fora para dentro e não de dentro para fora. Caminho do Meio é um lugar comum para dizer que a pessoa não se baseia em nenhum extremo: "não concordo, nem discordo, muito pelo contrário", já dizia alguém na televisão. Só que... só existe um caminho: o seu.

Quando diz seguir o Caminho do Meio, a pessoa simplesmente adota ambos os extremos que diz rejeitar e os usa da forma que julgar mais conveniente. Ela está mais oscilando pra lá e pra cá do que seguindo em frente propriamente dito. Ao invés de seguir o próprio caminho, acaba por seguir o que outras pessoas seguem, o que não leva a lugar algum. Já dizia a piada: "se seguir pelo meio você apanha dos dois lados".

A transcendência propriamente dita está em superar os opostos e ver que são uma coisa só, manifestadas de formas diferentes, e isso pode ser alcançado por todos, das mais diversas formas. A mudança consiste em despertar e desenvolver o que há de melhor dentro de você, criar a própria equação, e não forçar goela abaixo a equação formatada que dizem ser a mais apropriada. Por isso que poucos tentam, e mesmo entre desses poucos, muitos ficam pelo caminho.

O tal equilíbrio que buscam encontra-se no interior de cada pessoa, durante as atividades cotidianas. Por mais que meditação possa ser algo legal, a mudança se efetiva quando as ideias saem da cabeça e passam a tomar o corpo e a bater junto com o coração. O próprio caminho leva a fazer escolhas e a tomar atitudes, mas isso é fruto da consciência e não de mero comodismo - e geralmente é algo bem desconfortável em relação aos outros.

19 dezembro 2017

Entrando em outro sistema


Percebi que nesses dias que se passaram muitas pessoas estavam comentando sobre o filme Matrix, que estava disponível no Netflix. Achei interessante as pessoas conversarem sobre manipulação e sistemas, terem um vislumbre da programação de que são feitas, mas infelizmente parou por aí. Pior: pessoas dizendo que saíram da caverna, acusando um grupo ou outro de manipular.

Bom, não estou aqui para tirar sarro de ninguém, mas não deixei de esboçar um sorriso após essa afirmação. Primeiramente, Matrix é uma trilogia, só ficar no primeiro filme não explica muita coisa, principalmente para quem não é da área. Nessa toada, quem tem aquela sensação de que saiu do sistema só de ver o filme, com raríssimas exceções, entraram em outro sistema. Afinal, seria ingênuo pensar que um sistema não conhece suas próprias falhas.

Só para deixar um spoiler, o terceiro filme, Matrix Revolutions, parece contradizer as ideias do primeiro filme, mas na verdade é a melhor alternativa para a situação apresentada anteriormente: sacrifício e coexistência. As pessoas mal conseguem desenvolver algum conhecimento a partir do primeiro filme, quem dirá dos outros dois. A questão aí seria ter humildade em perceber que apenas um passo foi dado e que muitos enganos podem ocorrer. Você só percebe que saiu do sistema quando está fora dele.

"Eu tive sorte, eu estava vivo
Um olhar para trás, eu poderia ter morrido"

Asia - Sole Survivior

Isso lembra uma prova daquelas gincanas que tinham na televisão na década de 1990: havia várias portas e você tinha que atravessar uma delas. A certa era feita de isopor: o participante quebraria e passaria. As outras eram rígidas, mas obviamente não machucavam. Ao contrário da prova, a pessoa pode insistir em outras portas, procurar a correta, ou, digamos, a passável. A intenção de buscar uma saída é uma bússola que irá orientar o caminho.

12 dezembro 2017

Direito do Desejo x Direito da Percepção


Com essa noção de que devemos ser tratados como nos sentimos ser abre espaço para uma discussão que seria interessante se não fosse tão infantil. As pessoas hoje em dia querem ser tratadas como acham que são, causando uma tremenda confusão, já que cada pessoa percebe a outra de forma diferente. Hoje em dia, você pode se declarar qualquer coisa: um cavalo, uma ave, uma planta até. E exigir ser tratado como tal.

Para quem lê o blog sabe a falha que isso é: primeiramente porque o desejo é algo extremamente fugaz. "Hoje eu sou planta, amanhã serei um cachorro, e a cada dia que passa, quero ser tratado da forma como eu sinto ser". Com um agravante: "ai de quem me tratar diferente! Ai de quem me olhar e dizer que sou algo diferente do que eu me sinto ser! Isso é preconceito, é alguma-coisa-fobia, e tenho direito a reparação (em dinheiro, claro). Afinal sou uma pessoa livre para ser quem eu quero ser".

Por outro lado, quando alguém se utiliza do direito do desejo de forma que não me convém, eu uso o direito da percepção: eu te vejo de forma diferente, seja pelo motivo que for. "Eu não te vejo pessoa, eu te vejo animal". "Você diz ser gato, mas eu te vejo como boi". Isso faz com que as situações sejam julgadas pela conveniência, não pelos fatos e intenções. Imagine apurar um crime nestas condições!

Não existe caminho do meio para esta situação (em outro post, vou explicar que caminho do meio não existe pra nada!). O que pode superar esse conflito é o Direito Natural: aquele que a Natureza, em sua sabedoria, mostra que pão é pão, queijo é queijo. E ninguém gosta disso, porque desejo e percepção deixam de ser convenientes para a situação, colocando todo mundo em seu lugar.

05 dezembro 2017

Os quatro grandes pilares


Apesar da aparência de um post político, esta não foi a intenção. Os assuntos se entrelaçam, e não há muito o que se fazer. Também não adianta apenas navegar mais e mais fundo dentro de si, se não se traz esse conhecimento para fora. A ideia é fugir da equação previsível, com o maior afinco possível, pois por mais que se estude e se viva, a impressão que dá é que andamos em círculos.

Indo na levada da Reserva de Mercado, e fazendo um paralelo com Divergente e Matrix, existe na sociedade quatro grandes pilares que a sustentam, como grandes reservas de mercado.

  • A Academia: o "conhecimento da realidade";
  • A Igreja: ou as instituições religiosas;
  • As Leis: a ordem social;
  • A Desordem: tudo o que não se encaixa nos pilares anteriores.

Entenda que isso por si só não é algo negativo. É algo necessário para o animal humano sobreviver. O ser humano precisa de ordem - ele não consegue viver sem. É uma parte de seu instinto controlar e ser controlado. Nessa deixa, a pessoa é programada para viver em grupo, tornando-se previsível - por mais excêntrica que aparente ser. A programação começa na mais tenra idade e segue ao longo da vida. Ela pode sair dessa situação, através da progressão da consciência - algo já explicado aqui -, e deixar de ser influenciada pelos pilares.

O pilar da desordem é uma contraposição aos outros três, composto por outras estruturas menores, mas interligadas. A pessoa que sai do sistema transita entre os pilares, tem consciência deles, mas deixa de sofrer influência. Não segue mais a programação padrão - possui a própria, baseada no instinto natural com a consciência do sistema e das programações. Torna-se, então, imprevisível - o que é perigoso para o sistema como um todo, para todos os pilares. De forma geral, as pessoas buscam libertar-se dos pilares, mas não têm maturidade para isso.

No final das contas, não existe contraposição, e sim conflito de interesses. Como em Divergente, as diversas facções servem para manter o sistema funcionando como um todo - e mesmo os sem-facção possuem seu lugar. A cidade é trancada para fora, e não para dentro - e ninguém nunca questionou isso. Anular esta influência, e mesmo usá-la ao seu favor, é talvez a principal tarefa de uma pessoa. Quando se é muito jovem, apesar da abertura mental que existe, não existe maturidade para agir. Ao amadurecer, a programação já está concluída e funcionando, o que torna difícil a reprogramação. É algo que muitos querem, mas poucos tentam, e alguns realmente conseguem.