25 abril 2017

Entropia e Esforço


De maneira geral, o Universo tende ao caos, à bagunça, à desintegração. A casa fica uma bagunça quando ninguém a organiza, a sociedade entra em colapso sem alguma força de ordem, e mesmo a mente dispersa-se em mil assuntos quando a mesma não é controlada. Para qualquer coisa da vida, o esforço é necessário. Seguir o fluxo do Universo não significa deixar tudo nas mãos dele - ele vai bagunçar tudo! Como um vírus, as pessoas mudam seus ambientes através de sua atividade, do seu gasto energético.

Tudo acontece através de esforço. É o esforço que põe as coisas em ordem. É o esforço que faz com que as pessoas evoluam e sigam seus caminhos. É um detalhe: está no meio-termo do pensamento que o Universo está ao nosso favor e que temos que bater de frente com ele para que cumpra nossas vontades e caprichos. Não existe espaço para a preguiça, mas existe um espaço para o cansaço e o descanso. Ultimamente, as pessoas andam com cada vez mais preguiça, achando ser cansaço. Dormem mais e mais, e continuam com sono, acordando cansadas.

Longe de fazer uma análise "científica", faço uma reflexão. Quanto mais se dorme, mais se quer dormir, mais cansado se acorda. Ao se tentar ficar acordado, desaba-se sobre a mesa, apaga-se para acordar minutos depois como um computador que entra em modo espera e "volta" do nada, como se tivesse dormido horas seguidas. A solução não é apenas dormir mais e mais, abrindo mão de compromissos cada vez mais importantes, mas sim refazer a rotina, aprender a dar preferência ao que realmente é importante - sobretudo o sono na hora certa.

Esforçar-se para manter-se acordado, viver e ser feliz. Esforçar-se, gastar energia, para poder repousar depois. Este gasto de energia é o que mantém o equilíbrio da constante entropia do Universo, e mesmo da própria vida das pessoas. No final, parece algo tão óbvio! Entretanto, é algo não trabalhado, não percebido.

18 abril 2017

O Despertar


Há uma teoria na psicanálise de que a pessoa nasce apenas quando ela desperta sua consciência. Enquanto isso não ocorre, ela vive por aí como autômato e pode "morrer" sem ter "nascido". À primeira vista parece absurdo, mas se fomos pensar em uma sociedade que se diz tão avançada, ou mesmo em um animal denominado racional, é frustrante perceber essa involução. Mesmo se não houvesse essa tecnologia atual, mas houvesse evolução, talvez a primeira tornasse menos necessária ou frenética.

De acordo com Hawkins, a consciência humana varia cerca de 0,4 pontos durante a vida, seja evoluindo ou involuindo (ou mesmo evoluindo negativamente). Nos níveis abaixo da Coragem, a instabilidade é maior, ou seja, a pessoa oscila da Vergonha ao Orgulho constantemente, pouco aprendendo efetivamente. Ou seja, existe uma massa de zumbis andando por aí que não possuem consciência de si. Talvez essa moda de "apocalipses zumbis" seja apenas para representar o sono no qual a humanidade se encontra.

Sair do sistema, algo que está virando moda hoje em dia, é algo muito mais interno do que externo. Libertar-se das amarras da própria ignorância é o que efetivamente "desliga" a pessoa do sistema. Olhar para dentro, conhecer a si mesmo, aceitar-se e se perdoar: as pessoas fogem disso, consciente e inconscientemente. A meditação, um caminho em moda para o autoconhecimento e evolução, tornou-se a mera experiência do surpreendente, sendo que de surpreendente ela nada possui.

Nessa onda, aparecem guias e gurus, pessoas que literalmente comercializam reprogramações. São formas de continuar iludindo as pessoas, sob a sensação de que estão livres da opressão do sistema. Talvez o sistema "externo" seria uma projeção de um sistema "interno", criado e manipulado pela própria pessoa. A realidade seria então uma ilusão criada pela própria pessoa, e essa obsessão altruísta uma forma de manter todo mundo dormindo, longe da verdadeira compaixão entre os seres.

Não se pode esquecer: só porque a pessoa está dormindo, não significa que ela esteja isenta de responsabilidade. A ignorância não é uma bênção como alguns dizem, poderia até ser chamada de "maldição". Por isso tantos problemas, tanta coisa ruim. Como uma pessoa que não consegue estender a mão para si mesma pode estender a mão ao outro?

11 abril 2017

Para entender a mente humana


Fiquei doente há alguns dias e procurei repouso na casa de minha mãe, um amor de pessoa que tem a solução para qualquer coisa - do resfriado à falta de dinheiro. O assunto de casa era a atual edição do Big Brother Brasil, na qual uma das participantes havia ganhado destaque pelo seu jeito "desonesto" com os outros concorrentes frente às câmeras. Uma pessoa que, na boca de muitos, não serve de exemplo para ninguém, manipuladora, vulgar, birrenta e irresponsável. Seu "sucesso" estava por atrair pessoas que haviam parado de assistir ao programa para ver suas manipulações e "má conduta", permanecendo na casa e cada vez mais próxima de ganhar o grande prêmio em dinheiro.

Conforme se avança no processo evolutivo, o tema "evolução" começa a fazer parte de assuntos corriqueiros e rotineiros: da fila do pão à política internacional. É incrível ver o sistema agindo em coisas tão mínimas, influenciando mentes e acontecimentos. Ou seja: afastar-se por mero afastamento de certas coisas é perder oportunidades importantes de se conhecer o outro e a si mesmo. No entanto, a aproximação requer consciência e serenidade: consciência do objetivo da aproximação, e tranquilidade para não se criar resistência sobre.

Foi uma experiência interessante. Não formei uma opinião sobre a tal moça, que era peça do jogo como todos os que estavam na telinha. Ela faz sucesso, atrai público e consequentemente dinheiro à produção. Tanta gente que eu vejo assinando o pay per view para vê-la em ação justificaria até uma manipulação de "Paredões" para manter-se na casa e manter a audiência do programa. A situação em si reflete o que está no interior das pessoas sem que elas tenham consciência disso. Se a pessoa simplesmente não ignora e descarta, e tem sua atenção presa, é porque há alguma afinidade.

Outra coisa é a questão da moral pessoal: a pessoa que condena outra por fora, pode simplesmente aprová-la por dentro. Quem não gostaria de ter a sensação de estar por cima, manipulando pessoas, fazendo o que bem quer e tirando vantagem disso? A questão não seria gostar ou não, e sim a atenção atraída, a energia despendida de prestar atenção. Dizer que votou para ela sair apenas para pagar de boa pessoa e não tê-lo feito é outra possibilidade. E isso pode ser visto inclusive na atual situação política brasileira.

Não duvido que tal concorrente ganhe o programa e goze de fama tempos depois. Mas fico a refletir sobre a ação e reação das pessoas a respeito, o que escrevem e desabafam. De certa forma, aquilo influencia suas vidas - não da forma como gostariam. Isso pode ser aplicado para outras coisas, conhecendo o sistema e a si mesmo. Não seria exatamente um "entretenimento" - apesar de ser bastante divertido - mas um estudo de caso e um aprendizado a um nível mais profundo. Conhecer o outro é uma forma de conhecer a si, e conhecer a si mesmo é uma forma de conhecer o outro.

04 abril 2017

Enkaku Chiryo - o famoso Reiki à distância

Talvez a técnica mais conhecida do Okuden, o nível II do Reiki, seja o envio à distância, que é conhecido tradicionalmente como Enkaku Chiryo. Há várias formas de se enviar Reiki através do tempo-espaço, seja através de uma fotografia (Sashin-Chiryo ho), pelas técnicas de redução ou substituto, ou mesmo se utilizando da caixa ou caderno de Reiki. O que eu mais vejo no Facebook são pessoas pedindo Reiki à distância para si e para amigos e familiares, assim como pessoas que se oferecem a enviar.

Entretanto, há algumas observações a serem feitas que costumeiramente os reikianos "deixam passar", seja por inexperiência ou por ignorância. Gostaria de ilustrar com um exemplo do filme Encantada, cuja cena é posterior a esta música:


A princesa Giselle pede para algumas pombas enviarem flores à ex-esposa de seu amigo Robert, mal sabendo seu nome, e sem saber endereço e outros dados. Ela apenas disse: "envie para Nancy!". Na cena seguinte, Nancy agradece Robert pelas flores. Por mais infantil que possa parecer, pode-se fazer um paralelo com o envio à distância:

  • Quanto menos dados, melhor: você não precisa saber o endereço, telefone, data de nascimento, e às vezes, nem ter uma foto ou objeto da pessoa (testemunho). Quando pedem no Facebook para enviarem Reiki para si mesmo ou alguém e fornece tantos dados, pessoas de má fé podem fazer mal uso deles.
  • Proximidade: quanto mais próximo o receptor for do reikiano, mais eficiente é o envio. Não digo em questão de distância física, mas sim de ligação: parente, amigo do amigo, profissional que trabalha com alguém conhecido. Quando se pede ou se aceita Reiki de uma pessoa desconhecida, este reikiano pode simplesmente nem enviar a energia, ou simplesmente a energia se dissipa por aí.
  • Não precisa combinar dia e horário: ao contrário de alguns medrosos, enviar Reiki à distância pode ou não ser combinado. Às vezes, na hora em que o reikiano está disponível, o receptor está fazendo outra coisa, e vice-versa. Quando o reikiano é uma pessoa evoluída, a hora que ela enviar vai ser a melhor hora a ser enviada e a melhor hora a ser recebida, independentemente do que o receptor esteja (ou não) fazendo.

Vejo que o Enkaku Chiryo tem sido muito distorcido e vulgarizado, sobretudo nas redes sociais. As pessoas acabam por pensar que é um remédio milagroso, rápido e eficaz. Reiki é natural, ele não faz nada inexplicável; uma aplicação à distância tende a ser imprecisa e generalista, e para problemas (energéticos) específicos, deve ser feito o tratamento presencial; Reiki só é eficaz quando aplicado por uma pessoa competente, profissional, evoluída: como confiar em uma pessoa que envia Reiki para emagrecimento ou para ganhar dinheiro?