28 julho 2015

Gado Humano

Talvez seja uma das coisas mais tristes que eu escreva aqui, mas é algo real e importante a ser dito. É uma das várias tentativas de "acordar" as pessoas de sua situação atual. Não, não vou acordar para os problemas ambientais, muito menos políticos ou financeiros. Aliás, não vou acordar ninguém, vou apenas "chacoalhar" as pessoas - ou melhor, tentar chacoalhar. É bem provável que muitos se ofendam com o que vou escrever aqui - aliás, quanto mais você evolui, mais as pessoas te odeiam (a ponto de te crucificarem, entendeu a referência?).


Que as pessoas são manipuladas é fato. Porém o alcance dessa manipulação chega a níveis, digamos, alarmantes. É como se a massa humana se deslocasse adiante, sem rumo definido, à deriva do Universo - sem seguir o fluxo do mesmo. Não, não dá para forçar a evolução de todo mundo de uma pancada só - até porque isso seria catastrófico (evolução demanda muita energia). O que ocorre é que uma pessoa desperta e cresce por vez - as águas do lago se agitam e voltam a ficar tranquilas.

No livro Power vs. Force (sem tradução para o português), Hawkins fala que apenas 5% da população mundial tem consciência de si e de seus atos, e 2,7% possui o que se dá a entender por "polaridade inversa" (o que faz bem para todos faz mal para esse grupo e vice-versa - isso é mais perigoso do que se imagina!). Hawkins ainda considera que esses 2,7% sejam causadores de mais de 70% dos problemas mundiais! Não sou muito afeita com números, geralmente são usados como ferramentas de manipulação. Porém o raciocínio em si faz muito sentido. Tirando cerca de 7,7% da população mundial, temos uma massa de pessoas soltas, a mercê destes pequenos grupos.

Indo para o cotidiano, vemos o que faz sucesso, o que está escondido nas páginas de busca (depois do que eu li sobre marketing digital, fiquei com vontade de começar minhas pesquisas da página 5, enfim...), e mesmo o que é boicotado ou esquecido. Pessoas atraem pessoas, conforme seus pensamentos e sua frequência; algumas pessoas puxam outras para cima e para baixo, como se estas últimas parecessem bonecos! Crescer e evoluir não depende exatamente de você estar cercado das melhores pessoas do mundo ou no melhor ambiente, mas sim de seguir seu caminho com seus próprios pés - mesmo que o ambiente tente de jogar pra baixo.

A reflexão desta semana (sim, os posts agora são semanais) é sobre formar a própria opinião e começar a desenvolver a própria personalidade. Firmar posição sem se fechar para o mundo. Aprender com os erros dos outros é de grande valia, principalmente se você começa a praticar a compaixão e o desapego. Se deixar levar por escolha própria é diferente de ser manipulado, mas mesmo assim podemos estar sendo manipulados inconscientemente. Combater essa "manipulação consciente" é algo vão: sempre irá existir, e nem é a raiz do problema. A grande manipulação é feita de forma sutil - imagens, frases de efeito, e mesmo números.

Uma ditadura política, por mais que cerceie opiniões e expressões, não abala a paz interior. Tudo está dentro do coração, da alma. E é lá dentro da alma, no mais profundo do nosso ser, onde somos realmente livres ou não. Destruir o sistema não é quebrar máquinas, depredar ruas ou matar pessoas. Talvez ele exista eternamente, enquanto houver pessoas que se sujeitem ao mesmo. No entanto, você tem escolha: sair ou não.

14 julho 2015

Lustrando a Cruz


Estou passando dias muito bons na minha vida, dias perfeitos ao meu ver - não fico mais de mesquinhez ou inveja ante as dificuldades, apesar da minha pouca maturidade frente a algumas questões. Lembrei-me de uma expressão bem conhecida que é jogar chiclete na Cruz (ou pedra, ou mesmo cuspir). É uma expressão bem chula, eu sei, mas é comum entre as pessoas que passam dificuldades e as amaldiçoam - como se tivessem vindo a este planeta para sofrer.

Fica a dica: nunca amaldiçoe nada, nem ninguém, e tire do vocabulário palavras como ódio, maldito, etc - faz bem pro corpo e pra alma. Decidi então mudar um pouco a expressão para a minha vida: estou lustrando a Cruz - estou fazendo algo bonito e tendo resposta por isso - quando você faz algo de coração, a resposta é imediata, apesar de ser percebida tempo depois. Não significa que eu faço as coisas procurando uma recompensa - não espero resultado algum, a resposta é algo natural e inesperado (por ainda não haver a afinação perfeita com o Universo).

Aliás, faço o convite: não jogue mais pedras na Cruz, nem chicletes, nem cuspe. Faça das pedras sua fortaleza, seu lar; após mascar, jogue o chiclete no lixo (bom, eu engulo, rs); seja higiênico na hora de cuspir. Isso já faz um mundo melhor e faz de você uma pessoa melhor (e mais educada). Problemas sempre existem, assim como alegrias. A escolha entre cuspir e lustrar é unicamente sua.

07 julho 2015

Cada um no seu Quadrado


Você pode não gostar de funk, mas tem que admitir que a música Dança do Quadrado é bastante inteligente. Afinal, ela expressa muito bem o que é limite - uma coisa que as pessoas estão deixando de lado sistematicamente, achando-se donas da vida alheia. Hoje em dia damos muito palpite na vida alheia, esquecendo de respeitar o principal de uma pessoa: seu livre-arbítrio. As pessoas têm todo o direito de escolher o que querem fazer, pensar ou falar, sendo totalmente responsáveis por tal. Sugerir e aconselhar são coisas muito boas, pois elas te mostram outro ângulo da situação em que você se encontra, porém você não é obrigado a seguir a opinião de ninguém.

Antes de cuidar dos outros, temos que aprender a cuidar de nós mesmos. Como assim cuidar dos outros? Conforme nosso ego se retrai (ou mesmo se anula), deixamos de lado nossos interesses pessoais para agir em nome de um coletivo. Já não existe mais o Eu e sim o Nós. Vejo muitas ideologias políticas trabalharem com isso, mas elas erram em forçar essa anulação do individual em nome de um coletivo sem forma ou conteúdo. Não vamos colocar o carro na frente dos bois: primeiro anula-se o ego, depois se trabalha com o coletivo.

Até entendo que as pessoas que estão fora de determinada situação podem vê-la por um ângulo diferente das pessoas que estão dentro, e isso pode ser de grande valia em diversos casos, mas isso não é justificativa para intervir onde não foi chamado - todos nos encontramos em situações em que as pessoas que estão fora as veem melhor. Como a metáfora do passarinho vendo um veado fugindo do predador e se deparando com um rio caudaloso. O passarinho vê diversas saídas para a situação do veado, mas não vê que há um gavião atrás dele pronto para caçá-lo. Assim é com nossas vidas: vemos muitas formas de ajudar o outro, mas na maioria das vezes temos que acabar aceitando que nada podemos fazer, e buscar entender o que está acontecendo a nossa volta.

E olha que fato interessante: nós só sabemos como andam as coisas através do que os outros dizem porque eles estão de fora! É algo importante a ser filtrado e analisado, além de depender do nosso esforço pessoal para evitar confusões e dissabores futuros. Ouvir o que o outro tem a dizer é algo saudável a nós mesmos, além de ser uma forma de discernir quem tem boas intenções conosco ou não. Convido a refletir bastante a respeito.

Irei mudar a frequência de postagem para apenas uma vez por semana. Assim fica mais tempo para refletir a respeito do que é escrito aqui - além de permitir melhor elaboração dos posts.

03 julho 2015

Vilões das Ficções


A ficção é tão real quanto a realidade que nos cerca. Através da ficção, podemos ter acesso ao que as pessoas tentam ocultar. Por isso aquela ideia de que a ficção não existe - é uma salvaguarda pra não entrarem em paranoia coletiva. Claro que não é algo literal, mas algo para ser analisado e refletido. Quando você começa a ler as entrelinhas - da "ficção" e da "realidade" (não existem fronteiras concretas) - tudo muda de figura. O que você achava, de forma tão sólida, perde o sentido, e coisas tão "sem noção" passam a ser reais.

Analisando o "coitadismo social" que a nossa sociedade vem passando hoje, onde as pessoas protegem as vítimas de forma exagerada, como se fossem seres sem capacidade de ação, na ficção não é diferente. Histórias antigas são recontadas de forma distorcida - como se fossem o "lado oculto" a ser visto e considerado como verdadeiro. Digo isso pelo filme Malévola, onde a bruxa malvada da Bela Adormecida nada mais era do que uma fada traumatizada pela crueldade dos homens, como se isso justificasse suas atitudes (que são relativizadas ao longo do filme).

Lendo tanto sobre filmes, séries, HQ's, mangás, ficções em geral, vê-se que o vilão é uma pessoa traumatizada por algum motivo e que não conseguiu superar esse trauma de forma saudável, e suas ações buscam "por pra fora" aquilo que fere por dentro. No fundo, são vítimas de si mesmas (repito: de si mesmas). Falar que os vilões são vítimas da sociedade, ou dos pais, ou de qualquer outra coisa, é justificar sua maldade, e permitir que eles continuem causando danos. Aí o herói que seria o malfeitor, pois combatendo uma vítima da sociedade na qual ele representa. Confuso, mas esclarecedor.

O vilão é uma vítima que precisa ser tratada (não digo no sentido médico, apenas), impedindo-a de causar danos em uma esfera social. Não é de se pegar no colo e trocar fraldinha, aliás, não é pra se fazer isso com vítima nenhuma. Dar apoio é necessário, mas o principal é permitir que cresça por conta própria, para que tome as próprias atitudes. E vilões devem ser combatidos e punidos, para não causarem mais danos. Bem e Mal existem em absoluto, porém estão escondidos em camadas de conceitos e teorias - são extremamente simples e extremamente complexos.

Usar a ficção para entender a realidade em volta é uma forma de se chegar ao fundo de questões aparentemente sólidas e comuns. É questão de ir além, utilizando-se do conhecimento à disposição e a sensibilidade interior. Formar uma opinião, superar um problema também são questões de sensibilidade, além de lógica e raciocínio. É uma questão complexa, que pouco adianta ser explicada aqui em suas minúcias, já que cada um vai formar sua experiência pessoal a respeito.