sábado, 5 de maio de 2012

Inspiração do Esbath

Lua que está acima de minha cabeça, cheia de esplendor e energia, por favor me ouça, pelo menos desta vez. Eu sei que há muitas pessoas a minha volta, e que não têm tanta afinidade com a Senhora, mas eu preciso falar com você. Ouça minhas lágrimas, ouça meu lamento, ouça meus risos e minha alegria. Ai, Senhora, não só sofro, mas eu rio, mas eu choro, mas eu... Não esqueço de você durante o dia, acalma meu sonho durante a noite, leva para longe as lágrimas que saíram de mim. Leve-as para longe, para que eu nunca possa vê-las, para onde possam descansar.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Em busca de uma nova forma de fazer História

Isso até poderia ser um episódio do ClioCast, mas estou com outras pautas na cabeça para ele. Enquanto leio Ante El Tiempo me vem à cabeça uma ideia de fazer uma nova História, ou melhor, reformar a mesma, permitindo o máximo de coisas possíveis para o trabalho historiográfico.

Digito com tanta força no teclado (por causa do frio) que parece que estou em uma máquina de escrever. Pensei até em baixar um programa de computador que emite sons de máquina de escrever conforme digita, mas não lembro se é um programa de computador ou apenas um aplicativo para smartphone. Pois bem.

A História é um estudo das sociedades humanas ao longo do tempo, em seu sentido mais básico. É através dessa premissa que partem a grande maioria das teorias históricas, porém ou há um aproveitamento parcial desta frase, ou simplesmente um desprezo desnecessário a ela. Vamos analisar: se a História é um estudo das sociedades humanas, logo são incluídos os seres humanos nela individualmente. Por mais antissocial que seja uma pessoa (como eu, hehe), ela faz parte de um todo, seja um bairro, uma cidade, seja isolada em uma fazenda, produzindo por conta própria (há os fatores que a fizeram se mudar para lá, há ainda um contato dito social).

É um estudo ao longo do tempo. O Tempo é o principal fator da História, tanto é que alguns definem a História como o estudo do Tempo, o que não está errado se for visto por este viés. Sem Tempo, não há História, e sem História, não há um monte de ciências humanas (lamento dizer isso, mas é verdade. Assim como se acabar certas ciências humanas já era a História). Não incluo aqui as malditas improvisações frutos de arrogância. Mas o fator Tempo é acompanhado obrigatoriamente do fator Espaço, pois onde os objetos estão situados, seja conotativamente, seja denotativamente.

Reclamo de historiadores que abusam das palavras complicadas em seus trabalhos, e não estou ficando atrás. Socorro!

Certo, formei uma tríade: tempo, espaço, sociedade. E não era aí que eu queria chegar; eu gostaria de dar uma guinada e ir lá para os estudos de Tempo, que influenciarão os outros fatores de maneira profunda. Gostaria de definir o Tempo, só que aí terei que definir o Espaço e a Sociedade. Aí este artigo vai ficar longo pra caralho e vou ter que cortá-lo. Que situação!

Bem, o tempo não é algo linear como as pessoas ainda acreditam ser. Na escola, discussões sobre o Tempo duram apenas 50 minutos, quando não menos, e acabam ao tocar o sinal. Fica parecendo que as pessoas enfiam essa noção na cabeça como uma verdade universal. O Tempo é uma construção humana para alguns (muitos irão ficar chateados pela ausência de notas de rodapé, mas sinto que se eu depender delas para escrever, nada escreverei), baseada na observação de uma Natureza cíclica. Pera, como o Tempo pode ser linear se foi baseado em uma coisa cíclica, que começa, termina e recomeça?

Então o Tempo não é algo certinho como as pessoas pensam. Se o Tempo não é algo certinho, têm suas fragmentações, como fazer uma pesquisa histórica certinha, linear, e bonitinha? Chega a ser hipócrita! Mas não confundam Tempo fragmentado com trabalho deorganizado, pois é possível organizar o Tempo de alguma maneira para melhor compreensão das pessoas (aliás, historiador escreve pra quem?). Sem que isso fira na fragmentação do mesmo.

Se o Tempo é fragmentado, o Espaço também o é. Veja a evolução dos mapas como o exemplo mais simples em relação a isso. O Espaço muda, evolui, cresce, diminui. Não é o mesmo na piscada de olho seguinte. A definição de balizas espaciais em um trabalho histórico deve prestar bastante atenção quanto a este aspecto. Não se deve pensar o espaço de outra época como o espaço de hoje, para evitar divergências (existem atlas históricos, como se os atlas não espelhassem ao seu tempo). Nem pensar que a rua onde você mora sempre existiu, por mais velha que seja.

Com estas mudanças, temos as mudanças sociais, mas aí penso em falar de outra coisa: memória. A História existe porque existe a memória. A História seria como uma espécie de memória coletiva: sempre em construção, sempre a se modificar. Quantas vezes não somos enganados por ela? Juramos que algo aconteceu de uma forma e ele aconteceu de outra. E onde está a psicologia, psicanálise entre outras para explicar e auxiliar nestes estudos? Estudar a memória é importante para a compreensão de um todo histórico, o problema é quando pensam que é exclusivamente para os grandes personagens, para os grandes feitos. Eu até pensei em fazer episódios focando em pessoas que fizeram a diferença na História, mas, sinceramente, são tantas, muitas, que ficaria confuso. Não só os grandes têm vida, os pequenos também. Aquela pessoa que pega ônibus todos os dias no mesmo horário tem algo para acrescentar, tanto quanto o presidente de um país.

Aí começa outro problema: o que concluir disso? Às vezes acho que não disse nada, que tudo foi em vão, que não faz sentido nada do que eu escrevo, ou pior, sou uma pessoa inútil. O que concluir de tantas variações? Que devemos estar atentos a elas na hora de trabalhar, literalmente viajar ao objeto a ser estudado, morar com ele, conversar, conviver. É como tentar viajar no tempo e no espaço, através de tanto material (sim, existe a multimídia, leu?) que o plural não se encaixaria bem aqui. Eu gostaria de viajar assim, escrever assim, e pronto.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Abismos

Se andei sumida, é que andei pensando sobre os abismos da vida. O problema não é evitá-los, e sim entrar neles, conhecê-los, morar neles, cultivar flores e poder ir e vir. Seria muito melhor se não fosse difícil. E seria mais fácil escrever aqui se eu tivesse mais ideias. Com novos projetos, esqueço aqui.

sexta-feira, 23 de março de 2012

ClioCast - Broadcasting History

Eu tinha comentado há um tempo atrás sobre minha ideia de fazer um videocast sobre História, mas algo empacou, e quase o projeto foi pro saco. Conversando com minhas amigas, percebi que fazer um podcast seria muito mais prático, até porque as pessoas poderiam baixar e escutar depois, não precisando estar o tempo todo online.

Descobri que não há sites que hospedam gratuitamente podcasts (o Mevio demora a aceitar sua solicitação e um outro que achei só faltou pedir seu saldo em conta bancária). Ou seja, acabei hospedando os episódios no Media Fire e criei um blog para haver o contato com as redes (Facebook e Twitter) e uma maior interação. Ou seja, se não souberem o que é feed, só ficar ligado nas redes sociais que os episódios serão atualizados automaticamente.

E, claro, vocês poderão interagir. Na verdade, deverão. Dizer o que acham de cada episódio, expor suas ideias, e até seus trabalhos! Também poderão sugerir o que querem ouvir no podcast, que farei questão de pesquisar. Comecei com temas pouco visados fora da historiografia para dar um impacto nos ouvintes. Espero que gostem.

terça-feira, 13 de março de 2012

Não sou obrigada. Obrigada.

Bem, se tem uma coisa que me irrita no transporte público é assento preferencial. Irrita muito! A pessoa pode estar acabada e tem que ceder lugar para outra só porque é mais velha. Sim, na maior parte dos casos, quem pede o maldito assento são os idosos, na verdade, as idosas. Isso é muito chato e muito desconfortável. Mas vou explicar direitinho a história para não parecer que fiquei maluca de uma vez.

Aqui em São Paulo, o Bilhete Único de estudante é válido apenas por duas, e não três (e mesmo se fosse, daria no mesmo), horas. Para eu não perder a integração e pagar passagem desnecessariamente, seja por congestionamentos, seja pelo trajeto ser longo, eu fico sentada antes da catraca. Esta parte é cheia de assentos preferenciais, mas há assentos que não o são, ou seja, você não é obrigado a ceder seu lugar.

Os idosos daqui de São Paulo não pagam passagem de ônibus, podendo cruzar livremente a catraca (é que os assentos preferenciais na frente são para as grávidas, deficientes e com bebês, pois cada criança marmanjo que a mãe carrega pra não pagar passagem...) e sentar em um monte de assentos livres, preferenciais ou não. O problema acontece quando estes idosos querem sentar no seu lugar não-preferencial antes da catraca. A pessoa não é obrigada a ceder, mas aparecem tantos certinhos que a coisa fica feia pro seu.

Bem, vamos organizar a resistência (hahaha). Se você está em lugar não-preferencial, não ceda a qualquer idosa que se acha melhor que você. Faça ela rodar a catraca, ficar em pé ou andar a pé mesmo. Se ela não te respeita, como você irá respeitá-la? Se ela tem direitos, você também os têm, acabou. Querer ceder o lugar por obrigação é uma coisa (odeio folgados que sentam em lugar preferencial e acham que você que deve ceder o lugar às idosas etc...), mas porque a mulher não viu a placa já passou dos limites há tempos.

Na Irlanda, pelo que sei, não há essa de lugar nem assento preferencial. Lá você dá por educação, não por obrigação. Obrigar alguém a ser supostamente educado não é educação né?