25 julho 2017

O Jeitinho Brasileiro e suas consequências

De uma forma ou de outra, as pessoas conhecem a tão famigerada Lei de Gérson: "gosto de levar vantagem em tudo, certo?" Alguns levam no sentido da "esperteza saudável", estar atento às coisas, mas o sentido literal do termo é passar por cima do que for (e de quem for) para levar vantagem em determinadas situações. Se para começar, esperteza não é algo inteligente (o inocente não precisa ser esperto, pois ele está aberto às situações), levar vantagem prejudicando deliberadamente alguém é algo... isso deixo para você refletir.


É tão fácil levar vantagem sobre as coisas: tá bem na nossa frente, dá pra aproveitar e ninguém vai perceber. Aquela adrenalina, a sensação de orgulho por fazer algo inteligente... Se eu fosse enumerar alguns exemplos de jeitinho, primeiro que é difícil de escolher os mais emblemáticos, segundo que são muitos e acabaria por diluir o post. As pessoas têm seus próprios casos de jeitinho e convido você a refletir sobre os que acontecem em sua vida e trabalho.

Se em coisas pequenas é tão fácil passar a perna, imagina nas grandes. Como diz Mestre Yoda: "quem aprende a levantar uma pedra, levanta um avião". Esses grandes esquemas de corrupção que são noticiados são apenas reflexo das pequenas corrupções diárias, nada mais. Aquela pequena malandragem rotineira causa grandes danos a toda a sociedade, que clama pelo fim da corrupção, mas não consegue superar a própria esperteza. Parafraseando aquela propaganda: o problema do Brasil é o brasileiro.

Como toda evolução, o processo é interno para depois se tornar externo. Não adianta criar grandes operações policiais, prender e condenar "os corruptos". Uma nova safra irá surgir, tomar seu lugar e repetir os mesmos atos - porque ainda haverá aquele jeitinho brasileiro para tudo. A maioria nem vê que o faz, de tão corriqueiro que é. Se não o faz, ou é trouxa, perdeu a oportunidade, ou é caxias, faz tudo certinho, sendo associada uma coisa com a outra.

A questão no caso é de consciência: dos danos e consequências a longo prazo. De ir dormir com a famosa sensação de peso e se tornar dependente de remédios para poder repousar o corpo. Com o tempo, a sensação fica entorpecida e anestesiada: o erro dilui-se. Ao vir à tona, é como se a pessoa tivesse acabado de acordar: não tem muita noção do que está acontecendo e ao perceber o erro e suas dimensões, fica constrangida. O jeitinho não apenas prejudica a sociedade como um todo, prejudica a própria pessoa que o pratica.

18 julho 2017

O Caminho de Ida e o Caminho de Volta


As pessoas seguem o caminho de ida, que chamam carinhosamente de caminho de volta, buscando um novo mundo dentro de si, longe das atribulações do cotidiano. Um lugar puro e verdadeiro, para se repousar eternamente. Quem finalmente chega lá descobre que vai ter que voltar à superfície, uma hora ou outra, estando o caminho aberto e livre para ir e vir. Alguns se recusam a voltar, isolando-se no próprio mundinho. Outros fazem o caminho de volta, sem olhar pra trás, trazendo ao vulgo sua experiência e aprendizado, enriquecendo a todos.

Já chamaram isso de dupla-traição: você trai seu grupo em busca de si mesmo (ida), e você trai a si mesmo para voltar ao grupo (volta). Acho traição um termo pesado, por causa de sua conotação negativa, e a busca interior não o é - pelo menos não deveria ser vista como tal. De certa forma, a pessoa que entra em si o faz questionando o que está em volta dela. É inconsciente e até certo ponto energético. Depois de um tempo, as pessoas começam a te olhar estranho na rua, e mesmo acontece o efeito Matrix que eu já havia comentado anteriormente.

Voltar pra casa não é o Caminho de Volta, e sim o de Ida. A volta é trazer à tona o que você encontrou - seria o voltar à "realidade". Voltar para casa é um mergulho em si mesmo, onde você se encontra e se descobre. Mais importante do que saber o que ocorre a sua volta é saber o que se passa no próprio interior. Descobrindo-se o maravilhoso mundo interior, uma nova perspectiva desdobra-se diante da pessoa. É quando as baterias são recarregadas e os problemas são resolvidos - ou pelo menos atinge-se uma dimensão mais profunda da situação.

Há um problema na hora de voltar. Está tudo tão bom, tão maravilhoso, que voltar ao cotidiano é penoso - mas necessário. Ficar preso neste mundo é tão danoso ou nocivo quanto à "realidade". Como no mito da caverna, ninguém vai entender nada - podem até te matar. A experiência da ida só faz sentido na volta ao cotidiano. Assim o ciclo se completa: sempre que necessário o caminho pode ser trilhado. Parece que nada mudou, mas tudo está diferente - a percepção da pessoa quanto ao mundo está mudada.

11 julho 2017

Não tenha pressa em evoluir


Por mais que um dos assuntos do blog seja o crescimento pessoal, não tenha pressa em evoluir. A evolução já está em não ter pressa para que as coisas aconteçam - elas irão acontecer. Parece estranho, mas evolução não demanda esforço - pelo menos, não no sentido de forçar a barra. Só de haver a vontade em evoluir - aquela vontade genuína, constante - as coisas já começam a mudar. Querer fazer da evolução um hábito, uma prática, corre o risco de tornar-se uma mera fachada de vaidade.

Uma questão que fica é se realmente há mudanças. Parece contraditório - o processo evolutivo é cheio de contradições e vazio de lógica - mas a pessoa muda sem mudar de fato. Ela não deixa de ser ela: apenas desabrocha o verdadeiro ser quem é. Ou seja, uma pessoa evoluída é apenas uma pessoa como ela é - com defeitos, manias, e mesmo mau humor matinal. Engana-se que seres evoluídos são doces de enjoar ou aquele estereótipo do zen de Facebook. A maioria dos evoluídos New Age não passam de meros vaidosos que se recusam a aceitar quem realmente são.

Uma pessoa evoluída não deixa de ter suas máscaras, expressões parciais de um todo resolvido, o que causa muita confusão. A diferença está na consciência em que isso é feito. A pessoa não precisa mudar seu visual ou seus hábitos apenas para aparentar que cresceu. Às vezes, essas mudanças radicais apresentam o contrário, ou mesmo uma resistência ao próprio processo. Evoluir não é tornar-se outra pessoa, seria meio que se transformar em si mesmo.

E sim, evoluir não tem lá muita graça, sobretudo para as pessoas de fora. Muitos querem evoluir apenas para exibir uma aura de evolução. Desistem do processo, ou fingem prosseguir, ao perceber que as mudanças são mais internas do que externas. Fora que cada pessoa possui suas dificuldades, que a cada superação modifica o ambiente em volta. Não significa desistir, ou mesmo não tentar, mas dar o devido tempo para as mudanças e as aceitar conforme surgirem.

04 julho 2017

Hipocrisia e questionamento


Vi uma reportagem muito interessante sobre pais que se recusavam a vacinar seus filhos por concluírem que aquilo não era bom para eles, o que poderia ser a causa de epidemias de "doenças controladas" pela vacinação. O que me chamou a atenção, contudo, foi a forma de se afirmar que vacinar era necessário. Não havia exatamente uma explicação, ao contrário das pessoas que recusavam a vacinar-se, mas uma afirmação contundente, de que precisava e ponto, e se havia epidemia, a culpa era deles, ponto final.

Eu sou a favor da vacinação. É um cuidado que evita muitos problemas, entretanto é um recurso que deve ser continuamente aprimorado como qualquer coisa. Ficar apenas afirmando que "temos porque temos", sem uma justificativa plausível, abre brecha para questionamentos mais e mais fortes. E assim as coisas mudam abruptamente (para não dizer dolorosamente): quando não se está aberto a críticas, estas tomam as rédeas da mudança, anulando até o que havia de bom no estágio anterior. Permitir que críticas e questionamentos faz com que qualquer coisa evolua e se torne melhor ao longo do tempo.

No entanto, tem-se a impressão de que questionar é algo negativo. Parece que quem questiona está indo contra o grupo e querendo causar confusão. Quem não conhece os vídeos do Mamãe, Falei, nos quais perguntas viram motivo de agressão? Assumir que não se sabe algo é parte da humildade, que abre portas para o aprendizado e para o crescimento. Por mais polêmico que seja o assunto, ou mesmo que ele tenha aparência de resolvido, sempre há espaço para discutir-se e aprender.

Questionar e ser questionado é estar aberto ao novo e à mudança. Mudar é necessário, por mais inseguro que pareça. O mundo não é mais sólido como antes - isso se alguma vez ele o foi ou apenas agora está visível sua fluidez. Mais importante do que questionar o que está fora é questionar o que está dentro também - o famoso se olhar no espelho. Não é questão de se estar certo ou errado - ora se pode estar certo e ora se pode estar errado - mas ter atenção no rumo o qual a vida está seguindo. É algo ao mesmo tempo maduro e infantil, pois carrega aquela visão de mente aberta a tudo das crianças com uma postura mais postura frente ao que já se passou.