29 maio 2015

Cores!

Eu gosto de cores, gosto de tudo colorido. No meio do preto e do cinza, lá vou eu de amarelo, verde, vermelho. As cores são uma forma de expressão, não só de nossos campos energéticos, mas de nosso humor e de nossos pensamentos também. Pretendo não falar em cores no sentido terapêutico, já que limitar-se a utilizar determinadas cores para atrair determinadas coisas não ajuda muito. Precisamos de mais cores assim como precisamos de mais sorrisos.


C.E. Abstract Lace, por Gale Titus

Vamos deixar de lado essa obsessão pelo clean e pelo discreto e começar a variar nas cores. Sobriedade demais dá a sensação de depressão e melancolia. Ser sério e ser sisudo são coisas completamente diferentes - demonstrar uma atitude profissional independe de roupas pretas (claro que em alguns casos há regras que devem ser cumpridas, aí não há muito o que fazer). Se o escuro é necessário, tente cores escuras. Caso contrário, comece a adicionar cores vibrantes e dê nova harmonia a sua vida.

Muitas pessoas veem nas cores uma forma de terapia - até existe a cromoterapia, que busca cuidar de diversos problemas através do uso de cores nas mais variadas maneiras. Sugiro não ficar utilizando um sistema específico de cores e correspondências, como uma receita de bolo, e sim basear-se no que está sentindo a respeito (além do que você sente a sobre uma cor). Cada pessoa responde de uma forma diferente cada tipo de energia, resultando em afinidades diferentes.

Comece a prestar atenção nas cores de sua vida e nos seus mais variados tons. Pinte seus pensamentos com as mais diversas cores ao longo do dia e a utilize mais objetos coloridos, além das roupas. Repare nos variados tons de cores de temos, os olhos, a pele das mãos e dos pés, os dentes, a língua; repare também na cor dos alimentos - um prato colorido não é só saudável, como também é mais gostoso e a gente sente a diferença no final da refeição.

Este mundo (pra não dizer o universo) é formado por milhões de cores diferentes, e nos restringimos a apenas algumas durante o dia. É como querer que o corpo funcione sem seus órgãos não-vitais - não vai ser algo "harmônico". É algo que tempera e anima a vida.

26 maio 2015

Você quer ser feliz ou você quer ter razão?


OK Button, por Rostislav Kralik

Essa pergunta me acompanha há alguns anos. Ela parece um freio a qualquer ação que visa por ordem em alguma coisa - isso é insignificante demais para ir tão longe... Deve ser parente da expressão aceita que dói menos - sábia frase, mas geralmente usada para machucar as pessoas. Como o indivíduo fica paralisado ao ouvir uma frase dessas e meio sem saber como agir - afinal, está bem claro que a causa é pouca para tamanho esforço -, refletir sobre ela fora de um momento de tensão pode evitar desassossegos.

Temos que lutar pelo que acreditamos - faz parte de nossa vida. Tem horas que parece que não avançamos, que nada dá certo. É tempo de parar e refletir, se realmente estamos no caminho certo do que desejamos. Após profunda reflexão, as coisas fluem com maior facilidade, e percebemos se estamos lutando por algo que realmente vale a pena. Não adianta querer parar no meio do caminho só porque não sabe qual o próximo passo dar - ou porque alguém disse que é inútil. Quem fala a verdade é o coração.

Presenciamos injustiças todos os dias, porém devemos lembrar o que é justo ou não se baseia em uma interpretação pessoal da situação - mesmo quando utilizamos a Lei em nossa argumentação. O que pra nós é injusto, para outros pode ser altamente justificável (mesmo coisas extremamente absurdas), e vice-versa. E quando alguém acha que aquilo não faz sentido, faz justamente esta pergunta como uma forma de refrear a ação do outro. Tenha em mente: é apenas uma opinião. Podemos ou não refletir a respeito.

Inclusive há casos em que precisamos correr atrás da razão para sermos felizes - mas isso vai além. Corremos atrás de justiça para termos paz interior. Nada pior que manter uma situação como está só por causa de um motivo ínfimo que nos tira o sossego. E boa parte das pessoas prefere ter uma postura passiva (e mesmo negativa) só para não ter que se esforçar para mudar a situação. Isso só aumenta a frustração dentro de nós, levando àqueles boicotes internos e externos.

Vamos parar de ter preguiça para mudar as coisas que precisam ser mudadas, principalmente quando elas demandam urgência. Mesmo que o motivo seja pequeno - se ele incomoda, ele não é pequeno. Não é questão de querer ter razão o tempo todo, mas sim de buscar o que é certo pra si. Claro que um freio de vez em quando ajuda a ponderar sobre nossos atos e atitudes... para continuar agindo.

19 maio 2015

Uma Casa. Um Lar. Um Templo


Bird, Tree and Nature, por George Hodan

Me mudei de novo! Meu Deus, faz um ano que saí da casa dos meus pais, e desde então tive quatro moradas: um quarto de um apartamento de família, dois quartos de república, e agora uma kitnet só minha. Não leve isso como ostentação, e sim como experiências, bagagens que levarei comigo pela vida inteira. Aprendi muito em todos os lugares onde morei, e este último promete ser o mais especial por ser só meu.

Todas as nossas moradas são nossos lares. Por menos tempo que fiquemos - se for analisar, fiquei em média três meses em cada lugar - é nosso lugar de repouso e refúgio, onde podemos nos estabelecer. E deitar para dormir em um lugar por um tempo breve é uma sensação dolorosa - onde a gente fica, enfincam-se raízes; se a gente vai embora, as raízes são desfeitas; raízes são coisas duras para enfincar e retirar.

Quando estamos em busca de um lugar pra morar - seja uma república, uma pensão, um apartamento - devemos procurar por um lar. Um lar que podemos chamar de nosso, mesmo que seja uma cama e uma porta de armário. E se nos sentimos à vontade em nosso lar, podemos seguir em frente de forma segura - surge uma sensação de paz em nosso interior de que temos um lugar para repousar sem sermos incomodados.

A sensação de estar em um lar é muito boa: limpar e organizar são feitos com carinho, como se cuidássemos do nosso próprio corpo. A gente aprende a dar valor e sempre busca fazer melhorias. Se sua casa está suja, bagunçada, mal cuidada, com coisas quebradas, o que está acontecendo com a sua própria vida? Sim, cuidar da casa é cuidar de si e do planeta, de certa forma.

Um lar é como um templo, porque nele nos encontramos com nós mesmos todos os dias e vemos com amplidão toda a nossa totalidade. Nosso lar deve ser tratado com respeito e com carinho - nós estamos abrigados, nós estamos seguros, nós podemos nos avaliar e melhorar a cada dia que saímos de casa. O lar é nosso ninho onde nos conectamos com algo maior, seja lá do que você chame. Pense nisso na próxima faxina.

12 maio 2015

A Grande Falha do Feminismo Atual


Pompeii Ruins, por Svetlana Tikhonova

Durante o intervalo de um dia estressante de trabalho, deparei-me com uma notícia da BBC onde uma jovem chamou a polícia por sofrer assédio dos pedreiros de uma obra. Até aí tudo bem, virou moda isso. Entretanto, talvez pelo sangue ter fervido, acabei soltando um comentário até que rude no link do facebook. A resposta veio em peso, mas não em forma de debate ou troca de ideias: a linguagem ofensiva e as opiniões infantis foram um balde de água fria para mim. Não consigo entender por que tantas pessoas eximem a vítima de sua responsabilidade pela situação em que se encontra.

O que eu entendi da notícia: a guria em questão fazia o mesmo caminho todos os dias, e neste caminho havia uma obra, cujos pedreiros ficavam assoviando. Por algum motivo (duvido que foi do nada...), o assédio chegou ao ponto dos pedreiros bloquearem seu caminho para que contornasse os mesmos para seguir (não sei qual é o problema disso). A jovem não aguentou mais a humilhação e chamou a Polícia para denunciar (aliás, a Polícia aliás só serve pra isso hoje em dia...). O caso está sendo investigado, e ainda não houve conclusão. Obviamente, centenas de pessoas foram "tomar as dores" da inglesa que nunca viram - e ai que quem expresse um comentário contrário. Lá fui eu.

Uma falha da notícia é que ela não mostra as reações da menina aos primeiros assovios. Como dar opinião sobre algo se não temos uma informação importante? Ou a reação dela foi tão óbvia que pareceu clichê noticiar? Vamos lá: vítimas são pessoas, e como tais possuem ações e reações. Ser vítima não isenta ninguém de nada, muito menos de ação. Independente da reação, ela primeiramente aceitou aquilo como ofensa. Se ela não o tivesse feito (seja ignorando, ou levando como elogio), pararia tudo por aí. Sério: agressão só existe quando a "vítima" aceita como tal.

Quando a situação piora, uma pergunta me vem à mente: por que ela não mudou de caminho? O que dá a entender na notícia é que ela continuou fazendo o mesmo caminho, por sua conta em risco, usando fones de ouvido e óculos escuros. Olha como a situação muda de figura: é como se ela procurasse o problema e aceitasse aquilo como ofensa. Usar óculos escuros e fones de ouvido não significam absolutamente nada. A rua é de todos? Sim. Liberdade de ir e vir? Não sei como é lá, mas se alguém de confiança fala pra mim que determinado lugar é perigoso, obviamente não passo por lá. Entenda isso não como uma crítica à garota, mas às atitudes que muitas pessoas têm ao ver situações como essa - e aos comentários, muitas vezes infantis.

Repare que não há uma agressão física à garota: os pedreiros estavam no meio do caminho, assim como ela também passa pelo ele. Será que a intenção era mesmo incomodar? Não há informações precisas para tanto - você pode até considerar a menina paranoica que terá argumentos para tal. Depois de chegar a este ponto - depois de um mês, como ela aguentou tanto tempo? - ela chamou a Polícia e fez a denúncia. Disse que conversou com o dono da obra, pra falar como era ofensiva a atitude de seus subordinados. Em outras palavras: sim, eu me ofendo com isso. Passe livre para continuarem, afinal, ela aceitava aquilo.

O caso fez sucesso, e a guria ganhou louros por manter uma atitude imatura sobre a situação. O que se vê é que ela nada aprendeu a respeito - e ainda quis ensinar algo. Ensinar que se um homem está interessado em uma mulher, ele tem que se aproximar de forma respeitosa, que fiu-fiu é algo ultrapassado. Só que os pedreiros não estavam interessados nela e fiu-fiu não é uma forma de dizer que tem interesse. Fiu-fiu é o que podemos chamar de provocação: se ofende quem quer. Lembro da música Vida Louca Vida do Cazuza: "Quando ninguém olha quando você passa/Você logo acha "Eu tô carente"/"Eu sou manchete popular""...

O mais interessante disso tudo foram as respostas ao meu comentário no facebook. Duas ofensas, alguns argumentos infantis, um querendo pagar de inteligente, e uma concordância (na verdade eu não entendi o que a pessoa quis dizer). O nível de diálogo das pessoas está muito baixo - não vejo pessoas argumentando, apenas concordando ou discordando baseando-se em sua própria opinião, sem querer aprender com isso. A agressividade é constante e dolorosa - como se o outro devesse ser punido por expressar uma opinião diferente. São crianças que querem que tudo seja do jeito que elas pensam - por pior que seja.

Isso está ligado justamente ao cerne da reportagem: o fato de uma pessoa não aceitar a atitude/postura de outra pessoa, ofender-se com isso e não aprender com a situação, tomando até atitudes mais negativas. Tem gente que se ofende com o fiu-fiu, mas é problema da pessoa, não da sociedade. A vida não dá colo pra ninguém, então não adianta sentarmos e chorarmos porque nos ofenderam. Não vamos mudar as pessoas, mas a nós mesmos - como repito no blog constantemente, ir pra rua sem amadurecimento nenhum só piora a situação.

01 maio 2015

Editorial: o Som do Silêncio

Nesse mundo cheio de sons, o silêncio torna-se uma sinfonia harmoniosa. Tem horas em que dá vontade de "desligar os ouvidos" de tanta coisa que ouvimos - simplesmente ficamos saturados e não dá pra aguentar mais. Muitas vezes pela qualidade do que ouvimos quanto pela quantidade. Como o que comemos, muitas vezes temos que filtrar e nos abster de determinadas coisas para manter nossa saúde, e, por que não, nossa sanidade.

Quando falo sobre se abster de alimento, falo de parar de comer por pura compulsão, pura gula, a famosa gordice. O corpo não precisa do alimento naquela hora, mas é forçado a digerir o que não precisa. Quantas vezes não passamos por situações semelhantes, tendo que digerir coisas que não precisamos apenas por digerir pura e simplesmente, atravancando nossa mente e nos estressando desnecessariamente.


Rain On Window, por David Wagner

Com o ouvido é a mesma coisa. Com os olhos também. Vamos atrás do desnecessário por simples compulsão, apenas para entupir a mente de pensamentos e preocupações. Abster de ficar horas na internet navegando em sites que nada nos adicionarão na vida pode limpar nossa mente de pensamentos desnecessários e deixá-la aberta para novas (e mais produtivas) ideias.

Se somos seletivos com a comida que comemos, devemos ser seletivos com os sons que ouvimos e com as imagens que vemos. Vamos começar a fechar os olhos por alguns momentos para olharmos dentro de nós. E ficarmos em silêncio para ouvir nossa voz interior. O silêncio vai além da ausência de som. É algo que preenche a alma de vazio - mas um vazio fértil, enriquecedor, iluminador. É o silêncio meditativo em que simplesmente somos.

Ter a mente em silêncio e em vazio é essencial para os dias de hoje. Cultivar o silêncio interior é complicado, mas importante.