30 agosto 2016

Álcool, drogas, sexo e Reiki

Só coloquei as palavras mais "chocantes" no título, mas há outras restrições antes e depois da iniciação no Reiki: consumo de carne, uso de aparelhos eletrônicos (televisão, computador, celular...), ambientes tumultuados, ou seja, qualquer coisa que possa "atrapalhar" o fluxo energético ou "reduzir" a sensibilidade. Boa parte dos mestres orientam seus alunos a evitarem essas coisas para estarem mais limpos e abertos à energia Reiki durante o curso e o processo de iniciação e também aos 21 dias de purificação que se seguem. Para quem não é do ramo, são dicas valiosas e úteis a serem seguidas, mas pra quem já está na estrada, torna-se aos poucos desnecessário, e vou explicar o por quê neste post.


Para quem nunca entrou em contato com as energias sutis de forma consciente, o corpo está repleto de "bloqueios", como se usasse uma venda nos olhos. E uma venda nos olhos atrapalha os outros sentidos também - é o que acontece com nossos corpos energéticos. Quando se restringe a energias materiais (carne, sexo, eletrônicos, etc), é como se a venda ficasse mais "transparente" e algumas coisas tornassem visíveis - além de melhorar os outros sentidos também. Claro que por motivos de saúde, algumas coisas não podem ser cortadas, mas conforme há o desenvolvimento energético (durante a prática do Reiki ou mesmo oriundo de outras práticas), surge o questionamento: por quê, por quê, por quê?

Eu separo álcool, cigarro e outras drogas principalmente por causa do uso: as duas primeiras são mais corriqueiras e as últimas são mais restritas (e em alguns casos, proibidas). Elas alteram a percepção e mesmo a estrutura dos campos energéticos temporariamente (ou mesmo permanentemente em alguns casos). Além de prejudicarem a saúde física. No caso do álcool em específico, ele retira a sensibilidade ao Reiki, o que dá a impressão de "não estou fazendo nada/não sei o que fazer". Para quem está começando é difícil, mas ao longo do tempo aplicar Reiki mesmo sem senti-lo torna-se questão de costume.

Sexo é uma questão complicada. Ele não é visto como uma relação amorosa, mas como algo mecânico que dá prazer. O problema começa aí: se não existe sentimento elevado, a troca de energias decorrente da relação sexual é danosa para ambos, por isso não recomendada para os reikianos. No entanto, se você está em um relacionamento sério, longevo, profundo, o sexo é algo até recomendado, porque há amor circulando. Neste meio, o Reiki flui entre os parceiros, firmando laços e unindo as pessoas. É algo muito bonito que deve ser buscado, mesmo que a sociedade hoje em dia pregue justamente o contrário.

Não sei se o assunto carne é mais polêmico que sexo, mas se pensar que este último está tão banal, falar de carne gera muita confusão. Ao contrário do que dizem, a carne, sobretudo a bovina, é fundamental para o organismo humano. Energeticamente falando, a carne liga a pessoa ao planeta, o que é essencial para evoluir aqui. No caso do Reiki, parar ou reduzir o consumo de carne serve para "desaterrar" um pouco a pessoa, para que possa sentir melhor o Reiki fluindo e assim facilitar o processo iniciatório. Ocorre que durante a prática do Reiki, a própria pessoa passa por modificações espontâneas - deixa de seguir certos hábitos para abraçar outros - o que pode interferir nos hábitos alimentares.

Os aparelhos eletrônicos emitem diversos tipos de radiações. Para alguns mestres Reiki, elas podem ser nocivas aos campos energéticos dos reikianos, sobretudo os iniciantes. Mesmo para alinhamentos de cura e cirurgias energéticas, é recomendado não entrar em contato com estes equipamentos, sobretudo ao chegar em casa. Há também a questão do hábito: estamos cercados por tecnologia - desligar-se seria uma forma de conectarmos a nós mesmos e ao mundo que nos cerca. Em alguns casos, recomenda-se também evitar ambientes tumultuados, para não se deixar contagiar por este tipo de energia, o que é meio difícil: isto é recomendado para mestres antes de e durante seus cursos, não exatamente para alunos.

Como disse, é uma questão de evolução e aprendizado. Conforme progride, certas restrições deixam de ser necessárias ou mesmo perdem o sentido, justamente por haver o autocontrole. Por outro lado, vejo que as restrições são necessárias, para evitar excessos e começar a promover um padrão de vida mais saudável. Com o aprofundamento da técnica, as pessoas tendem a buscar melhores padrões de vida de forma espontânea - não significa que ela se torna uma pessoa ascética, mas que começa a refletir sobre o que é realmente melhor para ela.

23 agosto 2016

Algumas palavras sobre Meditação


Meditação é a prática da vez. Pode parecer exagero, mas todo mundo que eu vejo procura uma forma de praticá-la - como se fosse obrigatório por lei. Se pesquisar na internet, encontrará métodos, espaços, músicas, enfim, tudo o que é necessário (ou nem tanto) para poder meditar, como se isso fosse melhorar sua vida por si só. Ledo engano. Aliás, penso que as pessoas estão tão obcecadas por isso que não veem que estão exagerando, e que não conseguem entender porque se frustram com isso. Meditação sobretudo não é uma técnica para ser realizada durante determinado tempo em determinado local - é um processo gradual e constante de esvaziamento da mente a ponto da mesma estar permanentemente vazia.

Para mim, a maior falha dos cursos de meditação é a criação de um ambiente para meditar. Isso pode ser de grande auxílio no começo, mas chega a ser ilógico: como ter a mente mais serena em situações de estresse se eu só a pratico na calmaria? É como treinar defesa pessoal sem prática: na hora que precisar, não servirá para nada. Há algum tempo venho construindo minhas ideias sobre meditação, sobretudo baseado na minha prática meditativa - melhor dizendo, na falta dela. Quem procura meditação geralmente se sente acelerado, cansado, exausto. Quer um conselho? Vá dormir! Meditar requer uma mente descansada e relaxada, não é um remédio contra insônia, que você toma e capota na cama.

Mude seu estilo de vida: desacelere por conta própria, cultive sua própria serenidade. Não adianta meditar horas seguidas em um ambiente tranquilo e querer encarar o rush de uma grande cidade. A sensação boa vai embora assim que por o pé na rua - afinal, o ambiente também nos influencia. Parar e não pensar é a essência da meditação, e é algo extremamente simples e complexo: pode ser feito na fila do mercado, ao andar de elevador ou quando estiver no banheiro (hum, nem tanto). O ato de meditar é um meio, não um fim em si. Esqueça o ambiente dos templos, você não mora em um deles.

É um trabalho para toda a vida, o tempo todo. Você pode esvaziar sua mente sem ter uma prática meditativa "padrão". Tenha certeza que este tipo de prática irá ajudar mais em momentos de estresse do que ficar sentadinho num canto escuro da casa, porque ela fará parte da sua vida e estará o tempo todo com você. Experimente meditar durante uma situação de estresse, sentindo a fúria dentro do corpo, e vendo a mesma se dispersar gradualmente, como uma nuvem que passa no céu. Busque transformar cada atitude sua em uma atitude meditativa: escrever um texto, fazer uma caminhada. Você verá a diferença ao se sentar para meditar: estará tudo mais simples, e você perceberá que meditar vai além de uma questão de escolha.

16 agosto 2016

Mudanças graduais


Estou fazendo mudanças significativas no blog, em paralelo com mudanças importantes na minha vida. Ou seja: estou naquela fase de bagunça em que eu tenho que arrumar tudo, mas isso demanda tempo, muito tempo. Não gosto de ver a casa bagunçada, nem a vida bagunçada, mas as coisas ainda estão se arranjando. O que eu mais temo da bagunça é sua permanência, por isso o afã de arrumar tudo muito rápido. Só que na pressa nada fica bom - gasta-se até mais tempo para por tudo novamente no lugar.

Irei iniciar uma nova fase da minha vida: a situação atual já não faz mais parte de mim, preciso de um mundo novo para chamar de meu. Novas ideias, novas atitudes: é um novo nível de evolução, que abala estruturas antigas e cria novas, mais fortes e mais sólidas. Sabe aquela expressão "o futuro já começou"? É essa a sensação. A nível de blog, seguem algumas mudanças:

  • Página no Facebook: ela já existia há algum tempo, mas eu nunca pensei em colocar aqui. Simplesmente esqueci.
  • Posts pessoais: posts que fogem do assunto do blog (acho que vocês já sabem qual é) farão parte deste blog mais pessoal. Lembrando que não irei cuidar dos três com o mesmo afinco, é mais um "estoque" do que um "projeto".

Por enquanto é isso. Conforme as coisas vão mudando e se desenvolvendo, irei escrevendo aqui. Tentarei não ficar sem postar durante esse período, mas as ideias fogem, e colocá-las no ar fica complicado. Aliás, estou aberta a críticas e a opiniões. O momento de mudar é agora, fiquem à vontade.

09 agosto 2016

Entre Fatos e Factoides

Fico imaginando se na graduação em História, e mesmo no ensino escolar, deveria haver maior trato com a historiografia e com a construção do conhecimento historiográfico. Aliás, acho que a História é uma grande Mestra da Vida justamente por ensinar a lidar com fatos passados, presentes, e mesmo futuros. Lidar com este tipo de coisa contribui para nossa formação como ser humano e ajudaria na construção de uma sociedade melhor. Um dos pontos que deveriam ser tratados seria a questão do fato e do factoide, como diferenciá-los e mesmo utilizá-los na construção historiográfica e na própria evolução.


Pesquisei um pouco na internet sobre o factoide, e vi que ele possui uma definição levemente diferente da que eu costumo utilizar: realmente é um fato falso considerado verdadeiro, no caso pela intensa veiculação, sendo que eu considero como uma interpretação distorcida de um fato legítimo por interesse pessoal. No final, ambos conferem: a intensa veiculação de um fato falso possui interesse pessoal, marcado tanto pelo vitimismo quanto pelo egoísmo. Há alguns problemas nisso: como destrinchar o factoide em busca do fato verdadeiro (ele existe, não é relativo como alguns "factoidistas" pregam) e como distinguir um fato de um factoide.

As pessoas fabricam os factoides sobretudo quando querem levar vantagem em uma situação: o fato ocorre, mas por este ser desfavorável de alguma forma, ele é interpretado de forma distorcida: um processo natural. Alguns acontecimentos que fazem parte da História são factoides que ganharam vulto e força. Separar joio do trigo é uma tarefa árdua, que atinge o ego de muitas pessoas. Ou seja, tanto a nível historiográfico quanto a nível pessoal, é um processo de transformação importante e delicado. No filme Uma Cidade Sem Passado, os factoides preenchem o espaço de onde deveria estar a História da cidade, e quando Sonja busca investigar mais a fundo, começa a sofrer com a revolta dos próprios habitantes. Estamos em uma época assim.

Resolver o factoide pessoal ajuda a resolver os factoides coletivos. Encarar o fato como ele é pode ser doloroso de início, mas o sofrimento é uma questão de escolha. Na maior parte das vezes, as coisas não são como queríamos - podem ser melhores ou piores. E mesmo o julgamento de melhor/pior depende mais do ponto de vista do que do ocorrido em si. A relatividade do fato se deve à forma como o vemos não ao fato em si. Distorcê-lo agrava a situação de vítima e anula forças de mudar a situação. Torna-se cômodo ser vítima, criando-se factoides dos acontecimentos subsequentes para manter esta posição. Não seria um vício a prática em si, mas um recurso constantemente empregado pelas pessoas para terem razão.

Com um ensino de História fraco e repleto de factoides, os estudantes são condicionados a criar os próprios ao invés de vencê-los. Parece que estamos em um mundo de factoides sem fim, em que cada vez mais e mais são criados para não se ver a Verdade. Mas não se engane: os factoides caem, a verdade aparece. As pessoas tendem a cair em conflito quando os factoides se desmancham. Isso é bom, pois um grande passo pode ser dado rumo ao amadurecimento, já que se abre oportunidade para o questionamento, não da situação, mas da própria pessoa.

02 agosto 2016

Um Eu de muitas caras e muitos jeitos


A expressão duas caras possui uma conotação negativa ao se referir a uma pessoa de posturas e atitudes diferentes com o propósito de prejudicar outrem. Busca-se então ser a mesma pessoa em qualquer situação, em qualquer ambiente, e isso acaba causando muita frustração, porque as coisas não são bem assim. Em cada situação temos que ser uma pessoa diferente, porque a mesma demanda isto. Não é possível ser a mesma pessoa no trabalho, na escola, na faculdade, na academia. Nós devemos então nos utilizar de máscaras nas mais diversas situações, para nossa própria preservação.

Diria que estes são apenas partes de nós, partes necessárias. Não dá para ser completo em qualquer lugar, isso pode ser seriamente danoso. Isso fica visível na transição da adolescência para a idade adulta, quando começamos a trabalhar e vemos que qualquer postura não é aceitável neste tipo de ambiente. Pode parecer absurdo no começo, mas com a devida orientação, é possível desenvolver um "eu profissional" que transmite segurança e confiança aos seus pares e superiores e sabe lidar com as situações da forma mais profissional possível.

Mesmo na escola não somos nós mesmos por inteiro, porém a criação deste "eu escolar" é bem mais sutil, já que acompanha nosso crescimento. Na faculdade, por mais que nos soltemos, não dá para sermos "inteiros": é um novo eu que se destaca, pronto para se adaptar às atividades acadêmicas e fora dela. Como saber que não somos "completos" em determinada situação? Pelas limitações: quais posturas você não pode adotar no trabalho, na escola ou na faculdade? Como demonstrar respeito, gratidão ou mesmo alegria? Não se engane: é possível ser a gente mesmo nesses ambientes, respeitado estes limites, fazendo do nosso jeito.

Isso está longe de ser uma padronização. Aquelas regras de como se portar em uma entrevista devem ser utilizadas como base, como inspiração, não como um manual a ser seguido à risca. Tornar-se camaleão, sabendo se portar em diversas situações, de forma original e criativa, é o ideal, que vem com o tempo e com a prática. Isso está longe de ser falso: ainda é você, é parte de você. Não é como uma unha que cortamos fora quando nos desagrada: acabou a utilidade daquilo, torno-me outra pessoa. Perceba aí a intenção: esses "eus protocolares" têm apenas por finalidade adaptar a pessoa às diversas situações da vida, enquanto que a falsidade possui por fim específico o benefício próprio em detrimento de outrem.

E quando somos realmente nós mesmos? Quando sentimos a total liberdade de agir e pensar: não quer dizer que podemos fazer qualquer coisa, mas que não existem limitações sociais, como posturas. Quando estamos em casa, ou fazendo algo que gostamos, ou quando estamos com aquela pessoa especial. Não digo quando estamos em família, pois cada uma possui suas próprias limitações, e não é sempre que podemos ser nós mesmos. Mas se não conseguimos detectar nosso "eu livre" em nenhuma situação, aí está o problema: quem sou eu? Nosso "eu livre", que alguns chamam de Self, é a nossa essência, da qual derivam todos os outros "protocolares": é quando não há limites às situações cotidianas.

Um relacionamento pode ser analisado pelo nosso comportamento junto com aquela pessoa: se não há necessidade de um "eu protocolar", é porque aquela pessoa é realmente especial para nós e existe um sentimento por ela, sobretudo quando esta aceita o "eu livre", com todas as suas nuances. O problema é quando existe o relacionamento de fachada: usamos um eu protocolar para viver com o companheiro e filhos, ou mesmo com os amigos. Quem sou eu? Para que eu sirvo?