27 dezembro 2016

Uma crítica ao bom senso


O bom senso é algo extremamente subjetivo, ou seja, não existe um bom senso coletivo, como muitos querem acreditar. O bom senso parte da visão pessoal de razoabilidade. E é algo tão pessoal, tão único, que pouquíssimas pessoas se concordam em algumas coisas, tendendo a discordar de muitas outras. Disso surgem as discussões: quem está certo e quem está errado? Ninguém! Interessante como este conceito ainda não foi passado pelo crivo da relatividade, a exemplo de outros conceitos mais sólidos e absolutos.

É difícil aceitar que o bom senso coletivo não existe. Parece tão claro, tão óbvio! Mas o que é óbvio para uns, é absurdo para outros. No final, prevalece o bom senso de quem manda, mesmo que todos discordem. Simples assim. Quando uma pessoa apela ao bom senso, simplesmente ela quer dizer: para mim isso é certo e não dou a mínima importância para a sua opinião. O que parecia algo promissor lembra mais uma doença alojada no organismo há tanto tempo que não se sabe como começar o tratamento.

Não confunda senso comum com bom senso: o primeiro sim é algo coletivo, o famoso lugar comum. Ele não é algo a ser desmontado, pois é vazio por natureza, apesar de ser uma boa orientação quanto à programação humana. O segundo é mera observação da realidade: um ponto de vista é a vista de um ponto. O que é bom para uns não é bom para outros, e disso surgem diversos conflitos. Se o conceito de bom e ruim é relativo, porque o bom senso seria absoluto? Tente refletir.

Desmontar este conceito (de que o bom senso é algo coletivo) confronta em cheio com pessoas que opinam o contrário. Partindo do princípio do qual as pessoas são programadas, o conflito é questão de tempo. Vão dizer que está impondo sua opinião, sem perceber que também o fazem ao invocar o bom senso! Algumas pessoas nunca irão saber que o fazem, e simplesmente continuar no conflito contra si mesmo. Outras podem sair dessa.

20 dezembro 2016

Diane Stein, mestre Reiki?

Deparei-me com esta pergunta ao ler mais atentamente o livro Reiki Essencial, de sua autoria. Nele, ela conta suas desventuras em se tornar mestre Reiki e suas dificuldades. Foi iniciada no nível I por um amigo nível II, além de outros amigos e conhecidos lhe ajudarem a receber iniciações nos outros níveis gratuitamente, já que não possuía dinheiro para pagar os cursos na época.

O que ocorreu é que ela nunca recebeu um certificado que comprovasse tal sintonização, e em seu livro ela não cita os nomes de seus mestres. A coisa fica meio solta ao se apresentar a linhagem de Reiki, que é justamente uma forma de se comprovar que é reikiano. De certa forma isso deslegitima seus iniciados sucessivamente, chegando aos dias de hoje. O que muitos não aceitariam.

Reiki é canalização de energia, e não irradiação. Enquanto aquele é o uso da energia do ambiente, este é o uso da própria energia vital, o que além de causar danos em quem emite, pode causar danos em quem recebe. Por isso a linhagem é tão importante: é a certeza de que aquela pessoa foi iniciada, sabe o mínimo do que está fazendo, e não haverá "contaminação" energética.

Por outro lado, Diane Stein é reconhecida mundialmente por seu trabalho. Centenas de pessoas foram iniciadas por ela (de acordo com o que ela diz), fora aqueles que não se preocupam com sua linhagem com tanto zelo. Ela sentia a energia, melhor que muitos reikianos devidamente iniciados. Ela trabalhou com muita gente, mas muita gente mesmo. Se ela não tivesse sido iniciada, ela não teria feito nem metade do que fez.

Esse tipo de impasse talvez nunca será resolvido, mas não há como mudar o passado, e sim superá-lo com novas atitudes. Uma delas é quanto ao reconhecimento do reikiano. Há duas implicações: a formal e a energética. A formal é o reconhecimento social do reikiano: um documento que o permita ser reconhecido como reikiano e possa atuar como um. A energética é o que ele faz ser realmente um: canalização da energia cósmica. Não adianta ter um diploma se não sabe aplicar, assim como só saber aplicar sem um reconhecimento formal pode gerar muita confusão.

13 dezembro 2016

Reiki como profissão - até que ponto?


Vejo muitos profissionais reikianos falarem que ver o Reiki apenas como profissão é algo antiético, que deve ser, sobretudo, amor e doação. Quem não está nas nuvens sabe que não é bem assim. Fazer um curso de Reiki para tornar-se terapeuta e fazer disso uma profissão é algo louvável, mas também um desafio: o Reiki muda a vida das pessoas. Deve-se estar pronto para ver a vida virar de cabeça para baixo antes de começar a ganhar dinheiro. Não vejo problema nenhum em querer trabalhar com isso. Todo trabalho honesto deve ser valorizado, pois por si só engrandece o homem.

Primeiro, a questão do dinheiro: ele em si não é algo negativo, sujo. É algo a ser trabalhado e merecido. Vive-se na matéria, deve-se aprender a conviver com ela, como já foi dito diversas vezes aqui. Reiki não é (só) doação. Pode ser muito legal fazer um trabalho voluntário com o Reiki, sobretudo quando não se possui oportunidade para praticar e sobra vontade de fazê-lo, mas é maravilhoso poder sustentar a vida material com algo tão nobre, já que os Cinco Princípios permeiam vida e trabalho.

Segundo, a postura profissional: acho que a questão está em fazer um trabalho de qualidade em meio a um público amplo e diversificado. Reiki hoje é uma técnica fechada a um nicho específico, próprio. Extravasar o Reiki para fora deste círculo é um grande desafio, que muitos preferem abdicar, diminuindo a qualidade do trabalho feito e dando uma imagem "amadora" a quem busca fazer um trabalho profissional. Antes de convencer os profissionais de saúde que veem as práticas complementares como "charlatanismo" ou mesmo "competição mercadológica", é necessário convencer os próprios reikianos de sua própria postura.

Terceiro, o essencial: fazer um trabalho de qualidade. Não existe nenhum curso na área de saúde e bem-estar que dure apenas algumas horas, muito menos à distância - neste caso há raríssimas exceções, ainda em discussão. Quando se lida com o corpo, é necessário um corpo. É necessário praticar. E prática requer tempo. Fazer um "curso" (que alguns chamam de "seminário", mais para justificar a questão da carga horária) de um dia ou dois, no qual se transmite apenas a teoria, jogando a responsabilidade da prática para o aluno, que mal é iniciado em um nível já quer a iniciação do próximo, não faz sentido para quem é de fora.

E para finalizar, o diferencial: não se cura ninguém, promove-se o bem-estar. Aquela sensação de relaxamento que cada dia torna-se essencial como água e ar puro.

06 dezembro 2016

Democracia da chatice

Não é pela sua cor de pele, nem pela sua escolha sexual ou afetiva. Não é pela sua origem social, posição social atual ou futura, nem pela sua religião. Não é pela sua filosofia de vida, se você tem uma, ou pela ideologia de mercado. Não é pela formação que você teve. Não é pela roupa que você veste, ou por você dizer biscoito ou bolacha. Não é pelo sexo, gênero ou sei lá o nome que dão agora, nem pelo dinheiro que sobra no final de todo mês, muito menos pelo lugar onde mora, e em que tipo de lugar você mora. Não é pelo quanto de chapinha que você usa, nem pelo time que você torce, muito menos do planeta que você veio.

Você é chato, irritante, insuportável. É isso que você é. E nada irá justificar a não ser suas próprias atitudes. Se esconder em si mesmo é uma das piores armadilhas que as pessoas caem.

29 novembro 2016

Aplicação e Cursos disponíveis


Inscrições abertas!

Depois de muito estudar e planejar, é hora de se abrir ao mundo. Finalmente estão disponíveis para o público minha terapia e meus cursos de Reiki.

O diferencial do meu trabalho é a abordagem não-mística do Reiki. A ideia é que a pessoa possa alcançar seu equilíbrio (interno e externo) sem interferência em sua filosofia de vida. Reiki não possui pré-requisitos nem está atrelado a uma instituição religiosa: qualquer pessoa pode receber Reiki e aprender Reiki.

Uma abordagem não-mística permite que o terapeuta entenda de forma mais profunda seu cliente, já que o tratamento será baseado em sua visão de vida. Esse tipo de abordagem também permite um curso mais completo - curso mesmo, não seminário - com carga horária de quase 40 horas! A ideia é que haja espaço para o aluno praticar e tirar todas as suas dúvidas, de forma que ele possa aplicar Reiki com total segurança, seja em si mesmo, seja na família ou amigos, ou mesmo profissionalmente.

Se estiver interessado, entre em contato: pelos comentários (eles são moderados, protegendo sua privacidade), pela caixa de mensagem ao final da página, ou pelo Telegram @osecosdotempo

22 novembro 2016

A interferência no livre-arbítrio


Regra geral, para aplicar Reiki é necessária a autorização de quem irá receber. De preferência após uma breve explicação sobre o método, para que a pessoa entenda o que irá acontecer e possa tirar todas as suas dúvidas. E quando simplesmente não dá para perguntar, e lá no fundo do coração algo diz que o Reiki é necessário? Conforme se avança na prática, a intuição passa a afinar-se de forma tal que chega a ser possível definir o que cada pessoa precisa em relação ao Reiki: seja uma aplicação, uma cirurgia energética, ou mesmo a iniciação.

Alguns falam que é melhor algum Reiki do que nenhum Reiki. Entretanto, se a pessoa que precisa da energia é justamente alguém que não quer recebê-la de forma alguma? Tentar conversar, explicar, pode criar mais barreiras e agravar a situação da pessoa. Aprendi que quando se envia Reiki a uma pessoa que não o deseja, a energia não surte efeito e aterra - e pude comprovar isso. Esqueça a questão do "Eu Superior": você não irá trocar uma ideia com ele na maior parte das vezes - geralmente é uma sugestão mental, fruto da presunção de que se é mais evoluído.

Ninguém precisa saber se está sendo enviado Reiki para alguém. Muitos reikianos deixam de lado a humildade e põem seus nomes acima da própria prática, como se o mesmo fosse a fonte de toda a energia. E acabam externando coisas que não precisam ser ditas. Se o coração bate forte e o chakra começa a rodar loucamente, envie em silêncio para a situação como um todo. Se a pessoa aceita, a pessoa recebe. Se não, o problema é dela, e ponto.

Se ajudar alguém fosse uma interferência "proibida" ao livre-arbítrio, caridade não existiria, já que por um lado não se pode ajudar quem se quer, e por outro não se quer ajudar quem acha-se que não precisa. Quando se envia Reiki, a situação pode mudar de rumo, mas quem aceita isso é a pessoa na qual está inserida. Há pessoas que são contra a profissionalização do Reiki justamente por pensar que este deve ser gratuito para todos. Há pessoas que perderam noção da própria vida e querem se deixar levar pelos piores caminhos. Há também pessoas que preferem se resguardar para evitar confusões futuras.

Pessoalmente, eu envio, sobretudo quando a situação me incomoda - sinal de que há afinidade minha com a situação. Apenas falo que me utilizei do Reiki caso a situação no futuro me permita dizer tal coisa. Algo só se realiza quando há aceitação por parte da pessoa: seja uma aplicação de Reiki, seja mal olhado ou mesmo uma ofensa verbal. Será mesmo que o Inferno está cheio de boa intenção?

15 novembro 2016

Mãos de Luz

Este é um livro de referência para todo reikiano, mesmo seu assunto não sendo Reiki. Lembre-se que o Método Usui de Cura Natural é apenas uma da miríade de técnicas através de imposição de mãos no trato energético. Há muito o que aprender com outras técnicas, o que incrementa a prática do Reiki e torna a aplicação mais eficiente. Antes de aprender com a obra, entretanto, deve-se aprender a lidar com ela para assim aproveitar todo o seu potencial. Nessas horas, é comum haver confusão, mistura-se uma coisa com a outra, o que pode gerar interpretações errôneas a respeito.

Eu acabo insistindo em dizer que Mãos de Luz não fala sobre Reiki pelo motivo de alguns reikianos utilizarem algumas informações deste livro sem dar as devidas explicações. Utilizam sobretudo as ilustrações, como se o Reiki fosse aquilo. Concordo que as ilustrações são maravilhosas e retratam bem os campos energéticos. Contudo elas se baseiam na experiência pessoal da autora Barbara Ann Brennan, que não é reikiana (e nem fala sobre Reiki em sua obra), o que requer atenção, discernimento, e os devidos créditos.

A obra em si é sobre seu trabalho terapêutico através da transmissão de energia, indo além do relato de experiências. Ela explica o funcionamento e o trato com os corpos energéticos e chakras, analisa pesquisas científicas a respeito, e ainda orienta o leitor quanto ao autotratamento e formação como terapeuta (no livro usa-se o termo curador). Pessoalmente, considero uma obra completa para qualquer terapeuta ou profissional de saúde. É possível perceber como a aura influencia a vida física, às vezes de forma tão óbvia, abrindo a mente para novas ideias e para novas atitudes.

A experiência meditativa na infância é para a autora o fator chave de sua Alta Percepção Sensorial. Ela comenta sobre como esta sensibilidade influenciou sua vida e orienta como desenvolver esta habilidade, para ser usada não só como terapia ou autoterapia, mas também em situações cotidianas. Não deixo de imaginar os metrôs lotados e ruas movimentadas, com aquela mistura energética desagradável, na qual se leva pra casa uma vibração que não é sua. Não é algo sobrenatural, como alguns pensam, é apenas algo no qual as pessoas se fecham achando que ficam imunes a tal.

Os reikianos de certa forma possuem algumas "vantagens" em relação ao trabalho energético do Mãos de Luz: essa "sintonização energética" é transmitida através das iniciações, afinando o reikiano ao seu ambiente, devendo ter o cuidado apenas de desenvolver tal afinação. O Byosen é, inclusive, uma técnica que "escaneia" a aura do receptor em busca de pontos que precisam de mais energia Reiki do que outros. Se sua concentração durante uma aplicação de Reiki for abalada, o receptor não sofre com isso - a energia continua fluindo. No método de Brennan, qualquer "dispersão" de ideias pode causar mais danos do que os que a pessoa atendida já tinha.

A postura "menos mística" da autora é algo a se notar. As coisas acontecem porque são naturais, guias falam porque existem, e tudo faz parte da vida, e ponto. Está desvinculado completamente de qualquer religião ou filosofia de vida (lembre-se que o Reiki tem por base o Budismo). Apesar de ser um livro antigo (década de 1980), seu assunto e conteúdo são atuais, além de ser uma obra fácil de encontrar. É um livro para ser estudado, e mesmo inserido na prática reikiana, com suas devidas adaptações e reflexões.

08 novembro 2016

Crítica profissional e crítica pessoal

Há pessoas maravilhosas que são péssimas profissionais - pelo menos na minha opinião - e vice-versa. São coisas separadas que se entrelaçam e interagem entre si. O problema é quando se critica a atitude profissional de alguém e isso é tomado como algo pessoal, gerando uma grande confusão. E o contrário também! Se por um lado é quase impossível desassociar o pessoal do profissional, por outro lado essa separação deve ser feita, pois se corre o risco de um "engolir" o outro.


Vejo que a maioria dos profissionais reikianos não possuem uma postura profissional justamente por misturar o pessoal com o profissional. Isso vale para outras profissões também. Como o terapeuta Reiki trabalha com o bem-estar de seus atendidos, o desenvolvimento pessoal é deveras importante. Muitos reikianos caem na vaidade: põem seus nomes acima da técnica e usam o título de mestre com uma ostentação frívola. Ser mestre de Reiki é diferente de um mestre acadêmico, e está bem próximo de um mestre de artes marciais: é aquela pessoa que se transcendeu através do seu trabalho.

O Reiki muda as pessoas - fato. Até entendo quando argumentam que o Reiki não poderia ser visto como mera profissão, mas minha interpretação é outra: a profissão deve ser valorizada, pois faz a pessoa crescer. Como confiar em um profissional que apenas quer se exibir? Esta é a interferência negativa da esfera pessoal na esfera profissional, quando uma consome a outra de forma negativa. Isso sem comentar os workaholics que destroem a vida pessoal em nome da vida profissional...

Quando o mestre Reiki toma a postura de mestre - tanto no pessoal quanto no profissional - as coisas mudam de figura. Ele não só é um profissional confiável, como também uma pessoa confiável. E por ter uma postura mais evoluída acaba por sofrer revezes de outras pessoas. Mais evoluído não significa mais amado - pode acontecer justamente o contrário. Mas a evolução consiste também em superar este tipo de coisa. Aprender a ouvir, a apanhar, e a bater também.

01 novembro 2016

Sobre almas-gêmeas e sua evolução


Passei os últimos três anos estudando sobre o assunto. Não há muitas fontes nem trabalhos de pesquisa. É algo meio solto e aberto, envolvo de fantasias e ilusões. Por um lado, boa parte da "ficção" a respeito é real, no entanto, cabe uma reflexão mais profunda, e de preferência, menos hipócrita. Confesso que me preocupo com o que escrevo aqui, pois infelizmente há pessoas que se ofendem com qualquer coisa, ou às vezes nem isso, para ganhar uma indenização ou sentir-se superior.

As almas-gêmeas, descrita como seres "feitos um para o outro", não existem. Não existe um único ser que irá completar outro, existem vários. E existe aquela alma especial, que pode ser chamada de alma final, na qual o ser ficará definitivamente com ela, chegando ao extremo de se fundir com o outro ser. Enquanto isso, o ser conhecerá outras almas, que podem ser chamadas de almas afins, com as quais terá o processo de crescimento e evolução. O que não significa que existe uma alma final: esta é uma alma afim que desenvolve laços tão profundos com o ser (a famosa sintonia), que acabam por permanecer juntos.

Os seres possuem força e nível evolutivo. Um ser pode ser forte e não possuir um nível evolutivo reduzido e vice-versa, assim como é comum encontrar seres fracos de pouca evolução (exemplo o planeta que estamos) e extremamente raro achar seres fortes e evoluídos. Apesar de a força poder ser desenvolvida junto com o nível evolutivo, isso não é regra.

Durante a evolução, as almas conhecem inúmeras outras e se ligam por afinidade. Essa afinidade se dá sobretudo energeticamente - você olha para a pessoa e se sente confortável ou não. As essências de ambas as pessoas (a centelha primordial do ser) reagem uma a outra, positivamente ou não. Quanto mais evoluído o ser é, menos almas afins ele possui - até restar uma. Ou seja, quanto mais involuído um ser é, mais almas afins ele possui - e olha que coisa, a sociedade de hoje prega justamente para não se ter vínculos com as pessoas!

Em canalizações e mediunidades, alguns espíritos falam que as almas não possuem sexo. Não como aqui - não existe uma genitália. O que ocorre são essências que se complementam: Yin e Yang, por assim dizer. E não, um ser masculino será sempre masculino, ele não carrega uma essência feminina, como dizem por aí. O contrário também é válido. Se não houvesse isso, não haveria a união das almas. E olha que coisa: falam que as pessoas carregam o masculino e o feminino dentro de si, que por si só já se bastam.

Ao longo da evolução, o ser se une a outros por esses laços afetivos e através deles pode evoluir ou não. Há seres que não podem se relacionar, pelo triste motivo de um sugar o ren do outro (a essência vital), e isso nem é por uma relação de ódio. Outros seres, quando unidos, promovem todo o desenvolvimento evolutivo por si, sem precisar mais de outras almas afins. Essa é, ou deveria ser, a essência do casamento, que neste planeta é apenas um mero "contrato social". Em um casamento você se compromete a evoluir junto com o ser afim, por aquele determinado período (até que a morte nos separe).

A alma-gêmea - ou alma final - pode emergir na multidão de almas afins através de um fator crucial: o sacrifício livre e espontâneo. Algo que nossa sociedade tenta impedir a qualquer custo, e que as pessoas não percebem. Não se morre por alguém, por um ideal que considera nobre, por algo importante para si. Quanto menos prejuízo a pessoa tiver melhor, até. Na minha cabeça involuída, penso ser essa a única prova de amor, existente e necessária. Ela vem com a evolução - não adianta forçar a barra. Sobretudo quando um ser é mais evoluído que o outro.

Enquanto as duas almas afins não forem evoluídas ao ponto de terem apenas afinidade energética entre si, não podem ser consideradas como almas finais (ou almas-gêmeas). Elas podem se separar (e se unir de novo, talvez) e se relacionar com inúmeras outras. Lá na frente, bem lá na frente, caso se comprometam com o processo evolutivo (que inclusive vai além dos níveis de consciência), elas conseguem desenvolver a capacidade de fundirem-se em um ser único temporariamente. Suas habilidades e capacidades potencializam-se exponencialmente. Talvez no futuro esta união seja definitiva: os dois seres deixam de evoluir para serem apenas um só.

Para serem um só, é necessário deixar de ser um, sem deixá-lo de ser. É saber que nenhum ser humano é uma ilha e sim são arquipélagos. Querer ser independente do todo é ao mesmo tempo necessário e impossível. As pessoas devem, antes de tudo, ser elas mesmas, para que possam ver seu reflexo no coração das outras pessoas, que também são elas mesmas.

25 outubro 2016

Reiki cronometrado ou Reiki intuitivo?


Por mais que o Reiki seja uma prática sobretudo intuitiva, há ocasiões nas quais o relógio fala mais alto - e não são poucas. É fácil afirmar que o Reiki não deve ser pautado pelos ponteiros do relógio; difícil é trabalhar a prática intuitiva em um atendimento profissional, no qual o tempo urge e a Sapucaí é grande.

A maioria dos cursos de Reiki no Brasil ensinam o trabalho intuitivo apenas na teoria, ensinando na prática o período de tempo por posição: de três a cinco minutos dependendo do nível que possui. Não é difícil achar por aí profissionais que atendem ao som de músicas relaxantes com um sininho indicando a mudança de posição, e há aplicativos de celular com a mesma finalidade.

Seguir a intuição em uma aplicação de Reiki demanda tempo. O Byosen indica as áreas que necessitam de maior atenção, e permanecer nelas (até meia hora, dependendo do caso) cansa. Sim, o reikiano cansa durante a aplicação, como um fio elétrico que se desgasta conforme a energia vai passando. O Reiki agir no reikiano durante a aplicação não significa que ele vai "sair inteiro".

Talvez a questão seja de não transformar o Reiki em algo mecânico, como a acupuntura tornou-se de uns tempos para cá. O trabalho com energia vai além do predefinido. Eu mesma sirvo de exemplo: por muitos anos tive depressão, e a mesma começou a me afetar o estômago e intestinos. Não adianta agulhar a barriga se a causa da depressão não era tratada em conjunto. Quando passei a trabalhar a solidão e a aceitação (junto com uma alimentação saudável), minha digestão começou a funcionar normalmente.

O problema está em aliar teoria à prática. Na teoria, tudo é perfeito e bonito, na prática, deve-se lidar com o imprevisível. Em uma hora tem que apresentar o Reiki, aplicar na pessoa e ouvi-la acerca de suas impressões. Cronometrar as posições reduz drasticamente o risco de ficar para mais. Intuitivamente a pessoa receberá energia onde e o quanto precisa. Fazer um esquema de aplicação (aqui eu aplico mais, ali eu aplico menos) é de grande valia. Quem está começando pode treinar em um parente ou amigo. Quem é profissional deve trabalhar sua experiência para tornar o tratamento mais completo e eficiente.

18 outubro 2016

Premissas do Reiki


Além dos cinco princípios, o Reiki possui algumas premissas que o diferencia de outras técnicas terapêuticas ou mesmo de manipulação energética. Pode-se dizer até que são alguns dos motivos que atraem tantos praticantes, tornando uma das técnicas mais praticadas no Brasil, de acordo com o SUS. No entanto, há pontos a serem refletidos a respeito, que irei compartilhar aqui.

Reiki funciona apenas pelo bem maior

À primeira vista isso soa maravilhosamente bem: Reiki não age se não há propósito elevado. Você não conhece prejudicar nenhuma pessoa utilizando o Reiki. A questão é: o que é melhor para a pessoa? Muitas vezes, pensamos que devido a isso a pessoa não irá sentir dor, não irá sofrer: ela será magicamente tratada pela energia universal. Ela irá sim: os problemas virão à tona, como acontece no tratamento floral. A pessoa sentirá dor, irá chorar, mas é necessário: é o melhor para ela.

Uma situação importante é a respeito da morte: nenhuma pessoa morre de Reiki ou devido a alguma aplicação, muito menos o reikiano "matou a pessoa" durante a sessão. Morrer é parte da vida, e tem hora que é necessário partir. Se a pessoa faleceu durante a aplicação ou depois, tenha certeza que foi em paz.

Reiki é uma energia inteligente

Energia não é inteligente per si, muito menos o Reiki. Existe a ideia de que o Reiki vai à origem do problema para saná-lo. Sim, ele vai, independente de onde esteja: em outra parte do corpo, em outra situação, em outra vida (Reiki viaja pelo tempo-espaço). Mas para isso funcionar, é necessário que a energia seja focada no problema em questão: não adianta aplicar Reiki em apenas uma posição na crença de que ele irá para onde precisa "sozinho". Isso é bom quando não se está tratando uma causa específica e/ou não há tempo disponível.

Reiki não é influenciado pelo aplicador

Talvez este ponto cause polêmica, mas o aplicador influencia no Reiki sim. Existe a ideia de que o Reiki flui pelo reikiano e vai para o receptor (utente, paciente, cliente, assistido) sem sofrer nenhuma influência daquele, e que parte da energia fica no aplicador. Cabe uma reflexão mais aprofundada sobre o assunto.

Partindo da premissa de que o Reiki não é uma energia inteligente, conclui-se que o reikiano pode influenciar esta energia, podendo até prejudicar alguém, conforte seu nível evolutivo. O Reiki pode ser anulado pelo próprio reikiano e a energia transmitida ser outra. Entretanto, veicular esse tipo de informação pode ser o fim do Reiki, mas pense bem: quantas pessoas que se dizem "elevadas" são nocivas para nós? Religiosos, esotéricos, gurus... Uma pessoa realmente evoluída emana uma energia refinada: o Reiki é potencializado nesses casos.

Volta-se ao Gokai como uma filosofia de vida a todo reikiano. Seguir estes princípios ajuda a crescer em todos os aspectos da vida. Quem está começando, sugiro que desenvolva a auto-aplicação e cresça com os cinco princípios. Assim a energia poderá fluir pela pessoa de forma pura, beneficiando aplicador e aplicado.

Reiki não pode ser aplicado durante cirurgias ou sangramentos

Dizem que a energia Reiki pode aumentar o sangramento como forma de expulsar energias negativas, podendo ser prejudicial ao receptor. Isso mostra uma dupla contradição: se o Reiki é uma energia inteligente que não prejudica ninguém deliberadamente, em um sangramento poderia se pensar justamente o contrário, não? Neste caso, cabe a lógica: o Reiki irá agir como deve agir, pelo bem da pessoa.

Há também o fator anestésico na jogada. Li recentemente que não se deve aplicar Reiki enquanto a pessoa está anestesiada, já que o efeito da anestesia se perde. Isso é algo a ser estudado mais seriamente, pois além de ser um fato contraditório - poucos dizem isso, mas os poucos que dizem têm credibilidade - acarretaria uma série de restrições a posteriori, pondo em risco a prática como um todo.

O que pode acontecer é: se uma pessoa estiver recebendo Reiki durante a cirurgia e a mesma for falha, a culpa seria automaticamente lançada ao reikiano. Lembre-se que o Brasil é um país onde determinadas classes profissionais são vistas como infalíveis em seu trabalho. Não duvido que já tenha algum profissional de saúde que apontou o dedo na cara do reikiano para dizer que o mesmo "matou" o paciente. Isso é jogo de interesses, polêmico por si só.

Encerando...

Entender o Reiki requer estudo, muito estudo, e prática, muita prática. É necessário sentir para tirar as próprias conclusões. Ir além do que o mestre ensina é parte do processo de aprendizado, já que dessa forma o conhecimento é consolidado. Cada reikiano tem sua forma única de sentir e aplicar Reiki, que evolui ao longo do tempo e da experiência. É algo a ser vivido.

11 outubro 2016

Por um Reiki menos místico

A pesada maioria de praticantes de Reiki aqui no Brasil é mística - e isso, para mim, não é uma boa notícia, pelo motivo de restringir a prática a apenas um determinado grupo de pessoas com visão diferenciada da vida. Reiki é para todos, e isso não significa que para praticá-lo deve-se seguir apenas um estilo de vida. Uma coisa é crescer e evoluir, sem deixar de ser você mesmo, e outra é mudar-se completamente apenas para ser visto como "evoluído". Só porque a maioria dos reikianos brasileiros seja esotérica, não quer dizer que você deva ser um ou mesmo que o Reiki faça parte apenas disso.


Esse talvez seja o maior obstáculo para o Reiki ser aceito como uma prática de saúde, seja o nome que deem (terapia alternativa, complementar, integrativa, etc.). O Reiki é associado a algo místico, sobrenatural, divino (no sentido de vinculado a um dogma religioso e/ou afastado das pessoas), e muitos acabam se afastando ou mesmo criando uma visão negativa por causa disso. Não que a pessoa não possa acrescentar ao Reiki sua prática pessoal, afinal, cada pessoa tem seu estilo de vida, mas o Reiki não pode ser associado a uma ideologia específica, forçando pessoas a aceitá-la.

Reiki é simples e natural, não esotérico. Os primeiros textos sobre Reiki o associam à anatomia ocidental e à acupuntura, relacionando o mal estar do corpo com o da mente (além de que a noção de espírito era completamente diferente). O uso dos chakras como parte da prática deu-se no Ocidente, junto com a noção de corpos energéticos e outra definição de espírito, dentro de uma visão esotérica do mundo, parte dos movimentos de Nova Era. Contudo, não se pode pensar que o "certo" estaria na prática original, na busca pelo purismo, nem em se copiar fielmente o que se aprendeu, mas buscar desenvolver o fluxo de energia dentro de si.

Levar a prática a sério é deixar de lado qualquer rótulo que limite o Reiki a determinado grupo ou ideologia e abrir possibilidades em qualquer área ou estilo de vida. Qualquer pessoa pode ser reikiana - não existem pré-requisitos. Não se precisa acreditar em anjos, devas, possessão, Era de Aquário ou o escambau. O próprio mestre Usui afirma que não se precisa acreditar em Reiki para receber um tratamento. A energia existe, o trabalho com ela é real, só que ainda é pouco conhecido pelas pessoas e pouco reconhecido por outros profissionais.

O Reiki convida à mudança, àquela felicidade que se encontra no interior de cada ser. O maior desafio nos dias de hoje é ser você mesmo. A mudança é necessária, um novo mundo se descortina, hábitos são deixados de lado para novos serem cultivados. A pessoa não deixa de ser ela mesma, pelo contrário: ela desabrocha como realmente é, aos poucos. Associar tudo isso a um processo sobrenatural é algo que não faz parte do Reiki (cujo nome é Método Usui de Cura Natural), mas pode ser associado por escolha pessoal.

04 outubro 2016

Carne e produtos de origem animal - consumir ou não?


Já falei sobre o consumo de carne para os praticantes de Reiki, dando minha opinião sobre. Decidi aprofundar o assunto, já que ele permeia não só as terapias alternativas, fazendo parte da discussão de diversos temas relacionados à saúde e ao bem-estar. É um assunto comumente não abordado por médicos ou especialistas na área, abrindo espaço para hipóteses de conjecturas - e mesmo teorias da conspiração.

Pessoalmente, acho que consumir ou não carne (e/ou produtos de origem animal) é uma questão de gosto e escolha pessoal. Cada organismo possui sua forma singular de funcionamento, e tentar seguir um padrão imposto por fora (mestres Reiki, gurus, terapeutas de diversas áreas, ou mesmo celebridades) pode ser arriscado. O que não é visto a curto prazo pode ser catastrófico a médio e a longo. O meu conhecimento é baseado no que aprendi na escola, e percebo que muitos dos que apregoam o vegetarianismo/veganismo possuem o mesmo nível de conhecimento.

O ser humano é um animal onívoro - come de tudo por natureza. Apenas animais extremamente complexos são assim - a maioria ou se alimenta de carne (predadores) ou de vegetais (presas). Ser onívoro garantiu (e ainda garante, de certa forma) a sobrevivência da espécie por aumentar a capacidade de adaptação. Com uma alimentação rica e diversificada, os humanos primitivos puderam desenvolver corpo e mente, o que permitiu a fixação da sociedades humanas e, por que não dizer?, da civilização humana como a conhecemos hoje.

Ou seja, não é uma questão de saúde - se fosse de saúde, comeríamos o que nosso corpo precisa, até carne. Alguns falam da violência contra os animais, mas e a violência contra os vegetais, fungos, etc? Se animais possuem sentimentos - como é visível em alguns -, os outros seres também possuem sua forma de expressar. Ou cairíamos naquela interpretação da Idade Moderna na qual algumas pessoas possuíam alma e outras não. E vejo que algumas pessoas são meio brutais com o alimento que será consumido, independente de qual seja. Respeitar o alimento vai além da máxima "por que cuido de alguns e como outros?".

Se fomos pensar em sofrimento animal, não deveríamos ter bichos de estimação, porque para aguentar os humanos... Nem mesmo plantinhas em casa, pois elas absorvem nossa negatividade e qualquer energia que possa nos atingir. Li em um livro de Reiki que a carne possui miasmas - energia de dor e medo acumulada, de acordo com o autor - o que prejudicaria o organismo da pessoa que a comeria. Só que não apenas a carne pode possuir: qualquer alimento mal preparado pode ser nocivo ao organismo. E qualquer tipo de trauma ou vibração nociva pode ser retirada através da aplicação de Reiki.

Existe uma teoria na qual o incentivo ao não consumo de carne vermelha estaria ligado à tentativa de falir os criadores de gado, em sua maioria grandes proprietários de terra e capital. Levá-los à falência seria uma "forma" - nada saudável - de redistribuir terras e dinheiro, além de mudar por completo todo o sistema produtivo. Parecida com a técnica para acabar com o tráfico de drogas ilícitas: divulgando e apregoando seus malefícios, desestimula-se as pessoas ao consumo, acabando com seu comércio.

Não somos vacas. Estas possuem o organismo desenvolvido para alimentar-se apenas de vegetais, enquanto nós podemos comer qualquer coisa. Já presenciei algumas pescas nas quais os peixes sofriam maus-tratos antes de virarem alimento, e frigoríficos que seguem padrões rígidos de abate para evitar qualquer forma de sofrimento ou de agonia. A paz de espírito vem de dentro de cada pessoa. Antes de tomar uma decisão sobre a mudança de hábitos de consumo, consulte um médico - ou mesmo mais de um. Pesquise sobre o que você consome e não caia na armadilha dos boatos. Sobretudo, não fique na obsessão de que os outros mudem por causa das suas ideias.

27 setembro 2016

Por trás da não-violência


Creio eu que este conceito está distorcido em nossa sociedade. Prega-se a não violência como a obsessão de evitar qualquer ato agressivo/violento em que a pessoa esteja envolvida: seja uma discussão ou mesmo as vias de fato. O problema está quando a pessoa deixa romper seu limite (seja ele qual for) e se submete ao agressor apenas para evitar a "briga". Isso não gera paz, como alguns podem dizer, apenas cria traumas, rancores, que um dia vão extravasar de forma desproporcional.

Muitos confundem as artes marciais como a arte de bater em alguém. Longe disso. A arte marcial consiste no trabalho do equilíbrio interior para formar um ser humano forte, sadio. Um guerreiro deve ter a cabeça no lugar, dentro e fora da batalha. Todos somos, de certa forma, guerreiros. Arte marcial é disciplina, técnica, persistência - algo que deve ser cultivado e fazer parte da vida, em qualquer tipo de confronto, sobretudo os internos.

Alguns criaram "artes marciais" que são apenas "técnicas de defesa pessoal", vazias de significado. Podem ser eficientes em diversas situações, mas não trazem o essencial: o equilíbrio entre corpo e mente, que permite o agir pensando. A finalidade seria a agressão, com a justificativa de que as artes marciais, de forma geral, não são objetivas. De alguma forma, busca-se por essa agressividade, essa autodefesa, mas não a autoproteção, muito menos o controle de si mesmo.

Aprender a se defender não é apenas em uma briga, mas em situações cotidianas. É não ter medo, primeiramente, da própria agressão: dar o cara à tapa. Firmar posição é algo que todos querem, mas são sistematicamente adestrados para não o fazerem, sob diversos nomes, inclusive o de negar o ego, que, como disse anteriormente, é parte fundamental de nosso ser. É uma tentativa de submeter as pessoas sob o jugo de terceiros, com a desculpa de deverem ser mansos com outrem.

A verdadeira não-violência está em evitar-se o conflito até certo ponto. Evitar uma briga é o melhor a ser feito - mesmo nas artes marciais-, o que não significa que não se pode ser ríspido de vez em quando. Limites existem e devem ser respeitados. Deve-se estar sempre pronto ao diálogo, às novas ideias, assim como estar sempre pronto para um confronto, para bater e apanhar.

20 setembro 2016

Como cuidar do ego - da forma certa

Nas minhas pesquisas sobre Reiki, vejo que as pessoas têm uma ânsia em dissolver/destruir o ego, para que possam viver a totalidade do ser. Mesmo algumas religiões (institucionalizadas ou não) pregam isso. O ego seria para elas a fonte do orgulho, da vaidade, dos defeitos de uma forma geral. No entanto, para que isso aconteça, é necessário evolução: se a pessoa não consegue se resolver na vida, ela não conseguirá viver para os outros. Não adianta doar sua roupa se irá ficar nu: o problema persiste, e até se agrava em alguns casos (quem recebeu a roupa pode jogá-la fora e continuar pedindo).


Se você se imaginar como um carro, teria o ego como volante e o superego como motor. O superego é o inconsciente, a parte instintiva. Nele está todo o seu potencial, o que faz a máquina funcionar, por assim dizer, mas precisa de um direcionamento. É aí que entra o ego. Ele te protege das ameaças externas (as propagandas de forma geral trabalham com o superego e não com o ego), e dá um direcionamento para a vida. Não há nada de ruim nisso, muito pelo contrário: deixar o superego no comando é autodestrutivo.

E o orgulho, vaidade, e afins? Ora, eles permeiam ambos! Podem estar tanto no inconsciente quanto no consciente (ego) ou nos dois ao mesmo tempo! A diferença está em trabalhar com isso. O ego não deveria ser destruído por outrem, muito menos por si mesmo. Ele deve ser trabalhado, evoluído, fortalecido. Para controlar o superego e o direcionar a coisas construtivas. Não é que uma pessoa deixa de ter ego: é que este evolui a tal ponto que se autossustenta, não precisando mais de caprichos externos.

Para isso, é necessária a evolução. É difícil falar sobre ego para pessoas pouco evoluídas. Percebe-se isso quando não se respeita essa teoria: há inconformismo quando não se é considerado pronto. Quer aprender a equação de segundo grau, mas ainda não aprendeu as quatro operações fundamentais. Espere o momento certo, e enquanto isso, trabalhe seu ego. Ele que permite sua sobrevivência e evolução, ao contrário do que dizem por aí.

Ao desenvolver o ego, deve ser desenvolvido também o controle sobre o mesmo. Você controla o ego, e este controla o superego. Não adianta só desenvolver o ego - perder o controle dele pode ser tão nocivo quanto deixar o superego no comando. É o famoso autocontrole, de difícil aquisição, e que hoje em dia não é muito trabalhado, já que demanda evolução.

13 setembro 2016

Adaptar o Reiki?


Confesso que já tive "bronca" da mestre Takata. Apesar de seu papel fundamental na difusão do Método Usui de Cura Natural, conhecido como Reiki, fiquei meio chateada com as adaptações feitas por ela ao difundir um conhecimento tão precioso. A história do mestre Usui, a criação do Dai-Ko-Myo (há uma hipótese de que foi ela criou este símbolo), os termos utilizados e mesmo a simplificação da técnica em si me deixaram ressabiada. Onde encontrar um Reiki puro, livre de improvisações?

Engraçado que a resposta estava ao meu lado, à minha frente: simplesmente não existe. Como praticante de artes marciais, sei que todo o ensinamento passa por modificações de mestre para aluno/discípulo, ou seja, não existe exatamente uma fórmula primordial, e sim adaptações múltiplas a uma ideia central. Um estilo de arte de um mestre pode ser completamente diferente de outro, mesmo sendo do mesmo ramo. Essa modificação provém da adaptação ao seu tempo-espaço. O que era necessário a uma época não o é mais em outra, e mesmo varia conforme a localidade. O kung fu brasileiro é diferente do norte-americano, assim como o karatê japonês é diferente do europeu. Lembre que a estrutura inicial do Reiki era a mesma das artes marciais.

O que a mestre Takata fez foi adaptar o que aprendeu do mestre Hayashi para sua realidade: o Havaí pós-guerra. Pensa que tenso ser japonês nos Estados Unidos pós-Pearl Habor? Ou seja, como falar de Reiki sem falar de Japão? Outro detalhe: é a primeira estrangeira que se tem registro a aprender o Reiki, e para alguns ramos japoneses, ela nem é considerada mestre Reiki! A solução é simples, porém complicada: adaptar. Tornar a Arte Secreta de Convidar a Felicidade acessível onde eu estou e para quem está. Lembrando que à época do mestre Usui havia várias técnicas de "cura natural", onde se trabalha corpo e espírito em busca de uma saúde como um todo. Usui apenas sistematizou uma dessas técnicas, que com a difusão nos Estados Unidos, tornou-se uma das mais populares do mundo.

As coisas só duram quando são flexíveis. Querer manter uma estrutura do século retrasado sem adaptá-la força a barra. Seguir uma tradição é uma coisa, mas ser obsoleto é outra. Tradição requer adaptação. Não significa perda de identidade, apenas a adaptação da mesma ao longo do tempo (e mesmo do espaço). É quando cada reikiano, mestre ou não, expressa o Reiki da sua forma. O Reiki transforma as pessoas, e as pessoas são transformadas com o Reiki. Sem um deixar de ser o outro. Quanto mais simples, mais flexível é algo, mais adaptável ele se torna, tornando-se mais duradouro (se não me engano, o Twitter é de 2006).

Então, como ensinar e aprender Reiki nos dias de hoje, onde tudo tem que ser rapidinho e eficaz? Não é todo mundo que quer saber tudo sobre Reiki, mas também alguns cursos não deveriam ser dados em um dia, como um micro-ondas. Cabe a cada um refletir a respeito, seja para aprender, seja para iniciar. O que não muda é que aprendizado requer prática, e prática requer tempo. Algumas coisas podem ser simplificadas, o que não significa que perderão a qualidade. Por exemplo: há cursos de Reiki à distância, onde as pessoas são iniciadas sem estarem na presença do mestre. É um assunto deveras complicado: muitos argumentam que "funciona", mas eu possuo minhas reservas: não só a questão dos canais energéticos, mas há a questão do vínculo mestre-aluno/discípulo que é fundamental.

A principal diferença para mim entre aluno e discípulo é que o vínculo do mestre com este último é muito maior. Há um envolvimento a nível pessoal - o mestre não é apenas o fessor. É alguém com quem se compartilha um aprendizado profundo e complexo. Há mestres com muitos alunos e nenhum discípulo, e há mestres com poucos discípulos e nenhum aluno.

06 setembro 2016

A utilidade do inútil

Pessoas próximas a mim reclamam das Olimpíadas, assim como reclamaram da Copa do Mundo. "Ah, preferimos escolas, hospitais, melhores condições de vida, do que essas coisas inúteis..." Depois de respirar fundo, contar até dez, segurar a vontade de sentar a mão na cara (esse discursinho frívolo ainda me causa náuseas), passei a refletir sobre. Sim, antes de tudo temos a fase do luto, a fase da raiva, a fase do espera pra esfriar. Não dá para refletir sobre nada estando com raiva, triste, ou sentindo alguma coisa muito forte que impede nosso raciocínio. Pois bem.

Essa busca pela utilidade das coisas remonta nosso Passado, onde sempre buscaram dar utilidade pra tudo. O que era considerado inútil era sumariamente descartado. Hoje em dia, com toda a tecnologia, ser útil é fundamental, ser inútil é algo a ser constantemente aparado para não crescer e proliferar. Só que duas coisas surgem disso: a própria taxação de útil/inútil e o valor a ser dado a ambos. Afinal, o inútil pode ser tão útil quanto o próprio útil, dependendo do momento. Não se vive só comida, bebida, sono e sexo. O corpo também pede chocolate, filme sem sentido e uma notícia boba de vez em quando.


Primeiramente deve-se pensar sobre o que é realmente útil: o importante é o que importa, certo? Independente de sua utilidade. O que é útil para alguns é inútil para outros, e vice-versa. Muitos me questionam sobre a utilidade da História: respondo-lhes que eu a História para mim permite ver o mundo de forma panorâmica, mas não é só isso. Cada um dá a utilidade que quiser, conforme sua visão de mundo e nível evolutivo. Também entra a questão da necessidade: naquele momento, aquilo é necessário para mim, em outro momento não.

O que se fazer com o inútil, com o que sobra? Se algo não é útil, ele é automaticamente inútil, certo? Talvez. Olhando de outra forma, o que não é útil forma um mar de incertezas - pode vir a ser útil, pode nunca ser útil, pode ser esquecido, pode ser lembrado... Pode até mesmo ser necessário pela sua total inutilidade. É algo libertador, que dá gosto de abraçar, que nos faz esquecer, pelo menos por um momento, de um mundinho regradinho e quadradinho, feito de utilidades. Não adianta só pensar que utilidade é algo relativo - a própria questão se desdobra e se mostra fascinante, independentemente de ser útil ou não. Que coisa!

Não adianta reclamar, as coisas não voltarão para trás. O dinheiro já foi gasto, as coisas já foram feitas. É o preço da experiência. Aproveitar o momento é fundamental, tirando todo o proveito da situação. Não se preocupe com a utilidade do negócio, afinal, tudo possui seu lugar e seu momento. E, sobretudo, as pessoas têm o que merecem ter, nem a mais, nem a menos: pode parecer bizarro, absurdo, mas não adianta querer forçar situações de mudança, pois o Universo tem seu rumo e seu ritmo.

30 agosto 2016

Álcool, drogas, sexo e Reiki

Só coloquei as palavras mais "chocantes" no título, mas há outras restrições antes e depois da iniciação no Reiki: consumo de carne, uso de aparelhos eletrônicos (televisão, computador, celular...), ambientes tumultuados, ou seja, qualquer coisa que possa "atrapalhar" o fluxo energético ou "reduzir" a sensibilidade. Boa parte dos mestres orientam seus alunos a evitarem essas coisas para estarem mais limpos e abertos à energia Reiki durante o curso e o processo de iniciação e também aos 21 dias de purificação que se seguem. Para quem não é do ramo, são dicas valiosas e úteis a serem seguidas, mas pra quem já está na estrada, torna-se aos poucos desnecessário, e vou explicar o por quê neste post.


Para quem nunca entrou em contato com as energias sutis de forma consciente, o corpo está repleto de "bloqueios", como se usasse uma venda nos olhos. E uma venda nos olhos atrapalha os outros sentidos também - é o que acontece com nossos corpos energéticos. Quando se restringe a energias materiais (carne, sexo, eletrônicos, etc), é como se a venda ficasse mais "transparente" e algumas coisas tornassem visíveis - além de melhorar os outros sentidos também. Claro que por motivos de saúde, algumas coisas não podem ser cortadas, mas conforme há o desenvolvimento energético (durante a prática do Reiki ou mesmo oriundo de outras práticas), surge o questionamento: por quê, por quê, por quê?

Eu separo álcool, cigarro e outras drogas principalmente por causa do uso: as duas primeiras são mais corriqueiras e as últimas são mais restritas (e em alguns casos, proibidas). Elas alteram a percepção e mesmo a estrutura dos campos energéticos temporariamente (ou mesmo permanentemente em alguns casos). Além de prejudicarem a saúde física. No caso do álcool em específico, ele retira a sensibilidade ao Reiki, o que dá a impressão de "não estou fazendo nada/não sei o que fazer". Para quem está começando é difícil, mas ao longo do tempo aplicar Reiki mesmo sem senti-lo torna-se questão de costume.

Sexo é uma questão complicada. Ele não é visto como uma relação amorosa, mas como algo mecânico que dá prazer. O problema começa aí: se não existe sentimento elevado, a troca de energias decorrente da relação sexual é danosa para ambos, por isso não recomendada para os reikianos. No entanto, se você está em um relacionamento sério, longevo, profundo, o sexo é algo até recomendado, porque há amor circulando. Neste meio, o Reiki flui entre os parceiros, firmando laços e unindo as pessoas. É algo muito bonito que deve ser buscado, mesmo que a sociedade hoje em dia pregue justamente o contrário.

Não sei se o assunto carne é mais polêmico que sexo, mas se pensar que este último está tão banal, falar de carne gera muita confusão. Ao contrário do que dizem, a carne, sobretudo a bovina, é fundamental para o organismo humano. Energeticamente falando, a carne liga a pessoa ao planeta, o que é essencial para evoluir aqui. No caso do Reiki, parar ou reduzir o consumo de carne serve para "desaterrar" um pouco a pessoa, para que possa sentir melhor o Reiki fluindo e assim facilitar o processo iniciatório. Ocorre que durante a prática do Reiki, a própria pessoa passa por modificações espontâneas - deixa de seguir certos hábitos para abraçar outros - o que pode interferir nos hábitos alimentares.

Os aparelhos eletrônicos emitem diversos tipos de radiações. Para alguns mestres Reiki, elas podem ser nocivas aos campos energéticos dos reikianos, sobretudo os iniciantes. Mesmo para alinhamentos de cura e cirurgias energéticas, é recomendado não entrar em contato com estes equipamentos, sobretudo ao chegar em casa. Há também a questão do hábito: estamos cercados por tecnologia - desligar-se seria uma forma de conectarmos a nós mesmos e ao mundo que nos cerca. Em alguns casos, recomenda-se também evitar ambientes tumultuados, para não se deixar contagiar por este tipo de energia, o que é meio difícil: isto é recomendado para mestres antes de e durante seus cursos, não exatamente para alunos.

Como disse, é uma questão de evolução e aprendizado. Conforme progride, certas restrições deixam de ser necessárias ou mesmo perdem o sentido, justamente por haver o autocontrole. Por outro lado, vejo que as restrições são necessárias, para evitar excessos e começar a promover um padrão de vida mais saudável. Com o aprofundamento da técnica, as pessoas tendem a buscar melhores padrões de vida de forma espontânea - não significa que ela se torna uma pessoa ascética, mas que começa a refletir sobre o que é realmente melhor para ela.

23 agosto 2016

Algumas palavras sobre Meditação


Meditação é a prática da vez. Pode parecer exagero, mas todo mundo que eu vejo procura uma forma de praticá-la - como se fosse obrigatório por lei. Se pesquisar na internet, encontrará métodos, espaços, músicas, enfim, tudo o que é necessário (ou nem tanto) para poder meditar, como se isso fosse melhorar sua vida por si só. Ledo engano. Aliás, penso que as pessoas estão tão obcecadas por isso que não veem que estão exagerando, e que não conseguem entender porque se frustram com isso. Meditação sobretudo não é uma técnica para ser realizada durante determinado tempo em determinado local - é um processo gradual e constante de esvaziamento da mente a ponto da mesma estar permanentemente vazia.

Para mim, a maior falha dos cursos de meditação é a criação de um ambiente para meditar. Isso pode ser de grande auxílio no começo, mas chega a ser ilógico: como ter a mente mais serena em situações de estresse se eu só a pratico na calmaria? É como treinar defesa pessoal sem prática: na hora que precisar, não servirá para nada. Há algum tempo venho construindo minhas ideias sobre meditação, sobretudo baseado na minha prática meditativa - melhor dizendo, na falta dela. Quem procura meditação geralmente se sente acelerado, cansado, exausto. Quer um conselho? Vá dormir! Meditar requer uma mente descansada e relaxada, não é um remédio contra insônia, que você toma e capota na cama.

Mude seu estilo de vida: desacelere por conta própria, cultive sua própria serenidade. Não adianta meditar horas seguidas em um ambiente tranquilo e querer encarar o rush de uma grande cidade. A sensação boa vai embora assim que por o pé na rua - afinal, o ambiente também nos influencia. Parar e não pensar é a essência da meditação, e é algo extremamente simples e complexo: pode ser feito na fila do mercado, ao andar de elevador ou quando estiver no banheiro (hum, nem tanto). O ato de meditar é um meio, não um fim em si. Esqueça o ambiente dos templos, você não mora em um deles.

É um trabalho para toda a vida, o tempo todo. Você pode esvaziar sua mente sem ter uma prática meditativa "padrão". Tenha certeza que este tipo de prática irá ajudar mais em momentos de estresse do que ficar sentadinho num canto escuro da casa, porque ela fará parte da sua vida e estará o tempo todo com você. Experimente meditar durante uma situação de estresse, sentindo a fúria dentro do corpo, e vendo a mesma se dispersar gradualmente, como uma nuvem que passa no céu. Busque transformar cada atitude sua em uma atitude meditativa: escrever um texto, fazer uma caminhada. Você verá a diferença ao se sentar para meditar: estará tudo mais simples, e você perceberá que meditar vai além de uma questão de escolha.

16 agosto 2016

Mudanças graduais


Estou fazendo mudanças significativas no blog, em paralelo com mudanças importantes na minha vida. Ou seja: estou naquela fase de bagunça em que eu tenho que arrumar tudo, mas isso demanda tempo, muito tempo. Não gosto de ver a casa bagunçada, nem a vida bagunçada, mas as coisas ainda estão se arranjando. O que eu mais temo da bagunça é sua permanência, por isso o afã de arrumar tudo muito rápido. Só que na pressa nada fica bom - gasta-se até mais tempo para por tudo novamente no lugar.

Irei iniciar uma nova fase da minha vida: a situação atual já não faz mais parte de mim, preciso de um mundo novo para chamar de meu. Novas ideias, novas atitudes: é um novo nível de evolução, que abala estruturas antigas e cria novas, mais fortes e mais sólidas. Sabe aquela expressão "o futuro já começou"? É essa a sensação. A nível de blog, seguem algumas mudanças:

  • Página no Facebook: ela já existia há algum tempo, mas eu nunca pensei em colocar aqui. Simplesmente esqueci.
  • Posts pessoais: posts que fogem do assunto do blog (acho que vocês já sabem qual é) farão parte deste blog mais pessoal. Lembrando que não irei cuidar dos três com o mesmo afinco, é mais um "estoque" do que um "projeto".

Por enquanto é isso. Conforme as coisas vão mudando e se desenvolvendo, irei escrevendo aqui. Tentarei não ficar sem postar durante esse período, mas as ideias fogem, e colocá-las no ar fica complicado. Aliás, estou aberta a críticas e a opiniões. O momento de mudar é agora, fiquem à vontade.

09 agosto 2016

Entre Fatos e Factoides

Fico imaginando se na graduação em História, e mesmo no ensino escolar, deveria haver maior trato com a historiografia e com a construção do conhecimento historiográfico. Aliás, acho que a História é uma grande Mestra da Vida justamente por ensinar a lidar com fatos passados, presentes, e mesmo futuros. Lidar com este tipo de coisa contribui para nossa formação como ser humano e ajudaria na construção de uma sociedade melhor. Um dos pontos que deveriam ser tratados seria a questão do fato e do factoide, como diferenciá-los e mesmo utilizá-los na construção historiográfica e na própria evolução.


Pesquisei um pouco na internet sobre o factoide, e vi que ele possui uma definição levemente diferente da que eu costumo utilizar: realmente é um fato falso considerado verdadeiro, no caso pela intensa veiculação, sendo que eu considero como uma interpretação distorcida de um fato legítimo por interesse pessoal. No final, ambos conferem: a intensa veiculação de um fato falso possui interesse pessoal, marcado tanto pelo vitimismo quanto pelo egoísmo. Há alguns problemas nisso: como destrinchar o factoide em busca do fato verdadeiro (ele existe, não é relativo como alguns "factoidistas" pregam) e como distinguir um fato de um factoide.

As pessoas fabricam os factoides sobretudo quando querem levar vantagem em uma situação: o fato ocorre, mas por este ser desfavorável de alguma forma, ele é interpretado de forma distorcida: um processo natural. Alguns acontecimentos que fazem parte da História são factoides que ganharam vulto e força. Separar joio do trigo é uma tarefa árdua, que atinge o ego de muitas pessoas. Ou seja, tanto a nível historiográfico quanto a nível pessoal, é um processo de transformação importante e delicado. No filme Uma Cidade Sem Passado, os factoides preenchem o espaço de onde deveria estar a História da cidade, e quando Sonja busca investigar mais a fundo, começa a sofrer com a revolta dos próprios habitantes. Estamos em uma época assim.

Resolver o factoide pessoal ajuda a resolver os factoides coletivos. Encarar o fato como ele é pode ser doloroso de início, mas o sofrimento é uma questão de escolha. Na maior parte das vezes, as coisas não são como queríamos - podem ser melhores ou piores. E mesmo o julgamento de melhor/pior depende mais do ponto de vista do que do ocorrido em si. A relatividade do fato se deve à forma como o vemos não ao fato em si. Distorcê-lo agrava a situação de vítima e anula forças de mudar a situação. Torna-se cômodo ser vítima, criando-se factoides dos acontecimentos subsequentes para manter esta posição. Não seria um vício a prática em si, mas um recurso constantemente empregado pelas pessoas para terem razão.

Com um ensino de História fraco e repleto de factoides, os estudantes são condicionados a criar os próprios ao invés de vencê-los. Parece que estamos em um mundo de factoides sem fim, em que cada vez mais e mais são criados para não se ver a Verdade. Mas não se engane: os factoides caem, a verdade aparece. As pessoas tendem a cair em conflito quando os factoides se desmancham. Isso é bom, pois um grande passo pode ser dado rumo ao amadurecimento, já que se abre oportunidade para o questionamento, não da situação, mas da própria pessoa.

02 agosto 2016

Um Eu de muitas caras e muitos jeitos


A expressão duas caras possui uma conotação negativa ao se referir a uma pessoa de posturas e atitudes diferentes com o propósito de prejudicar outrem. Busca-se então ser a mesma pessoa em qualquer situação, em qualquer ambiente, e isso acaba causando muita frustração, porque as coisas não são bem assim. Em cada situação temos que ser uma pessoa diferente, porque a mesma demanda isto. Não é possível ser a mesma pessoa no trabalho, na escola, na faculdade, na academia. Nós devemos então nos utilizar de máscaras nas mais diversas situações, para nossa própria preservação.

Diria que estes são apenas partes de nós, partes necessárias. Não dá para ser completo em qualquer lugar, isso pode ser seriamente danoso. Isso fica visível na transição da adolescência para a idade adulta, quando começamos a trabalhar e vemos que qualquer postura não é aceitável neste tipo de ambiente. Pode parecer absurdo no começo, mas com a devida orientação, é possível desenvolver um "eu profissional" que transmite segurança e confiança aos seus pares e superiores e sabe lidar com as situações da forma mais profissional possível.

Mesmo na escola não somos nós mesmos por inteiro, porém a criação deste "eu escolar" é bem mais sutil, já que acompanha nosso crescimento. Na faculdade, por mais que nos soltemos, não dá para sermos "inteiros": é um novo eu que se destaca, pronto para se adaptar às atividades acadêmicas e fora dela. Como saber que não somos "completos" em determinada situação? Pelas limitações: quais posturas você não pode adotar no trabalho, na escola ou na faculdade? Como demonstrar respeito, gratidão ou mesmo alegria? Não se engane: é possível ser a gente mesmo nesses ambientes, respeitado estes limites, fazendo do nosso jeito.

Isso está longe de ser uma padronização. Aquelas regras de como se portar em uma entrevista devem ser utilizadas como base, como inspiração, não como um manual a ser seguido à risca. Tornar-se camaleão, sabendo se portar em diversas situações, de forma original e criativa, é o ideal, que vem com o tempo e com a prática. Isso está longe de ser falso: ainda é você, é parte de você. Não é como uma unha que cortamos fora quando nos desagrada: acabou a utilidade daquilo, torno-me outra pessoa. Perceba aí a intenção: esses "eus protocolares" têm apenas por finalidade adaptar a pessoa às diversas situações da vida, enquanto que a falsidade possui por fim específico o benefício próprio em detrimento de outrem.

E quando somos realmente nós mesmos? Quando sentimos a total liberdade de agir e pensar: não quer dizer que podemos fazer qualquer coisa, mas que não existem limitações sociais, como posturas. Quando estamos em casa, ou fazendo algo que gostamos, ou quando estamos com aquela pessoa especial. Não digo quando estamos em família, pois cada uma possui suas próprias limitações, e não é sempre que podemos ser nós mesmos. Mas se não conseguimos detectar nosso "eu livre" em nenhuma situação, aí está o problema: quem sou eu? Nosso "eu livre", que alguns chamam de Self, é a nossa essência, da qual derivam todos os outros "protocolares": é quando não há limites às situações cotidianas.

Um relacionamento pode ser analisado pelo nosso comportamento junto com aquela pessoa: se não há necessidade de um "eu protocolar", é porque aquela pessoa é realmente especial para nós e existe um sentimento por ela, sobretudo quando esta aceita o "eu livre", com todas as suas nuances. O problema é quando existe o relacionamento de fachada: usamos um eu protocolar para viver com o companheiro e filhos, ou mesmo com os amigos. Quem sou eu? Para que eu sirvo?

26 julho 2016

Editorial: Quem cura, afinal?


Se eu disser ninguém, soaria engraçado, mas é bem isso: ninguém cura ninguém a não ser a si próprio. Seja uma gripe, um osso quebrado ou um karma pesado. Só a própria pessoa pode se permitir curar. Não há "segredo", ou podemos dizer que este é o segredo das "curas milagrosas". Isso também muda um pouco a própria visão do "efeito placebo", termo da medicina alopática que explica o motivo de uma substância ou método surtir efeito sem explicação científica.

Falar de saúde sem ser profissional da área chega a ser um risco. É necessário medir palavras. Só que indo além, quando um novo horizonte se descortina em matéria de saúde, coisas até então consideradas absurdas tornam-se regra. No entanto, até haver a mudança, e principalmente, até haver a aceitação, problemas acontecerão.

Uma das discussões mais polêmicas a respeito é sobre a capacidade de curar. Quem, ou o quê, teria a "milagrosa" capacidade de devolver à pessoa sua condição de bem-estar? Seria conhecer o corpo como uma máquina perfeita, harmônica, que de vez em quando uma peça sai do lugar, prejudicando o resto? Seria aquele cara que, aos berros, expulsa espíritos maléficos? Seria a dieta da moda? Seria o Reiki? Florais? Whey Protein? Tudo isso? Nada disso?

O ser humano é algo complexo demais para nós mesmos, já que é criação divina (por favor, não me confunda com Criacionismo). Mesmo as invenções mais avançadas não chegam nem perto de nossa imaginação (acontece o contrário: nós fechamos nossa mente para nossos gadgets). Ele é composto por substâncias, energias, vibrações, ideias, sentimentos, e sei lá mais o quê. O que fazer para cuidar de algo tão complicado? Dar o cuidado mais completo, certo? Chega-se à conclusão que conhecer a si mesmo é um remédio universal para todos os males.

Conforme se autoconhece, os problemas podem vir à tona e ser trabalhados. De que forma? Da melhor forma: um remédio, uma tala no braço, uma alinhamento de cura, um abraço gostoso. Chorar no colo da pessoa amada pode resolver traumas profundos, sem efeitos colaterais (tá, chorar demais dá dor de cabeça depois). Nada, nem ninguém, conhece curar uma pessoa. Só ela mesma. O trabalho que se tem é para auxiliá-la nesse processo da melhor forma possível. E todo e qualquer trabalho é válido para isso (sem prejudicar outrem, creio eu) e tem seu mérito.

O tempo mostra isso, e mais adiante vai ficando mais e mais visível. Tempo é outro remédio universal para nossos males, sobretudo os coletivos.

12 julho 2016

Algumas palavras sobre Iluminação


Pode parecer um pouco presunçoso de minha parte escrever sobre um estado no qual ainda não atingi, mas ao entrar em contato com pessoas neste nível de consciência, a sensação é de também o ser. Hawkins fala em seu livro sobre a Iluminação de forma tão natural e tão concreta, que se chega à conclusão que qualquer pessoa, em qualquer nível de consciência, pode esforçar-se e atingir este estágio. A Iluminação seria o nível máximo de consciência possível na Terra, mensurado entre 900 e 1000, ou seja, a pessoa vai se desenvolvendo dentro da Iluminação até atingir a consciência máxima.

Pesquisei algumas coisas na internet sobre Iluminação, e percebi que muita coisa mudou. Algumas pessoas consideram Iluminação o mero despertar de consciência, o que não faz sentido, já que o despertar é a página 1 do volume 1 e a Iluminação é a página 1 do volume 2, por assim dizer. Outra coisa, Iluminação é possível, mas não significa que seja fácil, tampouco significa que é necessário ser monge para tal. Só que não há um caminho, uma receita de bolo - cada pessoa é única, especial por si só, e seu caminho é único.

A pessoa iluminada não possui mais ego - vive para o Outro, que agora é parte de si. Tudo se torna Uno, expressão de Deus - bem e mal, verdade e mentira, etc. É um conceito que mais deve ser sentido, experimentado, do que explicado, racionalizado.

Interessante notar que a pessoa iluminada não é uma pessoa "certinha", ou mesmo "perfeita": quando ela consegue superar a fase de "surto" que se dá durante a transição, ela tem uma vida, digamos, normal. Ela continua bebendo, fumando, comendo carne e fazendo sexo como qualquer outra pessoa. Ela não vira um monge, como muitos pensam. Não é necessário se tornar uma pessoa ascética para evoluir. Outra coisa é pensar que a pessoa iluminada é séria e sisuda: são as pessoas mais bem humoradas que você pode conhecer! O riso é divino.

Uma característica da pessoa iluminada é "iluminar" tudo o que está ao redor: quem está a sua volta sente a elevação da consciência, um profundo bem-estar e relaxamento. Por isso muitos buscadores meditam observando fotos de pessoas iluminadas, já que promove a mesmo efeito. Se, na maioria dos casos, as pessoas tendem a se desarmonizar em meio negativo, um iluminado tende a harmonizar o negativo, contrabalanceando energeticamente 70 milhões de pessoas em níveis baixos de consciência.

O contato constante com pessoas iluminadas acelera o processo evolutivo tanto do iluminado (sim, pessoas iluminadas continuam evoluindo) quanto do outra pessoa. Por isso nos sentimos tão bem com estas pessoas quando aceitamos que nossa frequência seja elevada por elas. O desconforto que pode haver no contato pode ser pela evolução negativa (existe iluminação negativa) ou mesmo pelo Efeito Matrix.

Parafraseando Enigma: não é o começo do fim. É o retorno a si mesmo - o retorno à inocência.

05 julho 2016

Seja bambu


"Não há que ser forte, há que ser flexível". Provérbio Chinês

Nos últimos dias, acabei conversando com várias pessoas a respeito de flexibilidade e adaptação. Para minha surpresa, percebi que muitas pessoas resistem à adaptação de forma declarada e consciente, como se fosse algo negativo a ser combatido. Já passei por essa época, em que a adaptação era vista como conformismo e aceitação de que nada irá mudar. Agora percebo que as coisas não vão mudar ao nosso bel prazer, nem seguir os padrões impostos pelos nossos caprichos. O que se pode fazer então é aproveitar o que se tem a oferecer e se adaptar para isso.

Como disse em outro post, a verdadeira Revolução é aquela que vem de dentro de nós, mudando por completo nosso interior, e externando uma nova vibração que acaba por alterar o ambiente a sua volta, contagiando os demais (positivamente ou negativamente). Mudar e questionar é algo bom, mas apenas para efeito pessoal. Discordo de tanta coisa que vejo, que se fosse reagir a cada uma, não teria nem tempo nem energia para o que realmente gosto.

E o que realmente importa?

Seria o buraco mais embaixo da pergunta "você quer ser feliz ou você quer ter razão?". Ser feliz é encontrar sua razão, é ter razão de si próprio, não forçar o outro a engoli-la. Quando encontra a sua razão, pode se adaptar ao meio em que vive, tirando proveito dos revezes que podem aparecer. Não adianta reclamar: use seu potencial para criar sua realidade, não forçar a realidade de outrem.

Há diferença entre o contentamento e a conformação. O contentamento é a alegria pelo que somos, pelo que temos, pelo que está a nossa volta. Está tudo bem, tudo se encaminha da melhor forma possível. Corresponde ao nível de Alegria da escala de consciência do Dr. Hawkins, calibrado entre 540-600, onde ainda não há a Paz interior, mas uma profunda alegria e gratidão por viver. O Amor do nível anterior torna-se completamente incondicional, que não espera absolutamente nada, completo em si. É quando se sorri ante tanta desgraça em volta e faz aquela piada certeira, impossível de não rir.

A conformação está ligada aos níveis baixos de consciência. Como a pessoa pode oscilar por eles ao longo da vida (entre 0 e 200), não está ligada a um nível específico. É aquela sensação de que nada vai mudar, de que tudo vai ser a mesma coisa para sempre, e que não há nada que se possa ser feito a respeito. Aí está a diferença: o contentamento está ligado à capacidade de mudança, de que nada será como antes, de mudar a visão de mundo. O conformismo está ligado à submissão, à revolta, ao ego e à frustração: eu não consigo mudar, nada irá mudar, o mundo sempre foi assim.

Brigar contra o conformismo é como dar murro em ponta de faca. Querer levantar, agir contra o fluxo do universo é gastar tempo e energia com algo que realmente não vai mudar. No entanto, brigar contra a nossa própria passividade não significa que temos que ficar nos mudando constantemente - isso irá acontecer naturalmente. Entra aí a analogia com o bambu: ele se curva às intempéries, mas não quebra. Sua resistência não está na sua rigidez, mas sim em sua flexibilidade. Podemos comparar com outras madeiras, que sob pressão quebram.

28 junho 2016

Algumas observações sobre Bullying


Eu sofri bullying em toda minha idade escolar, sendo necessários tratamentos psicológicos e mesmo complementares para superar os traumas decorrentes. Foi nessa ocasião que descobri o Reiki, os florais, e toda uma gama de terapias alternativas e complementares, que hoje estudo com tanto afinco e paixão. Enfim, na faculdade pensei que estudaria um pouco sobre este fenômeno presente nas escolas desde tempos idos, mas foi aquém da minha expectativa. Além de ter que estudar por conta própria, percebi que não existem políticas e estudos efetivos a respeito aplicados na escola, sendo utilizadas as velhas fórmulas paliativas e ineficazes.

Resolvi então listar algumas coisas que considero importantes sobre o bullying como forma de alertar pais, alunos, professores, entre outras pessoas ligadas à educação.

Ignorar não funciona

A primeira coisa que nos sugerem ao ato de bullying é ignorar. Deixar de lado para o bullie cansar e desistir de importunar. Quase nunca funciona, e o motivo é simples: você está dando a entender que permite a agressão e que não irá fazer nada contra. O que era um apelido infeliz torna-se uma agressão verbal - continuar a ignorar é deixar o problema crescer.

Quando a vítima toma alguma atitude logo de cara, perde a razão. O professor geralmente sabe que a pessoa estava sofrendo com a situação, mas não permite que ela reaja. Se ela responde por conta própria, é como se tirasse a "autoridade" do professor, ou do coordenador. Mas como se tira autoridade de quem não a exerce? Afinal, não fazer nada não é exatamente fazer alguma coisa...

O bullie (praticante de bullying) hoje é o "pseudorrevolucionário" de amanhã

Esse é o dedo na ferida. Quem ganhou tudo no grito e na pancada no passado vai querer ganhar tudo no grito e na pancada no presente. Não duvido que os movimentos sociais compostos por jovens que causam algum transtorno à sociedade não seja consequência da falta de providência aos praticantes de bullying durante a idade escolar. Mesmo a vítima de bullying pode encontrar neste tipo de movimento uma válvula de escape aos traumas do passado.

Se a criança não teve limites bem demarcados durante a infância, não os desenvolverá sozinha no futuro, e necessitará de medidas coercitivas da própria sociedade. A vida educa.

Quem é vítima de bullying hoje tornar-se-á vítima de assédio moral amanhã

Como a vítima de bullying não aprendeu a se defender efetivamente, ela tende a não saber reagir a perseguições do chefe e colegas na empresa em que trabalha. A pessoa cria uma postura de vítima como se estivesse colado nas costas um papel escrito "me chute". E não duvido que quem tenha praticado bullying na escola não irá praticar assédio moral na idade adulta. Ninguém impede, ninguém faz nada, e quem faz vira culpado da situação.

Assédio moral: bullying de gente grande

Assédio moral é um nome bonitinho para bullying de gente grande, mas o conceito é o mesmo: agredir e perseguir alguém, seja de forma física, seja de forma psicológica, gerando graves danos tanto na vítima quanto no agressor (afinal, este também cria distúrbios mentais ao achar que pode se impor assim). E como o bullying escolar, a vítima de assédio moral que toma alguma atitude acaba que por sofrer as consequências, sendo comum perder-se o emprego por isso.

O grande diferencial do bullying para o assédio moral é que este último é muito mais abafado que o primeiro. No bullying ainda há coleguinhas e funcionários que tentam fazer algo para dar um fim à situação, enquanto que na empresa todos fecham o bico para não sofrerem as consequências. Coletar provas chega a ser tarefa impossível, pois o que pode ser perseguição para uns, é mera brincadeira entre outros. Testemunhas podem fazer o disparate de acusarem a vítima ao invés de a defenderem como prometido. Fora que há a pressão para a vítima pedir demissão e assim não receber seus direitos trabalhistas.

Um tapa na cara pode ser a melhor saída

Sim! Ensinar a vítima a se defender, e mesmo chegar às vias de fato pode ser uma saída interessante para quebrar o círculo vicioso do bullying. Em uma sociedade que prega a não-violência de forma absurda, mesmo para própria defesa e sobrevivência, não faz sentido a falta de atitude contra os bullies, afinal, eles são tão agressores quanto as vítimas que se defendem. Pregar a passividade a este tipo de situação só fomenta uma sociedade cada vez mais passiva e permissiva, não pacifista, como imaginam.

Uma agressão justificada vale mais que horas de perseguição. O praticante de bullying tem que ver que não pode se impor desta forma e aprender a conviver com os outros de forma mais amigável. O bullie que apanha hoje não irá agredir outro amanhã. Obviamente não estou pregando a ideia de que todos os praticantes de bullying devem apanhar das suas vítimas, mas esta atitude também deve ser permitida.

Quem tem autoridade da situação no momento deve buscar evitar que a situação chegue a tal ponto, tomando uma atitude. Mandando o bullie calar a boca e respeitar o colega. Dando advertências e suspensões - não só falando pra vítima ignorar, que a culpa é dela. Se a culpa é dela, ensine-a a resolver também.

Bullying sempre existiu

Bullying começou a vir à tona quando os próprios estudantes começaram a não conseguir resolver esta situação por conta própria. Antigamente os professores não intervinham na situação - eles se resolvem e ponto. Hoje em dia, os professores tentam evitar a agressão, quase sempre de forma errônea. Ilude-se quem pensa que bullying é um fenômeno recente - ele só começou a ser estudado recentemente, e mesmo assim muitos negam sua existência.

Isso era o que eu tinha para falar. Por um momento pensei que já tinha escrito sobre (será que não encontrei a postagem?). Quando fui fazer meu estágio, a primeira coisa que me disseram era que na escola não havia bullying. Mas foi necessário dez minutos de observação para ver um caso. Olhos e coração abertos é necessário.

21 junho 2016

Como melhorei minha saúde (e perdi peso)

Andam comentando que estou muito magra. Que de uns tempos para cá emagreci. Que meu corpo está mais definido e até mais bonito. Me sinto lisonjeada por tantos elogios, e em resposta a tantas perguntas sobre o que eu fiz, decidi escrever este post para explicar e mesmo dar umas dicas. Eu precisei sobretudo cuidar de mim, e isso é mais simples do que se imagina.


Melhorar alimentação

Vale a pena investir em comida para não investir em remédio. No entanto, passei a tomar complexo vitamínico para me suprir do que minha alimentação não fornece. Claro que para isso você tem que conversar com um profissional e pesquisar bastante a respeito.

  • Troquei o leite de caixinha pelo leite que fica na geladeira do mercado por este ser fresco e não conter conservantes: nessa pegada larguei os néctares de fruta pelos sucos integrais, já que aqueles possuem demasiadas quantidades de açúcar e água, enquanto estes são 100% fruta;
  • Inseri legumes no arroz já que não tenho condições de armazenar verduras em casa para fazer salada: estragam fácil e são de difícil transporte, principalmente para quem mora sozinho. Dou preferência a legumes congelados às conservas por serem mais frescos.
  • Comecei a comer mais carne, que, ao contrário do que dizem, faz muito bem para a saúde, já que possui os nutrientes certos e na forma que o organismo absorve melhor. Não adianta se entupir de vegetais que o corpo expele por não conseguir absorver;
  • Pão integral é regra, mas não largo meus frios, como peito de frango e queijo mussarela. Tomar café da manhã é importante;
  • Troquei a margarina pela manteiga. Esta é natural, enquanto aquela possui diversos ingredientes artificiais para aproveitar a gordura vegetal;
  • Tomo achocolatado dietético, já que açúcar vou acabar consumindo de uma forma ou de outra;

Comecei a comer de três em três horas - sim, funciona - e sem exagerar em nenhuma refeição. Tomo café da manhã, faço um lanchinho, almoço, outro lanchinho, janta, e outro lanchinho. Este último acabo dispensando em alguns casos pra não ficar muito em cima da hora de dormir. Mesmo que não esteja com vontade, comer alguma coisa nesses intervalos de tempo ajuda a manter o corpo em atividade - afinal, ele gasta energia para produzir energia.

No começo, senti falta da comida: mal acabava de comer e ainda queria comer. Disciplina mental: o que eu como é o suficiente para mim. Beber bastante líquido foi uma alternativa para compensar a vontade de comer mais do que eu me propus. Outro macete foi escovar os dentes logo após as refeições, o mais imediato possível. Isso corta a vontade de comer, principalmente doces. Uma coisa que fiz no começo foi me acostumar a escovar os dentes logo após comer,

Atividade física

Esqueça a geração fitness. Não é para ter corpinho sarado e bonito pro verão. É para não ter problemas sérios de saúde ao envelhecer. Não adianta querer começar a fazer algo quando o organismo já está doente. Quanto mais cedo melhor. O corpo ficará mais bonito só por ser bem cuidado, não precisa ficar "esculpindo-o". Talvez emagrecer não seja melhor à pessoa - algumas precisam engordar, encorpar.

Faça a atividade física que goste, não a que dizem ser "a mais saudável". Quando era criança, me obrigaram a fazer natação, porque "era o mais saudável". Assim que pude, larguei os exercícios físicos e passei anos sedentária. Ao começar o kung fu, percebi que todo aquele esforço de tive em nadar foi meio que "anulado": nunca consegui adquirir um condicionamento físico como o que estou conseguindo agora. Tem que gostar, tem que haver entrega: ficar para mais ou chegar antes só para se exercitar deve ser algo natural.

Nosso corpo tem que estar em constante movimento, então não deixe para fazer exercícios só nos horários específicos, vá além: pegue um trecho do seu trajeto para o trabalho ou para casa e o faça a pé. Suba escadas gradativamente, pegue o horário de almoço para caminhar e se alongar. A ideia é estar sempre em movimento, principalmente quem trabalha sentado o dia inteiro. Por incrível que pareça, quanto mais atividade física você faz, menos vontade de comer você tem. Se parar, aumenta a vontade de comer, que com a falta de exercícios, faz a pessoa engordar rapidamente.

Cortar remédios desnecessários

Larguei o anticoncepcional por conta própria, já que o risco de AVC e câncer aumentam conforme você vai tomando. Infelizmente, boa parte dos médicos receitam a pílula muito cedo para as meninas, o que eu acho desnecessário. Afinal, são crianças, garotas. Fora que logo cedo já vão "viciando" o organismo a depender dessas substâncias que ele próprio poderia fazer.

Esse mesmo raciocínio serve para cólicas e outras dores que temos. Aprender a suportar a dor física nos ajuda a suportar as dores que temos ao longo da vida. E se algo chega a nível insuportável, a dor nos mostra que precisamos de ajuda e atenção com nosso próprio organismo. Apenas amenizar a dor, ou mesmo anulá-la, só agrava e aprofunda o problema, causando transtornos ainda maiores.

Cuidar do sono

Sempre pensei que dormia pouco por isso estava continuamente com sono. Aos poucos fui cortando diversos hábitos por conta própria para dormir melhor - alimentação e exercícios entram nessa. Estabeleci rotina de sono, comecei a entrar mais tarde no trabalho, e buscar de certa forma aumentar as horas dormidas. Não resolveu, e pelo simples motivo de eu estar dormindo demais, não de menos.

Então passei a fazer coisas que me dão prazer antes de dormir: aplicar Reiki, ler um livro legal. Mesmo dormindo menos, tenho dormido melhor, e tido menos preguiça de fazer tanto o que eu não gosto quanto o que eu gosto.

Disciplina, muita disciplina

E muita vontade de viver! Pensar que atitudes simples são o diferencial para ter uma vida mais saudável deveria ser um incentivo para largar os doces e besteiras. Não digo para ter uma vida natureba sempre - afinal, doces e gordices são fundamentais para nossa vida também. Comece a tornar coisas não saudáveis como raridade - e perceba como esses alimentos fazem mal à saúde. Aos poucos o organismo se acostuma a receber cada vez menos venenos e a combatê-los, sobrando energia para outras atividades.

Percebi que no Inverno é muito mais difícil manter estes hábitos, principalmente por demandar uma alimentação mais pesada. Isso não significa uma fuga da dieta - afinal, isso não é uma dieta! É uma escolha por uma vida mais saudável, que resultará em uma pessoa melhor. Ter isso em mente que fará você não assaltar a geladeira durante a noite, ou tomar café com leite para "dar aquele tranco".

14 junho 2016

Consertando heróis e protegendo sonhos

Era um assunto que eu iria pontuar há algum tempo aqui, mas acabei deixando as coisas acontecerem antes. Nessa onda de filmes onde super-heróis se enfrentam para demonstrar sua humanidade, ou mesmo na onda de anti-heróis que arrastam grande público, fico imaginando onde a humanidade vai parar. Os super-heróis foram criados para serem exemplos às pessoas, para seguirem seus sonhos, para terem um ideal. Se for viajar um pouco na maionese, essa teoria lembra os santos católicos - mas aí é outra história.


O herói transcende o individual em nome de um coletivo - salvar o planeta, o universo, seja lá o que for. Possui ética inabalável e é incorruptível aos seus princípios. Não é uma pessoa perfeita, mas busca superar-se continuamente, além de não se deixar levar pelos problemas. O trabalho em equipe é harmonioso, e mesmo divergências são resolvidas entre si, sem precisar de confrontos externos. Pois é, deveria ser assim.

Estamos em uma época de valores distorcidos. Não adianta argumentar que isso é discurso de vó/pai/velho, pois isso só impede o crescimento como pessoa. Distorcer e relativizar parecem coisas boas, mas hoje em dia são usadas para corromper e não para evoluir. Destrói-se a base sem se construir uma nova - o mundo se liquefaz. Em quem confiar? Quem irá nos defender? Nossos heróis roubam e matam sem motivo, enfrentam-se uns aos outros.

Não, não precisamos de novas referências enquanto pudermos confiar nas antigas. E não precisamos distorcer padrões velhos para criar novos. Os verdadeiros heróis são exemplos de vida - mesmo que não se autointitulem como tais. Estão tirando isso da vida e nada colocando no lugar. Estamos perdendo referências... Fora que isso também é uma fuga para não evoluir: se seres tão evoluídos cometem erros e possuem fraquezas, por que nós não?

Aí está o diferencial do herói: ele supera seus erros e fraquezas, e busca tornar-se melhor a cada dia. Somos heróis quando fazemos isso e nos tornamos exemplo para outras pessoas. Sim, as pessoas precisam disso - todos nós precisamos. Distorcer um exemplo para apenas nivelar por baixo nosso potencial não nos liberta, muito pelo contrário: ficamos presos em nós mesmos. Nos libertar, nos superar torna-se algo condenável pelos nossos pares, que consideram autoconfiança como arrogância e determinação como presunção.

Permita que o idealismo volte para sua vida. Super-heróis não precisam existir de carne e osso para existirem na nossa mente. Não precisamos inventar uma desculpa quando não queremos algo. Não queremos e ponto. Isso precisa ser respeitado. Heróis precisam ser respeitados como tais, e querer ser um (principalmente para si mesmo) é algo louvável. Salvar a si e aos outros vai além da teologia - mas isso é assunto para outro post.

Não creio que seja uma forma de escapismo, afinal, você não está fugindo da realidade: você está nela agindo nela e por ela. Isso é transformar sonhos em realidade. Não se vive uma ilusão: se molda a realidade da melhor forma possível. Sim, realidade se faz com sonhos, com ideias, com coisas boas...

31 maio 2016

Salvação - além da religião


Boa parte das pessoas conhece o conceito cristão de Salvação - no qual a pessoa tem que ter boa conduta nesta vida para estar junto de Deus quando for embora. Poucos sabem que o conceito de Purgatório surgiu na Idade Média - o Inferno seria a casa de purgar, onde as almas seriam purificadas e assim adentrar ao Céu, e que por divergências documentais surgiu um lugar próprio chamado Purgatório. Mas o que quase ninguém sabe é que a Salvação vai além de um conceito cristão, e sobretudo de um conceito religioso, tornando-se um objetivo de vida.

Para entender isso, temos que começar com a seguinte premissa: o mundo é injusto aos nossos olhos. Nós tendemos a considerá-lo injusto, e para nós o é. Isso faz com que tentemos mudá-lo do nosso jeito, das mais diversas formas: seja atuação política, seja participação social, seja de outras formas... Existe o sonho de mudar o mundo e fazê-lo melhor - a utopia de uma sociedade ideal. Só que o que é certo para uns não é certo para outros. E aí surge o racha: nós e outros, eu e o Outro, o certo e o errado.

Busca-se um diálogo, mas o ego quer se impor - afinal, ele acha que sempre está certo (principalmente os menos evoluídos). Mesmo quando se evolui, e se começa a acertar e a ter razão, o ego abaixa a bola e busca não se impor - ele começa a aceitar que as pessoas têm opinião e que são livres para escolherem seus caminhos. Não é uma relativização do certo e do errado, estes conceitos são subjetivos pois se baseiam em nossos valores e no Bem e Mal absolutos (que existem dessa forma, disfarçando-se de diversas coisas).


Ao entender que cada pessoa tem sua visão de certo e errado e que poucos realmente conseguem se impor sobre muitos (Hawkins fala em seu livro que poucos evoluídos conseguem neutralizar massas involuídas), as coisas não serão do nosso jeito. Não dá para dar murro em ponta de faca - a frustração torna-se algo constante. A saída é aceitar que as coisas são assim, e que não vão mudar como desejamos, mas longe de ser pessimista, isso libera uma quantidade tremenda de energia para mudarmos nossas próprias vidas, para nos adaptarmos ao mundo.

É aí que está a salvação pessoal: você se dá o melhor ao mundo, independentemente do quanto ruim e injusto ele o seja. A ideia de uma decadência vem da nossa frustração de o mundo não ser o que realmente queremos, então ao invés de mudá-lo, nos mudamos. Nos adaptamos para ser pessoas melhores a cada dia que passa, por nós mesmos e por quem amamos. Salvar as pessoas, neste caso, seria ajudar as pessoas a crescerem, se desenvolverem, e darem um rumo melhor a suas vidas. Isso é amar: não espere nada em troca, tenha fé e confie em si. É isso que realmente pode fazer um mundo melhor.