22 agosto 2014

Refletindo sobre Produtividade


Egg and Hammer, por George Hodan

As pessoas andam parecendo máquinas: buscam fazer mais e mais, sem se preocupar com a própria saúde ou mesmo descansar um período adequado ao organismo. Mais serviço, mais dinheiro, mais responsabilidades, mais problemas, menos saúde, menos prazer, menos vida. Estamos muito quantitativos. Fazemos muito, mas não se faz nada direito. Tudo fica no desleixado, no provisório, tendo que ser refeito constantemente, apenas para ser feito mais. Não seria melhor deixar de lado fazer muito para, pelo menos, fazer bem?

Nossa cabeça hoje em dia está repleta de tarefas a fazer, e para gerenciá-las são utilizadas diversas ferramentas e aplicativos de celular. Uma agenda só não dá conta. Uma pessoa só também não. Não pense que isso é bom, muito pelo contrário: se sua cabeça sozinha não consegue gerenciar seus compromissos, seu corpo também não consegue. Superar limites é uma coisa, há a consciência do esforço, mas não é um estado constante de sobrecarga como na mente atual.

Essa sobrecarga está causando problemas sérios no organismo. Muitos reclamam que estão sonolentos durante o dia, mas à noite não possuem sono nenhum, estando completamente despertos e alertas. Outra coisa que acontece é essa obsessão por férias e feriados: qualquer oportunidade de descanso é usada para dormir quase que literalmente o dia inteiro. E dormir demais também causa cansaço, perpetuando o círculo vicioso.

Conheço pessoas que inventam qualquer problema de saúde para não irem trabalhar (com ou sem atestado). Boa parte dos médicos acaba mandando seus pacientes de volta ao trabalho achando que é bobagem, ou até mesmo preguiça (mesmo quando a pessoa possui uma doença real causada por fadiga e sobrecarga de serviço). Essa situação esconde um problema muito mais grave: se a pessoa está procurando de alguma forma sabotar o trabalho, é porque ela está trabalhando demais. Ajuda médica seria fundamental para que a pessoa possa se curar deste mal e não depender mais disso para poder descansar.

Não procure fazer mais, procure fazer o melhor. Nem que isso demore mais do que o previsto - seja flexível. Produtividade não deveria ser alguma coisa relativa à quantidade, como desempenho de máquinas. Deveria ser algo relacionado à qualidade do trabalho, a marca pessoal de cada pessoa e a capacidade que ela tem de fazer cada vez melhor.