26 setembro 2017

O sofrimento é uma ilusão?


Questionaram-me por que eu vivo sorrindo, com a justificativa de que eu estaria tentando mascarar algum sofrimento. Achei uma pergunta interessante, e me pus a refletir para responder. É um exercício muito gostoso de ser feito, pois dá permite uma autocrítica sincera e produtiva.

Primeiramente, o sofrimento é real, ele existe sim, isso não pode ser negado. Negar tira todo o controle da situação, ela continua ocorrendo sem consciência da pessoa. Aceitar que o sofrimento existe é um passo importante na progressão da consciência, pois permite que possa ser tomada uma atitude efetiva a respeito.

O sofrimento é algo ruim? Depende da postura adotada, da resposta que é dada. Sofrer o sofrimento ajuda? Até certo ponto sim, é o chamado luto, necessário para seguir em frente. O luto é algo difícil de lidar, apesar de ser um nível de consciência relativamente baixo. É aquele baque inicial de algo inesperado, geralmente algo negativo.

Há um limite para o luto - como tudo na vida, ou quase tudo. Sofrer ajuda a por o excesso pra fora, mas e depois? Continuar a reclamar, a sofrer, chorar e se martirizar mais agrava a situação do que a alivia. Depois do luto não adianta mais sofrer - é como um doente que se recusa a melhorar. Martirizar-se não o fará uma pessoa melhor - talvez mais chata, rs.

Responder com alegria não é mascarar o problema - claro, se isso é feito de forma consciente. Quando há consciência, não há sofrimento, as coisas estão onde devem estar. É o contentamento e não a conformação. É agradecer e confiar no momento presente. Como se não existissem problemas, e mesmo que o sofrimento seja uma ilusão - ou uma questão de postura.

Se alguém acha que o outro está buscando mascarar seu sofrimento através de uma alegria falsa, a questão inverte: não seria o questionador a projetar seu próprio sofrimento no outro e não encontrar devolutiva? Ou mesmo incomodar-se com uma postura mais serena do outro? As pessoas em nível de consciência menor tendem a não suportar pessoas em nível de consciência mais elevado - o efeito Matrix. Isso as impede de conhecer coisas novas e aprofundar o conhecimento e a conexão consigo mesmo.

19 setembro 2017

Milagres são muito bonitos na Bíblia


Não pense nesse post como algo cristão. A ideia é refletir sobre a hipocrisia que existe em relação ao sobrenatural, aos milagres de forma geral. Muitos adorariam que tudo caísse do céu, e a vida fosse resolvida num passe de mágica - só pensar nas frases relacionadas à loteria. Entretanto, quando um milagre realmente acontece, ele é rejeitado e às vezes repelido pela própria pessoa que o desejou. As coisas acontecem não do jeito que se quer, mas do jeito que é necessário.

As pessoas tendem a se acomodar com seus problemas. Por mais que queiram que estes sejam resolvidos, no fundo, lá no fundo mesmo, o desejo é de que o problema permaneça. Motivo? Ele traz vantagens: a pessoa conhece seus mecanismos e sabe se adaptar ao mesmo, além de que resolvê-lo é criar um novo problema - as pessoas não gostam de novos problemas, pois estes são desconhecidos. Problemas e traumas são prazerosos: há quem diga que liberam neurotransmissores nos quais a pessoa se vicia, como uma droga.

Outra questão: pessoas querem que seus problemas sejam resolvido da forma como elas acham melhor. Se fosse do jeito delas, já teriam resolvido. O grande nó está em aceitar que as coisas não são do jeito que se quer, o que não significa que não sejam boas. Interessante notar que quando um problema some, ou é resolvido sem a anuência da pessoa, esta simplesmente se revolta. Depois de reclamar, reclamar e reclamar, alguém de saco cheio põe um fim à situação. Novos problemas surgem, mas a ladainha é a mesma de sempre.

Ninguém acredita em milagres, ou não os aceita, pelo menos em sua própria vida. Por mais que queiram esse contato sobrenatural, ao trombar com um, as pessoas não percebem ou o esnobam. Porque ele é simples, porque ele não tem nada demais. Milagres seriam coisas naturais mas incompreensíveis, ou mesmo inaceitáveis. O próprio processo evolutivo é sem graça, pelo menos nesse sentido - mas é tão profundo e tão gostoso que se torna mágico. E quando alguém vê esse processo ocorrendo em outrem, quer que aconteça com ela - bom, só a parte do encanto.

E quando alguém conta algo fantástico que aconteceu? Se não for alguém próximo ou mesmo aberto a ouvir, vai pensar que é história de pescador, ou mesmo que está contando vantagem. Vem aquela enxurrada de perguntas "lógicas" buscando alguma explicação "plausível" para o ocorrido. Quando não há, a história foi mal contada. Não é questão de acreditar vendo ou acreditar sem ver: é estar aberto ao que não se conhece. Como chamar de confuso algo que a própria pessoa não compreende?

12 setembro 2017

Trolls

Época esquisita, onde vampiros se alimentam de sangue animal, minions são amarelos e trolls são fofinhos...

Os filmes infantis acabam por ensinar coisas importantes para qualquer idade. Acabo por preferir filmes infantis a um gênero mais "adulto" pela simplicidade, emoção bem dosada e pelas cores alegres e vibrantes. Os filmes para um público "adulto" acabam sendo sombrios e melancólicos nas suas cores, por mais que os temas sejam alegres. Mesmo os filmes de comédia andam sem graça.

Este filme é uma boa reflexão sobre alegria e felicidade. Os trolls são seres animados, que cantam, dançam e se abraçam o tempo todo, e alimento dos bergs, seres que lembram os trolls da mitologia (os de verdade?). O efeito que o troll causa em um berg é de uma tremenda alegria e contentamento - isso mesmo, como uma droga. Os trolls então organizam uma fuga de sua árvore, mas acabam sendo descobertos e raptados.

O desenrolar da trama poderia até ser chamado de à procura da felicidade. Os trolls não eram realmente felizes, mas quem tinha realmente consciência disso era o Tronco - que sabia também que a imaturidade dos trolls os levaria a uma nova desgraça. Resgatar os amigos também foi um resgate da verdadeira amizade e felicidade. Eles sabiam que a felicidade estava dentro de cada um, mas estavam presos à mecanização do que consideravam a mesma. Assim como os bergs que achavam que só eram realmente felizes ao comer um troll.

Tronco vive traumatizado pela alegria dos trolls, o que lhe dá consciência e maturidade da realidade a sua volta, mas não faz o caminho de volta - não busca sua felicidade interior. Está tão focado em proteger-se dos bergs que acaba por esquecer de ajudar a proteger seus semelhantes, tão crente que estava na inconsciência e imaturidade destes.

Na minha opinião, o ponto mais importante da história é a traição de Creek, o troll zen. Quem diria, o troll iluminado simplesmente se recusa a ser devorado, entregando a vida de seus amigos pela sua. Não poderia ser dito que ninguém esperava isso dele, pois ninguém esperava nada mesmo. Chega a ser uma crítica interessante: aquele que se diz evoluído é quem toma a atitude mais covarde. Quantos evoluídos de Facebook não são assim? Aliás, Creek também não possui nenhum tipo de empatia por Tronco - as coisas começam a estar erradas aí.

Entretanto, mesmo Poppie deixa de lado por um momento a berg Bridget para tentar salvar seus amigos, acreditando que ela teria coragem de assumir sua verdadeira identidade perante o novo rei Gristle. Só que há coisas nas quais que só se consegue fazer com o apoio dos amigos - amigos de verdade. No desenrolar da trama, o povo troll se vê aprisionado dentro de uma caçarola e finalmente cai na real. E quando isso acontece, percebem o que é ser cinza de verdade.

Tronco sempre foi azul, mas os outros não conseguiam ver isso nele até se tornarem cinza. E ao verem as cores verdadeiras (as coisas como elas são, de certa forma?), a alegria é expressa de forma espontânea e natural, independentemente da situação em que se encontram. Quando isso acontece, os trolls ajudam Bridget a assumir seu amor, mostrando que a felicidade encontra-se dentro de cada um, não em alguma coisa. Parece contraditório, mas amar alguém de verdade é encontrar a felicidade interior, porque deixa de existir o eu e começa a existir o nós.

As coisas não mudam substancialmente. Os trolls voltam a viver na cidade berg, mas agora sem a ameaça de serem devorados. Não existe mais hora do abraço: as coisas tornam-se espontâneas. Mesmo os bergs encontram a alegria de viver à sua maneira. Isso sem a cozinheira que dizia que a felicidade estava em comer trolls (a fonte de seu poder), e sem aquele troll que fechava os olhos à realidade em que vivia.

05 setembro 2017

Ingratidão


Greve para mim é uma manifestação de ingratidão. A pessoa não agradece pelo que tem, nem tenta se mover para melhorar a própria vida sem querer atrapalhar a dos outros. Bom, é a minha opinião - se ficou desagradado com ela, sugiro não terminar de ler este post, mas fica o convite a fazer uma reflexão diferente (e interessante) sobre o assunto.

Você é feliz com o emprego que possui? Busca se aprimorar pensando em melhorar a qualidade do próprio trabalho (não pensando somente em vantagens financeiras)? Toma atitudes pela empresa e pelos colegas ou acaba deixando as coisas "escorregarem das mãos"? E com o salário que ganha? É possível pagar as contas, se permitir alguns "luxos" e sobra um pouco para emergências? Esqueça toda e qualquer análise externa (política, econômica, fofocas) - aqui a questão é analisar a própria vida, que é vivida por você, não pelos outros.

Basicamente, se sim: por que não agradecer pelo que tem e se melhorar a cada dia, independentemente do que dizem? Se não: o que você pode fazer para melhorar a situação, passando por cima das circunstâncias (é aí que consiste a superação e o crescimento)?

Greve nada mais é do que atrapalhar outrem por causa própria. Como ajudar ou apoiar alguém que prejudica deliberadamente apenas para chamar a atenção? Se a pessoa (ou um grupo) está insatisfeita com suas condições de trabalho, deve-se procurar meios próprios para superar tal situação, inclusive procurando outro emprego. Nada é seguro ou estável suficiente para prender-se em situações insuportáveis por tempos demasiado longos.

Nestas horas, recorro aos Cinco Princípios do Reiki como um auxiliar à reflexão:

  • Somente por hoje: só o hoje existe, para não dizer só o agora. Passado e Futuro são ilusões criadas pelos traumas e expectativas;
  • Sou calmo: quando se está zangado, irado, irritado, as atitudes são danosas, inconsequentes, imaturas;
  • Confio: nada é por acaso, as situações estão lá porque fazem parte de você;
  • Sou grato: não existem problemas, existem situações, que podem ser favoráveis ou não. Cabe a você para superar e evoluir;
  • Trabalho honestamente: seja honesto se quer que os outros sejam honestos com você. Respeite se quer ser respeitado, nada mais;
  • Sou bondoso: é o dormir com a consciência tranquila à noite. Se bem que há pessoas tão cansadas de si que não possuem consciência disso.

Estou rascunhando este desabafo há alguns meses, depois de uma discussão entre reikianos sobre aderir à tal greve geral ou não. Também foi um assunto recorrente na faculdade e mesmo no trabalho. O pessoal que busca algo além do mundano acaba por não saber como reagir nestas horas. Oras, buscar um conhecimento profundo não significa ignorar a realidade, digamos, mundana. É justamente ligar as duas pontas: a sabedoria, digamos, profunda deve fazer parte do cotidiano - e mesmo inspirar outras pessoas.