21 abril 2015

Pink Reiki ou O Reiki não é levado a sério

Pink Reiki porque quis fazer um paralelo com Pink Wicca - pessoas que acham que a Wicca é linda e maravilhosa, que os deuses são bonitinhos, mas esquecem da dualidade de tudo e da dificuldade do trabalho, achando que tudo pode ser conseguido num estalar de dedos. Engraçado que ao me aprofundar nos estudos de Reiki, encontro grupos de pessoas com as mesmas atitudes e ideias, como se fosse um Pink Reiki, e isso é um dos entraves da aceitação do Reiki no Brasil. Com os praticantes não levando a sério a própria técnica, como acham que o público irá reconhecê-la como tal?


Teddy Bears, por Petr Kratochvil

Reiki é bom, não tem contraindicação e é impossível utilizá-lo com má intenção. No entanto, isso não significa que é fácil de aprender e que você pode tudo com ele. Para ser reikiano é necessário trabalho, dedicação, disciplina, e muito amor. O Reiki tem que fazer parte da sua vida, como seu coração o é. Não adianta só ser iniciado e ter decorado a apostila do mestre. É se autoaplicar todos os dias e fazer do Gokai uma filosofia de vida. É ser grato, gentil, bondoso, confiante e trabalhar honestamente de forma natural, sem forçar a barra "porque eu sou reikiano".

Você não é um ser humano melhor ou pior por ser reikiano - muito menos por ser mestre. Conheci pessoas que vivem os Cinco Princípios e nunca tinham ouvido falar de Reiki - algumas até se assustam. Conheci pessoas que tratavam de outras com energia de forma eficaz sem nunca terem sido sintonizadas - eu sei que não é Reiki, mas isso não significa que sejam inferiores ou que a energia não seja tão eficiente - são até melhores em alguns casos.

Outro ponto importante: em praticamente todos os fóruns de discussão que eu entrei sobre Reiki (inclusive grupos no facebook) não vejo uma discussão "séria" sobre o assunto. Discussão séria não quer dizer sisuda, mas sobre assuntos de relevância dentro da técnica - e há muita a ser conversada que é deixada de lado. O que eu vejo são pessoas transmitindo, querendo ostentar seu título de mestre, mas sem fazer exatamente algo prático - a partir do nível II você já pode transmitir para outras pessoas à distância, não é nada extraordinário -, fora a discussão de que tudo é lindo e maravilhoso - é mesmo, mas isso não é desculpa para ignorar os problemas sem resolvê-los.

Enfim, querer que as pessoas levem o Reiki a sério depende principalmente de que os reikianos o levem a sério. Essa manobra é arriscada, já que existe o real risco de ser incorporada à profissão médica como a acupuntura e homeopatia. Enquanto isso não acontece (espero que nunca aconteça, mas...), devemos ter em mente que Reiki é uma técnica a ser estudada e praticada, e que possui uma filosofia de vida que deve ser vivida de forma natural.

14 abril 2015

Gokai - Seja Gentil


Mãos em concha estendidas, por Geoge Hodan

Finalmente, para encerrar a série de posts sobre o Gokai, umas palavrinhas sobre gentileza e respeito. Se prestarem atenção eu troquei os dois últimos princípios da ordem original (trabalhe honestamente é o último e seja gentil o penúltimo) pelo tema deste post ser relativamente delicado para mim. É muito mais fácil falar de trabalho do que respeito, gentileza - as pessoas tendem a por seus traumas em primeiro lugar, esquecendo de ouvir o que o outro tem a dizer. Aliás, muitos traduzem essa parte como respeite pais e professores, respeite os mais velhos, o que causa uma baita confusão.

Gentileza gera gentileza? Em partes. Ser gentil não significa exatamente que todos serão automaticamente gentis com você (talvez você trombe com mais pessoas rudes do que antes!), porém quando você é gentil com alguém, você de alguma forma melhorou o dia dessa pessoa - e é isso que irá voltar pra você. Seja grato apenas por poder dar, sem esperar por receber - até porque você pode receber algo bem desagradável (sim, há pessoas estúpidas o suficiente para responderem gentileza com grosseria).

Em outras versões, esta parte é traduzida como respeite os mais velhos, ou mesmo pais e mestres. Temos que respeitar aqueles que vieram antes de nós. Eles já conhecem o caminho que iremos passar, sabem como a vida é, e passaram por dificuldades até maiores do que nós. Eles que darão os melhores conselhos para nossa vida, isso você pode ter certeza. Mas aprenda a discernir: vejo hoje em dia muitos idosos que não viveram a vida e acham que têm razão só por estarem "velhos" no RG. Viva a vida intensamente hoje para compartilhar experiências amanhã.

O mesmo digo sobre os mestres: muitos são mestres apenas no diploma (confesso: eu sou um desses), mas na vida prática nada adicionam. Um mestre de verdade não fala por aí que é mestre, ele é mestre e ponto. Contudo, temos que respeitar a todos mesmo assim, pois cada um tem alguma experiência a compartilhar. Ser gentil e respeitoso, independente de quem seja, sem se zangar, muito menos se preocupar, trabalhando honestamente, só por hoje.

10 abril 2015

Avatar

Este filme sempre me chamou a atenção, principalmente por ter perdido um Oscar para o Guerra ao Terror. Claro, Avatar dá um soco no ego das pessoas ao mostrar como nossa sociedade está decadente e como nos ressentimos frente a outras alternativas de vida. O filme conta a história de um ex-militar paraplégico que é chamado para uma missão no lugar de seu irmão que havia falecido. A missão consistia em assumir o corpo de um habitante nativo do planeta Pandora e interagir com os demais, além de fornecer informações sobre este povo para uma possível dominação. O protagonista acaba se identificando tanto com esse novo estilo de vida que acaba se voltando contra os terráqueos numa tentativa de invasão.

De início, o filme lembra a trilogia Matrix, por chamar a atenção pelos seus efeitos visuais. Não foi uma revolução, mas muitos acabaram se admirando com a beleza de Pandora que esqueceram da mensagem a ser transmitida - que, como Matrix, fica nas entrelinhas, devendo o expectador prestar atenção e refletir consigo próprio. Basta comparar a beleza de Pandora com o declínio da Terra - quase inabitável, a beira de um apocalipse, por assim dizer. Sem querer ser pessimista, estamos seguindo por este caminho (e olha só: o filme é de 2009!).

Os habitantes de Pandora possuem uma característica especial: estão ligados uns com os outros em uma fortíssima rede energética. Quando digo habitantes, vou além dos na'vi - estou falando das plantas, dos animais, das pedras, da água. Tudo está ligado em fluxos de energia que tornam impossível o uso de radares terráqueos. Os na'vi conhecem bem essa ligação e buscam viver da forma mais harmoniosa possível, o que os terráqueos já não sabiam mais fazer em relação ao próprio planeta e davam pouca importância ao fato - o foco deles era outro: a grande mina de um metal específico que valia bilhões.

Só com isso podemos refletir nossa situação atual. Não estaríamos fazendo a mesma coisa? Só porque não temos um metrô de ponta-cabeça, nem aquele incinerador lúgubre, não quer dizer que não somos assim. E nossa busca desvairada por dinheiro, prestígio e poder, que nos faz passar por cima de tudo e de todos, independente do que é ou quem seja? Nem vou entrar no mérito das Grandes Navegações, das nações dizimadas em nome de Deus e da Coroa só pra não misturar as coisas - apesar de uma cena do filme falar justamente disso. É um sinal de alerta ao que estamos fazendo com nós mesmos, e um convite a nos voltarmos a nossa própria fonte de vida.

Essa ligação poderosa existente entre os habitantes de Pandora é real. Tudo está ligado e o que acontece na China pode refletir dentro da gente. Basta sentir e se deixar levar, entrando em harmonia com o ritmo do Universo - nós fazemos parte dele. E essa ligação nos torna mais fortes e mais presentes, permitindo o que façamos o que deve ser feito. Nós não nos anulamos em nome de um coletivo, nós nos harmonizamos ao todo, sem deixar de sermos nós mesmos. Não precisamos correr atrás de um remédio poderoso ou de um grande tesouro para mudarmos nossas vidas - está tudo dentro da gente.

07 abril 2015

Você é o que você veste


Máquina de costura Singer, por Patrick Garrington

Passei por uma situação diferente: fui retirar um documento para a Declaração do Imposto de Renda e fui proibida de entrar no local por estar de short. Estava mais de 30 graus e o tempo seco; mesmo assim, tive que voltar pra casa, pegar uma calça, e ficar menos de cinco minutos no local para pegar o documento. Claro que antes de trocar de roupa eu fui a diversos outros lugares e peguei os outros documentos que eu precisava - e de short.

Achei que só ficaria bolada no dia, fazendo piadinha e esquecendo no dia seguinte, mas não: estou refletindo sobre isso até agora. No meu serviço, acharam que eu era estagiária por usar uma touquinha com o formato de tigre. Ao informar que eu era servidora, como elas, a situação ficou tensa - afinal, eu estava em uma palestra sobre preconceito. E quem não se lembra da Geisy Arruda, com seu microvestido cor-de-rosa? Lembrei até da palavra decoro, que tem por raiz deco, que também dá origem a decoração, e que significa justamente a forma com que deve se vestir/portar em lugares e situações diferentes.

A Marcha das Vadias começou (dizem por aí) quando uma policial disse a uma garota que ela estava parecendo uma vadia com a roupa na qual ela estava vestida. Por mais que seja o problema da moça, vamos refletir: dependendo da roupa na qual estamos vestidas, recebemos tratamentos diferentes (por causa do tal decoro). A policial não estava errada quando disse isso - afinal, a função dela também é orientar a população - muito menos a garota - afinal, estamos no século XXI e as pessoas deveriam ser menos preconceituosas, mas não são.

A culpa não é das pessoas que julgam pela aparência (todos julgam de alguma forma assim), mas na hora em que vamos transmitir nossa "mensagem" nessa hora. Quando vamos a um banco ou a uma loja, somos tratados pelo que aparentamos, pois aquilo pode significar um potencial cliente ou não. Preconceito? Sim. Isso é ruim? Nem sempre. Para ocasião existe uma roupa, ou melhor, um estilo de roupa, e em cada estilo, uma mensagem a se transmitir. Usar roupas apenas porque gosta e não se importar com o objetivo (evento, trabalho, faculdade) pode te colocar em situações bem constrangedoras.

Como o foco aqui é a mudança de dentro pra fora (mudar a si e não o outro), vamos inverter a situação: quantas vezes nos afastamos de pessoas que achamos estar mal-vestidas para aquela ocasião? Principalmente para as mulheres, é comum falar mal da roupa da outra - para depois reclamarem do preconceito "dos outros". Não entro no mérito de tomar banho, pois aí é questão de higiene (particularmente, dever capital). Estar bem vestido para uma ocasião não quer dizer exatamente estar bonito, mas evitar constrangimentos desnecessários. Tem horas em que não adianta dar murros em ponta de faca para que as pessoas mudem seu jeito de pensar - é só voltar pra casa e mudar de roupa. E tem outras horas em que devemos abrir nossa mente para o que está diante de nossos olhos.

03 abril 2015

Todo conhecimento é válido

Depois de matutar sobre o que escrever sobre burrices, cheguei à conclusão de que todo o conhecimento é válido. Sim, cada um, com sua experiência, possui seu conhecimento. Ou seja, as pessoas não são burras (por mais que pareçam!), mas possuem sua bagagem de conhecimento conforme seu nível de evolução e maturidade. O que para nós é tão óbvio, para os outros não é, e vice-versa: tem hora que pagamos grandes micos apenas porque não sabemos de algo que as pessoas acham que deveríamos saber.


Green-eyed gatinho, por Alex Grichenko

Estou fazendo uma disciplina na faculdade sobre História da Ciência, e estou gostando muito. É legal ver o desenvolvimento do conhecimento ao longo do tempo, pois abre novas perspectivas e possibilidades dentro da pesquisa histórica, fora o trabalho interdisciplinar que pode ser feito nas escolas (apesar da falta de interação entre Bacharelado e Licenciatura dentro da própria faculdade). O que me chamou a atenção, entretanto, foi a postura dos meus colegas perante alguns assuntos, junto com o conteúdo das aulas, me fizeram refletir para escrever este post.

Em um dos textos, a autora critica a desconstrução da Ciência em favor de outras formas de conhecimento locais. Para ela, a Ciência permite questionar a sociedade e seus valores (ué, isso não é uma forma de desconstrução?) para que a mesma possa continuar se desenvolvendo de forma livre. A autora exemplifica com o caso indiano: a Ciência é uma forma de promover a igualdade entre castas e o conhecimento a todos sem distinção. É até bonito o discurso dela olhando por esse aspecto, mas olhando de outra forma percebe-se que as coisas não funcionam assim.

Em outro texto, o autor afirma que a Ciência não é perfeita: está sujeita a falhas e paixões, aos interesses pessoais, e ela sozinha não pode ser árbitra para qualquer caso. O texto termina com o autor afirmando que as diversas formas de conhecimento devem andar juntas e serem respeitadas como são. Isso de nenhuma forma promove o autoritarismo ou a discórdia - é quando o saber de um ou de um grupo se sobrepõe ao outro que a coisa desanda e o conflito surge. Leve em conta que não há o julgamento do certo e do errado, do que funciona e do que não funciona, pois tudo faz parte do Todo.

Para encerrar com um exemplo bem interessante: até hoje uma boa parte dos estudantes e pesquisadores de História acham que as pessoas que viveram durante a Idade Média eram extremamente ignorantes - nem estou falando do público em geral. O que acontece é que o conhecimento produzido pelas pessoas naquela época era visto como "inferior" pela carga teológica que havia neles. No começo do século XX iniciaram-se linhas de pesquisa nessa área que apresentaram o grande vigor científico da época. Mesmo assim, muitos não acreditam (ou não aceitam?) e possuem bons motivos para tal. Uma coisa é certa: burros não eram mesmo.