31 janeiro 2017

O Grande Livro do Reiki

Acompanho o trabalho da Associação Portuguesa de Reiki desde 2014, e admiro muito seu trabalho. Seus membros atuam com voluntariado na área de saúde e esclarecimento para a sociedade - coisas que pessoalmente sinto muita falta aqui. Recomendo o blog Reiki em Portugal, aberto ao público - sim, eles são extremamente organizados e profissionais. Através deles que conheci o blog O Tao do Reiki, de autoria de João Magalhães, que também recomendo.

Descobri com eles uma outra visão de Reiki, longe dos misticismos tão comuns por aqui. Acabei por adotar esta postura de trabalho por ressoar tão profundamente em mim e se aproximar da minha visão de mundo. Finalmente encontrei a referência que eu tanto procurava depois de três anos de Mestrado. Acabei por comprar os livros do João na Wook, que tem entrega e pagamento diferenciado para o Brasil. Não precisa nem ter cartão de crédito - você paga com Safety Pay na lotérica e o mesmo é validado na hora. A entrega foi mais rápida do que alguns livros daqui, com acompanhamento online. A caixa não é lá bonitinha, mas é resistente e dá pra usar em outras coisas - e os livros chegam inteiros.

Comprei os três livros disponíveis no site: O Grande Livro do Reiki, Reiki: Guia para uma Vida Feliz e Reiki: Elevação da Consciência. Li o último e estou lendo o primeiro, com grandes expectativas quanto ao segundo. A escrita é agradável, muitas vezes divertida, mas sempre profunda, muito profunda. O autor é uma pessoa que respira Reiki, vive Reiki. O Grande Livro do Reiki parece que foi inspirado nas Apostilas Oficiais do Jhonny De'Carli, sobretudo quanto à estrutura (proposta dos capítulos e organização dos assuntos). Os textos não se repetem em mais de uma obra, mesmo que o assunto seja o mesmo. É decepcionante quando se compra quatro livros de um mesmo autor que vêm com os mesmos textos. Eu precisava desabafar isso.

A obra foca o Reiki dentro dos conceitos da filosofia japonesa, em especial o budismo e mesmo as artes marciais. Mikao Usui era budista e praticante de artes marciais, e inseriu em seu método conceitos e técnicas de ambos. O Usui Reiki Ryoho foca primeiramente a cura da mente e do corpo de seu praticante (cura no sentido de equilíbrio e evolução, por assim dizer) para depois ser feita a aplicação da técnica em outras pessoas. Muitos reikianos acabam por não dar a devida importância ao cuidado pessoal, considerando o Reiki mera "terapia complementar". Se fosse apenas isso, os Cinco Princípios e a poesia do Imperador Meiji não fariam parte do Reiki.

O livro está recheado de sugestões de práticas para reflexão e desenvolvimento pessoal. É um excelente material de apoio para reikianos de todos os níveis. São exercícios simples, que podem ser feito durante a rotina diária, mas transformadores - se a pessoa se esforçar. Interessante que não há nada de "formidável" ou "surpreendente", exigindo disciplina para as mudanças acontecerem. Há uma sugestão de prática dos níveis aprendidos, dentro de uma perspectiva de seis meses entre cada um. O autor considera que o avanço rápido pelos níveis acaba por não permitir a assimilação total do conhecimento muito menos o desenvolvimento do reikiano para o próximo nível - isso se realmente for de sua vontade. O reikiano não precisa cursar todos os níveis, muito menos ter pressa de aprender.

Aí se chega a um ponto fulcral (e polêmico) do Reiki: quanto tempo de duração de um curso? Uma certeza se tem: curso de apenas um final de semana não. Não dá tempo pra se aprofundar na teoria, muito menos na prática: sai-se cru e inseguro. Um ano também pode ser exagero, sobretudo quando não se tem conteúdo ou disposição para tal. O tempo tem que ser suficiente para que o reikiano possa aprender e desenvolver o conteúdo com segurança. Ao contrário do que se diz, o mestre não "solta" o aluno para o Universo, cria-se um elo, uma responsabilidade, confundida muitas vezes com possessividade. Desenvolver a consciência é parte fundamental e evita o surgimento de mal-entendidos.

Agora que o Reiki faz parte dos procedimentos do SUS (DOU 13/01/17), afirmar que um reikiano pode ser formado em apenas um dia é absurdo (pra mim sempre foi, e para outros tantos profissionais de saúde). Você pode habilitá-lo para transmitir energia, mas isso não é o suficiente. Um dos argumentos do "Reiki micro-ondas" é que o Reiki é simples, portanto menos seria mais - um diferencial comparado a outras terapêuticas -, sobretudo quando se pensa no autocuidado. Simples não é simplório. Se a base não é sólida, nem pro autocuidado serve.

Outro ponto diferencial que não encontrei em outra obra é a visão prática sobre o Mestrado (IIIb - Gokukaiden). Enquanto a maioria dos autores apenas dão uma descrição teórica sobre, n'O Grande Livro do Reiki encontra-se mais material, mais sugestões e mais reflexões. Para quem saiu "perdido" ou "boiando" do Mestrado, dá um rumo interessante. É irônico quando um mestre de Reiki diz que "solta" aluno, mas esconde o conteúdo de seu Mestrado (que é óbvio e menos restrito que dos outros níveis) das pessoas em geral.

Se for adquirir os três livros, sugiro a leitura primeiro d'O Grande Livro do Reiki, para ter uma visão geral do assunto, e mesmo do estilo do João, depois o Guia para uma Vida Feliz: Reiki é a arte secreta de convite à Felicidade, para aí sim partir para a profundidade do Elevação da Consciência. Não pude deixar de pensar no Power vs. Force do Hawkins. Ambos os trabalhos falam do desenvolvimento em direção da Iluminação: caminhos maravilhosos de crescimento pessoal. A Felicidade não é algo tão vago quanto pensam ou querem transmitir por aí.

24 janeiro 2017

Interligações

Nenhum ser humano é uma ilha isolada no nada, nem uma peça fora da máquina, ou mesmo um código sem sistema. Pode até tentar ser, tentar viver sem depender dos outros, ser totalmente autônomo. A pessoa se deixa levar pela falsa sensação de autonomia que o orgulho traz, e pode nunca chegar a perceber que sempre dependeu de alguém ou algo. Não há nada de ruim nisso, muito pelo contrário: as pessoas fazem parte de um organismo harmonioso no qual há múltiplas relações de interdependência.


Pessoas precisam de pessoas, do ambiente, e de uma série de outras coisas. Não existe vida isolada, solta. Talvez a questão esteja então na qualidade da dependência. É o que se chama comumente de trabalho em equipe. Cada um faz sua parte da melhor forma possível - por si e por todos. Não adianta: as pessoas estão todas no mesmo barco - o que afeta uma afeta todas. Ninguém está "ocupando espaço" - é um equilíbrio dinâmico, onde as peças se reencaixam constantemente.

Quando uma pessoa busca essa independência solta, ela busca fugir de si mesma, de sua ligação com o mundo. Aceitar que a dependência é necessária é o primeiro passo para o crescimento. Não é a aprovação do parasitismo, e sim o contrário: ter atitudes mais maduras com as pessoas que um dia poderão estender a mão. Atitudes mais maduras melhoram a convivência entre as pessoas e as relações de dependência tornam-se mais sutis, mas não deixam de existir.

A relativização de alguns conceitos acabou por distorcê-los e causar consequências danosas às pessoas. Nenhuma pessoa é completamente independente de sua sociedade, mesmo do sistema. O que ela pode fazer é melhorar essas ligações, por si e por outrem.

17 janeiro 2017

A programação humana


"Somos en serie fabricados
Como unos clones programados
Siempre imponiendo que pensar
Que j***r que amar que pensar que pisotear"


Combatiente - Maná

Tenho a impressão de que as pessoas são programadas, como uma máquina. Reagem imaginando estarem agindo, imitam pensando estarem sendo únicas, sobrevivem achando que vivem. É algo confuso e maluco a se pensar, mas ao se vencer o ego e começar a aceitar a ideia como plausível, uma nova estrada de pensamento pode aparecer para a mente.

É fato que as pessoas são 98% inconsciência e 2% consciência. Para mim, é claro que os 2% agem sob influência dos 98%, uma vastidão de ideias e padrões desconhecidos. Os bloqueios energéticos derivam de padrões negativos, que podem até causar problemas físicos, e na maioria das vezes causam o que chamam vulgarmente de Lei de Murphy. Pode haver qualquer coisa lá, e mesmo vigorar ideias que o consciente diz discordar. O que é chamado de consciência acaba por agir como um autômato, ilusoriamente independente.

Isso explica a impressão de que as pessoas parecem ser produzidas em série, como se fossem iguais umas às outras dentro de determinados rótulos. Os padrões estão lá dentro, por mais que as pessoas digam repudiá-los ou mesmo se considerem únicas. Ao longo da vida, as pessoas recebem uma miríade de informações, que são absorvidas sem alguma avaliação. É fácil falar de golpe, difícil pensar em crise política. É fácil olhar o fato, difícil olhar a situação. É fácil rejeitar uma ideia, difícil é refletir a respeito.

E as pessoas são programadas umas pelas outras, ou seja, a programação está em constante mudança. A troca de ideias e conceitos vai reprogramando o inconsciente, e mesmo o consciente, constantemente. Quando se busca uma terapia, por exemplo, busca-se reprogramação. Um guru, um mestre, por mais evoluído que seja, é um programador, como qualquer outra pessoa. A diferença está na qualidade de informações inseridas. Uma pessoa mais evoluída acaba por reprogramar quem está a sua volta com ideias mais elevadas, e vice-versa.

Ao evoluir a própria consciência, a pessoa começa a se autorreprogramar. As ideias já inseridas passam por avaliações e o que é captado não é mais aceito "logo de cara". Na maior parte das vezes, é como se nada fizesse sentido subitamente - ou mesmo o contrário. Manter a atenção e a consciência são incentivos cada vez mais comuns, mesmo que a maioria deles esconda uma tentativa de controle. O autocontrole existe, mas é algo graduado: uma coisa é não perder a cabeça em uma situação de nervosismo, outra coisa é tomar uma decisão de total livre e espontânea vontade.

E como toda programação, as coisas podem bugar. A tentativa de inserir determinada ideia pode simplesmente inserir outra, ou mesmo criar uma forte resistência ao conceito inicial. O filme A Origem retrata a tentativa de convencer uma pessoa a desistir de um projeto através da manipulação de seu inconsciente. Deixando de lado o objetivo para o qual o plano é executado, a visão que se tem do inconsciente humano mostra como as pessoas estão expostas à manipulação continuamente, e como podem reagir a ela - dentro ou fora do previsto. Os meios de comunicação utilizam de diversas técnicas para "fisgar" o inconsciente, o que pode ser negativo ou não.

10 janeiro 2017

A falsa humildade


Humildade é um sentimento complicado. É quando o orgulho é suprimido por inteiro, abrindo-se o coração ao outro. No entanto, isso vem sendo mal interpretado há séculos, e quem realmente o é acaba sendo considerado justamente o oposto. Humildade nada tem a ver com humilhação ou simplicidade, inclusive este conceito é demasiado subjetivo para um propósito tão elevado. Pessoas arrogantes existem em toda a escala social - das mais pobres às mais ricas.

Humildade é se conhecer a ponto de reconhecer seus defeitos e qualidades - sim, e o potencial acerolático também. A pessoa que é evoluída o é e ponto, se ela sempre tem razão, não é pela sua presunção e sim pela sua experiência. Quase nunca a pessoa terá razão ou estará certa - sempre dependerá de outrem. E mesmo quando a situação lhe é favorável, os outros podem simplesmente não aceitar.

Humildade não é ser pobre, não é abrir mão do que se tem pelo outrem e ficar sem, muito menos ficar se humilhando. O que é simples para um não é simples para outro, e mesmo a necessidade de rebuscamento e complexidade é algo inerente a cada indivíduo. O que pra uns é luxo, exagero, para outros é apenas a própria identidade. Aceitar que o outro é diferente de você (ou, para os mais evoluídos, é um outro aspecto de você) também faz parte da humildade.

Humildade, enfim, é reconhecer e aceitar quem você é, e aceitação é algo muito complicado para a mentalidade atual. A falsa humildade, assim como a falsa modéstia, é um sentimento nocivo baseado na vaidade e no vitimismo. O verdadeiro humilde não depende da complacência alheia, nem busca convencer o outro de sua situação, pelo contrário: aceita-se como realmente é e busca superar-se sempre.

03 janeiro 2017

A necessidade do efeito hollywoodiano


Em minhas pesquisas sobre Reiki e energia, percebo o cuidado quase idólatra de determinados materiais: escreva no caderno com lápis por causa do grafite, não se vista de preto, use tecidos naturais, use sal grosso, acenda velas e incensos... Por aí vai. Argumentam que esses materiais podem afetar a energia do ambiente e das pessoas. De fato podem, mas não pelo material per si, e sim pela influência que a pessoa ou as pessoas põem nele. Reiki é pode ser usado para limpeza dos campos energéticos, por que não pode ser usada para limpar ambientes, por exemplo?

A matéria em si, a energia em si, não possui influência nenhuma. Quando se pede para retirar relógios e desligar celulares em uma sessão, é muito mais para que esses objetos não atrapalhem do que uma "interferência energética". O que gera a influência é a própria capacidade humana de influenciar. Um banho normal, com água e sabão, limpa excessos de energia da mesma forma que um banho de água e sal grosso. Limpar o ambiente de trabalho fisicamente já remove qualquer energia indesejável do lugar.

É que é legal falar que precisamos disso e daquilo, que não é possível fazer sozinho, e expor suas ferramentas de trabalho. Entra então o fator exposição - a ostentação de bens materiais. No fundo, uma compensação daquela imagem de desapego, de que se deve negar a matéria, etc e tal. O desapego estaria em justamente abdicar-se da matéria desnecessária para abrir espaço para a própria energia. Aqueles efeitos fantásticos, que aparecem nos filmes, são reais quando se realmente abre-se a percepção, não pelo uso de cristais.

Preparar um ambiente, seja para Reiki, seja para qualquer outra profissão, requer produtos de limpeza física: a famosa água e sabão. Os cristais deixam o ambiente mais bonito, mas você não é obrigado a tê-los para canalizar energia. Vestir-se de preto é mais uma questão de gosto do que de vibração: há pessoas que ficam melhores com determinadas cores do que outras. Sobretudo: tudo vem da natureza, da folha de papel aos derivados de petróleo. Tudo é natureza, tudo está interligado por conta própria.