27 fevereiro 2015

Como fazer uma Revolução

Material necessário: paciência, disposição, coragem, amor (muuuuuuuuito amor), empatia, confiança, e tudo mais que for necessário para seu desenvolvimento pessoal. Importante ressaltar que é estritamente proibido atacar pessoas de opinião diferente, fazer fofoca, fazer birra, reclamar, ou qualquer coisa que possa prejudicar a si ou a outrem. Sério, fazer uma Revolução de verdade não precisa quebrar nada, a não ser padrões antigos internos. Não precisa se preocupar com o exterior agora - na verdade, o exterior muda conforme o interior muda.


Red Rose, por George Hodan

O primeiro passo, e principal, é querer mudar, e tomar consciência disso. Questionar suas atitudes, sua vida. Isso não é uma receita de bolo - esse processo pode acontecer de diversas formas e a qualquer momento de sua vida. Pode ser desencadeado por qualquer motivo, e mesmo pela falta dele. As coisas irão se suceder meio que automaticamente - elas virão até você. O esforço a ser feito é manter a intenção e a determinação.

Ao longo do caminho, você aprenderá a sentir e perceberá que sempre foi responsável pela própria vida. Não será fácil, haverá pedras, lágrimas e muito mais. Mas só por que não será fácil, não quer dizer que deva desistir - muito pelo contrário. Isso é mais ou menos que o sistema para manter tudo na mesma. Quando a gente revoluciona, bugamos o sistema. Ele começa a dar falhas e as expõe a outras pessoas - que podem ou não ficar conscientes disso.

Essa é a essência da verdadeira Revolução. Por mais que eu use o termo verdade com ressalvas, basicamente a mudança só irá acontecer, o sistema só será destruído, quando as pessoas tomarem consciência disso pra si e buscarem crescer a si mesmas. Como irão fazer, quando e onde, é particular de cada um. No começo as pessoas se voltam contra o "revolucionário", e essa situação pode permanecer: pra onde você for, onde estiver, sempre terá um olhar torto ou uma frase de reprovação do nada. Vai haver perseguição sim, e não será uma coisa da sua cabeça (pros outros sim, afinal, o "louco" é você).

Manter a serenidade nestas horas é fundamental. Vai parecer que o mundo está acabando - afinal, Revolução sempre tem esse clima, #hue. Só que a diferença estará dentro de você: como se sente? É isso o que realmente importa, porque não importa o que aconteça, tudo dará certo pra você. É uma questão de fé: se você está no caminho certo, tudo favorece, haverá apoio vindo de não sei onde. Assim como pessoas aparecem pra atrapalhar, irão aparecer pessoas para ajudar. E você irá conhecer outras tantas que estão no mesmo caminho que você.

Escolha o que você quer que prevaleça na sua vida.

24 fevereiro 2015

Cuidar de si mesmo

Estou há algum tempo tentando escrever sobre como anda a saúde atualmente, mas sempre busquei focar no pouco caso de alguns médicos para algo que eles consideram preguicite - alguns problemas pontuais que não são exatamente doenças, mas causados por stress e fadiga na maior parte das vezes, e, em alguns casos, insatisfação com o emprego e com a própria vida. Mas o assunto não ia pra frente e o post não era publicado, então decidi começar a partir de outra perspectiva - do próprio indivíduo.

Cuidar da própria saúde vai muito além da alimentação e dos exercícios físicos, porém esta parte está sendo esquecida por muitos que focam o lado espiritual. São é só parar de comer carne ou outros alimentos de origem animal - aliás, adotar uma dieta vegetariana/vegana tem que ser escolha da pessoa, vinda lá de dentro (o corpo sabe o que é bom pra ele). Eu, por exemplo, não vivo sem carne, ovos, leite, peixes - meu corpo pede pra comer.


Vivid Tulips And Grape Hyacinths, por Petr Kratochvil

Outra coisa importante é que fazer a própria comida é muito mais saudável (e mais barato!) do que comer fora. É um gesto de afeto ao organismo, fora que é uma oração de agradecimento ao que tem. Levar marmita (feita por você - congelado não vale!) para comer no serviço não te faz uma pessoa "inferior", como alguns pensam, mas sim te faz uma pessoa mais segura, mais criativa e mais cheia de si.

Fazer uma atividade física é sempre saudável - exceto quando ela deixa de objetivar o bem-estar e começa a focar apenas na aparência, chegando a extremos absurdos. Faça uma atividade física que goste e que te faça bem - não a da moda ou que te faça "bonito". Só de você mexer seu corpo por algum tempo ele fica mais disposto e "querendo mais". Dentro do seu limite, continue fazendo, intensificando os exercícios. Você irá sentir uma alegria tão imensa, tão boba, que verá sua vida mais colorida e alegre.

Quando ficar doente, busque a "real causa" do problema. Na maioria dos casos, a doença tem origem em traumas e bloqueios e ficar doente é uma forma de lidar com isso. Remédios? Só se achar necessário. Eu, pessoalmente, evito tomar remédios para resfriado e cólicas, simplesmente para não "acostumar" o organismo e me tornar mais resistente por conta própria. Vai ter situações que você não terá esses remédios à mão, e dependerá unicamente de si mesmo para suportar estas dores.

Busco o médico quando vejo que o problema é "mais sério", como eles mesmos dizem. Dependendo do que ele fale, busco na minha memória o que me levou àquele estado e busco reverter a situação. Caso me receitem alguma medicação, peço logo o genérico ou algum correspondente de igual valor - afinal, eu tenho que cuidar do meu dinheiro também. Se o médico recusa (não ter é uma coisa, vir com discurso é outra), procuro outro especialista (ou até mesmo um farmacêutico de confiança). Tome cuidado com o que você ingere, leia a bula e siga o que o médico falou (parece manual de geladeira, mas já me livrou de diversas frias!).

Fora isso, repouse. O corpo sempre pede repouso quando está doente. Se sente bem? Vai fazer uma caminhada leve, leia um livro gostoso (nada pesado, faz mal pra mente neste momento), ou mesmo um trabalho manual. Curta seu corpo - carinho ajuda a melhorar mais rápido. Busque entender como adoeceu, e se for o caso, procure um terapeuta holístico de seu gosto (há terapias muito gostosas que integram o corpo e a mente). Conte o que está passando e o que pensa sobre. Você irá se surpreender com o que descobrir.

Quanto mais saudável você fica, melhor você entendem seus problemas, que deixam de se manifestar sob a forma de doença. Como eu havia dito antes, traumas e bloqueios se manifestam em forma de doenças - superá-los abre caminho para uma cura definitiva. Curar-se é crescer - você aprendeu aquela lição. Não somos seres mecânicos, e até mesmo as máquinas precisam de reparo e manutenção. Precisamos de muito mais porque somos muito mais.

20 fevereiro 2015

Você quer que o mundo acabe?

Essa pergunta me veio à mente enquanto eu assistia ao desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro. O samba-enredo era o que você faria se faltasse um dia para o mundo acabar?, e fiquei pensando no quanto as pessoas comentam sobre isso hoje em dia. Comentam das desgraças, dos problemas, e ignoram sistematicamente qualquer coisa boa que venha a acontecer. Desde o começo da década, falar sobre o assunto tornou-se comum, corriqueiro, e rendeu até uma série na tv fechada sobre pessoas que se preparam para tal.

É como se as pessoas quisessem mesmo que o mundo se acabe, de qualquer forma. É uma forma de se fugir dos problemas e até de si mesmo. Um grande ponto final na História - o grande foda-se. Só que até o mundo acabar, os problemas estarão aqui, as dificuldades serão as mesmas (e até piores), e teremos que continuar vivendo nossas vidinhas - o que não significa que ela não pode mudar.

Outra coisa que ficou evidente é como as pessoas aproveitariam esse "último dia": largariam as convenções sociais e curtiriam a vida. Algo meio sem noção, já que na hora todos iriam entrar em pânico e agiriam que nem animais em busca de alimento e abrigo - a catástrofe seria mais humana do que "natural". Se é pra curtir a vida, por que não curtir agora? Se o mundo for acabar, com certeza você já vai ter batido o ponto no serviço.

Sua vida aqui irá acabar um dia - haverá muitas outras, nas quais os problemas irão com você junto com as coisas boas. Aliás, já que o mundo vai acabar mesmo, ou você vai morrer antes (mais provável), por que não dar aquele abraço na pessoa que você ama e dizer o quanto ela é especial, ou mesmo pedir desculpas pela merda que fez. Por que não trocar de emprego para algo mais agradável ou fazer aquele curso superdivertido que todo mundo diz ser inútil?


Bench, por George Hodan

17 fevereiro 2015

Libertar-se do Passado


Pelican Taking Flight, por Linnaea Mallette

Essa foi uma das lições mais duras que eu tive que aprender na minha vida. Creio eu que não a aprendi de todo, mas o suficiente para poder compartilhar a experiência. O que mais me interroga é justamente eu estudar História: eu estudo o Passado, eu me apego a ele como forma de entender o Presente (apesar das controvérsias). Só que devemos nos libertar do Passado para criar uma nova realidade, um novo Presente e um novo Futuro.

Não adianta ficar remoendo, relembrar das coisas ruins. É engraçado que vemos isso constantemente em História: a gente dá preferência aos eventos negativos, às guerras, às catástrofes, às ditaduras. Claro que elas têm papel importante na História, mas não foi só isso que nos trouxe até aqui. Houve tanta coisa boa, você lembra? Difícil né, geralmente é considerado inútil, sem importância e acabamos esquecendo.

Aliás, o pulo do gato é justamente esse: dar preferência às coisas boas, não ficar remoendo as ruins. Ficar remoendo, buscando de alguma forma superar aquilo, apenas agrava a situação. Para superá-la precisamos ignorá-la, como se não existisse. Claro que demanda um esforço tremendo, mas conforme você ganha prática, o processo se torna tão natural que até aprender com as coisas ruins da vida fica mais fácil.

Se eu fosse listar todas as minhas limitações, você iria me perguntar como eu ainda vivo. Resposta: porque eu ignoro-as, ué? Simples assim. Doenças e limitações são coisas a serem superadas, não usadas como pretexto para não viver. As pessoas tendem a fazer isso hoje em dia, esperando que outras façam por ela. Um conselho: nunca deixe outra pessoa fazer por você aquilo que você deve fazer - vai lá e faça.

"Ah, mas eu tenho uma doença incurável, preciso tomar não sei quantos remédios por dia, blá blá blá..." Isso pra mim é desculpa. Você não quer superar a doença (ou a dificuldade) para que as pessoas tenham dó de você. Superar a doença para realizar seus sonhos é crescimento, amadurecimento, e até mesmo a verdadeira cura para os males do corpo (em outro post eu estendo isso). Não digo para largar os remédios e viver perigosamente, mas parar de usar as doenças (assim como outros tipos de limitações) como pretexto para fazer o que quer (e o que precisa) fazer.

06 fevereiro 2015

Rótulos

De uns tempos para cá, as pessoas vêm sendo rotuladas de diversas formas, como se fossem aqueles potinhos que guardamos dentro do armário. Qualquer comentário ou atitude logo é definida como algo tal, e as reações se dão àquela definição, não ao fato em si. Basicamente isso foi definido como rotulação, que é condenado pelas pessoas, porém praticado pelas mesmas corriqueiramente. Pessoas tornam-se definições, porém as definições não abrangem a totalidade das pessoas.

Todos temos direito a ter nossas opiniões, independente quais sejam. Não podemos criticar alguém por ter determinada opinião. Por mais absurda que seja, é apenas uma opinião (o que a pessoa faz a partir desta opinião é outra coisa, pois isso que pode realmente fazer danos à sociedade). Percebo que as pessoas fazem estardalhaços porque alguém disse algo que não as agrada - muitos problemas seriam evitados apenas ignorando o "ofensor".

Rotular algo ou alguém é fazer um julgamento precipitado que sempre cai no erro da frustração - eu não sabia que era assim, eu pensei que fosse assado. Pior do que isso é o orgulho da pessoa impedir que ela assuma seu erro de forma madura e sincera, persistindo no erro mesmo sabendo que está errada. É o que vejo com muitas pessoas que não querem "mudar de opinião" e se assustam quando alguém o faz. Saiba disso: você é livre para mudar sua opinião quando quiser e porque quer. Isso é crescimento.

Porém um detalhe importante: intuição não é preconceito. Se sua intuição indicou algo, ela sempre tem razão. Aprender a confiar na intuição a deixa mais precisa e presente - ela não é mero acaso. Quanto mais você desconfia dela, mais longe de si mesmo você está. A intuição antecipa conclusões que seriam feitas em tempo posterior com argumentos bem mais convincentes. Chega a ser até irônico: não julgue, não rotule, não tenha decisões precipitadas, mas use sua intuição, pois ela é bem mais profunda e sempre aponta para o melhor caminho.

Sugiro esvaziar os rótulos, e ver o que aquilo realmente significa pra você. O rótulo em si nada é além de um dispositivo que fomenta o preconceito das pessoas.

03 fevereiro 2015

O caminho é relativamente simples

A vida é um caminho simples. Difícil, mas simples. Ele está lá - não é bom ou ruim, isso depende de quem caminha. Somos levados a pensar que para viver é necessário ter/ser um monte de coisas, quando viver é apenas dar um passo após o outro. Só que dar um passo após o outro pode ser a coisa mais complicada a se fazer. Mas o caminho continua lá - não é necessário ter pressa para chegar lá.

Caminhar não precisa ser um processo doloroso - nós que escolhemos sentir dor ou não, pois sofrimento sempre haverá, é parte de nosso crescimento. O caminho pode ser doloroso porque a estrada é de terra e estamos descalços, ou porque está sol ou chovendo forte. Muitos usam guarda-chuva, mas não é a melhor solução: você perde campo de visão e pode perder a beleza do lugar (essa lição é meio que literal).

Muitas vezes nos negamos a dar o próximo passo, ou queremos mudar de caminho. Tem horas que não precisamos mudar o caminho - ele muda por conta própria, conforme nossas escolhas. Mudar de caminho também pode ser visto assim. Falando dessa forma, parece que tudo é simples. E é simples. Mas é difícil.


Path In The Woods, por Larisa Koshkina

Difícil porque dói, difícil porque temos que abrir mão de diversas coisas, difícil porque temos que mudar. E andar é mudar. E mudar causa dor e sofrimento. E dor e sofrimento é questão de lidar com serenidade - algo mais difícil ainda. Se não queremos caminhar, a vida nos empurra, porque algo coletivo nos faz isso. Estamos todos ligados.

Quando falo que algo é simples, porém difícil, não estou ironizando. Realmente é assim. Aceitar isso faz parte do processo de aprendizado e amadurecimento. Quando a gente passa e olha pra trás vê o quão simples era - sempre foi. Quando a gente olha pra frente e vemos algo difícil, devemos refletir o que está nos atrapalhando - que pedras são essas que surgiram na nossa frente? As pedras somem conforme andamos. E o caminho continua, sem fim.