29 dezembro 2015

Superar os traumas

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Mais importante do que evitar os traumas é superá-los. As pessoas buscam evitar a dor de forma tão obcecada que quando a sentem não sabem mais como lidar. Seja uma ofensa, seja a morte de alguém querido, o fato é que um dia as coisas não sairão como queremos (aí você descobre que nada é como a gente quer, mas como realmente deve ser). Aprender a lidar com isso e deixar o Universo seguir seu rumo é fundamental nessa hora.

Vejo que desde a educação dada atualmente até as leis em vigor busca-se evitar o máximo o sofrimento das pessoas. Só que essa busca tornou-se obsessão, e qualquer coisa que pode ser vista como danosa a alguém é evitada a todo custo. Esqueceu-se que a dor é necessária ao aprendizado. A violência, em suas formas mais banais, é anulada de forma a favorecer os mais fracos. Só que o que a humanidade não dá jeito, a Vida dará o dela. Se existem desvantagens, é para que cada um busque seu verdadeiro potencial e sobreviva da melhor forma possível, sempre buscando o melhor.

Hoje em dia as pessoas se ofendem por qualquer coisa. Isso está dando motivo para coisas desnecessariamente violentas surgirem. Não é buscando ser não-violento que esse tipo de coisa vai parar, e sim sendo agressivo na hora certa. Interessante que é exatamente isso o que as artes marciais ensinam. Você apanha, se machuca, se ofende. E você tem que superar isso, por você mesmo. Se não superar, o problema é seu, unicamente. Por mais que as pessoas hoje em dia tendem a jogar a culpa nos outros e busquem criar "mecanismos antitrauma", você irá acumulando traumas e mais traumas se não os encarar de frente e extrair seu aprendizado.

Livrar do mal não significa livrar do sofrimento, ele é tão necessário quanto o prazer. É possível aprender sem dor? Até certo ponto. Seguir a natureza, seguir o universo, não nos deixa livres do sofrimento, muito pelo contrário: nos deixa mais expostos. Expostos a quem não quer seguir o fluxo, e sobretudo às nossas "imperfeições". Nessa hora que acontece o aprendizado. Tendemos a aprender pelos problemas, afinal, em time que está ganhando não se mexe.

22 dezembro 2015

Uma (nova) vida sem televisão

Faz cerca de um ano e meio que não assisto à televisão, além de não possuir televisão em casa. Claro que algumas vezes acabo assistindo a alguns programas com minha família, mas não é mais algo habitual. É como se eu me desligasse de uma parte desnecessária da sociedade, liberando uma carga pesada de informações e energias negativas. Com o acesso à internet, posso simplesmente escolher o que eu quero ler, ver ou ouvir, a qualquer hora do dia ou da noite. Para mim, isso é um avanço. Acho que as pessoas tinham que prestar mais atenção sobre.


Praticamente não sei mais nada do que está acontecendo no mundo, e não sinto falta disso. Minha vida segue normalmente: eu sei das coisas que me afetam porque estão na minha vida! Não preciso assistir às notícias sobre violência e atrair essa energia para mim: eu simplesmente tomo cuidado por onde eu ando na rua, independente de onde eu esteja. Para que acompanhar novelas (eu já gostei muito), se a nossa própria vida é cheia de aventuras (se você o permitir)? Claro que não é para ser levado a ferro e fogo, seria incoerente de minha parte. Não é para chegar em qualquer lugar e desligar a tv dos outros simplesmente por não querer assistir.

Quando se deparar com uma tv ligada, apenas a ignore. Não tenha aquela reação de nojo que alguns vegetarianos/veganos têm ao ver um pedaço de carne, não precisa. As pessoas têm direito de escolher seus entretenimentos, e querem de certa forma agradar. Aproveite a situação para ver sob um outro ângulo. A sensação é de como se estivéssemos fora da caixa - muito boa, por sinal. Deixamos de nos apegar a pessoas e a situações que não nos dizem respeito e que nem merecem nossa atenção ou mesmo nossa emoção. É desperdício de energia acreditar que alguma coisa vai mudar só porque temos alguma opinião a respeito.

Estou passando agora experiência semelhante com o Facebook. Enquanto pessoas próximas comentam, e às vezes até brigam, sobre fatos e fotos da rede, eu fico apenas observando, tecendo comentários (mentalmente ou não), mas a sensação é de não pertencer a este mundo. Mas ao contrário do estranhamento das pessoas por não assistir tv (algumas acham absurdo), a respeito do Facebook, algumas até concordam e dizem querer sair também, mas por algum motivo (geralmente vazio, já caí nessa armadilha) acabam ficando. Mesmo na hora de deletar a conta, são feitas diversas perguntas (até apelam com as fotos de alguns amigos), e deixam claro que se você voltar, vai estar tudo como você deixou.

Se você realmente quer, você faz, independente dos obstáculos. Porém para isso é preciso refletir se é isso que realmente quer e se está realmente pronto para aguentar as consequências. É como um vício que se finda: você sente falta dele, sentindo-se capaz de fazer qualquer coisa para tê-lo de volta. Determinação é fundamental para não se deixar levar pela abstinência.

08 dezembro 2015

O importante é o que importa

Eu tenho um temperamento difícil, para não dizer que sou muito chata. E isso já me fez perder muitas amizades e até mesmo dois namoros. Eu me estresso com muita facilidade, e já houve tempos em que eu explodia de raiva (passei a graduação sem lançamento da Enya, rs). Só que depois do afastamento de algumas pessoas muito importantes para mim, fiquei pensando no que eu poderia fazer para evitar esse tipo de coisa... E cheguei a algumas conclusões interessantes. Nessa aproximação da neutralidade, que não possui um rumo definido, as mudanças simplesmente surgem e novos pensamentos ocorrem.

O que é mais importante para sua vida? O que realmente importa? Quais são seus sonhos? Foque neles e no que o leva a eles, e esqueça o resto. Sim, pode esquecer sem medo, porque o que não é importante, ou mesmo quem não o é, acaba indo embora de alguma forma, geralmente dolorosa. E quando algo volta, é porque ele é realmente importante, mas isso não é motivo de preocupação, e sim uma prova de fé.

O desapego não é apenas com bens materiais. Carregar-se de preocupações chega a ser tão nocivo quanto carregar-se de roupas, até porque doar estas é mais fácil que descarregar aquelas. E muitas vezes precisamos de mais coisas materiais do que muitos acham que é necessário. Estar ligado à matéria é importante, para poder ter clara ligação com o espírito e com a mente. E se é importante de alguma forma, é o que importa e deve ser focado. Se o que importa não faz bem, reflita se isso é realmente importante para sua vida. Para algo novo vir, sobretudo algo bom, o que está atravancando nossas vidas tem que sair, dar espaço.

Deixar as coisas irem nos torna cada vez mais leves. Essa leveza pode ser assustadora no começo, mas como diz o ditado: um coração leve vive mais. Não exatamente em quantidade de anos de vida, mas sobretudo em qualidade de vida. Você vive melhor, consequentemente por mais tempo. Ou não! Em alguns casos a longevidade é apenas o apego a matéria que nos impede de ir embora. Queremos estar tão bem de corpo que esquecemos do resto - e um corpo saudável depende também de uma mente saudável e de um espírito tranquilo.

01 dezembro 2015

Editorial: Viver como as Flores


- Mestre, como faço para não me aborrecer? Algumas pessoas falam demais, outras são ignorantes. Algumas são indiferentes. Sinto ódio das que são mentirosas. Sofro com as que caluniam.

- Pois viva como as flores! - Advertiu o mestre.

- Como é viver como as flores? - perguntou o discípulo.

- Repare nestas flores. - continuou o mestre, apontando lírios que cresciam no jardim - Elas nascem no esterco, entretanto, são puras e perfumadas. Extraem do adubo malcheiroso tudo que lhes é útil e saudável, mas não permitem que o azedume da terra manche o frescor de suas pétalas.

É justo angustiar-se com as próprias culpas, mas não é sábio permitir que os vícios dos outros o importunem. Os defeitos deles são deles e não seus. Se não são seus, não há razão para aborrecimento.

Exercite, pois, a virtude de rejeitar todo mal que vem de fora.

Isso é viver como as flores.

Trabalhar com História muitas vezes (para não dizer todas) requer trabalhar com coisas desagradáveis a respeito do que pesquisamos. Ser historiador não é tarefa fácil, e as pessoas acabam não levando a sério, surpreendendo-se e se frustrando com o que encontram. A Verdade tem gosto amargo, muitas vezes de sangue, desonra, egoísmo. Nessa hora temos que ser imparciais, objetivos, afinal não se pode mudar o Passado, mas o Presente pode mudar com essas coisas vindo à tona.

Indo na contramão de uma parcela importante dos pesquisadores, acredito que haja sim uma Verdade a ser encontrada, através das diversas mentiras e meias verdades. Imparcialidade é possível, objetividade é necessário, e o Amor pela profissão deve permear tudo isso. Quando você realmente ama História, você não se deixa levar pelas tristezas que amargam a boca. É um mal necessário, e um trabalho sério a ser feito.

Um desabafo que eu gostaria de fazer, aproveitando a ocasião, é sobre a questão dos arquivos. Eu sinceramente não confio na gestão dos arquivos aqui no Brasil. Tenho a impressão que se perde muita documentação, o que acaba prejudicando a pesquisa. Sem saber o máximo de lados possíveis, a pesquisa fica algo manco. Alguns estudos mais polêmicos pecam por acabarem fazer o papel de justiceiros e não de historiadores, e muitas vezes isso é devido à falta de documentação. Não carregamos espadas, carregamos trombetas. Somos testemunhas.

E isso é bom para se levar para a vida toda: busque as entrelinhas, busque o não-dito. Uma ferramenta interessante de pesquisa é a gravação de relatos, seja áudio ou vídeo. Eu vejo a História se perder como areia entre os dedos. As pessoas vão morrer um dia, e muita coisa se apaga junto. Na maior parte das vezes, cheguei à conclusão que os fatos passam por distorções tendenciosas e acabam se tornando livros. É muito comum falarem que historiadores e jornalistas são mentirosos, não sem razão.