09 julho 2012

Aprendendo a desapegar


Red Poppy Flower, por Petr Kratochvil


Desapego é uma palavra na moda. As pessoas pregam o desapego de bens materiais: roupas, livros, objetos dos mais variados. Deve-se viver com o mínimo de coisas materiais para se abrir a um mundo mais espiritual, sutil, imaterial. Mas há diversas coisas que devemos desapegar e que as pessoas esquecem.

Desapegar da família: um dia, mais cedo ou mais tarde, você vai sair de casa, ou alguém vai sair. Ou você não vai mais aguentar aquele parente mala que acha que é seu amigo só porque tem um laço de sangue com você. Laços de sangue nada mais são, e os grandes estorvadores da família estão dentro do seio familiar. Na verdade, nós fazemos nossa família, seja ela com parentes, com amigos, com vizinhos. Devemos nos desapegar dos laços impostos pelos outros e criar nossos próprios laços.

Desapegar das ideias: temos que ser flexíveis e abertos a novas ideias. Mudar de uma hora para outra quando bem aprouver. Esquecer de si, esquecer das obrigações, esquecer das inflexões.

Desapegar das pessoas: elas não serão mais legais a vida toda, ou um dia irão partir. É difícil ter um amigo verdadeiro para a vida inteira. Você terá vários. Deve-se também desapegar das pessoas, de suas opiniões e ideias, mesmo você aceitando-as ou não, pois são todas efêmeras. Para que se preocupar com quem lhe desagrada?

Desapegar das lembranças: um dia você se lembrará de coisas boas que aconteceram com um amargo na boca. Não que devemos esquecer as coisas boas que aconteceram na nossa vida, mas não viver dependente delas, como se só o Passado tivesse alegrias, fechando os olhos para um Presente rico de possibilidades.

Desapegar da proteção: deixar a zona de conforto, e deixar as pessoas saírem da mesma. Essa zona é apenas uma tentativa de segurança, não uma segurança real. Um dia vai acontecer uma catástrofe. Não adianta ficar apenas previnindo, buscando a ilusória vida estável. Deixe as pessoas arriscarem, quebrarem a cara. Quebre a cara de vez em quando.

Esses são só exemplos do alcance do desapego. O material não é nocivo por si só, há muitas emoções impregnadas em fotos, livros, roupas. Livrar-se de situações, pessoas, ideias, também deveria ser fazer parte da rotina das pessoas. Mas pior do que perceber, é não poder fazer.