20 outubro 2015

Guerreiras Mágicas de Rayearth ou Em Tempos de Crise

Outro post que eu estava rascunhando há algum tempo, que ganhou um tempero especial: como estou decidida a resenhar o anime Guerreiras Mágicas de Rayearth, resolvi mesclar os dois posts pelo seu ponto comum: como lidar com crises. Aproveitar também o medo e insegurança que pairam sobre o país nestes tempos tão difíceis. Rayearth conta na sua primeira temporada na afobação em se salvar Cefiro (há variações nos nomes do original japonês à dublagem em português, passando por inúmeras traduções e adaptações), e na segunda temporada a tentativa de consertar o estrago.

Essa resenha tem spoilers, mas sugiro que leia até o fim, afinal, o post está cheio de surpresas.

Há uma confusão no nome do anime: por que Rayearth se a terra é Cefiro/Zephir? Resposta simples: Rayearth é o nome do principal gênio guardião de Cefiro, e as guerreiras mágicas estão ligadas mais a eles do que à terra que defendem. Sim, já vi gente brigando por causa disso, melhor esclarecer antes do que fazer barraco depois.

Como eu disse antes, a ação das meninas em Cefiro é afobada: enquanto tudo é destruído, elas precisam agir rapidamente para tentar por ordem na casa. Sem conhecer o problema, tentaram dar uma solução conforme a lenda do lugar: tornaram-se guerreiras mágicas, despertaram seus gênios correspondentes (seres com aparência de robôs) e destruíram Zagato/Zagard. Seus seguidores mudam de lado, com exceção de Alcyone/Alcyon, que foge e reaparece na segunda temporada servindo Debonair/Devonair. Quantas vezes nós tomamos atitudes precipitadas, sem entender direito o que está acontecendo, apenas para evitar o pior de uma situação? "Não há tempo a perder", Guru Clef virou pedra e não tem como nos orientar. Mas finalmente resolvemos, nas coxas.

Aí que dá a transição para a segunda temporada: a Princesa Esmeralda tem que morrer também, mas, opa!, não era para mantê-la viva? Não era para salvá-la? Ela estava corrompida para a missão, como é explicado posteriormente. Esmeralda não pensava mais no seu povo, e se tornou a raiz do problema. O que a gente acha que tem que ser salvo na verdade é o que tem que ser jogado fora (lembra da história zen da vaca?). A coisa vai ficar feia? E muito! A segunda temporada de Guerreiras Mágicas é deprimente, a ponto da espada da Lucy ser quebrada por ela mesma!

É durante a crise que refletimos sobre o que está acontecendo de forma franca e honesta. Enquanto tudo estava indo bem, negamos que alguma coisa poderia dar problema (não é legal ter uma pessoa que fique rezando dia e noite para tudo dar certo?), mas humanos falham. Sobretudo: humanos são livres para escolherem seus caminhos, independente de ser o certo ou o errado. Estragando sua alegria: Lucy é escolhida para ser o novo Pilar de Cefiro, que simplesmente divide a responsabilidade entre os habitantes e volta pra casa. Lição aprendida, problema resolvido.

Cefiro é movida pelos sentimentos das pessoas. Enquanto eles pensavam que havia alguém orando por eles, os sentimentos bons prevaleciam. Quando o pilar foi destruído, todos começaram a sentir medo e insegurança, e foi esse medo e insegurança que destruiu Cefiro. Isso fica visível quando em uma das invasões de monstros ao castelo os mesmos ficam mais fortes por causa do choro e medo das crianças. Quando estas se conscientizam que não precisam ter medo (as Guerreiras Mágicas estavam lutando por elas!), transmitem isso aos seus pais e vizinhos para evitar que o castelo seja destruído.

Isso é muito real! Quantos monstros criamos em nossa imaginação (medos, rancores, etc) que nos atacam na realidade? Se não forem combatidos, tratados, transformam-se em Novas e nos arrebentam! Nova nada mais era do que nossos temores, mágoas, rancores acumulados sem resolução. E quando finalmente nos resolvemos, fazemos as pazes com nós mesmas, que força poderosa surge dentro de nós! Nós nos completamos e podemos agir, e tudo magicamente se resolve. Separar Nova de Devonair foi necessário para salvar aquela e destruir esta.

Enfim, o anime é muito bom, com a vantagem de estar bem dublado (não pude comparar com a voz em japonês). E ele nos ensina coisas importantíssimas, na minha opinião: cultivar bons pensamentos é fundamental, e que precisamos enxergar o todo da situação para poder resolvê-la sem tomar decisões precipitadas. Na primeira volta a Tóquio, elas sentem que algo ficou inconcluso e decidem voltar. A segunda volta é definitiva, afinal o mundo delas é Tóquio, não Cefiro.

13 outubro 2015

Essa tal Neutralidade


Conforme avanço rumo ao nível da Neutralidade, vejo minhas atitudes mudarem consideravelmente, até mais do que quando saí do Orgulho e cheguei à Coragem. Não são mudanças sutis de palavras e atitudes, é uma forte mudança para o... Cagar e Andar da vida. Essa expressão é proporcionalmente pesada à mudança: as coisas começam a perder todo o sentido, você não joga mais aquela carga emocional, e o racional começa a despontar. Sim, você começa a pensar mais logicamente nas coisas, sem se ater àquela emoção desenfreada e arrebatadora.

Aquela energia da Coragem vai dando lugar aos poucos à hibernação da Neutralidade. É como se você voltasse para si e sua carapaça ficasse cada vez mais dura, a ponto de nada do exterior te atingir (pelo menos não com a mesma força de antes). Pode parecer algo negativo, mas é algo muito bom de se acontecer. Você ganha autoconfiança e começa a desenvolver seu autocontrole. É quando você pode dar opiniões puramente imparciais em diversas situações. Você não precisa mais dar sua opinião, nem querer convencer o outro de que está certo ou que tem razão.

Parece que Neutralidade é algo fundamental para viver nos dias de hoje, para lidar com situações e pessoas nocivas. Hawkins afirma que o nível médio de consciência da humanidade é 207, Coragem. Aos poucos as pessoas deixam o Orgulho para assumir as rédeas da própria vida, só que até abandonar de vez o nível anterior, muitos revezes ocorrem, e o risco de queda é grande. Dar um passo de cada vez para evitar retrocedimentos. É complicado, e ter pressa é desnecessário.

Outro detalhe interessante é que a partir da Neutralidade algumas coisas começam a "bugar", como a Astrologia. Os mapas astrais mais precisos falham perante pessoas de consciência elevada - assim como diversos outros testes. Magia também começa a não surtir efeito, sem precisar de nada para se proteger - você se torna autoprotegido pela própria consciência. Sim, a progressão da consciência afeta o nível energético e o ambiente a sua volta e energias lançadas para prejudicar acabam voltando contra quem lançou.

Mas não adianta ansiar pela Neutralidade, nem correr atrás dela (que coisa maluca...), pois isso afasta a pessoa do novo estado de consciência. Afinal, é um estado de consciência que não anseia, não deseja, ele apenas acontece. E deixar acontecer, ter paciência, é algo complicadíssimo. Essas são minhas impressões a respeito, afinal, estou em transição, e ainda há muitas coisas a mudar. No futuro escreverei mais posts a respeito, e provavelmente haverá outra opinião.