03 maio 2016

Síndrome de Horácio, ou do Braço Curto

Quem não se lembra do dinossauro fofinho da Turma da Mônica, verdinho e pequenininho? Talvez o traço mais marcante que seus grandes olhos eram seus braços curtos, que nada alcançavam. Essa metáfora é usada sobretudo nas artes marciais, quando uma pessoa não golpeia de forma efetiva com medo de atingir o outro. Você está em uma academia justamente para aprender aquela técnica, não precisa ter medo de atingir ou machucar alguém - por isso há a supervisão de um mestre ou professor.


Isso pode ser levado para a nossa vida pessoal: se queremos algo, temos que ir atrás, o golpe tem que surtir efeito. Quantas pessoas que se dizem cheias de problemas realmente se esforçam para resolvê-los? É possível perceber a diferença entre quem corre atrás ou quem é braço curto. Temos que ter compaixão por elas? Com certeza, são nossos irmãos que também estão aprendendo a viver. Mas sejamos realistas: as pessoas acabam por se acomodar nos próprios problemas. Dê a ela uma ideia e veja sua reação: para algumas, é a luz no fim do túnel, para outras, você está atrapalhando.

Deixando os outros de lado, pelo menos por enquanto - porque quando você se vê lá no fundo, consegue perceber como são as pessoas a sua volta - vamos refletir como a Síndrome de Horácio afeta nossas vidas. Quantas vezes deixamos de fazer as coisas porque não quisemos nos esforçar? Quantas vezes precisamos esticar os braços para alcançar nossos sonhos, mas simplesmente não o fazemos? A gente simplesmente se acomoda e se deixa levar pelas ondas... Não adianta só pedir, temos que correr atrás do que sonhamos, e isso cansa.

Para que mudar, crescer, evoluir, se tudo está na palma da mão? Sempre haverá uma pessoa que irá nos dar comida, abrigo, roupa... E pessoas que viverão disso, sem sair do lugar. Não, não precisamos parar de ter compaixão pelo nosso semelhante, apenas consciência disto: as pessoas escolhem se vão evoluir ou não. Não adianta ajudá-las se elas não se ajudarem ou não quiserem sair do lugar. Mudanças são incômodas, causam novos problemas. A cama é muito macia para a gente acordar cedo. E assim vemos a sociedade como está hoje em dia: muitos benefícios para poucos, e pouco incentivo para crescer.

Isso já explica boa parte dos problemas sociais de antemão. Percebe que analiso a sociedade de forma diferente da maioria, mudando o ângulo de visão. Apesar da minha formação em História, prefiro ver a sociedade através da pessoa do que o contrário. Afinal, uma coisa é analisar a sociedade como ela está, outra coisa e entender por que ela está assim.

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